29 de jul de 2011

Nota de falecimento

Amigos da saúde mental e do psicodrama,

Ainda impactada por uma profunda triste, comunico a todos o falecimento do psicólogo José Helder.


A esse homem especial, pai amoroso,
profissional idealista e competente e amigo
muito muito amado ofereço todas as flores do mundo.


A seus filhos Pedro e Mariana e demais familiares envio
minha solidariedade e o meu abraço sincero!



Abaixo reproduzo a Homenagem do Fórum Goiano de Saúde Mental

"Há homens que lutam um dia e são bons.
Há outros que lutam um ano e são melhores.
Há os que lutam muitos anos, e são muito bons.
Mas há os que lutam toda a vida, esses são os imprescindíveis."
(Bertold Brecht)

Homenagem do FGSM ao companheiro José Helder que partiu na noite de ontem. Ele esteve desde o prinícipio na construção da rede de atenção à saúde mental em Goiânia e, nos últimos anos, gestor do CAPS VIDA . Nossa gratidão pelo legado de competência técnica e política por uma sociedade sem manicômios...

28 de jul de 2011

...viver é para os insistentes - artigo de Eliane Brum

Meu filho, você não merece nada

A crença de que a felicidade é um direito, tem tornado despreparada a geração mais preparada

Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.

Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.

Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.

Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.

Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.

É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?

Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.

Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.

Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.

A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.

Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.

Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.

Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.

Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.

O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.

Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.

Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.

Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.

Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.




ELIANE BRUM
Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo).
E-mail: elianebrum@uol.com.br
Twitter: @brumelianebrum



Enviado pelo jornalista Rosimar Silva em 26 de julho de 2011.

26 de jul de 2011

A doença de ser normal












Deus me livre de ser normalizado!
Deus me livre de ser normatizado!
Deus me livre de ser uma média na estatística!



Abaixo alguns fragmentos do artigo A doença de ser normal da jornalista Eliane Brum

Na semana passada, li uma entrevista do professor José Hermógenes de Andrade Filho, uma lenda no mundo da ioga no Brasil. No texto, ele conta ter criado uma palavra – “normose” – para dar conta daquele que talvez seja o grande mal do homem contemporâneo. “Normose” seria a “doença de ser normal”. O professor explica: “Como diz o título de um documentário que fizeram sobre mim: ‘Deus me livre de ser normal!’. Pois, na dita normalidade em que vivemos, somos constantemente alimentados pelo que nos aliena de nós. Com isso, perdemos a noção das coisas, do sentido de nossa vida, deixando que o mundo interfira muito mais do que deveria. (...) Essa normalidade nunca esteve tão distante da verdade”.

A entrevista faz parte de uma coletânea de boas conversas com pessoas ligadas ao universo da espiritualidade – não necessariamente religiosa – no Brasil e no mundo, escrito em dois volumes pelo jornalista mineiro Lauro Henriques Jr., com o título “Palavras de poder” (LeYa, 2011). Ganhei os dois livros de uma pessoa especial na minha vida e por isso comecei a ler com curiosidade. Me deparei com a “normose” do professor Hermógenes. E fiquei instigada a pensar sobre ela.

Acho que vivemos um momento histórico muito rico. Só precisamos de mais coragem. Como diz o professor Hermógenes, do alto dos seus 90 anos, “Deus (seja ele o que for – ou não – para cada um) me livre de ser normal!”.

Vale conferir, acesse o texto completo AQUI







ELIANE BRUM
Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo).
E-mail: elianebrum@uol.com.br
Twitter: @brumelianebrum

25 de jul de 2011

Solidão por Chico Buarque



Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo... Isto é carência.

Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar... Isto é saudade.

Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos... Isto é equilíbrio.

Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida... Isto é um princípio da natureza.

Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... Isto é circunstância.

Solidão é muito mais do que isto.


Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma....


Francisco Buarque de Holanda

Enviado por Lenice Cruvinel em 25 de julho de 2011.

24 de jul de 2011

Tragédia da Noruega



Como a intol
erância ao diferente pode
ser tão devastador!


Como o ódio de um único ser
humano pode ser tão destrutivo!


Já se sabe quem é o responsável pela tragédia. O assassino está preso e foi acusado por terrorismo. A polícia investiga se ele agiu sozinho.

"Ele tem ligações com grupos de extrema-direita e se declarou um cristão fundamentalista. É nacionalista e se opõe a uma sociedade multicultural e à imigração de muçulmanos. Ele também foi integrante do Partido Progressista, que quer restringir o número de imigrantes na Noruega" (fonte: Jornal Nacional/Globo)


Veja reportagem completa AQUI

"Cada vítima é uma tragédia", diz primeiro-ministro norueguês

22 de jul de 2011

Música para reencantar os dias...

Como companhia para o final de semana fica a bela voz do irlandês Damien Rice e os emocionantes acordes do violoncelo e das guitarras da canção The Blower's Daughter





Essa canção foi tema do filme Closer - Perto Demais e ganhou uma versão em português interpretada por Ana Carolina e Seu Jorge: É isso aí.


21 de jul de 2011

O adolescente de 13 anos foi agredido por um professor de artes marciais na escola - Cariacica/ ES


"A indignação da mãe do
adolescente é ainda maior ao ver o filho machucado e envergonhado. 'Ele está quieto, no canto dele, diferente do normal. O rosto está inchado, acho que ele está com vergonha. Não sei qual vai ser minha reação se encontrar esse professor. Não tenho estrutura para conversar com o homem que espancou meu filho. Crio meus filhos sozinha e nunca agredi nenhum deles. É uma revolta muito grande', desabafa (fonte G1).


Veja AQUI reportagem completa no Portal G1


Comentário:
A delicada tarefa de educar


De acordo com Felipe & Philippi (1998), a violência visa sempre eliminar, no sujeito que a sofre, qualquer possibilidade de fazer uso da autodefesa para garantir-se íntegro. O ato violento busca suprimir um dos atores como sujeito, pois tem por finalidade impor nesse a condição de objeto, ou seja, sem arbítrio, vontade e luta. Anular a vontade, o desejo do aluno, impondo pela força a sua própria vontade, foi o que fez o educador da Escola Municipal Angelo Zani ao determinar que desligasse o celular que tocava Funk.

Ora, também não curto esse estilo musical, mas veja bem, no processo educativo o que é mais importante: reprimir e controlar gostos ou desejos ou promover discernimentos? Impor padrões de linguagens culturais ou gostos musicais é ensinar? Anular a vontade de ouvir certos hits promove a capacidade de discernimento e de autonomia dos educandos?

Para o professor da Escola Municipal Angelo Zani - Cariacica/ ES e todos nós educadores, posto abaixo algumas reflexões de Regis de Morais, autor do livro Violência e Educação.

Para o Regis de Morais (1995), o autoritarismo está na raiz de toda violência ocorrida no campo educacional. O autoritarismo - explícito ou dissimulado, se caracterizará sempre por uma fundamental indisposição ao diálogo. Uma forma de antidiálogo muito presente nas relações educacionais é a doutrinação, ou seja, é o esforço de condicionar seres humanos, ante uma realidade rica e diversa, a fazerem uma “leitura” única e redutora. Nesse sentido é fundamental que o professor proponha ao aluno a forma que lhe pareça mais rica de “ler” o mundo e a vida, pois ensinar implica sempre uma proposta cognitiva. No entanto, Morias ressalta que o educador:

"(...) está eticamente obrigado a deixar claro para os seus alunos que a forma de “leitura” por ele apresentada é uma, dentre várias outras possíveis, na abordagem do que chamamos realidade. Nada de apresentar um modo de compreensão como sendo o único confiável, o único existente ou o único válido; como sendo a única via de acesso à verdade. Isto é francamente ideológico” (MORAIS, 1995, p. 58)

Um pouco mais de Regis Morais:

"No verdadeiro diálogo eu não desejo submeter ou dominar o pensamento do outro; não me interessa vencer e tocar, sobre a humilhação dos vencidos, os ridículos clarins da vitória; interessa-me tanto convencer quanto ser convencido, na dependência do que se passou no 'entre dois'. Diálogos terminam em silêncio de indizível gratidão recíproca, já que, como dizia Alceu Amoroso Lima, a glória do homem é a palavra e o coroamento da palavra é o silêncio. Isto não se refere nem de longe aos silêncios impostos por mordaças; isto aponta para aquele tipo de silêncio que é a intraduzível celebração do entendimento profundo (MORAIS, 1995, p. 72).

"As relações educacionais são e devem ser sempre bipolares e estarão constantemente na dependência de ser ou não possível o evento do 'encontro humano'. Ao educador cumprirá bater, de boa consciência, à porta dos educandos postos sob seu cuidado; nisso o educador não pode omitir-se, não pode falhar: ele precisa, cheio da melhor boa vontade, 'bater à porta' do educando. Como, porém, foi ensinado por Buber, o encontro humano coroa um momento de graça no qual havia alguém batendo pelo lado de fora, bem como havia alguém querendo abrir, pelo lado de dento da porta. Isto quer dizer que o educador não tem o direito de 'arrombar a porta' na qual bate: a do educando" (MORAIS, 1995, p. 71)
.

"(...) educar é intervir em vidas, assim como ensinar o é. Intervenção em vidas humanas é alguma coisa que se faz pelo convite e não pela invasão. (...) Fique bem claro que intervir em vidas é algo que se faz sob o princípio da autoridade, que não tem qualquer parentesco com o princípio do autoritarismo. Autoridade é um princípio de equilíbrio e não será exagerado dizermos que é um princípio de amor, como várias vezes o concebeu Santo Tomás de Aquino. O que, de fato, caracteriza autoridade é a relação de solidariedade, bem como a inexistência de uma relação de dominação" (MORAIS, 1995, p. 45).

"Na verdade, o autoritarismo é o tapume atrás do qual alguma incompetência se esconde. (...) Portanto, frisemos: o educador intervém em vidas numa relação de autoridade, pois, numa relação de autoritarismo ele fatalmente invade vidas, sufocando nestas o que nelas pode haver de sinceridade e espaço interior criativo. Rousseau sempre repetia que essa pseudo-educação, que se parece a 'tábuas da lei', só acaba por infundir no educando hábitos da mentira, hipocrisia e vaidade, fazendo uma astuciosa vingança contra aquele que se julgou no direito de invadir brutalmente o recesso de uma vida" (MORAIS, 1995, p. 46).

"Será educador, portanto, todo aquele que conseguir alcançar a sutileza de discernir – o mais nitidamente possível - a fronteira complexa que separa intervenção de invasão. 'Mas a autoridade é humilde (embora firme), pois sabe que a receptividade dos educandos é uma estrutura de cristal, bela e capaz de partir ao menor impacto, que precisa ser ‘artisticamente’ preservada. O autoritarismo é arrogante (embora frágil) por compreender que não é convidado e nem recebido, por saber que vive respondendo perguntas que não foram feitas, por ter consciência de que sua própria existência é um logro: 'a consagração de uma mise-em-scéne de quinta categoria'” (MORAIS, 1995, p. 47).


Referências citadas:
FELIPE, Sônia T.; PHILIPPI Jeanine Nicolazzi. O corpo violentado: estupro e atentado violento ao pudor. Um ensaio sobre violência e três estudos de filmes à luz do contratualismo e da leitura cruzada entre direito e psicanálise. Florianópolis: Ed. da UFSC. 1998.
MORAIS, Regis de. Violência e educação. Campinas, SP: Papirus, 1995 (Coleção Magistério: Formação e Trabalho Pedagógico).

20 de jul de 2011

Dia Internacional da Amizade

@s amig@s do blog,


Ofereço as palavras de Vinicius de Moraes e de Carlos Drummond


Amigos

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devoto
e a absoluta necessidade que tenho deles.

A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor,
eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos,
enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.

E eu poderia suportar, embora não sem dor,
que tivessem morrido todos os meus amores,
mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos !

Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos
e o quanto minha vida depende de suas existências ...
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.

Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.

Mas, porque não os procuro com assiduidade,
não posso lhes dizer o quanto gosto deles.
Eles não iriam acreditar.

Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem
que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.

Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro,
embora não declare e não os procure.

E às vezes, quando os procuro,
noto que eles não tem noção de como me são necessários,
de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital,
porque eles fazem parte do mundo que eu,
tremulamente, construí,
e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.

Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.
Se todos eles morrerem, eu desabo!
Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.
E me envergonho, porque essa minha prece é,
em síntese, dirigida ao meu bem estar.
Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.
Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos,
cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim,
compartilhando daquele prazer ...

Se alguma coisa me consome e me envelhece
é que a roda furiosa da vida
não me permite ter sempre ao meu lado,
morando comigo, andando comigo,
falando comigo, vivendo comigo,
todos os meus amigos, e, principalmente,
os que só desconfiam
- ou talvez nunca vão saber -
que são meus amigos!
A gente não faz amigos, reconhece-os.

Vinicius de Moraes













com todo carinho do mundo....

Cida Alves

19 de jul de 2011




Caros Amigos,

Estamos divulgando o boletim das ações da Rede Não Bata, Eduque nos meses de Maio a Junho de 2011.

Vejam aqui


Abraços,
Marcia Oliveira
Rede Não Bata, Eduque

18 de jul de 2011

Saral Cultural: traumas e segredos familiares são o tema de hoje

Traumas e segredos familiares: uma
herança invisivelmente perigosa para as gerações futuras.


Abaixo segue algumas sugestões de filmes e livro


“Há tantas coisas que desconheço...
se um barbante com nó pode libertar o vento...
e se um afogado pode acordar....
então um homem ferido pode se curar”.
(Texto do final do filme Chegadas e Partidas)








Chegadas e Partidas
(The shipping news)

Direção: Lasse Hallström
Roteiro: Robert Nelson Jacobs, baseado em livro de E. Annie Proulx
Elenco: Kevin Spacey, Julianne Moore, Judi Dench, Cate Blanchett
Sinopse:
Baseado na novela homônima vencedora do prêmio Pulitzer de E. Annie Proulx, The Shipping News retrata a busca de um jornalista (Kevin Spacey) à sua auto-descoberta, que tem início na volta do personagem ao lugar onde viviam seus ancestrais, na costa de Newfoundland. The Shipping News é um retrato engraçado da família contemporânea, uma história do esforço que um homem comum faz para reconstruir sua vida em um ambiente novo e completamente diferente do seu, uma comunidade pesqueira litorânea.



Outras sugestões de filmes:



Regras da Vida
Título original: (The Cider House Rules)
Lançamento: 1999 (EUA)
Direção: Lasse Hallstrom
Atores: Tobey Maguire, Charlize Theron, Delroy Lindo, Paul Rudd.
Sinopse:
Baseado no best-seller de John Irving, a história de Homer Wells (Tobey Maguire), um garoto sem parentes que passa a ter como mentor um médico de um orfanato, Dr. Wilbur Larch (Michael Caine). Larch ensina a Homer tudo o que sabe sobre medicina e a diferença entre certo e , mas nunca o ensinou as regras da vida propriamente ditas. Quando Homer sai para descobrir o mundo, ele mais excitante do que jamais imaginara, especialmente quando se apaixona pela primeira vez. Entretanto, quando forçado a tomar decisões que irão influir para sempre em sua vida, percebe que no final das contas não pode fugir de seu passado.


Chocolate (Chocolat)
Direção: Lasse Hallstrom
Atores: Juliette Binoche, Lena Olin, Johnny Depp, Judi Dench.

Sinopse:
Vianne Rocher (Juliette Binoche), uma jovem mãe solteira, e sua filha de seis anos (Victorie Thivisol) resolvem se mudar para uma cidade rural da França. Lá decidem abrir uma loja de chocolates que funciona todos os dias da semana, bem em frente à igreja local, o que atrai a certeza da população de que o negócio não vá durar muito tempo. Porém, aos poucos Vianne consegue persuadir os moradores da cidade em que agora vive a desfrutar seus deliciosos produtos, transformando o ceticismo inicial em uma calorosa recepção.






Casas dos Espíritos (The House of the Spirits)
Direção: Billie August
Elenco: Meryl Streep, Glenn Close, Jeremy Irons, Winona Ryder, Antonio Bandera, Vanessa Redgrave

Sinopse: A história do Chile da década de 20 aos anos 70 é contada através da saga da família Trueba, que começa com a união de um homem simples (Jeremy Irons), que fica rico, com uma jovem (Meryl Streep) de poderes paranormais. A saga se desenvolve até esta família ser atingida pela revolução, que no início da década de 70 derrubou o presidente Salvador Allende.



Sugestão de Livro:




MEUS ANTEPASSADOS – Vínculos trangeracionais, segredos de família, síndrome de aniversário e prática do genossociograma.
Anne Ancelin Schutzenberger
Editora: PAULUS



Anne Ancelin Schützenberger trabalha com análise clínica e, em sua prática de mais de vinte anos, reúne “terapia transgeracional psicogenealógica contextual”. Em uma linguagem corrente isso significa que somos um elo na cadeia de gerações e que temos às vezes, curiosamente, de “pagar dívidas” do passado de nossos antepassados. É uma espécie de “lealdade invisível” que nos leva a repetir, queiramos ou não, situações agradáveis ou acontecimentos dolorosos. Somos menos livres do que acreditamos, mas temos a possibilidade de reconquistar nossa liberdade e de sair do destino repetitivo de nossa história, compreendendo os laços complexos que foram tecidos em nossa família.

Livro apaixonante e repleto de exemplos, inscrevendo-se entre as mais recentes pesquisas em psicoterapia integrativa. Evidencia em particular os vínculos transgeracionais, a síndrome de aniversário, o não-dito-segredo e sua transformação num impensado devastador.






Anne Ancelin Schutzenberger atua em análise clínica grupal e psicodrama. Professora emérita da Universidade de Nice. Dirigiu um laboratório de Psicologia Social e Clínica por mais de vintes anos. Assessora seminários de terapia grupal em vários lugares do mundo

17 de jul de 2011

Violência policial contra quilombola na Bahia


Quilombola é morto por policial dentro de casa no Quilombo de Volta Miúda - Caravelas BA

Em pleno São João, dia 24 de junho, quando o nordeste voltava sua atenção para as festas juninas, um fato grave não ocupou nossa mídia: o quilombola Diogo de Oliveira Flozina, 27 anos, pai de 2 filhos, teve sua casa invadida por 3 policiais a paisana que chegaram na comunidade de carro comum em pleno meio dia.

Testemunhas da comunidade que não desejam se identificar, pela gravidade das ameaças que sofrem, disseram que os policiais mataram Diogo por volta de 12:30h e que ficaram na casa com ele até 14h, quando uma viatura chegou para levar o corpo.

Nessas horas que a polícia estava na comunidade, um menor de 15 anos foi espancado e ameaçado de morte por se aproximar do local, que os policiais mantiveram isolado de outras pessoas.
A viatura então seguiu para o município de Nova Viçosa, para um bairro onde já existem ocorrências de tráfico de drogas; depois seguiram para o hospital de Teixeira de Freitas, lá e na delegacia o corpo foi apresentado como de um traficante.

O boletim de ocorrência consta que o rapaz foi morto depois de uma batida policial com trocas de tiro numa boca de fumo em Nova Viçosa.
O Quilombo de Volta Miúda, assim como outros da região, vive conflitos permanentes com polícia e empresas de eucalipto e carvão.

A comunidade acredita que Diogo foi morto por estar extraindo carvão e incomodando os interesses das empresas do ramo.
"Aqui os quilombolas vivem aterrorizados, trancados em suas casas, silenciados pela opressão, eu coloco minha boca no mundo, mas sei que posso morrer a qualquer momento por isso, precisamos de ajuda!" relata um quilombola que não deseja se identificar.

O quilombo de Volta Miúda é certificado pela Palmares, tem 120 famílias em estado de preocupante pobreza e sobrevivem com muito sacrifício por conta da dominação das empresas de eucalipto.

Na região, vive em conflito com polícia e empresários, além da Volta Míúda, cerca demais 7 comunidades que se sentem isoladas, sem apoio e cobertura nenhuma dos poderes públicos.
O

Quilombo de Volta Miúda pede socorro
, antes que outras tragédias aconteçam!


Enviado por Luiz do Nascimento Carvalho, psicólogo, mestre em educação e doutorando pelo programa strictu sensu em Psicologia Social da PUC-SP e Bolsista pelo International Fellowship Program (IFP) da Fundação Ford (FF), em 14 de julho de 2011.

15 de jul de 2011

Marcha não, Maratona das Vadias em Goiânia!

Foram 7 horas ininterruptas de manifestações
contra o preconceito e a violência!











Atividades do Dia


Oficina de Cartazes










Caminhada pelo Campos Samambaia - UFG










Visitas aos stands da SBPC 2011













Atividades da noite


Carreata do Campus II até a Praça Universitária
(essa atividade não deu para fazer as fotos)


Passeata na Praça Universitária












Veja aqui album completo:




Veja também as belas fotos postadas no Paralelo Mundi

Veja outras notícias:

Fotos: Cida e Claras Alves.