30 de set de 2011

2ª Audiência Pública da Comissão Especial que está analisando o PL 7672/10–Educação sem o uso de castigos corporais

naobataeduque2


Prezados parceiros,

Escrevo para compartilhar com vocês que a 2ª Audiência Pública da Comissão Especial que está analisando o PL 7672/10 - EDUCAÇÃO SEM USO CASTIGOS CORPORAIS foi agendada para o dia 5 de outubro (quarta-feira), na Câmara dos Deputados, às 14h30, no Anexo II, Plenário 16.

A Audiência Pública contará com a participação de representantes das seguintes organizações:

ABMP - Associação Nacional de Magistrados, Promotores de Justiça e Defensores Públicos da Infância e da Juventude;

ANCED - Associação Nacional dos Centros de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente;

FNDCA - Fórum Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente; e,

SBP - Sociedade Brasileira de Pediatria.

Temos certeza de que a sociedade civil organizada contribuirá em muito para o debate, apresentando informações sobre a gravidade do problema, os efeitos negativos dos castigos físicos e tratamento cruel e degradante no desenvolvimento das crianças e adolescentes, a necessidade de reconhecer a criança e o adolescente como sujeitos de direitos e garantir sua integridade física em todos os ambientes de cuidado, educação e proteção, entre outros.

Seguimos mobilizados para essa importante discussão e gostaríamos de contar com a participação de todos vocês.

Abraços,

Marcia Oliveira

Rede Não Bata Eduque

Jovem que denunciou pai por abuso diz à polícia que mãe tentou agredi-la

 

“Eu não quero ser igual à minha mãe e fingir que nada aconteceu. Eu quero tomar uma atitude, ser honesta comigo mesma, mostrar para todos quem ele é”. Frase da filha que fez a denúncia contro o pai.

 

“ (...) já atendi muitas crianças, adolescentes e mulheres que sofreram violências. Essas pessoas me ensinaram muito sobre os seus sentimentos em relação à violência sofrida. Elas sentem raiva, ódio de quem as machucaram e humilharam. Mas um outro sentimento as atormentam demais: a magoa. Elas sentem uma magoa profunda de quem elas confiavam e amavam, mas que nunca as protegeram de verdade. Ou seja, se existe alguém que fere o outro, existem sempre muitos que não impediram que essa ferida fosse aberta. Se queremos ajudar as vítimas, só tem um caminho: não ser também cúmplices das violências, não negligenciar o sofrimento do outro” . Cida Alves, 2011

 

Filha denuncia advogado por abuso sexual em Bauru, SP

Jovem contou ter sofrido abusos entre os 8 e 16 anos.
Cunhada e sobrinha do suspeito também o denunciaram.

Mãe teria tentado agredir filhos ao saber de denúncia.
Polícia informou que pedirá prisão preventiva do casal de Bauru, SP.

29 de set de 2011

Veja ensaio da OSB para homenagem à Legião Urbana no Rock in Rio

 

Queria estar lá hoje à noite!

 

 

 

Sempre tive uma grande dificuldade de gravar letras de música, mas essas eu sei de cor.

 

A apresentação abre o Palco Mundo nesta quinta-feira (29).
Show terá Herbert Vianna, Dinho, Pitty, Toni Platão e Rogério Flausino.

“Perto do aniversário de 15 anos da morte de Renato Russo, o Rock In Rio fará uma grande homenagem à banda Legião Urbana. Importantes nomes da música nacional se encontrarão no principal palco do evento. Rogério Flausino, Toni Platão, Pitty, Herbet Vianna, Dinho Ouro Preto, o baterista Marcelo Bonfá e o guitarrista Dado Villa-Lobos serão acompanhados pela Orquestra Sinfônica Brasileira”. (fonte: G1 em 29 de setembro de 2011)

Set List previsto (informação da Assessoria de Imprensa)

1) Medley com vários sucessos (apenas a Orquestra)
2) Tempo perdido (Rogério Flausino)
3) Quase sem querer (Rogério Flausino)
4) Quando o sol bater (Toni Platão)
5) Índios (Pitty)
6) Teatro dos vampiros (Marcelo Bonfá)
7) Será (Herbert Vianna)
8) Por enquanto (Dinho Ouro Preto)
9) Pais e filhos (todos os convidados)

Veja mais AQUI

28 de set de 2011

Câmara inicia discussões sobre proibição de castigos corporais em crianças e adolescentes

 

Primeira Audiência - Castigos Corporais 023

 

O Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente), CNJ (Conselho Nacional de Justiça), CNS (Conselho Nacional de Saúde) e CNAS (Conselho Nacional de Assistência Social) foram ouvidos nesta terça-feira (27) pela Comissão Temporária instalada para analisar o Projeto de Lei 7.672/2010, que proíbe a aplicação de castigos corporais em crianças e adolescentes. Essa é a primeira das seis audiências que devem ser realizadas até dezembro, data na qual devem ocorrer a apresentação do parecer final e a votação.

Participaram da audiência Clovis Adalberto Boufleur, coordenador da Comissão de Atenção Integral à Saúde da Criança, do Adolescente e do Jovem do CNS; Maria de Lourdes Magalhães, representante do Ministério da Saúde e Conselheira do Conanda; Carlos Eduardo Ferrari, presidente do CNAS; Daniel Issler, juiz auxiliar da presidência do CNJ; outros representantes de entidades voltadas ao assunto e deputados.

 

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Deputada Tereza Surita, relatora do projeto de lei 7672/2010.

Para a deputada Teresa Surita (PMDB/RR), relatora do projeto, é contraditório que haja uma lei para proteger os maus tratos a animais e ainda não exista nenhum dispositivo para proteger as crianças e adolescentes da violência doméstica. “Precisamos nos preocupar com os avanços necessários para que nossos meninos e meninas sejam educados sem castigo corporal cruel ou degradante”, afirmou a parlamentar, citando o caso de Isabella Nardoni, que foi jogada do 6º andar do edifício London, em São Paulo, em março de 2008.

Para Carlos Eduardo Ferrari, este projeto é o pontapé inicial para a mudança de relação entre as pessoas. “O grande desafio é esclarecer essa lei de uma forma que a população compre essa idéia”, afirmou, acrescentando ainda que a aprovação e aplicação da medida podem significar uma nova perspectiva de educação.

PL 7.672/2010 - O projeto é de autoria do Executivo e acrescenta ao ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), entre outros, o artigo 17-A, que dá às crianças e adolescentes o direito de serem cuidados e educados pelos pais ou responsáveis sem o uso de castigo corporal ou de tratamento cruel ou degradante.

Serão realizadas, até o final de novembro, seis audiências públicas para ouvir sobre o assunto especialistas, sociedade civil, governo e outras entidades.

Nenna Tyeko: (95) 9127-6950

Willame Sousa: (61) 9818-5303

Assessoria de Comunicação

Deputada Teresa Surita (PMDB-RR)

Audiência Pública convocada pela Comissão Especial que está analisando o PL 7672/2010.

 

Caros amigos e parceiros,

Tenho a satisfação de divulgar para vocês a realização da Audiência Pública convocada pela Comissão Especial que está analisando o PL 7672/2010.

Foram convidados os seguintes Conselhos para discutir o tema: CONANDA, CNAS, CNS E CNJ. Certamente os conselhos poderão contribuir muito para a discussão.

Vamos nos mobilizar e participar dessa importante discussão!

Abraços,

Marcia Oliveira

Rede Não Bata Eduque

 

Veja mais sobre a audiência

COMISSÃO ESPECIAL DESTINADA A PROFERIR PARECER AO PROJETO DE LEI Nº 7672, DE 2010, DO PODER EXECUTIVO, QUE "ALTERA A LEI Nº 8.069, DE 13 DE JULHO DE 1990, QUE DISPÕE SOBRE O ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE, PARA ESTABELECER O DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE DE SEREM EDUCADOS E CUIDADOS SEM O USO DE CASTIGOS CORPORAIS OU DE TRATAMENTO CRUEL OU DEGRADANTE"

54ª Legislatura - 1ª Sessão Legislativa Ordinária

PAUTA DE REUNIÃO ORDINÁRIA
DIA 27/09/2011

LOCAL: Anexo II, Plenário 16
HORÁRIO: 14h30min

Reunião Ordinária:

A) - AUDIÊNCIA PÚBLICA COM A PARTICIPAÇÃO DE REPRESENTANTES DOS SEGUINTES CONSELHOS:

 

  • CONANDA - Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente;

  • CNAS - Conselho Nacional de Assistência Social;

  • CNS - Conselho Nacional de Saúde; e,

  • CNJ - Conselho Nacional de Justiça; e,
    TEMA: Discussão sobre a prática dos castigos corporais ou de tratamentos degradantes empregados na educação de crianças e adolescentes no nosso país.

  • B) Deliberação de requerimentos.

  • 25 de set de 2011

    Representante da Rede Não Bata Eduque comemora o sucesso do VII Seminário Gente Crescente

     

    Marcia Oliveira 1 VII Gente Crescente

    Márcia Oliveira na conferência de abertura do VII Seminário Gente Crescente – Centro de Atenção Psicossocial Casa Água Viva – Secretaria Municipal da Saúde de Goiânia 

     

    Olá todos,

    Escrevo para compartilhar com você o sucesso do VII Seminário Gente Crescente - Saúde Mental na Infância: seus desafios no contexto da violência, iniciado em 22 de setembro de 2001.

    Participamos da conferência de abertura com o tema "Bullying e Palmada: Lei e repercussões psicosssociais na saúde mental da criança"

    Destaco a qualidade do trabalho realizado e da qualificação dos profissionais do CAPSi Agua Viva - organizador do evento e da parceria de Cida Alves - blog Educar sem violência, com quem dividimos a conferência de abertura.

    Com o apoio do Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa de Goiás - deputado Mauro Rubem , agendamos para o dia 9 de novembro uma audiência publica sobre o PL 7672\2010 na Assembléia Legislativa de Goiás.

    Abraços,
    Marcia Oliveira
    Rede Não Bata Eduque

     

    Artes da Criança VII Gente Crescente 1

    Abertura oficial do VII Seminário Gente Crescente – CAPSi Água Viva


    Em nome da comissão organizadora do seminário, a psicóloga Isabel Ferradans fez o pronunciamento de abertura

    No bullying e no castigo físico: onde falhou a possiblidade das palavras?

    Várias áreas da sociedade se dedicam a compreender e trabalhar com os impasses e conseqüências gerados pelo bullying e pelo castigo físico que podem imprimir marcas psíquicas e no corpo, talvez pela vida toda.

    Na saúde mental, percebem-se crianças que apresentam sofrimento psíquico derivados dessas experiências de vida. Outras crianças que não estão diretamente envolvidas nessas situações mas que falam , solidariamente, da indignação por assistir a essas experiências entre crianças ou entre criança e adulto. Crianças que referem, muitas vezes, que o adulto mais próximo não deu sinais de que poderia protegê-la e ao outro ou ser um intermediário na mediação do conflito”.

    (fragmento do pronunciamento de abertura do VII Seminário Gente Crescente – abaixo o texto na integra)

     

    Mesa de Abertura VII Gente Crescente 3

    Auditório Jaime Câmara – Câmara Municipal de Goiânia

    A mesa de abertura contou com o pronunciamento de Cheila Marina Lima – representante da Área Técnica de Vigilância em Violências e Acidentes do Ministério da Saúde, Márcia Carvalho - representante do prefeito Paulo Garcia, Deputado Mauro Ruben – presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa de Goiás, Cristina Laval – coordenadora da Atenção Básica da Secretaria Municipal da Saúde de Goiânia, Luzia Olivera – representando o conselho local do CAPSi Água Viva.

     

    Autoridades presentes:

    Darci Accorsi – Assessor Parlamentar da Prefeitura de Goiânia;

    Adriana Accorsi – Superitendente de Direitos Humanos da Secretária de Segurança Pública e Justiça de Goiás,

    Railda Martins e Lucinete Oliveira – representantes da Rede de Atenção a Crianças, Adolescentes e Mulheres em Situação de Violência de Goiânia

     

    Apresentação Musical VII Gente Crescente

    Apresentação Cultural com os músicos do Centro Cultural Gustav Ritter

     

    CIDA ALVES 2 - GENTE CRESCENTE -2011

    Cida Alves iniciou sua exposição argumentando por que o tema da violência física contra crianças e adolescentes deve estar no centro das discussões sobre a saúde mental e os direitos de crianças e adolescentes:

    Justificativas:

    1) Dentre as violências domésticas sofridas por crianças e adolescentes, a violência física é a que apresenta maior frequência de notificação;

    2) A maioria dos casos notificados de violência doméstica tem como principal autor da violência os próprios pais biológicos. A violência que afeta as crianças e adolescentes brasileiros ocorre predominantemente na relação familiar;

    3) A violência física resulta em casos graves e de alta letalidade. O número de mortes decorrente da violência física predomina em relação às outras formas de violência (AZEVEDO; GUERRA, 1995);

    4) Mais naturalizada dentre as violências intrafamiliares ;

    5) A violência física intrafamiliar como método punitivo disciplinar, aliada a violência psicológica, é um dos instrumentos chaves para a edificação e manutenção da sociabilidade estruturada na relação Comando-Obediência/Dominação-Subordinação.

     

    Marcia Oliveira 4 - VII Gente Crescente

    Márcia Oliveira apresenta os marcos legais – Nacionais e Internacionais que sustenta o Projeto de Lei 7672/2010.

    Expõe o histórico do movimento internacional que luta para erradicar dos castigos físicos e humilhantes nos abrigos, nas escolas, nas instituições penais e na família.

    Por fim, apresenta resultados de pesquisas que indicam as conseqüências negativas da prática de bater e humilhar para disciplinar e educar as crianças e adolescentes.

     

     

      Fotos Rosimar Silva

     

    Bons Frutos

    Márcia Oliveira com Mauro Ruben 2

    Márcia Oliveira - representante da Rede Não Bata Eduque, em visita ao Gabinete do Deputado Mauro Ruben, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Estado de Goiás

    A vinda de Márcia Oliveira à Goiânia resultou em bons frutos. Foi agendado para a manhã do dia 09 de novembro uma audiência pública na Assembléia Legislativa do Estado de Goiás para tratar do Projeto de Lei 7672/2011.

     

    Condomínio Sol Nascente

    Foi agendado ainda para o dia 08 de novembro um curso de capacitação para os profissionais do Condomínio Sol Nascente sobre as estratégias positivas de educação. Essa instituição abriga crianças e adolescentes na cidade de Goiânia. A psicóloga Cida Alves e o educador físico Orozimbo Júnior serão os facilitadores desta capacitação.

     

    Veja abaixo o pronunciamento Oficial do VII Seminário Gente Crescente – CAPSi Água Viva/SMS Goiânia

    Abertura do Evento

    Isabel Ferradans (*)

    Agradecemos, aos Gestores do CAPSi Água Viva - Cláudio, Taísa e Fabrício - pelo apoio recebido mais uma vez para a realização deste evento que é resultado de um ano de trabalho desenvolvido em paralelo com o atendimento diário dentro da unidade.

    Nestes sete anos desta iniciativa pioneira em Goiânia, dentro da Secretaria Municipal de Saúde, a aceitação do público se revela pelo desempenho positivo quanto ao número de participantes (média de 250/ano), pelas avaliações escritas, pela repercussão das apresentações após o evento. Os convidados para as palestras são nomes relevantes e que atuam no campo da intersetorialidade, eixo fundamental da complexa área da saúde mental infanto-juvenil. Um aspecto diferencial é que pais e responsáveis são convidados para relatar suas experiências e há o Fórum A Hora e a Vez com as crianças e adolescentes.

    Nesse sentido, o evento cumpre um de seus objetivos que é fortalecer a Rede de Atenção à Criança e ao Adolescente no que se refere ao reconhecimento das demandas da população e à apresentação dos trabalhos realizados pelas famílias, entidades, instituições e serviços voltados para essa demanda. Colabora com a visibilidade das ações apoiadas nas diretrizes das políticas públicas e do controle social preconizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

    Hoje e amanhã, os convidados vão apresentar estudos, propostas e iniciativas cujo eixo são as formas de lidar com as relações humanas que envolvem o bullying e os castigos físicos e que estão presentes na vida de muitas crianças.

    Formas de relacionamento cuja radicalidade precisa ser avaliada em sua dimensão biopsicossocial e em sua dimensão quanto aos Direitos Humanos. No tema do bullying, qual será o limite entre uma brincadeira de mau gosto e uma violência? No tema do castigo físico, porque a agressividade chegou a sua expressão máxima?

    No bullying e no castigo físico: onde falhou a possiblidade das palavras?

    Várias áreas da sociedade se dedicam a compreender e trabalhar com os impasses e conseqüências gerados pelo bullying e pelo castigo físico que podem imprimir marcas psíquicas e no corpo, talvez pela vida toda.

    Na saúde mental, percebem-se crianças que apresentam sofrimento psíquico derivados dessas experiências de vida. Outras crianças que não estão diretamente envolvidas nessas situações mas que falam , solidariamente, da indignação por assistir a essas experiências entre crianças ou entre criança e adulto. Crianças que referem, muitas vezes, que o adulto mais próximo não deu sinais de que poderia protegê-la e ao outro ou ser um intermediário na mediação do conflito.

    Discutindo essa temática para organização do evento, a equipe do CAPSi Água Viva, lembrou-se de uma querida colega que perdemos há um ano, Cláudia Sena. Uma grande saudade permanece em nossos corações e daqueles atendidos por ela.

    Com essa memória viva, pensamos em Cláudia e na dimensão humana envolvida no seu trabalho cotidiano com crianças, adolescentes e familiares. Penso na importância das palavras e dos gestos, valorizados por ela.

    O poeta nos diz que as palavras precisam ser habitadas pois são frias e vazias quando não há gente por dentro. Os gestos também precisam ter gente por dentro.

    Assim, a partir da lembrança de Cláudia e de seu trabalho e das conversas em equipe, divido com vocês algumas questões:

    Alguns dizem que nós, adultos, corremos o risco de ser uma espécie em extinção. Que estamos muito identificados com crianças e adolescentes na forma de enfrentar a vida.

    Caso seja assim, como preservar nossa espécie? Qual o nosso lugar?

    Precisamos nos apresentar de outra forma, transformando a maneira como comparecemos nas situações onde aparecem as vulnerabilidades como no caso do bullying e do castigo físico das crianças?

    Como podemos ter maior atenção com gestos e palavras na relação com as crianças? Como colocar gente crescente dentro das palavras e dos gestos nos momentos de conflito? Nos momentos em que somos convocados a lidar com a diversidade e a autoridade?

    Durante o VII Gente Crescente iremos trabalhar com essa complexidade, com os vários fatores que estão presentes em nossa rotina com as crianças. Vamos pensar juntos e buscar sentido para essas expressões que machucam ou rompem com as relações humanas e estão na raiz da violência presente na sociedade.

    E, possivelmente, encontrar sinais para criar novas experiências e fortalecer outras tantas que já existem no trabalho institucional ou dentro das famílias e que tem como objetivo a atenção e o cuidado dirigido às crianças e à preservação da nossa espécie pois , com certeza a criança precisa do adulto desde antes de seu nascimento.

    Obrigada!

    Goiânia, 22 de setembro de 2011.

    (*) Especialista em Saúde Mental, Psicóloga Clínica.

    Texto apresentado na Abertura do VII Gente Crescente, evento realizado pelo CAPSi Água Viva, unidade da Secretaria Municipal de Saúde. (Goiânia)

     

    naobataeduque2 

    Veja ainda boletim da Rede Não Bata Eduque – julho e agosto de 2011

    Ginástica Rítmica: esporte ou arte?

    Como afirma o jornalista Pedro Bassan "a pergunta nem faz mais sentido" para a atuação da ginasta Evgenia Kanaeva.

    Ginasta russa 2


    Ginasta russa 4


    Ginasta Russa 3


    Ginasta russa 1




    Esta postagem eu dedico a minha sobrinha Sofia Leite, segundo lugar na categoria infantil do Tornei Nacional de Ginástica Artística – Goiás/ 2011.

    24 de set de 2011

    Menino David, durma com minhas lágrimas!



    Cida, o que mais me causa dor é pensar nesse menino; o que estamos fazendo com nossas crianças? Desaprendemos a cada dia cuidar, amar e educar nossas crianças.

    Isso só sinaliza o nosso descompromisso com a infância e adolescência. O que é isso que insistimos em denominar? Penso ser urgente tomarmos consciência dos rumos que nossa sociedade está tomando e que, quem conduz esse processo somos nós.

    É preciso aprender a viver melhor, a conviver com as diferenças e delas nos aproximar sem a intenção de promover violência. Lamento profundamente a morte dessa criança, lamento, não menos, todo o processo que a levou a tal fim.

    Menino, durma com minhas lágrimas e perdoe-me por estar nessa sociedade e não perceber os gritos calados de tantas outras crianças vítimas de violência.

    Que Deus o acolha e que sua causa possa ser vista como uma ponte para novos horizontes, de paz, de luz, de espaços sinceros de CONVIVÊNCIA. Vá em paz!

    Professora Sandra Lourdes
    Goiânia, 24 de setembro de 2011.

    As tempestades dos novos ventos

    "Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido."

    Charles Chaplin
    em O Grande Ditador

    Muro pixado em SP

    22 de setembro - São Caetano, SP - Muro pichado com a frase: "Criança chora, pais não vê (sic)". Colégio municipal viu criança de 10 anos atirar na professora e depois na própria cabeça. Jovem será enterrado nesta sexta-feira (23).

    Cida, seu pequeno texto no blog me inspirou... Aliás seus temas vêm me "provocando" há tempos. Vai aí um texto de gente que se mete... no mundo para incomodar um pouco.

    As tempestades dos novos ventos
    Por Márcia Torres Pereira*

    O duplo caráter do progresso dos novos tempos, que sempre desenvolveu a idéia de um potencial de liberdade, promoveu a sua alienação.

    Essa é a grande tempestade que os novos ventos da liberdade provocaram. O aspecto humano de nossa cultura encontra-se tão distante do que é verdadeiramente humano com a nitidez de suas produções e com a naturalização das tempestades, que acabamos por acostumarmos com os novos ventos.

    Há uma "ventania" real capaz de não nos afetar, capaz de não significar nada. As tempestades são produzidas exatamente aí, onde nada mais parece afetar: reproduzimos tudo que a cultura nos apresenta, as cenas das novelas, os tais paradigmas por elas nos passado, as inovações, os modelos, as idéias, os comportamentos e a mais cara de todas as ações - a obediência a tudo isso.

    Sentimos medo de não sermos aceitos ao que a mídia nos apresenta e nos impõe. Essa é a grande autoridade, mutilando a essência humana, coerção substitutiva dos ensinamentos paternos, autoritarismo sedutor e alienante que nos cega e não nos faz perceber o quanto somos seus imitadores. Essa cegueira é a luz que confere a existência de uma sociedade de parasitas conformados, reproduzindo o arquétipo das ruínas arqueológicas das cidades destruídas pelas guerras em nome de um princípio que a tudo justificava, inclusive a própria vida.

    Sob a rudeza e a insensibilidade dos homens, reproduzimos a educação dos nossos filhos, dos nossos alunos, das crianças e não vemos o quanto somos manipulados pelas justificativas e ações que nos levam aos nossos próprios cárceres, os cárceres de nossa própria cegueira e de nossa falta de reflexão. Queremos tudo pronto, tudo fácil, não queremos pensar, refletir, somos submetidos à métodos de todas as formas e nem percebemos que somos conduzidos mecanicamente.

    Não observamos que somos levados por uma mão invisível que se estabeleceu sobre todos e sobre as nossas mentes. Aceitamos tudo passivamente. Se chegamos a achar algo estranho, logo vem o pensamento do controle cultural: "pare de viajar, o mundo é assim mesmo! Você vai poder mudá-lo? Aceita o que está aí. O mundo mudou! Pare de filosofar!" E assim, diante de tal constrangimento programável, nos calamos e não conseguimos mover.

    No depoimento feito pela diretora da escola da criança que cometeu o ato violento contra a professora e contra ela mesma, o registro feito pelos jornais é de que a criança era tranquila! Isso comprova o quanto não percebemos o outro, o quanto estamos debaixo de tempestades, sem saber. Precisamos acordar, despertar do sono e perceber que é emergente criar a nossa vida, inventar nossas subjetividades perdidas, tomar coragem diante de tais contingentes, deixar de ser como todo mundo, romper e resistir à indiferença.

    Deixar que nossas mentes possam realmente realizar a viagem da dúvida, do angustiante, da dor, da reflexão, de chorar nossa miséria interior que se congela a cada dia nos projetando a imagem enganosa de tudo "é assim mesmo". Façamos novos ventos, entendendo que cada vida é um altar para cada um de nós, para aplacar tempestades, construir bonanças... e trazer à existência a real concepção do sujeito.





    *Márcia Torres Pereira é professora e mestre em educação pelo Programa de Pós-graduação da Faculdade de Educação da UFG.

    23 de set de 2011

    Tragédia em escola: criança de 10 anos atira em professora e se mata

    Violência familiar, arma de fogo em casa e

    bullying: uma mistura explosiva e as vezes mortal.


    Semeamos ventos e colhemos tempestades!

    “Acredito que um dos motores que faz a roda do ciclo vicioso da violência girar é o consentimento dado por nossa sociedade às formas violentas de se resolverem as diferenças, os conflitos. O uso de violências físicas na educação e no cuidado de crianças e adolescentes tem perpetuado o ciclo vicioso de violência dentro da vida familiar. Os pais batem nos filhos; os filhos batem em seus irmãos e colegas de escola e de rua; depois, filhos e colegas batem em suas namoradas, parceiras e esposas, que por fim, também batem em seus filhos”

    ( Cida Alves, 2011).


    Violência gera violência

    Estudante que atirou em professora no ABC será enterrado nesta sexta

    cemi-g1

    Alvo de gozação

    David Mota Nogueira (10 anos) sofria bullying pelo fato de ser manco, segundo informações do Diário do Grande ABC. "O pessoal da sala dele zoava muito com a deficiência", disse Cayan de Castro Amorim, 14, aluno da escola, em entrevista ao jornal. (fonte: Yahoo notícias em 22 de setembro de 2011)


    A tragédia poderia ter sido maior

    Professora Rosileide

    Felizmente a professora Rosileide de Oliveira, 38 anos está fora de risco de morte!

    Rosileide saiu da UTI, está consciente e passa bem.

    Veja algumas pesquisas Nacionais

    1) Aprendizagem social da violência

    Uma pesquisa realizada em escolas públicas do município de São Gonçalo, Rio de Janeiro, evidenciou que a experiência de sofrer violência física intrafamiliar é freqüente entre os estudantes (ASSIS; DESLANDES, 2005). Os estudantes são vítimas de seus pais, o que demonstra que a prática de bater e apanhar continua uma forma habitual de resolver conflito nas famílias. Dentre os 1.600 adolescentes pesquisados, 27,7% informaram sofrer castigo físico severo da mãe, e 16,7%, do pai. Para as autoras, o fato de a mãe bater mais que o pai se justifica por ela passar mais tempo com os filhos e dedicar mais tempo e energia à sua educação.


    De acordo com os resultados dessa pesquisa, os jovens que sofrem violências intrafamiliares do tipo físico severo, psicológico e sexual são:

    • 3,2 vezes mais transgressores das normas sociais;
    • 3,8 vezes mais vítimas da violência na comunidade;
    • 3 vezes mais alvos de violência na escola do que os jovens cujo ambiente familiar é mais solidário e saudável (ASSIS; DESLANDES, 2004).

    As violências físicas descritas pelas pesquisadoras Assis e Deslandes (2005), do Centro Latino-Americano de Estudos de Violência e Saúde Jorge (Claves/Fiocruz) incluem as mesmas modalidades de agressões apresentadas por Straus (1979), acrescendo-se ainda o ato de queimar partes do corpo.

    Os castigos físicos menos severos, que ainda são naturalizados na cultura brasileira, foram citados por 53,9% dos alunos quando praticados pela mãe, e por 34,5% quando, provocados pelo pai.

    Nos castigos considerados moderados, são incluídas atitudes como jogar objetos sobre o adolescente, empurrar ou agarrar, dar tapa ou bofetada e beliscar. Os instrumentos utilizados pelas mães para provocar dor ou lesões físicas são chinelos, sandálias, tamanco, cinto, vassoura e vara de goiabeira.

    Em uma pesquisa realizada por Azevedo e Guerra (1995), os meios de agressão claramente evidenciados são indicados na tabela abaixo.


    Tipos de agressões contra crianças e adolescentes

    ______________________________________________________________________

    Vitimização física de crianças e de adolescentes

    Meios da agressão/idade da vítima

    11m

    1-2a

    3- 4a

    5- 6a

    7-10

    11-13

    14-18

    Total

    %

    Socos

    6

    3

    1

    4

    5

    2

    13

    34

    8,2

    Pontapés

    1

    1

    1

    -

    1

    6

    6

    16

    3,9

    Beliscão/empurrão/imobilizar

    9

    5

    2

    1

    2

    2

    2

    25

    5,5

    Esganadura

    -

    -

    -

    -

    1-

    -

    2

    3

    0,7

    Afogamento/imersão

    2

    -

    -

    1

    -

    -

    -

    3

    0,7

    Agressão com instrumento

    2

    5

    6

    11

    24

    18

    21

    87

    21,0

    Queimaduras

    1

    2

    2

    3

    3

    2

    2

    15

    3,6

    Ingestão forçada de álcool/psicotrópicos

    -

    1

    2

    1

    1

    -

    1

    6

    1,4

    Ameaça de morte

    -

    -

    -

    1

    -

    -

    1

    2

    0,5

    Negligência

    3

    2

    3

    -

    2

    2

    -

    12

    2,9

    Agressão com arma

    -

    1

    -

    -

    -

    1

    5

    7

    1,7

    Sem informação

    15

    22

    21

    19

    51

    41

    38

    207

    49,9

    Total

    39

    42

    38

    41

    90

    74

    91

    415


    %

    9,4

    10,1

    9,2

    9,9

    21,7

    17,8

    21,9


    100

    __________________________________________________________________________

    Fonte: Distritos policiais, Instituto Médico Legal (IML), Varas de menores, Fórum criminal, Fundação do Bem-estar do Menor (Febem) (apud AZEVEDO; GUERRA, 1995).

    Obs.: Dados relativos à notificação de casos desta natureza em 1991, em São Paulo-SP.


    Para Assis e Deslandes (2005), a angústia expressa por adolescentes vítimas de violência física descrita nessa pesquisa revela que eles convivem

    “cotidianamente com sentimentos de raiva, ambivalência do afeto e do ódio que sentem pelos familiares e a aceitação do fato de que as dores que sentiram foram merecidas, ao reconhecerem que a agressão por eles sofridas esteve respaldada no amor e na necessidade cultural de educá-los. É o aprendizado da violência e da vida acontecendo simultaneamente para essas crianças e adolescentes. E, no entanto, hoje é de domínio público que a violência intrafamiliar potencializa a violência social” (ASSIS; DESLANDES 2005, p. 51).


    Pesquisa aponta que cerca de 70% das crianças e adolescentes envolvidos com bullying (violência física ou psicológica ocorrida repetidas vezes) nas escolas sofrem algum tipo de castigo corporal em casa. Esse é apenas um dos efeitos negativos que a criança pode apresentar ao ser educada com o uso dos castigos físicos.

    Fonte: pesquisa realizada pelo Laboratório de Análise e Prevenção da Violência da Universidade Federal de São Carlos , SP.

    Os castigos físicos e humilhantes contribuem para que outras violações possam ocorrer:

    38% das crianças desaparecidas no Brasil, fogem de casa devido aos conflitos familiares (www.desaparecidos.mj.gov.br);

    É freqüente, em depoimentos de meninos e meninas que estão vivendo na rua, a constatação de que a fuga da casa foi motivada por agressões físicas e/ou sexuais;

    As crianças e adolescentes vítimas de exploração sexual que não possuem documentação ou apresentam documentação falsa, estavam em conflito com a família, alguns são usuários de droga, não estão na escola, estão buscando ajuda ou estão desaparecidas (pesquisa realiza em 2010 pelo Comitê Nacional de Enfrentamento a Violência Sexual)


    O que estamos ensinando as nossas crianças?

    A resolver suas questões de forma agressiva

    Prevalência de agressão verbal, violência e violência severa entre irmãos

    Violências entre irmãos 1

    Tipos de agressões cometidas entre irmão

    Violências entre irmãos 2
    Fonte: Indicadores de Violência Intrafamiliar e Exploração Sexual Comercial de Crianças e Adolescentes, CESE , Ministério da Justiça, CECRIA, 1998.


    O fenômeno Bullying começa em casa?

    Muitas vezes o fenômeno começa em casa.

    • Os pais, muitas vezes, não questionam suas próprias condutas e valores, eximindo-se da responsabilidade de educadores.
    • O exemplo dentro de casa é fundamental.
    • O ensinamento de ética, solidariedade e respeito ao próximo inicia ainda no berço e se estende para o âmbito escolar, onde as crianças e adolescentes passarão grande parte do seu tempo.

    Fonte: Bullying – Cartilha 2010 – Projeto Justiça nas Escolas, Conselho Nacional de Justiça, 2010.


    Veja ainda informações sobre pequisa recente na área da neuropsiquiatria:

    No campo da psiquiatria, um estudo recente indica que as conseqüências da violência sofrida por crianças extrapolam as seqüelas corporais imediatas, ou de transtornos no plano emocional e comportamental, como as pesquisas citadas. Os estudos comparativos do programa de pesquisa em biopsiquiatria do Hospital McLean em Belmont da Escola de Medicina de Harvard (TEICHER, 2002) identificaram alterações na morfologia e fisiologia das estruturas cerebrais de pessoas que foram vítimas de violências em fases precoces de sua vida. As alterações encontradas por Martin H. Teicher foram:

    a) sintomas semelhantes aos portadores do quadro orgânico de epilepsia do lobo temporal (ELT);

    b) presença de anormalidades nas ondas cerebrais no eletroencefalograma;

    c) disfunções do sistema límbico, com alterações no tamanho das amígdalas e do hipocampo;

    d) diminuição da integração entre os hemisférios direito e esquerdo do cérebro, com a presença de um corpo caloso menor que o normal;

    e) anormalidade na vermis cerebral, com redução do fluxo sanguíneo.

    Com base nesses achados clínicos, Teicher (2002) argumenta que se as violências ocorrem durante a fase crítica da formação do cérebro, quando ele está sendo esculpido pela experiência com o meio externo, o impacto do estresse severo pode deixar marcas indeléveis na sua estrutura e função. Para ele, a violência provoca uma cascata de efeitos moleculares e neurofisiológicos que altera de forma irreversível o desenvolvimento neural. O pesquisador alerta:

    “A sociedade colhe o que planta pela maneira como cria seus filhos. O estresse esculpe o cérebro para que exiba comportamentos anti-sociais, embora adaptativos. Quer o trauma venha na forma psicológica, emocional ou física, ou pela exposição à guerra, fome ou pestilência, o estresse pode disparar uma onda de mudanças hormonais que permanentemente estruturam o cérebro para lidar como o mundo malévolo. Por essa corrente de eventos, a violência e o abuso passam de geração para geração e de uma sociedade para outra. Nossa conclusão é de que vemos a necessidade de fazermos muito mais para garantir que o abuso infantil não aconteça, porque uma vez que essas alterações cerebrais acorrerem, pode não haver retorno” (TEICHER, 2002, p. 7).


    Colaboração: Slides da palestra de Márcia Oliveira – representante da Rede Não Bata Eduque, no VII Seminário Gente Crescente, organizado pelo Centro de Atenção Psicossocial Casa Água Viva da Secretaria Municipal da Saúde de Goiânia, em 22 de setembro de 2011.