29 de nov de 2011

Pai mata filho de 3 anos ao colocar criança na máquina de lavar


"Se tens um coração de ferro, bom proveito.
O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia..."
José Saramago
Meu coração já não está aguentando sangrar todo dia por ver tanta criança sofrendo e morrendo em nome da falsa ideia de que castigos físicos e humilhantes educam.

Francês, que queria castigar criança por mau comportamento, foi preso

O francês Christophe Champenois, de 33 anos, é acusado de cometer um crime bárbaro: ele teria matado seu filho Bastien, de três anos, jogando-o numa máquina de lavar.

Morador de um prédio na cidade de Germiny L'Eveque, a 50 km de Paris, Champenois atirou a criança na máquina para, segundo informações do jornal Telegraph, castigá-la por mau comportamento. Ele tirou as roupas do filho e, em seguida, o jogou no aparelho de lavagem. 

Acusado de homicídio, Champenois disse à polícia que a criança morreu ao sofrer um acidente caindo da escada de casa. A mãe ainda tentou salvar o filho, pedindo, desesperada, por socorro. 

O pai, que recebia desde 2006 auxílio do governo francês por sofrer de problema psicológicos, foi preso. A mãe também acabou detida, como cúmplice. 

Vizinhos contaram aos agentes franceses que o casal costumava bater no filho. Uma das testemunhas disse que Champenois chegou a trancar o filho no armário como punição.
Parentes do casal também acusam os dois de maltratarem a criança. De acordo com o jornal britânico, familiares contaram que achavam a criança "perturbada e deprimida" nos últimos meses.
 
Fonte: R7 Notícias em 29/11/2011 às 11h31min

Audiência Pública com o tema " Violações de Direitos Humanos no Estado de Goiás"



A Comissão de Direitos Humanos, Cidadania e Legislação Participativa da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás em parceria com o Conselho Nacional da Criança e do Adolescente (CONANDA) e o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) convida para Audiência Pública com o tema " Violações de Direitos Humanos no Estado de Goiás", a realizar-se às 10h do dia 29 de novembro de 2011, na área IV (Tribunal do Júri) da PUC-GO (Praça Universitária, esquina com 1ª Avenida – Setor Universitário, nº 1440. Telefone:
(62) 3946-1010).

A Audiência contará com a ilustre presença da Ministra de Direitos Humanos e Presidente do CONANDA e CDDPH, Ministra Maria do Rosário.Atenciosamente,

Comissão de Direitos Humanos,
Cidadania e Legislação Participativa.
(62) 3221-3167

Abaixo a programação das atividades do CONANDA nos dias 29 e 30 de novembro de 2011.


GOVERNO DO ESTADO DE GOIÁS
SECRETARIA DE DESENVOLVIMENTO SOCIAL
ASSEMBLÉIA ITINERANTE DO CONANDA GOIÁS – GO
TEMA: EXTERMÍNIO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES
 
29 E 30 DE NOVEMBRO DE 2011
Local: Pontifícia Universidade Católica de Goiás -Praça Universitária, esquina com 1ª Avenida – Setor Universitário, nº 1440, Goiânia–GO, Brasil, CEP: 74605-010, Telefone: (62) 3946-1010 




Chegada dos (as) Conselheiros (as) em Goiânia – GO



10:00h 

Audiência Publica: Violações de Direitos Humanos no Estado de Goiás.

Componentes da Mesa com direito a fala:
Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente - CONANDA
Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente – CEDCA
Conselho Municipal de Goiânia
Mães de Luziânia
Presidente do Tribunal de Justiça
Ministério Público do Estado
Governador
Prefeito Municipal de Goiânia
Fórum Nacional de Conselhos Tutelares
Fórum Nacional Direitos da Criança e do Adolescente
Assembléia Legislativa/Comissão de Direitos Humanos
Defensoria Pública do Estado
Conselho nacional de direitos humanos
Dom Tomás Balduíno
Deputado Federal Pedro Wilson
Reitor da PUC
Convidados:
Secretarias de Governo Estadual e Municipal
Defensoria Publica
Representante da Polícia Militar e Polícia Civil
Fórum Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente
Universidades
Conselho Municipal de Luziânia
Tempo:
Falas dos (as) componentes da Mesa : 5 minutos cada
Abertura para o plenário: 60 minutos
Retorno para a mesa
Encerramento


12h

Almoço

14h
Tema: Extermínio de Crianças e Adolescentes
CONANDA
CEDCA
SNPDCA/PPCAM
Universidade
Ministério Público
Tribunal de Justiça
Conselho Tutelar
Fórum Estadual DCA/Centro de Defesa
16:30h
Debate

28 de nov de 2011

Mais uma criança morre vítima de espancamento dentro de casa.

Pai e madrasta são presos por morte de menina de 2 anos em SP
 
O pai e a madrasta de uma menina de 2 anos foram presos em flagrante suspeitos de matar a criança na Zona Leste de São Paulo. O corpo dela foi deixado por ele em um bueiro no Jardim Iva neste domingo (27).
 
Segundo a Polícia Militar, o homem de 30 anos assumiu que forjou um assalto. Ele ligou para a central telefônica da PM por volta das 10h deste domingo, afirmando ter sido abordado por criminosos em duas motos que levaram seu carro com a filha dentro.
 
A confissão do pai é chocante!
Acesse a reportagem completa AQUI
 
Magnitude e impactos da violência física na saúde
 
Na faixa etário de 0 a 1 ano os homicídios são a terceira causa de morte.
De 1 a 4 anos os homicídios são a quarta causa de morte
De e de 5 a 9 anos os homicídios são a terceira causa de morte
De 10 a 14 anos os homicídios são a segunda causa de morte
De 15 a 19 anos os homicídios são a primeira causa de morte. 
Dados da Mortalidade - Ministério da Saúde 
 

Veja mais dados:
Cerca de 100 crianças morrem por dia vítimas de maus tratos no Brasil (IBGE, 1988). 
 
18 mil crianças são espancadas diariamente; ao ano, 6.570.000 (CNBB, 1999). 
 
10% das crianças que se apresentam nas urgências dos hospitais brasileiros, com menos de cinco anos, são vítimas de abuso físico. Nas internações hospitalares, verifica-se elevada ocorrência de traumatismo craniano em crianças (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2004). 
 
A cada dois dias, em média, cinco crianças de até 14 anos morrem vítimas de agressão. Ou seja, a cada dez horas, uma criança é assassinada no Brasil (Sistema de Informação de mortalidade/SIM - Ministério da Saúde – 2008).
 
Dentre as diversas formas de violências que atingem crianças e jovens no Brasil, a violência física é a que apresenta maior frequência de notificação no Sistema de Vigilâncias em Violências e Acidentes (VIVA/SINAN/MS). De acordo com os resultados obtidos de 01 de janeiro a 15 de junho de 2010 no VIVA/SINAN a violência física representa aproximadamente 70% dos casos notificados. A violência psicológica 30%, a sexual 20% e a negligência 10% do total de casos nesse período.
 
A maioria dos casos notificados de violência doméstica tem como principal autor da violência os próprios pais biológicos. A violência que afeta as crianças e adolescentes brasileiros ocorre predominantemente na relação familiar.
 
A violência física resulta em casos graves e de alta letalidade. O número de mortes decorrente da violência física predomina em relação às outras formas de violência (AZEVEDO; GUERRA, 1995).

27 de nov de 2011

Assembléia Legislativa da Bahia realizará Fórum de Debates - Educação sem o uso de castigos corporais

Caros amigos e parceiros,

Na segunda-feira, 28/11 às 16 horas, na Assembleia Legislativa da Bahia será realizado o Fórum de Debates - Educação sem o uso de castigos corporais.
 
Eleonora Ramos e Rachel Niskier representarão a Rede Não Bata Eduque no debate.
Parabenizamos aos membros da Comissão Especial que está analisando o PL 7672/2010 pela profundidade com a qual o tema tem sido com a sociedade brasileira e as inúmeras adesões que temos recebidos à causa da erradicação dos castigos corporais e tratamento cruel e degradante contra crianças as e adolescentes.
 
Além das audiências públicas realizadas na Câmara dos Deputados, foram realizados debates nas cidades do Rio de Janeiro, Goiânia e Campinas.
 
Ontem na Unicamp o debate foi muito rico e contou com a participação de autoridades e especialistas que mais uma vez comprovaram os efeitos negativos do uso dos castigos corporais no processo educativo e de cuidado de crianças, o elevado índice de frequência com que essa prática ocorre, e que precisamos garantir a integridade física de nossas crianças.
 
Abraços,
Marcia Oliveira
Rede Não Bata Eduque

Palavras que salvam e libertam: de Pablo o “amor” de Isabel Allende a “paixão”



“Si nada nos salva de la muerte,

al menos que el amor nos salve de la vida”.


 Isabel Allende conta histórias de paixão.
Acesse o seu discurso Tales of passsion AQUI

25 de nov de 2011

Moradores de rua são assassinados em Goiânia

Extermínios de jovens em Goiânia
 

Aproveitando a presença das deputadas federais que compõem a comissão especial destinada a proferir parecer ao projeto de lei nº 7.672, de 2010, uma comitiva de profissionais da área da saúde e da assistência social  denunciam a prática de extermínio de moradores de rua na cidade de Goiânia.
 

Elaine Mesquita,  lê o manifesto contra a violência que vem sofrendo os moradores de rua em Goiânia. O documento foi entregue as deputadas federais que compõem a comissão especial destinada a proferir parecer ao projeto de lei nº 7.672, de 2010, que visa “estabelecer o direito da criança e do adolescente de serem educados e cuidados sem o uso de castigos corporais ou de tratamento cruel ou degradante”,

Manifestantes demonstram a sua indignação pela morte de Patrick e Pezin, garotos assassinados nas proximidades da catedral de campinas – Goiânia, Goiás.

 

Veja mais notícias

Oito são mortos em Goiânia e Região Metropolitana em menos de 12 horas

Fórum de debates sobre o Projeto de Lei 7672–2010 leva quatro deputadas federais à Assembléia Legislativa de Goiás.




Composição da Mesa de Abertura: Paulinho Graus, vereador de Goiânia, Teresa Surita, deputada federal (PMDB/RR) e relatora do PL 7672/2010, Flávia Moraes, deputada federal (PDT/GO)e proponente do Fórum de Debate na Assembleia Legislativa de Goiás, Karlos Cabral deputado estadual (PT/GO) e representante da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa de Goiás, Henrique Arantes, secretario de cidadania e trabalho do estado de Goiás e representante do Governador Marconi Perillo, Érika Kokay, deputada federal (PT/DF) e presidente da Comissão Especial do PL 7672/2010,  Lilian Sá, deputada federal (PSD/RJ) e vice-presidente da Comissão Especial do PL 7672/2010.


Teresa Surita, Flávia Morais, Erika Kokay e Lilian Sá foram as deputadas federais que coordenaram os trabalhos do Fórum de Debates sobre o Projeto de Lei 7672/2010.


Márcia Oliveira, representante da Rede Não Bata Eduque, foi uma das palestrantes que colaboram com o Fórum de Debate.

Marta Maria Alves da Silva, coordenadora da Área Técnica de Vigilância e Prevenção de Violências e Acidentes/ Ministério da Saúde, evidenciou em sua exposição o impacto e a magnitude da violência física na morbimortalidade de crianças e adolescentes.

Adriana Accorsi, Superintendente de Direitos Humanos da Secretária de Segurança Pública e Justiça de Goiás e Ex-delegada titular da Delegacia de Proteção Crianças e Adolescentes (DPCA) e Cida Alves, psicóloga especialista em atendimento a pessoas em situação de violência, também contribuiram com o debate.

Pronunciamento da psicóloga Cida Alves, especialista convidada


Pronunciamento da médica Marta Silva, especialista convidada



Pronunciamento da representante da Rede Não Bata Eduque, Márcia Oliveira



Participantes do Fórum de Debates sobre projeto de lei nº 7.672/2010 na Assembleia Legislativa do Estado de Goiás

Formadores que estiveram presentes:
Ângela Cristina Belém Mascarenhas, professora Dra. do Programa de Pós-graduação da Faculdade de Educação - UFG
Arlene Carvalho de Assis Clímaco, professora Dra. com vínculo voluntário na Universidade Federal de Goiás.
Daniel Emído, psicanalista, psiquiatra e professor da Vertente Psicanalista
Eleusis Rodrigues de Andrade, psicóloga, psicodramatista e professora do Centro de Estudo e Atendimento em Psicodrama (CAEP)
Sílvia Rosa Silva Zanolla – Professora Dra. do Programa de Pós-graduação da Faculdade de Educação - UFG

Representações Institucionais:
Arleide dos SantosNúcleo de Prevenção das Violências e Promoção da Saúde da Secretaria Municipal da Saúde de Goiânia
Eduardo Mota – Presidente do Conselho Municipal de Direitos de Crianças e Adolescente de Goiânia
Luiza Monteiro Coordenadora do Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua/Goiás
Maria Luiza Moura – coordenadora do Instituto Dom Fernando/Sociedade Goiana de Cultura

23 de nov de 2011

Fórum de debates sobre o Projeto de Lei 7672–2010 em Goiás, São Paulo e Bahia

 

Caros amigos e parceiros,

Compartilho com vocês a agenda de debates sobre o projeto de lei 7.672/2010 que irão acontecer nas cidades de Goiânia, Campinas e Salvador nos próximos dias.

Data: 24 de novembro (quinta-feira)

Fórum de Debates sobre projeto de lei nº 7.672/2010 na Assembléia Legislativa do Estado de Goiás
Horas: 14 horas
Local: Assembléia Legislativa do Estado de Goiás
Mais informações em:
http://toleranciaecontentamento.blogspot.com/

25 de novembro (quinta-feira) - Campinas (UNICAMP)
Fórum de Debates Educação sem o uos de castigos corporais e tratamento cruel e degradantes - na UNICAMP
Horas: 14 às 18 horas
Local: Salão Nobre da Faculdade de Ciências Médicas
Veja convite em:
http://www.naobataeduque.org.br/wp-content/uploads/2011/11/Convite.pdf


28 de novembro (segunda-feira) - Salvador
Fórum de Debates sobre projeto de lei nº 7.672/2010 na Assembléia Legislativa do Estado da Bahia
Data: 28 de novembro (segunda-feira)
Horas: 16 horas
Local: Plenário da Assembléia Legislativa da Bahia

Estamos muito contentes em poder acompanhar de perto o crescente debate sobre o tema. Junte-se a nós!

Marcia Oliveira - Rede Não Bata Eduque

22 de nov de 2011

Palestrantes do Fórum de Debates sobre projeto de lei nº 7.672/2010 na Assembléia Legislativa do Estado de Goiás

Data: 24 de novembro (quinta-feira)
Horas: 14 horas
Local: Assembleia Legislativa do Estado de Goiás
Palestrantes confirmados:













Adriana Accorsi - Superintendente de Direitos Humanos da Secretária de Segurança Pública e Justiça de Goiás e Ex-delegada titular da Delegacia de Proteção Crianças e Adolescentes (DPCA).















 

Márcia Oliveira – Representante da Rede Não Bata Eduque. 

















Marta Maria Alves da Silva – Coordenadora da Área Técnica de Vigilância e Prevenção de Violências e Acidentes/ Ministério da Saúde.

Fórum de Debates sobre projeto de lei nº 7.672/2010 na Assembléia Legislativa do Estado de Goiás

 A comissão especial destinada a proferir parecer ao projeto de lei nº 7.672, de 2010, que visa “estabelecer o direito da criança e do adolescente de serem educados e cuidados sem o uso de castigos corporais ou de tratamento cruel ou degradante”, tem a honra de convidá-lo(a) a participar do Fórum de Debates sobre o referido projeto. 
 
O Fórum realizar-se-á no próximo dia 24 de novembro, a partir das 14 horas, no Auditório Costa Lima da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás, localizado no Palácio Alfredo Nasser, Alameda dos Buritis, 231 – Setor Oeste, na cidade de Goiânia.

Realização:






Deputada Federal Erika kokay – Presidenta da comissão especial destinada a proferir parecer ao projeto de lei nº 7.672, de 2010
 
  








Deputada Federal Lilian Sá – 2ª Vice-Presidenta da comissão especial destinada a proferir parecer ao projeto de lei nº 7.672, de 2010.
 









Deputada Federal Teresa Surita - Relatora da comissão especial destinada a proferir parecer ao projeto de lei nº 7.672, de 2010.
 

Organização regional:








Deputada Federal Flávia Moraes - Autora do Requerimento Nº 06/2010 que solicita a realização do Fórum de Debates na Assembleia Legislativa de Goiás.
 
 









Deputado Estadual Mauro Rubem - Presidente da Comissão de Direitos Humanos, Cidadania e Legislação Participativa.

20 de nov de 2011

Dia da Consciência Negra: um discurso memorável e a beleza da luta que dá asas ao homem




O filme inaugural de Steven Spielberg para a DreamWorks Pictures

Baseado em um evento real, este filme relata a incrível história de um grupo de escravos africanos que se rebela e se apodera do controle do navio que os transporta e tenta retornar à sua terra de origem. Quando o navio, La Amistad, é aprisionado, esses escravos são levados para os Estados Unidos, onde são acusados de assassinato e são jogados em uma prisão à espera do seu destino. Uma empolgante batalha se inicia, o que capta o interesse de toda a nação e confronta os alicerces do sistema judiciário norte-americano. Entretanto, para os homens e mulheres sendo julgados, trata-se simplesmente de uma luta pelos diretos básicos de toda a humanidade... liberdade.





Cordão de ouro é Besouro Manganga

Quebrou pra são caetano
Um caso que sucedeu
Besouro de manganga
Que trabalhou e não recebeu
Não queria estar não
Na pele do patrão
Nem ver o que Besouro faz
Com a cabeça, os pés e as mãos
Cordão de ouro é Besouro Manganga
Cordão de ouro é Besouro Manganga
Na fazenda Maracangalha
Teve um dia de azar
Teve a morte encomendada
Por um tal de Baltazar
Foi por uma desavensa
Na usana que trabalhou
Doutor Zeca mandou uma carta
Pra que se matasse o portador
Cordão de ouro é Besouro Manganga
Cordão de ouro é Besouro Manganga




Besouro, o capoeirista que virou lenda!

Besouro (Ailton Carmo) foi o maior capoeirista de todos os tempos. Um menino que -- ao se identificar com o inseto que ao voar desafia as leis da física -desafia ele mesmo as leis do preconceito e da opressão. Passado no Recôncavo dos anos 20, Besouro é um filme de aventura, paixão, misticismo e coragem. Uma história imortalizada por gerações, que chega aos cinemas com ação e poesia no cenário deslumbrante do Recôncavo Baiano.


Quando Manoel Henrique Pereira nasceu, não havia nem dez anos que o Brasil tinha sido o último país do mundo a libertar seus escravos.

Naqueles tempos pós-abolição nossos negros continuavam tão alijados da sociedade que muitos deles ainda se questionavam se a liberdade tinha sido, de fato, um bom negócio. Afinal, antes de 1888 eles não eram cidadãos, mas tinham comida e casa para morar. Após a abolição, criou-se um imenso contingente de brasileiros livres, porém desempregados e sem-teto. A maioria sem preparo para trabalhar em outros serviços além daqueles mesmos que já realizavam na época da escravatura. E quase todos ainda sem a plena consciência de sua cidadania. O resultado desse quadro, principalmente nas regiões rurais, onde estavam os engenhos de açúcar e plantações de café, foi o surgimento de um grande contingente de negros libertos que continuavam, mesmo anos após a abolição, submetendo-se aos abusos e desmandos perpetrados por fazendeiros e senhores de engenho.

Assim era sociedade rural brasileira de 1897, ano em que Manoel Henrique Pereira, filho dos ex-escravos João Grosso e Maria Haifa, nasceu na cidade de Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano.

Vinte anos depois, Manoel já era muito mais conhecido na cidade como Besouro Mangangá - ou Besouro Cordão de Ouro -, um jovem forte e corajoso, que não sabia ler nem escrever, mas que jogava capoeira como ninguém e não levava desaforo para casa. Como quase todos os negros de Santo Amaro na época, vivia em função das fazendas da região, trabalhando na roça de cana dos engenhos. Mas, ao contrário da maioria, ele não tinha medo dos patrões. E foram justamente os atritos com seus empregadores - e posteriormente com a polícia - que deixaram Besouro conhecido e começaram a escrever a sua imortalidade na cultura negra brasileira.

Há poucos registros oficiais sobre sua trajetória, mas é de se supor que a postura pouco subserviente do capoeirista tenha sido interpretada pelas autoridades da época como uma verdadeira subversão. Não por acaso, constam nas histórias sobre ele episódios de brigas grandiosas com a polícia, nas quais ele sempre se saía melhor, mesmo quando enfrentava as balas de peito aberto. Relatos de fugas espetaculares, muitas vezes inexplicáveis, deram origem a seu principal apelido: Mangangá é uma denominação regional para um tipo de besouro que produz uma dolorosa ferroada. O capoeirista era, portanto, "aquele que batia e depois sumia". E sumia como? Voando, diziam as pessoas...

Histórias como essas, verdadeiras ou não, foram aos poucos construindo a fama de Besouro. Que se tornou um mito - e um símbolo da luta pelo reconhecimento da cultura negra no Brasil - nos anos que se sucederam à sua morte.

Morte que ocorreu, também, num episódio cercado de controvérsias. Sabe-se que ele foi esfaqueado, após uma briga com empregados de uma fazenda. Registros policiais de Santo Amaro indicam que ele foi vítima de uma emboscada preparada pelo filho de um fazendeiro, de quem era desafeto. Já a lenda reza que Besouro só morreu porque foi atingido por uma faca de ticum, madeira nobre e dura, tida no universo das religiões afro-brasileiras como a única capaz de matar um homem de "corpo fechado".

E Besouro, o mito, certamente era um desses.

19 de nov de 2011

Dia da Consciência Negra: homenagem ao Almirante João Cândido

O blog Educar Sem Violência, na véspera do dia da Consciência Negra e dos 101 anos da Revolta da Chibata, homenageia o valente almirante João Cândido que lutou pela abolição dos castigos físicos na Marinha Brasileira
 
Bravo almirante, que sua coragem nos inspire e fortaleça!


 

Você começou e nós continuaremos a luta pela erradicação dos castigos físicos e humilhantes em nosso país. Nossas crianças e adolescentes, como os marinheiros de sua época, devem ser tratos com respeito e dignidade.
 
O ALMIRANTE NEGRO
Um Homem Simples que Tornou-se o
Primeiro Herói Brasileiro do Século XX



No ano de 1910, mais de 200 marujos agitaram a baía de Guanabara, ao se apoderarem de navios de guerra para exigir o fim dos castigos corporais na Marinha do Brasil, herança do período imperial, onde essa arma era tida coma a mais importante e dirigida pelos mais "aristocráticos" oficiais. Foi a Revolta da Chibata, liderada por João Cândido, o Almirante Negro.

João Cândido simbolizou a luta pela dignidade humana. Sua coragem, no entanto, teve um preço alto demais. O mestre-sala dos mares foi um divisor de águas na Marinha. Graças a ele, a chibata nunca mais foi usada. Ele marcou seu espaço na história deste país.
 

 
O Mestre Sala dos Mares
Há muito tempo nas águas da Guanabara
O dragão do mar reapareceu
Na figura de um bravo marinheiroA quem a história não esqueceu
Conhecido como o almirante negro
Tinha a dignidade de um mestre sala
E ao navegar pelo mar com seu bloco de fragatasFoi saudado no porto pelas mocinhas francesas
Jovens polacas e por batalhões de mulatas
Rubras cascatas jorravam das costas
dos negros pelas pontas das chibatas
Inundando o coração de toda tripulação
Que a exemplo do marinheiro gritava então
Glória aos piratas, às mulatas, às sereias
Glória à farofa, à cachaça, às baleias
Glória a todas as lutas inglórias

(João Bosco / Aldir Blanc)
Composição original 



 
Revolta da Chibata
Em 15 anos de carreira militar, João Cândido fez várias viagens pelo Brasil e por vários países, mas a que maior influência teve sobre ele foi para a Grã Bretanha em 1909, para acompanhar o final da construção de navios de guerra encomendados pelo governo brasileiro. Lá, além de vivenciar a diferença com a qual eram tratados os marujos britânicos e os brasileiros, tomou consciência da revolta do navio russo Encouraçado Potenkin, em 1905.
Ainda na Inglaterra, João Cândido montou clandestinamente um Comitê Geral para preparar a revolta. Esse comitê se ramificou em vários comitês revolucionários em diferentes navios. Em 1910, no Rio de Janeiro, se junta ao comitê Francisco Dias Martins, o Mão Negra, que havia ficado conhecido pela carta que escreveu sob este pseudônimo, denunciando a chibata.
 
Na noite de 22 de novembro de 1910, amotinou-se a tripulação do Encouraçado Minas Gerais. Quando o comandante retornou de um jantar em navio francês, tentou resistir e foi morto a tiros e coronhadas. Além deles, outros cinco oficiais foram executados. Alertados por um tenente ferido, os oficiais do Encouraçado São Paulo debandaram para terra e essa unidade da Armada também aderiu ao levante. O mesmo aconteceu com o Deodoro e com o Cruzador Bahia, além de embarcações menores, fundeadas na Baía de Guanabara.
 
Na manhã do dia 23, de posse dos navios e das armas, os marinheiros sublevados apresentaram ultimatum, ameaçando abrir fogo sobre a Capital Federal. João Cândido, o Almirante Negro, como ficou conhecido, liderava a revolta e a redação do documento foi de Francisco Dias Martins. Dizia a carta:


"O governo tem que acabar com os castigos corporais, melhorar nossa comida e dar anistia a todos os revoltosos. Senão, a gente bombardeia a cidade, dentro de 12 horas."

"Não queremos a volta da chibata. Isso pedimos ao presidente da República e ao ministro da Marinha. Queremos a resposta já e já. Caso não a tenhamos, bombardearemos as cidades e os navios que não se revoltarem."

 
A traição

Surpreendido e temendo o combate, o Estado brasileiro na pessoa do marechal Hermes da Fonseca, então presidente da República, aceitou as exigências dos revoltosos. Mas a estratégia do governo ficaria clara alguns dias depois. 

Hermes da Fonseca abole os castigos físicos e promete anistia para os que se entregassem. Os marinheiros depõem as armas e sucede-se o que sempre acontece quando se confia em um Estado reacionário.
 
A reação desencadeou feroz perseguição aos marinheiros revoltosos. Às dezenas, os marujos foram encarcerados em porões de navios ou nas masmorras da Ilha das Cobras. O barco de guerra Satélite foi palco de numerosos fuzilamentos.


 


Já no dia 28 de novembro, alguns marujos são expulsos da Armada por serem "inconvenientes à disciplina". No dia 4 de dezembro, quatro marinheiros foram presos acusados de conspiração.

Muito desorganizados, no dia 9, os fuzileiros navais da Ilha das Cobras sublevam-se e são duramente bombardeados, mesmo tendo hasteado a bandeira branca. Dos 600, sobrevivem apenas cem. Na sequência, vários foram desterrados e condenados a trabalhos forçados nos seringais da Amazônia, sendo que sete foram assassinados no caminho.

O ódio zoológico nutrido pela oficialidade da Marinha a João Cândido manteve-se irretocado e foi renovado ano após ano. Em 6 de dezembro de 1969, o líder da rebelião da esquadra de 1910 faleceu sem receber nenhum centavo da marinha. 
 
Ainda na década de 1970, a reação destilava seu veneno contra João Cândido e seus companheiros. A censura do gerenciamento militar mutilou a bela música de João Bosco e Aldir Blanc, O mestre sala dos mares, trocando as palavras marinheiro por feiticeiro, almirante por navegante, bloco de fragatas por alegria das regatas, e outras mais, tirando muito de sua força.
  

Homenagem, ainda que tardia
 
Em 22 de Novembro de 2007, quando se completaram 97 anos da Revolta, foi inaugurada uma estátua em homenagem ao "Almirante Negro" nos jardins do Museu da República, antigo Palácio do Catete. A estátua, de corpo inteiro, de João Cândido com o leme em suas mãos, foi afixada de frente para o mar. 

Em 24 de julho de 2008, 39 anos depois da morte de João Cândido, publicou-se, no Diário Oficial da União, a Lei Nº 11.756 que concedeu "anistia" ao líder da Revolta da Chibata e a seus companheiros. No entanto, a lei foi vetada na parte em que determinava a reintegração de João Cândido à Marinha do Brasil o reconhecimento de sua patente e devidas promoções e o pagamento de todos os seus direitos e de seus familiares.

Em 20 de Novembro de 2008, a estátua do Almirante Negro foi retirada do Palácio Catete e colocada na Praça Quinze de Novembro, no Centro da cidade do Rio de Janeiro. Lá, às margens da Baia da Guanabara, a imponente figura de João Cândido certamente está mais à vontade, entre os populares que passam e param para lhe render homenagem, entre tantos filhos do povo como ele negros, pobres, explorados, revoltosos.

Os textos dessa postagem foram retirados dos sites abaixo:

Fotos: divulgação