16 de out. de 2021

O papel da natureza na recuperação da saúde e bem-estar das crianças e adolescentes durante e após a pandemia de COVID-19 - Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)

 


“Então, afetamos o futuro de nossos filhos. À medida que destruímos o meio ambiente, todos destruímos o futuro deles, mas acredito que não seja tarde demais.”

Começo da Vida 2 – Lá Fora


O papel da natureza na recuperação da saúde e bem-estar das crianças e adolescentes durante e após a pandemia de COVID-19 - Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)

Grupo de Trabalho Criança, Adolescente e Natureza

Coordenação: Luciana Rodrigues Silva (SBP), Maria Isabel Amando de Barros (Instituto Alana, relatora)

Membros: Daniel Becker, Dirceu Solé, Evelyn Eisenstein, Liubiana Arantes de Araújo, Maria Isabel Amando de Barros, Ricardo Ghelman, Virgínia Weffort

 

Crianças e adolescentes estão experimentando e sentindo o impacto da Covid-19 de várias maneiras diferentes: mudanças na relação com a escola, maior permanência em casa com as famílias, aumento do tempo de uso de telas, assim como mudanças em sua saúde física, emocional e bem-estar. Pesquisadores em todo o mundo ainda tentam estimar os impactos emocionais, físicos e cognitivos do longo tempo de isolamento decorrente da pandemia e do estresse dentro das famílias.

Uma metanálise que avaliou dados de 29 estudos, incluindo 80.879 jovens de todo o mundo, concluiu que as estimativas de incidência de depressão e ansiedade infantil e no adolescente, durante a pandemia de Covid-19 são da ordem de 25,2% e 20,5%, respectivamente. O estudo concluiu ainda que a prevalência de sintomas de depres­são e ansiedade durante a Covid-19 dobrou, em comparação com as estimativas pré­-pandêmicas. ¹

No Brasil, uma pesquisa realizada pela Fundação Maria Cecília Souto Vidigal (FMCSV) indicou que, na pandemia, 27% das crianças de 0 a 3 anos voltaram a ter comporta­mentos que tinham quando eram mais novas, segundo a percepção dos pais.² Embora saibamos que regressões geralmente são transitórias, essa é uma evidência importante do impacto do isolamento nas crianças pequenas.

Em outro levantamento também realizado pela FMCSV, dessa vez em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro, crianças da pré-escola, entre quatro e cin­co anos, apresentaram sinais de déficit no desenvolvimento da expressão oral e cor­poral no período de suspensão das aulas presenciais, de acordo com a avaliação dos educadores.³

Em relação aos adolescentes no Brasil, uma pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) sobre os impactos da pandemia nessa população apontou que 48,7% têm sentido preocupação, nervosismo ou mau humor, na maioria das vezes ou sempre. Houve aumento no consumo de doces e congelados, bem como no sedentarismo: o percentual de jovens que não faziam 60 minutos de atividade física em algum dia da semana antes da pandemia era de 20,9%, e passou a ser de 43,4%. 4

Já bastante confinados antes da pandemia, as crianças e adolescentes ficaram ainda mais sedentários e perderam as poucas oportunidades que tinham de brincar, praticar atividades físicas e conviver entre si, do lado de fora, vinculando-se com a natureza e com a vida. Precisaremos de todos os esforços possíveis a fim de mitigar os impactos da pandemia e fortalecer essa geração que irá enfrentar tantos desafios, incluindo os im­pactos das alterações climáticas, a desigualdade social e econômica, e as consequências das rápidas mudanças tecnológicas.

Há evidências sólidas de que criar e possibilitar o acesso de crianças, jovens e famílias a espaços naturais diversos e acolhedores pode contribuir muito para a recuperação de sua saúde e bem-estar, bem como para o fortalecimento de vínculos e conexões sociais. 5 Afinal, as áreas verdes são soluções baseadas na natureza não apenas para as questões ambientais, mas também para a melhoria da saúde pública. Simultaneamente, aumentar o número de áreas verdes seguras e conservadas, e distribuí-las de forma mais equâni­me no território, nos ajudará a construir uma cidade mais segura, sustentável, resiliente, includente e solidária.6

As atividades físicas, naturalmente desenvolvidas em contato com a natureza, apre­sentam potencial para reduzir a gravidade das infecções por Covid-19 pelos efeitos positivos dos exercícios sobre a imunidade, hábitos de sono, pressão arterial, controle do peso, glicemia e infecções respiratórias virais. Adicionalmente os benefícios para a saúde mental são enormes, desde a redução do estresse contínuo e dos sintomas de depressão e ansiedade, com reequilíbrio hormonal do cortisol e sua repercussão no sis­tema imunológico e nas inflamações.7  

Um amplo estudo nacional desenvolvido no Canadá sobre as experiências e atitudes de crianças e jovens durante a pandemia, no qual meninos e meninas foram ouvidos, relata que o brincar e o acesso às áreas abertas e naturais - como ruas, praças e parques - foram apontados como fatores de influência para vivências mais positivas durante o período da pandemia, incluindo experiências escolares mais satisfatórias, maior bem-estar, mais atividade física, menos tempo de telas e menos estresse. O estudo também ressalta a desigualdade relacionada ao acesso a esses benefícios. Crianças e jovens que vivem em apartamentos pequenos, longe de áreas verdes qualificadas, são em sua maioria negros e indígenas e vêm de famílias de baixa renda.8 No Brasil, essa desigualdade também é evidente, com a maioria da população vivendo em áreas urbanas, em contextos que vão desde crianças restritas aos playgrounds dos edifícios até territórios vulneráveis e sem acesso a áreas verdes e equipamentos públicos qualificados.

O reconhecimento do direito ao brincar e ao convívio do lado de fora, ao ar livre, em contato com a natureza, está fundamentado em diversos marcos legais ligados à in­fância e é reconhecido pela Sociedade Brasileira de Pediatria como uma prioridade.9 Durante a pandemia, esse direito foi negado tendo em vista a necessidade de prevenir a transmissão viral. Agora é o momento de rever estratégias e trabalhar pela redução dos danos. Acreditamos que fomentar o acesso ao brincar e ao convívio social ao ar livre, sem aglomerações e sempre usando máscaras, ajudará a mitigar o longo impacto da pandemia na saúde e no bem-estar de uma geração de crianças e adolescentes.

Recomendações para os pediatras:

– Orientar que as crianças e adolescentes tenham acesso diário, no mínimo por uma hora, a oportunidades de brincar, aprender e conviver com a - e na - natureza para que possam se desenvolver com plena saúde física, mental, emocional e social.

– Acolher famílias apreensivas e impactadas com perdas, traumas e medos, e avaliar junto aos pais e mães formas seguras de realizar atividades de lazer a céu aberto, ressaltando o efeito terapêutico e curativo que esses momentos podem trazer: procu­rar um local pouco visitado ou visitar parques e praças fora do horário de pico; usar máscaras; higienizar as mãos com frequência; evitar aglomerações; em caso de pas­seios em pequenos grupos com outras famílias e amigos, não compartilhar alimentos, bebidas e utensílios.

– Planejar com as famílias uma “dieta de natureza”, de forma que as crianças e adoles­centes possam retomar o hábito de brincar e conviver ao ar livre de forma cotidiana e frequente: brincar no parquinho mais próximo pelo menos uma hora por dia; fazer um passeio ou caminhada na rua/praça/orla da praia ou lagoa uma vez na semana; fazer um piquenique num parque diferente uma vez ao mês, priorizando a alimenta­ção saudável; e, eventualmente, planejar viagens para locais onde as crianças possam usufruir dos espaços abertos com autonomia, liberdade e segurança.

Recomendações para as famílias:

-  Priorizar toda e qualquer atividade de lazer e convívio social em espaços aber­tos, ao ar livre e com elementos naturais como grama, areia, terra, árvores e plantas, com os quais as crianças possam interagir dentro de seu próprio ritmo e tempo.

- Sugerir e incentivar que as escolas incluam aprendizagens ao ar livre nos protocolos de retomada das aulas presenciais. O uso de espaços ao ar livre, como pátios, qua­dras e jardins, se apresenta como uma forma de diminuir os riscos de transmissão do coronavírus e, ao mesmo tempo, colabora na promoção de saúde e bem-estar dos educadores e estudantes.10

– Manter os cuidados protetivos: usar máscaras de forma adequada, lavar sempre as mãos e/ou higienizá-las com álcool em gel, evitar aglomerações e festas e, em caso de quaisquer sintomas, ficar em casa e testar os envolvidos.

Recomendação geral:

– Apoiar iniciativas da sociedade civil e políticas públicas destinadas a aumentar o acesso e o contato das crianças e das famílias, especialmente as mais vulneráveis, com a natureza, o ar livre e a conservação das áreas naturais.

Referências:

01. Racine N, McArthur BA, Cooke JE, Eirich R, Zhu J, Madigan S. Global Prevalence of De­pressive and Anxiety Symptoms in Children and Adolescents During COVID-19: A Meta­-analysis. JAMA Pediatr. 2021 Disponível em: https://jamanetwork.com/journals/jamape­diatrics/fullarticle/2782796?resultClick=1. doi:10.1001/jamapediatrics.2021.2482. Acesso em 17 de setembro de 2021.

02. Fundação Maria Cecília Souto Vidigal. Primeiríssima Infância - Interações na pandemia: Comportamentos de pais e cuidadores de crianças de 0 a 3 anos em tempos de Covid-19; 2021 Disponível em: https://www.fmcsv.org.br/pt-BR/biblioteca/primeirissima-infancia­-interacoes-pandemia-comportamentos-cuidadores-criancas-0-3-anos-covid-19/ Acesso em 20 de setembro de 2021.

03. Para 78% dos professores, crianças da pré-escola têm expressão oral e corporal afetadas du­rante a pandemia, diz pesquisa; G1; Educação; 29/03/2021 Disponível em: https://g1.globo. com/educacao/volta-as-aulas/noticia/2021/03/29/para-78percent-dos-professores-criancas­-da-pre-escola-tem-expressao-oral-e-corporal-afetadas-durante-a-pandemia-diz-pesquisa. ghtml/ Acesso em 20 de setembro de 2021.

04. Fundação Oswaldo Cruz. Pesquisa da Fiocruz aponta os impactos da pandemia na rotina dos adolescentes brasileiros, 2020 Disponível em: https://portal.fiocruz.br/noticia/pesquisa-da­-fiocruz-aponta-os-impactos-da-pandemia-na-rotina-dos-adolescentes-brasileiros/ Acesso em 10 de setembro de 2021.

05. Chawla L. Benefits of Nature Contact for Children. J Plann Liter. 2015;30(4):433-452. Disponível em: https://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/0885412215595441/ doi:10.1177/0885412215595441. Acesso em: 20 de setembro de 2021.5

06. Sugar S. The Necessity of Urban Green Space for Children’s Optimal Development. UNI­CEF. Disponível em: https://www.unicef.org/media/102391/file/Necessity%20of%20 Urban%20Green%20Space%20for%20Children%E2%80%99s%20Optimal%20Develop­ment.pdf/ Acesso em: 20 de setembro de 2021

07. Sallis JF, Pratt M. Multiple benefits of physical activity during the Coronavirus pandemic. Rev. Bras. Ativ. Fís. Saúde. 14/09/2020 [acesso em: 20 setembro 2021]; 25:1-5. Disponível em: https://rbafs.emnuvens.com.br/RBAFS/article/view/14268/

08. Maximum City. COVID-19 child and youth study: the role of play and outdoor space; 2021 Disponível em: https://static1.squarespace.com/static/5a7a164dd0e628ac7b90b463/t/6053 601208bc3850abd83bcf/1616076821403/COVID-19+Child+and+Youth+Study_+PLAY+ AND+OUTDOOR+SPACE+REPORT+v2.pdf Acesso em 20 de setembro de 2021.

09. Sociedade Brasileira de Pediatria, Instituto Alana. Manual de Orientação - Benefícios da Natureza no Desenvolvimento de Crianças e Adolescentes; 2019 Disponível em: https:// criancaenatureza.org.br/wp-content/uploads/2019/05/manual_orientacao_sbp_cen.pdf Acesso em 20 de setembro de 2021.

10. Instituto Alana. Planejando a reabertura das escolas: a contribuição das pesquisas sobre os benefícios da natureza na educação escolar Disponível em: https://criancaenatureza.org. br/wp-content/uploads/2020/08/Planejando-a-reabertura-das-escolas.pdf Acesso em 20 de setembro de 2021.

Para mais informações:


O documentário O Começo da Vida 2: Lá Fora, que conta com o apoio da Sociedade Brasileira de Pediatria e está disponível nas principais plataformas digitais, é uma gran­de fonte de informação e inspiração para mobilizar esforços por mais natureza para as crianças e mais crianças na natureza. No site do filme, é possível acessar diversos ma­teriais de apoio direcionados às famílias, aos educadores e aos profissionais de saúde.

12 de out. de 2021

Ensaio sobre a Convenção sobre os Direitos da Criança: Engravidar o mundo de futuro - Mia Couto

 



O melhor prémio que tive enquanto escritor foi-me dado por uma criança. Por um menino que teria uns 9 anos de idade. O pai tinha-o levado a uma sessão de lançamento do meu livro "O gato e o escuro". 

A obra foi apresentada como sendo um "livro para crianças", apesar da minha resistência em aceitar que alguém escreve "para" crianças. O facto é que o menino ali estava, à entrada do grande salão, com um exemplar debaixo do braço. O pai pediu-me que assinasse o livrinho antes da sessão de lançamento porque o menino, o Manuel, tinha que se deitar cedo. Ajoelhei-me junto ao Manuel e fiz umas tantas perguntas idiotas que os adultos normalmente fazem quando acreditam que estão a falar com crianças. O menino olhou-me desinteressado e quase desapontado: eu era igual a todos os outros, os que, vezes sem conta, já lhe haviam feito as mesmas perguntas. Coloquei-lhe então uma outra questão: 

- Este livro é sobre o medo do escuro. Será que tu tens medo? 

Pela primeira vez ele me olhou nos olhos. Demorou a reagir e respondeu com uma pergunta: 

- E tu tens medo do escuro? 

Disse-lhe que sim. Ele gostou da sinceridade, deu meia volta e quando já se afastava conduzido pela mão do pai, ele parou e disse-me à distância: 

- Não tenhas medo. O escuro apenas é feito das coisas que nele colocamos. 

Disse aquilo para me reconfortar. Mas ele apenas recitava uma frase que eu tinha escrito no livro. O facto de um menino ter citado uma frase minha como se fosse algo da sua autoria foi talvez o maior dos prémios literários que tive. Nunca mais esquecerei esse momento. 

Falo deste episódio para chegar a um outro ponto de partida: quase todos nós deixamos de saber falar com as crianças. Primeiro, pela raridade do momento: as poucas vezes que a elas nos dirigimos é para lhes falarmos. Não é para falarmos com elas. Essa ausência de diálogo tem uma aparente justificativa: as crianças, pensamos nós, pouco sabem e o que sabem, sabem mal. Não são ainda pessoas. São um projecto de pessoa. Olhamos para baixo quando falamos com elas. Como se elas fossem incompletas e estivessem à espera de legitimação para serem tratadas como sujeitos. Até esse reconhecimento de idade elas não são senão objecto da nossa atenção, mesmo que essa atenção seja positiva. 

Em segundo lugar, não falamos com elas, porque o conteúdo da nossa "conversa" com as crianças resume-se a três ou quatro perguntas sempre iguais: 

- Como te chamas? 

- Quem é o teu pai? Ou a tua mãe? 

- Em que escola andas? 

- O que queres ser quando fores grande? 

Esgotadas estas perguntas, resta um vazio. A razão deste vácuo não está na criança. A falta de habilidade para o diálogo mora em nós, adultos: deixámos de saber lidar com a infância que sobrevive dentro de nós. Mais grave ainda: temos medo de revisitar essa criança que subsiste no nosso íntimo. 

Quando construímos a categoria "criança" inspiramo-nos quase sempre num critério meramente etário. Fica demarcada uma fronteira intransponível: de um lado, "eles", as crianças; do outro, nós, vivendo no território da maturidade, longe da infância. 

Estamos marcados por preconceitos e ideias feitas que vão desde a tentativa de menorizar os outros até à percepção da criança como uma entidade pura, essencial e que, por isso, se encaixa bem numa gaveta existencial. A realidade é outra, bem diferente: as crianças surpreendem-nos e revelam-se pessoas inteiras, com capacidades ao mesmo tempo iguais e diferentes das nossas. Algumas dessas capacidades nós, que nos chamamos de adultos, já as perdemos. 

Essa plasticidade de pensamento, essa capacidade de estarmos disponíveis e nos espantarmos, são características que muito nos ajudariam a sermos melhor, num mundo mais aberto à mudança. 

Na verdade, não existe uma entidade denominada "criança" que possa ser separada de forma definitiva do resto da humanidade.

Essa entidade é sobretudo de carácter relacional. Ela nasce das interações entre os diferentes grupos sociais, religiosos e culturais. 

Não se é criança. Está-se criança. É evidente que a Convenção sobre os Direitos da Criança teve que operar nessa generalização simplificadora. E é justo que não se relativize aquilo que é central e essencial de modo a não cair na armadilha dos relativismos culturais que nos atirariam para muita palavra e pouca acção. Foi nessa dimensão universalista que se deram passos decisivos no mundo inteiro. Em Moçambique essas conquistas são visíveis e constituem um claro motivo de orgulho.

Contudo, existem alguns cuidados que nos devem guiar na avaliação do que foi feito e do que falta fazer. Essa avaliação é muitas vezes conduzida de forma apressada e para servir intenções políticas. E as conquistas tendem a ser apresentadas de forma quantitativa: o número de escolas, o número de vacinas, o número de crianças abrangidas por programas sociais. Falta examinar a qualidade. Falta avaliar a adequação da escola em função da dinâmica do tempo que vivemos. 

As muitas escolas que foram edificadas são, na verdade, uma condição para que se observe um dos direitos fundamentais da criança. Mas elas preparam as novas gerações para um futuro que já se torna presente? Está a nossa sociedade estruturada para se confrontar com a dinâmica demográfica que se avizinha? Estamos acompanhando as exigências crescentes de uma sociedade maioritariamente composta por gente com menos de 15 anos? 

Noutros termos: quanto estamos construindo no ventre do presente uma sociedade grávida de futuro? Esta é as perguntas mais sérias que podemos fazer quando o tempo presente se senta no lugar do réu.

 

Fonte: UNICEF, Maputo, dezembro de 2014


25 de set. de 2021

Nosso reino - série de Marcelo Piñeyro e Claudia Piñeiro


 

“O velho mundo morre. O novo demora em aparecer. Nesse claro-escuro surgem os monstros”. 

“A frase de Antonio Gramsci que abre Vosso reino é, mais do que um resumo de seu conteúdo, uma declaração de intenções de seus criadores. A série argentina da Netflix se tornou, poucas semanas depois da estreia, um sucesso na plataforma em todo o mundo de língua espanhola. Corrupção material e espiritual, a religião como arma de poder, o preço da ambição política e um relato preciso de como funcionam as entranhas do sistema se juntam neste thriller de oito episódios criado por Marcelo Piñeyro e Claudia Piñeiro” (Juan Carlos Galindo – El País).



 


19 de set. de 2021

15 de set. de 2021

Como a violência (inclusive leve) afeta o cérebro das crianças? - Adrián Cordellat do El país


 

Lourdes Fañanás, doutora em Biologia, explica que o maus-tratos dificultam a resposta neurobiológica ao estresse e podem ser relevantes em mais da metade de todos os diagnósticos psiquiátricos infantis

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“Que os maus-tratos graves durante a criação mudam a biologia do cérebro da criança é algo que sabemos há muito tempo. A ideia de que o cuidado materno e paterno é imprescindível para a saúde mental e para o bom desenvolvimento da criança é tão antiga quanto a medicina”, afirma a doutora em Biologia Lourdes Fañanás Saura, catedrática da Universidade de Barcelona e pesquisadora principal do Centro de Pesquisa Biomédica em Rede de Saúde Mental (CIBERSAM). Fañanás é uma das maiores especialistas espanholas na complexa engrenagem de diálogos e interações entre genes e ambiente que desencadeia o desenvolvimento de doenças mentais. Os dados não mentem. Segundo a doutora em Biologia, os maus-tratos têm uma influência mais ou menos relevante em mais da metade de todos os diagnósticos psiquiátricos realizados na infância. Essas experiências de violência durante os primeiros anos de vida também se relacionam com mais de 35% dos transtornos mentais diagnosticados na idade adulta. 

“Podemos dizer que haveria um pequeno grupo de transtornos mentais graves, tanto na infância como na idade adulta, em que realmente os fatores genéticos explicam de maneira muito importante sua aparição. Mas inclusive nesses transtornos mais graves, como o transtorno do espectro autista e a esquizofrenia, sabemos que o ambiente onde viveu essa criança geneticamente vulnerável desempenha um papel relevante. Ou seja: se essa criança sofre violência, aumentam as possibilidades de desenvolver um transtorno mais grave e com pior prognóstico”, explica.

O que até agora não se sabia, reconhece Fañanás, é que inclusive os níveis mais leves e ocasionais de maus-tratos também têm repercussões sobre a neurobiologia dos pequenos. Isso foi demonstrado num estudo recente liderado pela pesquisadora do CIBERSAM Laia Marques-Feixa e publicado na revista científica Psychological Medicine. Com 187 participantes de 7 a 17 anos, o trabalho avaliou a história de maus-tratos infantis e a reatividade do principal mecanismo biológico de regulação do estresse, o eixo hipotálamo-pituitária-adrenal (HPA). “Vimos no estudo que todas as situações de maus-tratos, desde as mais leves até as mais graves, modificam de forma neurobiológica a maneira que os menores têm de responder ante situações de estresse”, diz Lourdes Fañanás.

Existe, em todo caso, uma evidente relação dose-efeito: quanto mais grave e sustentada no tempo for a situação de violência, maior será seu impacto no desenvolvimento cerebral dos pequenos e no funcionamento de seu eixo HPA. O estudo, como explica Laia Marques-Feixa, analisou tanto a severidade dos maus-tratos como a frequência da exposição. A conclusão: quando os maus-tratos são prolongados (além da gravidade da experiência em si) e a situação se torna crônica, o eixo HPA também sofre alterações e se desregula.


Incapacidade de enfrentar situações de estresse

As pesquisadoras do CIBERSAM Laia Marques-Feixa e Lourdes Fañanás Saura

 

O objetivo da pesquisa foi estudar as alterações que os maus-tratos provocam no eixo hipotálamo-pituitária-adrenal (HPA), principal mecanismo de regulação do estresse em humanos. Até o momento, a maioria dos estudos realizados nesse âmbito haviam se concentrado na população adulta. Indicavam um achatamento na atividade do cortisol, último hormônio na cascata de regulação do estresse, quando os indivíduos tinham que enfrentar uma situação psicossocial estressante. “O cortisol é um hormônio natural e necessário, que ativa muitos processos do nosso corpo e aumenta o ritmo cardíaco, a respiração e o nível de glicose no sangue, permitindo que nos concentremos diante do estressor que enfrentamos. Se o cortisol não for ativado, pode ser muito mais difícil enfrentar essas situações de estresse”, explica Laia Marques-Feixa.

No estudo publicado em Psychological Medicine, os autores encontraram dois dados especialmente relevantes associados à ativação do cortisol. Por um lado, um comprometimento da função basal que altera o ritmo circadiano. Normalmente, o cortisol é ativado nas primeiras horas do dia (o que nos permite levantar e enfrentar a jornada) e vai diminuindo de tarde, para facilitar o descanso e a conciliação do sono durante a noite. O que se viu no estudo, no entanto, é que aquelas crianças e adolescentes —com ou sem psicopatologia— que viveram experiências de maus-tratos “durante a noite têm mais altos níveis de cortisol, o que pode alterar seus ritmos de sono-vigília e fazer com que estejam mais hiperativos e ansiosos durante o horário noturno e tenham mais dificuldade de conciliar o sono e descansar.”

Por outro lado, no que se refere à reatividade ante situações de estresse, os autores descobriram que as crianças com história de maus-tratos têm o eixo HPA achatado. Assim, diante de situações de estresse agudo, o cortisol não aumenta como deveria. O mais interessante, para Marques-Feixa, é que em relação à percepção de ansiedade esses meninos e meninas se mostravam muito nervosos, relatavam muita ansiedade, mas havia uma clara dissociação entre sua percepção e sua resposta biológica ao estresse.

“Em suma, poderíamos dizer que as crianças e adolescentes com experiências de maus-tratos podem ter seus sistemas biológicos desregulados em estágios muito iniciais, entre os quais o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, um dos principais no funcionamento do corpo humano. Isso pode fazer com que, ao se depararem com situações da vida normal que requerem um certo nível de resposta (enfrentar mudanças repentinas, novos desafios, uma discussão ou um exame, por exemplo), essas pessoas, por terem um sistema neurobiológico desregulado, encontram mais dificuldades para administrar bem essas situações, emocional e comportamentalmente”, esclarece a pesquisadora.

A consequência dessa desregulação, em última análise, é um risco aumentado de sofrer transtornos mentais. “Essas meninas e meninos prejudicados durante a criação tendem a ter muito baixa autoestima e dificuldades em controlar as emoções e a impulsividade. Se, além disso, o mecanismo neurobiológico que permite a regulação em situações estressantes não funcionar bem, pessoas com histórico de abuso, principalmente adolescentes, podem recorrer a estratégias de autorregulação que são prejudiciais, como autolesões, uso de substâncias, vícios ou tentativas de causar graves ferimentos em si mesmas”, diz Marqués-Feixa. Ela observa que a desregulação emocional causada pelos maus-tratos “é transversal a todos os diagnósticos psiquiátricos, da ansiedade à psicose”.

Nesse sentido, por ter sido demonstrado que desde etapas muito iniciais os maus-tratos podem desregular mecanismos fisiológicos e cognitivos que podem afetar toda a vida, a pesquisadora e primeira signatária do trabalho destaca a importância de intervir quanto antes nas situações de negligência ou maus-tratos. “A puberdade parece ser uma etapa muito importante. Se conseguirmos melhorar o ambiente da criança o mais rápido possível, principalmente antes da puberdade, talvez esses mecanismos não se desregulem de modo irreversível”, argumenta. Opinião compartilhada por Lourdes Fañanás, que acrescenta ter sido comprovado que as crianças que foram expostas desde a primeira infância a situações de abandono e mesmo de violência física, se esta for detectada a tempo e elas forem inseridas em um ambiente novo e positivo, “são capazes de recuperar a função do eixo, de resgatá-la”.

Impacto do abuso muda de acordo com a idade

O momento do desenvolvimento do cérebro em que uma pessoa é exposta a um evento de maus-tratos, conhecido como janela ontogenética, altera consideravelmente o impacto que isso terá, bem como a capacidade de desregular os sistemas biológicos de quem foi afetado. Um adolescente de 17 anos submetido a bullying, mas com um bom desenvolvimento emocional na infância, possui alguns recursos (biológicos, psicológicos e cognitivos) para responder a essa situação estresante, recursos que faltam, por exemplo, no cérebro imaturo de uma criança de 3 anos submetida a abuso sexual por um parente. Como o cérebro responde a tal situação? Freando seu desenvolvimento. Sabe-se que o cérebro de uma criança de três anos vítima de maus-tratos graves ou negligência extrema tem um volume significativamente menor do que o de uma criança da mesma idade que cresce em um bom ambiente.

“Em crianças muito pequenas, que ainda têm muitas áreas do cérebro desconectadas, o abuso sexual grave, por exemplo, tem um impacto enorme em uma área subcortical do sistema límbico (hipotálamo e hipocampo) que nos permitirá regular as emoções mais primárias. Nesses bebês, o hipocampo diminui de volume e os neurônios reduzem sua conectividade, o que afeta também a conectividade entre áreas do cérebro. É uma resposta autodefensiva para não ter “memória”, explica Lourdes Fañanás, que acrescenta que o cérebro, por causa de sua enorme plasticidade, tem uma forma própria de se adaptar ao meio em função da fase em que é exposto ao abuso. Assim, as áreas do cérebro que serão afetadas variam conforme o tipo de maltrato e o momento da vida em que ocorre. “Entre 8 e 12 anos, o fato de as crianças presenciarem repetidas brigas e broncas de seus pais em casa faz com que no nível do cérebro a conectividade de algumas áreas auditivas e visuais do occipital seja reduzida. Embora as crianças não consigam se isolar dessa situação, é como se seu cérebro se “desconectasse” um pouco, como se quisessem ficar cegas e surdas a essa situação de violência”, exemplifica.

A principal pesquisadora do CIBERSAM acrescenta que essas situações, e outras mais graves que crianças ou adolescentes podem vivenciar, “envolvem também modificações psicológicas e cognitivas”; embora esclareça que nem todos os casos estão associados a transtornos mentais, pois existem indivíduos com certa resiliência a essas situações, uma característica que também estão investigando para saber quais são os mecanismos de proteção.


Fonte: El país, em 10 de setembro de 2021



11 de jul. de 2021

Jorge Drexler - La Guerrilla de la Concordia



La Guerrilla de La Concordia

Amar es ir a ciegas
El corazón despega mientras todo arde
Odiar es mucho más sencillo
El odio es el lazarillo de los cobardes

Armémonos, armémonos de valor
Armémonos, armémonos de valor hasta los dientes
El miedo salió de su fosa y hoy
Amar es cosa de valientes

Amémonos, amémonos porque sí
Amémonos, ahora mismo y aquí
Haciendo historia
Soltemos al aire nuestras octavillas
De la guerrilla de la concordia [...]

Soltemos al aire nuestras octavillas
De la guerrilla de la concordia

(Amar es cosa de valientes)

Cuerpo a cuerpo, verso a verso
Es una guerra de guerrillas
Y hay un comando de poetas suicidas
Rimando en las alcantarillas
Diciendo

Armémonos
Armémonos de valor hasta los dientes
Porque amar
Amar es cosa de valientes
Amar es cosa de valientes


Jorge Drexler




A Guerrilha da Concórdia

Amar é caminhar no escuro
O coração decola enquanto tudo queima
O ódio é muito mais fácil
O ódio é o guia para os covardes

Arme-nos, arme-nos de coragem
Vamos nos armar, nos armar de coragem até os dentes
O medo saiu de seu túmulo e hoje
Amar é coisa dos bravos

Vamos nos amar, vamos nos amar só à toa
Vamos nos amar, agora e aqui
Fazendo história
Vamos lançar nossos panfletos no ar
Da guerrilha da concórdia

Vamos lançar nossos panfletos no ar
Da guerrilha da concórdia

(Amar é coisa de bravo)

Corpo a corpo, verso por verso
É uma guerra de guerrilha
E há um comando de poetas suicidas
Rimando nos bueiros
Dizendo

Vamos nos armar
Arme-nos de coragem até os dentes
Por que amor
Amar é coisa dos bravos
Amar é coisa dos bravos


Jorge Drexler



 

22 de jun. de 2021

Apoie a campanha 26 de Junho - Dia Nacional pela Educação sem Violência - Veja a programação dos 16 dias de Ativismo de Enfrentamento às Violência Físicas e Psicológicas (Goiânia - Goiás)

 



PROGRAMAÇÃO INTERSETORIAL

26 DE JUNHO, LEI MENINO BERNARDO

16 DIAS DE ATIVISMO DE ENFRENTAMENTO ÀS VIOLÊNCIAS FÍSICAS E PSICOLÓGICAS

GOIÂNIA – GOIÁS, JUNHO E JULHO DE 2021

 


 24 de junho

15h30min às 17:00min

Bate papo sobre os desafios da pandemia (online) com adolescentes e jovens.

Transmissão pelo Facebook: Rede Não Bata Eduque

Responsáveis: Mobilizadores Rede Não Bata, Eduque.

 

25 de junho

8h30min

“Impactos da Violência na Infância durante a Pandemia” - Audiência Pública Deputada Adriana Accorsi.

Programação dos 16 dias de ativismo de enfrentamento às violências físicas e psicológicas contra crianças e adolescentes.

Transmissão pelo Facebook: Delegada Adriana Accorsi

Responsável: Gabinete da Deputada Estadual Adriana Accorsi

 

19h30min às 21h00min

Contação de história do livro infantil “Confusão na casa de João” e bate papo com a autora e ilustradora

Fafá Conta (Flávia Scherner)

Caroline Arcari

Bruna Lubambo

Transmissão pelo Instagram: @fafaconta

Responsáveis: Rede Não Bata, Eduque e Editora Caqui

 

26 de junho 

19h00min às 22h00min

Projeção da mensagem da Campanha 26 de junho – Dia Nacional pela Educação sem Violência

Centro Cultural Oscar Niemeyer - Goiânia (GO)

Responsável: Rede Não Bata Eduque

 

28 de junho 

10h00min às 11h30min

Live – Diagnóstico das violências físicas contra crianças e adolescentes – banco intersetorial de informações.

Painelistas:

Grécia Pessoni – Diretora de Vigilância Epidemiológica da SMS de Goiânia

Maria de Fátima Rodrigues - VIVA Goiás da Secretaria de Saúde do Estado de Goiás

Márcia Oliveira - Rede Não Bata, Eduque

Maria Luiza Moura Oliveira – Mestra em Psicologia Social e ex-presidente do Conselho Nacional dos Direitos de Crianças e Adolescentes - CONANDA

Mediadora:

Railda Martins

 

Responsáveis: Gerência de Vigilância das Violências e Acidentes – Secretaria Municipal de Goiânia, Rede de Atenção a Crianças, Adolescentes, mulheres e idosos em Situação de Violência de Goiânia e Reitoria Digital da UFG

Transmissão pelo Youtuber: Reitoria Digital da UFG.

 

01 de julho

16h00min às 17h30min

Atenção e Proteção de crianças e adolescentes vítimas de violências físicas

Painelistas:

Atenção às crianças e adolescentes vítimas de violências físicas

Eliane Terezinha Afonso – pediatra e doutora em Medicina Tropical com área de concentração em epidemiologia, pelo IPTSP da Universidade Federal de Goiás

Análises Epidemiológicos e Rede de Atenção e Proteção

Adriana Crispim – pediatra e mestre em Medicina Tropical com área de concentração em epidemiologia, pelo IPTSP da Universidade Federal de Goiás

Escuta Sensível na atenção em saúde

Cida AlvesDoutora Educação pela Universidade Federal de Goiás em intercâmbio com a Universitat de Barcelona (ES)

Mediador:

Solomar Marques - Mestre em Medicina Tropical - Epidemiologia - IPTSP/UFG e Diretor do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFG.

Responsáveis: Gerência de Vigilância das Violências e Acidentes – Secretaria Municipal de Goiânia, Rede de Atenção a Crianças, Adolescentes, mulheres e idosos em Situação de Violência de Goiânia e Reitoria Digital da UFG

Transmissão pelo Youtuber: Reitoria Digital da UFG


02 de julho

10h00min às 11h30min

 "Infanticídio Parental: violência objetiva e subjetiva"

Expositora:

Silvia Zanolla – psicóloga e professora (NEVIDA – Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás.

Mediador:

Diego de Carvalho Peres – educador social da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Social – SEDHS/CRAS Vera Cruz

Responsáveis: NEVIDA – Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás e Reitoria Digital UFG

Transmissão pelo Youtuber Oficial da UFG.

 

06 de junho

19h00min

Mesa de discussão sobre garantia de direitos de crianças e adolescentes e educação sem violência

Responsável: UEB – União de Escoteiros do Brasil

 

7 de julho

 

10h00min às 11h30min

Roda de Conversa: “O conceito de corpo em sofrimento, raízes culturais e consequências subjetivas das violências físicas”

Painelistas:

Cida Alves – Doutora Educação pela Universidade Federal de Goiás em intercâmbio com a Universitat de Barcelona (ES)

Daniela Sacramento Zanini - Pós Doutorado pela Universidat de Barcelona-Espanha (2008) e Universidade do Porto-Portugal (2020). 

Mediadora:

Ivonilde Nogueira – Conselho Municipal de Educação

 

Responsáveis: Gerência de Vigilância das Violências e Acidentes – Secretaria Municipal de Goiânia e Reitoria Digital UFG

 

8 de julho 

9h00min

 

Live “Desafios que as crianças enfrentam na Escuta Familiar”

Responsável: Gabinete da Deputada Estadual Adriana Accorsi

Transmissão pelo Facebook: Delegada Adriana Accorsi

 

9 de julho

10h00min às 11h30min

Lançamento da portaria que trata da Notificação Compulsória de Violência Interpessoal e Autoprovocada pelos serviços de saúde de Goiânia.

Painelista:

Marta Maria Alves da Silva - Gerência de Vigilância das Violências e Acidentes – Secretaria Municipal de Goiânia

Patrícia Valeriana – Gerente de Ciclos de Vidas da SMS de Goiânia – PMPI e Saúde da Criança

Durval Ferreira Fonseca Pedroso – Secretário Municipal da Saúde de Goiânia

Moderadora:

Luciane Sucasas – doutora em Ciências da Saúde/UFG e coordenadora do Grupo de Pesquisa Clínica Odontológica Pediátrica e do Núcleo de Estudos em Sedação Odontológica (NESO)

Responsáveis: Gerência de Vigilância das Violências e Acidentes – Secretaria Municipal de Goiânia e Reitoria Digital UFG

 


Realização:

Rede Não Bata, Eduque

Rede de Atenção a Crianças, Adolescentes, Mulheres e Idosos em Situação de Violência de Goiânia

Gerência de Vigilância das Violências e Acidentes – Secretaria Municipal de Goiânia

Prefeitura Municipal de Goiânia

Secretaria de Saúde do Estado de Goiás

Parcerias:

Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás

NEVIDA – Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás

UEB - União Escoteiros do Brasil