30 de set de 2014

Política também é coisa de criança - Acesse a Agenda pela Infância 2015-2018 e conheça os desafios e propostas que o UNICEF elaborou para os candidatos e eleitores.

 

AS CRIANÇAS NO CORAÇÃO DA AGENDA POLÍTICA DO PAÍS


Para ajudar a garantir a igualdade de direitos para as crianças no Brasil, o UNICEF lançou a Agenda pela Infância 2015-2018, um conjunto de propostas para o diálogo com a sociedade brasileira, os partidos políticos e os candidatos e candidatas à Presidência da República e aos governos dos Estados.

Nossas crianças estão pedindo o seu voto para garantir que seus direitos sejam respeitados. Nestas eleições, escolha um candidato que as represente.

 

 

 

Saiba mais sobre a campanha da UNICEF acessando AQUI

Pergunte aos seus candidatos o que eles vão fazer pela infância. Faça parte da campanha #voteemmim e ajude a mudar a vida de milhões de crianças!

28 de set de 2014

Mañana es la única utopía”, José Saramago

Menino Borboleta 2

Frecuentemente me preguntan que cuántos años tengo… ¡Qué importa eso!. Tengo la edad que quiero y siento. La edad en que puedo gritar sin miedo lo que pienso. Hacer lo que deseo, sin miedo al fracaso, o lo desconocido.

Tengo la experiencia de los años vividos y la fuerza de la convicción de mis deseos. ¡Qué importa cuántos años tengo!. No quiero pensar en ello. Unos dicen que ya soy viejo y otros que estoy en el apogeo. Pero no es la edad que tengo, ni lo que la gente dice, sino lo que mi corazón siente y mi cerebro dicte.

Tengo los años necesarios para gritar lo que pienso, para hacer lo que quiero, para reconocer yerros viejos, rectificar caminos y atesorar éxitos. Ahora no tienen por qué decir: Eres muy joven, no lo lograrás.

Tengo la edad en que las cosas se miran con más calma, pero con el interés de seguir creciendo. Tengo los años en que los sueños se empiezan a acariciar con los dedos, y las ilusionesse convierten en esperanza.

Menino Borboleta

 

Tengo los años en que el amor, a veces es una loca llamarada, ansiosa de consumirseen el fuego de una pasión deseada. Y otras en un remanso de paz, como el atardecer en la playa.

¿Qué cuántos años tengo? No necesito con un número marcar, pues mis anhelos alcanzados, mis triunfos obtenidos, las lágrimas que por el caminoderramé al ver mis ilusiones rotas… valen mucho más que eso. ¡Qué importa si cumplo veinte, cuarenta, o sesenta!. Lo que importa es la edad que siento. Tengo los años que necesito para vivir libre y sin miedos. Para seguir sin temor por el sendero, pues llevo conmigo la experiencia adquiriday la fuerza de mis anhelos. ¿Qué cuantos años tengo? ¡Eso a quién le importa!.

Tengo los años necesarios para perder el miedo y hacer lo que quiero y siento.

 

Menino Borboleta 3

José Saramago

 


Photographer Maria McGinley

Fonte: blog Pasitos Cortos, em 15 de marzo de 2012.

26 de set de 2014

“O Cuidado Essencial”– Palestra realizada por Cida Alves no X Seminário Gente Crescente (CAPSI Água Viva\SMS Goiânia

Estimado(a) leitor(a) do blog Educar Sem Violência,

Logo abaixo das fotos, compartilho com você a apresentação realizada no X Seminário Gente Crescente - Mesa Redonda: “Negligência ou Cuidado: escolha que define uma vida!”.

Caso tenha interesse em conhecer mais sobre as reflexões realizadas sobre os conceitos “Sujeito da Indiferença” e a “Ordem da Mãe”, consulte o texto dos capítulos 3 e 4 da de tese “Alforria pelo Sensível – Corporeidade da Criança e Formação Docente”, AQUI

 


X Seminário Gente Crescente 26 de setembro de 2014

Mesa de Abertura do X Seminário Gente Crescente – CAPSi Água Viva\SMS Goiânia. Foto: Anna Lúcia Almeida.

 

X Seminário Gente Crescente 26 de setembro de 2014 1

Apresentação Cultural com participação especial dos alunos do Centro Cultural Gustav Ritter. Foto: Anna Lúcia Almeida.

 

X Seminário Gente Crescente 26 de setembro de 2014 2

Foto: Anna Lúcia Almeida.

 

X Seminário Gente Crescente 26 de setembro de 2014 3

Mesa Redonda: “Negligência ou Cuidado: escolha que define uma vida!”.  Os expositores foram: Marcelo Trindade – Psiquiatra, Maria das Graças Brasil - Neuropediatra, Maria Aparecida Alves da Silva – Psicóloga, e Orozimbo Júnior – Educador Físico. A moderadora da mesa foi a psicóloga Priscilla Reis. Foto: Anna Lúcia Almeida.

 

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A psicóloga Cida Alves apresentou a palestra “O Cuidado Essencial”, veja abaixo a reprodução dos slides.  Foto: Anna Lúcia Almeida.

 

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A neuropediatra Maria das Graças Brasil apresentou um breve histórico, a incidência no Brasil e no mundo e as consequências da negligência no desenvolvimento infantil.

 

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O psiquiatra Marcelo Trindade apresentou algumas fases da Teoria do Desenvolvimento de Piaget e de Freud, alertando sobre o impacto da negligência em cada uma dessas fases.

 

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O educador físico Orozimbo Cordeiro Junior apresentou como tem utilizado a prática esportiva para enfrentar e mediar às situações de violência entre alunos de sua escola.

 


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Observação: as ilustrações que aparecem nas lâminas são reprduções de Pinturas de Cândido Portinari

24 de set de 2014

X Seminário Gente Crescente 2014 – Mesa Redonda: “Negligência ou Cuidado: escolha que define uma vida!”

 

PROGRAMAÇÃO:

08:00h Recepção

08:20h Apresentação Artística

08:40h Mesa Redonda: “Negligência ou Cuidado: a escolha que define uma vida!”

Maria das Graças Brasil - Neuropediatra
Maria Aparecida Alves da Silva – Psicóloga
Marcelo Trindade – Psiquiatra
Orozimbo Júnior – Educador Físico

Moderadora: Priscilla Reis – Psicóloga

11:00h Debate

12:00h Encerramento

Data: 26 de setembro de 2014
Horário: das 08:00 às 12:00 horas
Local: Câmara Municipal de Goiânia – Auditório Jaime Câmara
Av. Goiás, nº 2001 - Setor Norte Ferroviário

Público Alvo: Profissionais das áreas de saúde, educação, justiça, assistência social , Familiares e demais interessados na atenção à crianças e adolescentes


Informações e Inscrições: www.goiania.go.gov.br

Contato: gentecrescente@gmail.com


Ilustração: reprodução da pintura "Mãe Preta" (Candido Portinari, 1940, óleo sobre tela) capturada no link: http://moldurartegaleria.blogspot.com.br/2012/05/obras-de-arte-sobre-maes.html

22 de set de 2014

II Conpcer - Congresso de Psicologia do Cerrado: Mesa Redonda: Acompanhamento psicossocial a adolescentes em Medidas Socioeducativas

Amanhã, (23\09) a programação do II CONPCER debaterá o papel do psicólogo no acompanhamento psicossocial a adolescentes em Medidas Socioeducativas

Expositores:

Cida Alves – Atendimento Psicossocial

Giselli Batista Alves – Medidas Socioeducativas em Meio Aberto

Rogerio Lourenço de Moraes - Medidas Socioeducativas em Meio Fechado

Data: 23 de setembro

Horário: 16h às 18h

Local: Auditório da Área IV - PUC

21 de set de 2014

Philomena – a história real de uma mulher cruelmente punida por ter engravidado na adolescência \ Philomena - la verdadera historia de una mujer cruelmente castigada por el embarazo en la adolescencia.

"O erotismo é uma das bases do conhecimento de nós próprios, tão indispensável como a poesia".
Anaïs Nin

 

“El erotismo es una de las bases del conocimiento de uno mismo, tan indispensable como la poesia

Anaïs Nin

 

 

Quantas crueldades foram e são cometidas contra mulheres e crianças em nome da castidade e recato feminino, em nome do puritanismo cristão!

 

 

Cuántas atrocidades han sido y están siendo cometidas contra mujeres y niños en nombre de la castidad y de la modestia femenina, en nombre del puritanismo cristiano.

19 de set de 2014

Ninguém é a favor de bandidos, é você que não entendeu nada – por Ramon Kayo

Prisões

Sobre as expressões que atravessam as gerações, passando de pai para filho e o pensamento ignorante que elas geram

 


 

Espectro político trata fundamentalmente de economia. Você acha que a propriedade privada é a raíz de todo o mal? Vá para a esquerda. Você acha que a propriedade privada pode resolver problemas? Vá para a direita.

Agora, deixe isso de lado. Não me importa, porque o ponto que quero discutir neste texto é comum a todos.

Algumas expressões vem se propagando por gerações. Como uma espécie de roteador que só replica o sinal, a nova geração repete os discursos da geração anterior. Me assusta ver que jovens, como eu, que tiveram acesso a boas escolas, conteúdos e discussões, estejam dando continuidade às falácias mal estruturadas dos mais velhos.

“Bandido bom é bandido morto.”

“Tem idade para matar, mas não tem idade para ir preso.”

“Direitos Humanos só serve para bandido.”

“Esse povinho defensor de bandido… quero ver quando for assaltado.”

Olha só: ninguém é a favor de bandido. Ninguém mesmo. Muito menos os direitos humanos. Ninguém quer que assalto, assassinato, furto e outros crimes sejam perdoados ou descriminalizados.

Você é que entendeu errado.

Por que alguém, em sã consciência, seria a favor de assaltos, homícidios, latrocínios e furtos? Você não deveria sair gritando palavras de ódio sem entender o argumento do qual discorda — a não ser que você se aceite como ignorante, isto é, que ignora parte dos fatos para manter-se na inércia do conforto.

Depois que este texto terminar, você pode continuar discordando, mas espero que desta vez com outros argumentos, argumentos fundamentados.


Antes de mais nada, o que você prefere?

Gostaria de propor dois cenários e que você escolhesse o que mais te agrada.

I) Uma sociedade onde há muitos criminosos, logo há muitos assaltos, latrocínios e homícidios. Entretanto, nesta sociedade, 99% dos crimes são resolvidos e os indivíduos são presos. Após voltarem as ruas, tornam-se reincidentes, ou seja, cometem novamente um crime. Mas nesta sociedade, este criminoso é pego novamente em 99% das vezes. Há pena de morte.

II) Uma sociedade onde quase não há criminosos. Os poucos criminosos que existem, quando pegos, são presos. Além de punidos com tempo de reclusão, os criminosos também são reabilitados (as maneiras são indiferentes, se com cursos profissionalizantes, tratamento psicológico, ambos ou outros) para que possam tentar uma nova vida. Não há pena de morte.

Qual você prefere?

Nenhum destes casos é o do Brasil. No nosso país e em muitos outros, temos altos índices de criminalidade, poucos programas de reabilitação e o senso comum vingativo de que o Lex Talionis desenvolvido há cerca de 4.000 anos ainda serve como solução. Todavia, há países parecidos com os dois casos propostos, o que torna tangível a estrutura. Mas e para o Brasil? Qual dessas você preferiria para o nosso país?

Posso te ajudar neste raciocínio com alguns pontos:

  • No primeiro caso, apesar de quase todos os criminosos serem pegos, o sofrimento das vítimas permanece. Como só se prende depois do crime, os lesados nunca terão a vida de um ente querido de volta, por exemplo.
  • No primeiro caso, além de muitos crimes, os criminosos ainda tem maior probabilidade de reincidir, ou seja, de cometer um crime por mais de uma vez.
  • Como são muitos criminosos, a economia do país perde força produtiva. Pessoas que poderiam estar trabalhando, pesquisando, empreendendo, estão no crime.
  • No primeiro caso, como são muitos casos a serem avaliados, o sistema jurídico pode vir a se tornar lento e ineficaz.

OBS: Em nenhum momento quero impor uma falácia de falsa dicotomia. Existem infinitas possibilidades de combinações aqui. Entretanto, este é apenas um exercício que facilita o entendimento do argumento.


A pessoa nasce bandida ou torna-se bandida?

Pergunta importante: você acha que as pessoas já nascem bandidas? O bebê — sim, aquele de colo — já é um bandido?

Prefiro pensar que ninguém acredita que as pessoas já nascem criminosas. É um pouco lunática a visão de um mundo Minority Report, onde o bebê será preso ali mesmo, nos primeiros momentos de vida. Mesmo para quem acredita neste mundo, o próprio filme trata do problema que isso poderia causar.

Partindo da pressuposição de que ninguém nasce bandido, vou utilizar um personagem fictício como exemplo: João, o bebê. Imagine o bebê da maneira como quiser, isso pouco importa, a única certeza que temos sobre João, o bebê, é que ele não nasceu bandido. É uma criança como qualquer outra, ainda dependente dos pais, que pouco faz da vida além de dormir e chorar. Mas neste mundo fictício, o tempo passou, e João cresceu. Aos 16 anos cometeu um latrocínio. Se João não nasceu bandido, então tornou-se bandido. A palavra "tornou-se" implica transformação e esse é o X da questão.

Os seres humanos se constroem com as experiências e aprendizados, portanto o meio em que se vive tem grande influência sobre ele. Sabendo disso, temos a visão clara de que algo acontece na sociedade que transforma as pessoas em marginais. E se você acha que não, talvez seja curioso saber que a taxa de homícidios no Brasil em 2008 era de 26,4 a cada 100.000 habitantes, enquanto que na Islândia o índice não passou de 1,8 a cada 100.000 no mesmo ano. Se o motivo desta diferença não for social, então só resta que seja biológico. Por ora, me nego a acreditar num "gene da marginalidade"¹.

O fato é: há algo na sociedade (que não será discutido neste texto) que leva as pessoas a cometerem crimes.

Quando você diz que reduzir a maioridade penal é uma boa ideia, você não está focando na raíz do problema, está apenas sugerindo uma maneira de remediar. E como veremos a frente, dado o nosso sistema, isto só aumenta a chance de criar um deliquente reincidente. Então note, pouco importa se a maioridade penal é de 16, 18 ou 21 anos se o país continua a formar criminosos. Devemos pensar em maneiras de diminuir a criminalidade, no processo que transforma as pessoas em transgressoras da lei, ou logo teremos mais presídios do que universidades e mais marginais do que cidadãos comuns.

¹ Há um estudo que relaciona os genes MAOA, DAT1, DRD2, com a predisposição à agressividade. Entretanto, Guang Guo, que é o responsável pelo estudo, afirma que a interação social é fator decisivo para o comportamento destes genes. Isto é, na maior parte dos casos, a presença dos genes não afeta jovens que possuem influências sociais positivas.


Construir mais penitenciárias e prender mais gente diminui a criminalidade?

O olhar crítico que às vezes não permeia a cabeça das pessoas é que prender as pessoas não faz com que menos pessoas se transformem em criminosas. Penitenciando apenas, você não resolve o problema, apenas posterga enquanto gasta o dinheiro público.

Assim como todo fumante sabe dos males do cigarro, todos que entram para o mundo do crime sabem o risco envolvido. Todo dia no noticiário vemos corpos estirados ao chão, seja do cidadão, do criminoso ou do policial. Não adianta termos penas mais severas: o brasileiro que se torna assaltante já não tem nada a perder, sabe que tem grandes chances de morrer de forma cruel.

Os criminosos brasileiros, depois de presos, ficam ainda mais propensos a perpetuar sua vida marginal. São três os principais motivos: (I) poucas empresas se propõem a contratar ex-presidiários, (II) o trauma vivido dentro da cadeia — como ela é aqui no Brasil — agrava as problemáticas psicológicas do indivíduo e, por fim, (III) não há um programa grande e estruturado de reabilitação de criminosos para que deixem a vida do crime.

Ninguém quer que criminosos não sejam punidos¹. Eles devem pagar suas penas conforme previsto em lei. O único problema é que a pessoa só vai presa depois de cometer o crime, isto é, depois que alguém já foi lesado. Não seria muito melhor se ao invés de precisar prender as pessoas depois do crime consumado, houvesse menos bandidos? Não seria melhor se os criminosos, após cumprirem suas penas, se reintegrassem a sociedade como parte da massa trabalhadora?

Ah, não dá? Dá sim. Na Suécia dá, por que aqui não daria? Vamos supor que você responda, de maneira óbvia, que é por causa da "cultura brasileira". Neste caso, eu devo concordar, porque, realmente, a cultura é diferente: aqui muita gente acredita que pena de morte resolve o problema enquanto lá eles fazem uso da reabilitação.

Deve ser por isso que aqui se constroem presídios e lá se fecham presídios.


Nils Öberg, responsável pelo sistema prisional da Suécia, disse sobre o fechamento presídios no país por falta de condenados:

“Nós certamente esperamos que nossos esforços em reabilitação e prevenção de reincidência tenham tido um impacto, mas nós achamos que isso sozinho não pode explicar a queda de 6%” — reafirmando que a Suécia precisa se esforçar ainda mais em reabilitar os prisioneiros para que eles possam retornar a sociedade.


¹ Existe uma corrente que acredita no chamado Abolicionismo Penal que não vê o sistema punitivista com estes olhos. Eu não conhecia esta ideia no momento em que escrevi o texto, mas um leitor me alertou pelo Twitter e por isso faço questão de incluir aqui.


Direitos Humanos para você também

O artigo 3 da Declaração Universal dos Direitos Humanos diz que:

“Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.”

O trecho "Toda pessoa (…)" do artigo 3 inclui você.

Ninguém quer que você seja vítima de um crime. Todas as leis do código penal são pensadas para tentar lhe garantir este e outros direitos comuns a todos os seres humanos. Ninguém quer que os bandidos sejam especiais: o que o "povinho dos Direitos Humanos" quer é que a sociedade não crie mais marginais e que a quantidade dos existentes diminua. E é aí que está: infringindo os direitos humanos, você não alcança este objetivo.

O trecho “Toda pessoa (…)” do artigo 3 também inclui o marginal.

É confuso que o cidadão que clama tanto por justiça, que a lei seja cumprida, fique ávido para descumpri-la: tortura, homicídio e ameaça são crimes, mesmo que sejam contra um condenado. Então, não, bandido não tem que morrer, porque isso te tornaria tão marginal quanto.

Se você quer uma sociedade com menos criminosos, conforme discutido no começo deste texto, entenda o papel dos Direitos Humanos. O artigo 5 diz:

“Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante.”

Ninguém lhe nega o direito a sentir dor, raiva e/ou tristeza após ter sido vítima de um crime. A culpa não é sua e isto nunca foi dito. Só quem é vítima sabe da própria dor. Mas o fato é que o olho por olho não te trará paz, não trará um ente querido de volta, não removerá seus traumas. O dente por dente só te levará para mais perto de uma sociedade violenta, onde o crime se perpetua e você pode ser vítima mais uma vez. Ninguém quer que você seja vítima outra vez.

A punição deve ser aplicada, sim. E com certeza será ainda melhor quando este indivíduo estiver apto a se tornar um cidadão comum, após cumprir sua pena, e nunca mais venha a causar problemas para a sociedade e para você. E é sobre isso que os Direitos Humanos falam.


Portanto entenda

Se você leu o texto um pouco mais exaltado, talvez tenha perdido algum trecho importante, portanto aqui vão alguns dos principais pontos:

  1. Ninguém nasce bandido. A estrutura social, de alguma maneira, transforma as pessoas em criminosas.
  2. Entender os motivos que levam a formação de criminosos e resolvê-los é mais importante do que puni-los com mais severidade. Se não formarmos criminosos, as pessoas não precisam ser vítimas.
  3. Todo crime deve ser devidamente punido, mas a maneira de punir pode influenciar na reincidência do criminoso, que fará novas vítimas.
  4. Construir presídios, prender mais pessoas, não evita que mais pessoas se transformem em bandidos.
  5. O que aprendemos com os países mais desenvolvidos é que reabilitar marginais colabora com a redução da criminalidade.
  6. Infringir os Direitos Humanos de qualquer pessoa é atentar contra a vida e, no caso do marginal, vai na contra-mão da reabilitação.

E novamente:

Você tem o direito de ficar desolado e/ou enfurecido por ter sido vítima. Ninguém é a favor do crime.

Você é que não tinha entendido antes.


Pós-escrito sobre os espantalhos

Esta seção foi incluída no dia 01/03/2014, após mais de 300.000 visualizações do texto.

Acho muito positivo que as pessoas discordem. É somente com o confronto de ideias que podemos observar o que faz e o que não faz sentido. Entretanto, algumas pessoas tentaram refutar o texto com a chamada “Falácia do Espantalho”.

A expressão “Falácia do Espantalho” descreve um tipo de argumento falacioso, inválido. Esta falácia se dá quando um dos interlocutores distorce o argumento do outro, transformando-o em algo simplista ou exagerado, de forma que torne-se algo fácil de se refutar. O problema com este tipo de argumento é que ele não lida com a alegação real, ao contrário, ele inventa uma nova, na tentativa de ridicularizar a alegação inicial.

Se isto não ficou claro, não se preocupe, pois a seguir listarei alguns exemplos. Parafrasearei algumas das coisas que li e ouvi, e então esclarecerei.

Espantalho #01

O texto diz que a culpa é da sociedade.

Esta falácia se dá por causa do trecho “O fato é: há algo na sociedade (…) que leva as pessoas a cometerem crimes”.

Apenas como exercício, imagine um campo onde há dezenas de espécies de árvores frutíferas. Neste campo, crianças brincam e comem frutas diretamente das árvores. Os pais observam os filhos. Após algum tempo, crianças começam a apresentar vermelhidão na pele, dificuldade para respirar, vômito e diarreia. Muitas delas morrem.

A culpa é do campo? Não. A culpa é das mamonas, que contém ricina.

Utilizando o cenário-exemplo proposto, é bem razoável que os pais se atentem ao fato de que há algo no campo que leva as crianças ao óbito. Dado isto, é melhor que investiguem as causas das mortes ao invés de somente comprarem remédios ao acaso. Os remédios não evitam que mais crianças se intoxiquem. Ainda no exercício, a melhor saída seria identificar que o problema são as mamonas e, a partir daí, cortar as árvores que as produzem.

Culpa é a responsabilidade de um ou mais indivíduos por um ato que prejudica alguém. Se um indivíduo decide roubar ou matar outra pessoa, a culpa pela morte é dele e somente dele. Repare que "(…) leva as pessoas a cometerem crimes." deixa claro que quem comete os crimes são as pessoas. Sociedades não cometem crimes, seus indivíduos sim. Entretanto, nada disso impede que os indivíduos atuem em busca de uma mudança na estrutura da comunidade, de forma a mitigar a criminalidade.

Espantalho #02

O texto propõe que o Brasil deve virar a Suécia da noite pro dia.

O texto não diz isso. Nem diz que o Brasil parece a Suécia, ao contrário, diz que a mentalidade sobre este assunto é totalmente diferente.

Quando pensamos em mudar as políticas existentes, sempre há possibilidade de aproveitar o aprendizado de outros países. A Suécia, como muitos outros países nórdicos, apresenta excelentes características e índices relacionados à qualidade de vida.

A maioria das mudanças políticas não apresenta resultados imediatos. Leva tempo para que a sociedade se reestruture e modifique seus processos. Mas a mudança parte da mentalidade e tem que começar em algum momento.

Espantalho #03

O texto diz que temos que privilegiar criminosos.

O texto não diz isso. Não torturar e privilegiar são coisas distintas.

Muitas vezes, uma prisão em flagrante requer uso de força, principalmente quando o criminoso reage à voz de prisão. Não há nada de errado nisso, pois é impossível conter um indivíduo relutante com delicadeza. Entretanto, há uma diferença gritante entre uso de força necessária e tortura.

Segundo o artigo 301 do código Código Processual Penal, qualquer cidadão pode prender uma pessoa em caso flagrante delito e, neste caso, deve conduzi-la às autoridades responsáveis. Alternativamente, o cidadão que flagrar o crime pode conter o criminoso e chamar as autoridades responsáveis.

Como exemplo, em um acontecimento recente, um jovem foi espancado e acorrentado pelo pescoço em um poste, nu. O que deve ser avaliado neste caso é se o adolescente foi pego em flagrante, se a polícia foi avisada e se houve tortura. Se alguma das condições previstas em lei não foi atendida, esta foi uma prisão ilegal. E se houve tortura, os responsáveis pela prisão cometeram um crime.

Espantalho #04

O texto diz que não há impunidade no Brasil e que o cidadão não deve se indignar.

O texto não diz isso. O brasileiro deve se indignar, pois os nossos números passam longe de representar o cenário ideal.

O Estado brasileiro se demonstra incapaz de resolver o problema, tanto por uma via, como pela outra. É urgente a necessidade de uma mudança sistemática. Assim, há de se discutir os caminhos possíveis para tal. O texto se compromete a apresentar apenas um dos pontos importantes que devem ser discutidos nesta pauta, mas não insinua nenhuma fração da falácia acima.

Espantalho #05

O texto diz que as pessoas pobres não tem escolha, a não ser a criminalidade.

O texto não diz isso. O texto nem mesmo faz distinção de classes sociais.

Normalmente, esta falácia vem acompanhada de um exemplo onde dois irmãos gêmeos estudam na mesma escola, tem os mesmos amigos e mesmo assim optam por caminhos distintos, onde um se torna criminoso e o outro não. Neste caso, é importante notar que não há o caso onde duas pessoas vivem exatamente as mesmas experiências e tem exatamente as mesmas percepções. Mesmo que possuam uma grande semelhança biológica, dois irmãos nunca são tratados pelos demais como uma só pessoa. Além disso, a semelhança biológica não garante a semelhança entre personalidades.

Ser um cidadão que não vive de crime é sim uma escolha. As pessoas quase sempre tem escolhas, mas vale lembrar que às vezes as possibilidade parecem distantes. Por exemplo: qualquer um pode ser tão rico e famoso quanto o Bill Gates, basta fundar uma empresa como a dele. A questão central é quão fácil ou difícil é tomar certas escolhas para si.

A proposta do texto é incentivar uma discussão em torno de como fazer as pessoas não optarem pelo crime, e não impor a ideia conformista de que as coisas são do jeito que são e nada pode ser feito.

 


Fonte: Blog  Ramon Kayo, em 19 de setembro de 2014.

Foto capturada no Blog Periferia Soberana, em 19 de setembro de 2014.

15 de set de 2014

JUSTIÇA MANDA RECOLHER REVISTA APÓS ENSAIO INFANTIL POLÊMICO

Após denúncia, Justiça quer que a revista seja retirada do mercado

Atento à polêmica em torno de um ensaio da revista Vogue Kids brasileira, que mostra crianças em poses sensuais, o Ministério Público do Trabalho pediu que edição seja retirada do mercado. Neste sábado (13), o site oficial do Ministério oficializou o pedido por meio de um comunicado, que considera válida a denúncia de erotização infantil, por parte do Instituto Alana, que atua na defesa dos direitos da criança.

O Juiz Auxiliar da Infância e Juventude do TRT da 2ª Região concedeu liminar em ação cautelar ajuizada pelo Ministério Público do Trabalho em São Paulo para que a Editora Globo suspenda imediatamente a distribuição e retire de circulação os exemplares da Revista Vogue Kids n. 22, que traz matéria publicitária com exposição de fotos de crianças (meninas) em posições sensualizadas, erotizadas, até mesmo com apelo ou conotação sexual, por se tratar de trabalho infantil artístico, não autorizado pelo ordenamento jurídico, apontando violação ao princípio da proteção integral previsto no artigo 227 da Constituição Federal, Convenção 138 da OIT e legislação trabalhista.

Na ação foi requerida, ainda, a exibição dos alvarás judiciais, para a realização de trabalhos artísticos, além de outros documentos.

A ação está sob segredo de justiça.

Na última sexta-feira (12), a Vogue Brasil, responsável pela publicação da Vogue Kids, emitiu um comunicado, no qual negou a intenção de retratar as modelos infantis de forma sensual. "Como o próprio título da matéria esclarece, retratamos as modelos infantis em um clima descontraído, de férias na beira do rio. Não houve, portanto, intenção de conferir característica de sensualidade ao ensaio", dizia o texto.

 


Fonte: Terra Moda, em 13 de setembro de 2014.

Colaboração de Marta Maria Alves da Silva, coordenadora da Vigilância e Prevenção de Violências e Acidentes - CGDANT/ DANTPS/ SVS - Ministério da Saúde

13 de set de 2014

Janela sobre o corpo | Ventana sobre el cuerpo - por Eduardo Galeano

Janela sobre o corpo

A Igreja diz: o corpo é uma culpa.
A Ciência diz: o corpo é uma máquina.
A publicidade diz: o corpo é um negócio.
E o corpo diz: eu sou uma festa.

Eduardo Galeano

 

Ventana sobre el cuerpo.

La Iglesia dice: El cuerpo es una culpa.
La ciencia dice: El cuerpo es una máquina.
La publicidad dice: El cuerpo es un negocio.
El cuerpo dice: Yo soy una fiesta.

Eduardo Galeano

Absurdo do dia: revista de moda publica fotos de crianças em poses sensuais – por Carol Patrocínio

Esse texto a seguir apareceu no meu Facebook e me fez pensar muito em como é que certas coisas são aprovadas, publicadas e ainda tem gente que acha normal. O texto é da roteirista carioca Renata Corrêa.

“Muitas vezes, quando pensamos em pedofilia, imaginamos um tio pervertido ou um cara se escondendo atrás de um computador, ou de algo escondido, secreto. Mas a gente não fala de uma cultura de pedofilia, que está exposta diariamente, onde a imagem das crianças é explorada de uma forma sexualizada.
A Vogue trouxe um ensaio na sua edição kids com meninas extremamente jovens em poses sensuais. Alguns podem dizer que é exagero. Que é pelo em ovo. Eu digo que enquanto a gente continuar a tratar nossas crianças dessa maneira, pedofilia não será um problema individual de um ‘tarado’ hipotético, e sim um problema coletivo, de uma sociedade que comercializa sem pudor o corpo de nossas meninas e meninos.”


Hoje também recebi um spam por mensagem de Facebook dizendo que os maiores abusadores de crianças são os adolescentes – não sei de onde veio esse dado, juro - e por isso seria inteligente reduzir a maioridade penal. Bem, isso não faz sentido. Vamos entender o motivo?

Nosso desejo depende do olhar. E nosso olhar é treinado. Nós aprendemos a ver o bonito e o feio, a julgar e a encontrar o que nos agrada de acordo com o que nos é mostrado. Há imagens sedutoras, imagens poéticas, imagens sensuais. Cada uma delas desperta um sentido. Mas o que acontece quando você coloca crianças em imagens sensuais e mostra isso para quem está formando sua personalidade? Você deixa tudo confuso.

Para um menino de 16 anos, uma menina de 12 anos é só um pouco mais nova, assim como seria se ela tivesse 18 e ele 22. Seria um relacionamento normal, não? Mas no primeiro exemplo etário não é. E por que um rapaz olharia com olhos de desejo para uma menina assim mais nova? Porque ele sentiu esse ímpeto, olhou ao redor e não viu nada que indicava que era errado. Muito pelo contrário, ele encontrou diversas coisas que diziam, indiretamente, que meninas dessa idade são seres sexuais. Como essas fotos.

É mais fácil culpar o adolescente, por exemplo, do que questionar a mídia. É mais fácil pegar o elo mais fraco da corrente e forçar até que ele quebre, já que o elo forte vai permanecer intacto por mais tempo e talvez até machuque quem tenta quebrá-lo. Mas o mais lógico e com poder para mudar a realidade é, na verdade, combater a representação que fazem de nossas crianças na mídia.

Criança é criança. Não tem que usar sutiã, não tem que fazer pose sensual, não tem que usar salto alto ou maquiagem. Criança tem sexualidade, claro, mas do jeito delas. Elas têm que descobrir seu corpo, suas transformações e seus desejos no tempo delas. Crianças não são modelos e não devem ser tratadas como tal. Crianças podem posar para ensaios de moda, claro, desde que pareçam crianças.

Sexualizar meninas tão jovens faz do responsável por esse ensaio conivente com a cultura da pedofilia. Será que não está na hora de fotógrafos, editores, diretores e quem mais aprova o conteúdo se responsabilizar e tomar cuidado com o que publica? Se são essas as pessoas responsáveis por informar e inovar, treinar o olhar de maneiras diferentes não seria parte do trabalho? É claro que há uma distância muito grande entre ver uma foto dessas e tentar algo com uma criança, mas criar meios para que esse desejo nasça e sobreviva é perverso e deve ser culpabilizado.

 


Fonte: Preliminares, 11 de setembro de 2014.

SOBRE CAROL PATROCÍNIO

Jornalista, passou por revistas impressas e pelos maiores portais do país. O interesse por escrever sobre sexo, comportamento e relações surgiu ao notar que essas informações poderiam melhorar a autoestima das mulheres e a percepção de si mesmas. Acredita que, muito mais do que prazer, sexo é autoconhecimento. Carol escreve no Preliminares desde dezembro de 2011.

Observação: as fotos não foram publicadas nessa postagem para preservar a imagem das meninas que participaram do ensaio fotográfico da Revista Vougue.

8 de set de 2014

“Ocultos em plena luz” - relatório da UNICEF) expõem alta prevalência de violência contra crianças

 

Nova Iorque, 4 de setembro de 2014 – A maior compilação de dados jamais realizada sobre violência contra a criança mostra a surpreendente amplitude de abusos físicos, sexuais e emocionais – e revela as atitudes que perpetuam e justificam a violência, mantendo-a fora de vista em todos os países e em todas as comunidades do mundo.

"São situações desconfortáveis – nenhum governo ou pai ou mãe quer vê-las", afirma o diretor executivo do UNICEF, Anthony Lake. "Mas, a não ser que enfrentemos a realidade que cada estatística exasperante representa – a vida de uma criança que teve violado seu direito a uma infância protegida e segura –, jamais mudaremos a mentalidade que considera normal e permissível a violência contra a criança. Não é nem uma coisa nem outra."

O relatório do UNICEF Ocultos à Plena Luz (Hidden in Plain Sight – disponível somente em inglês) baseia-se em dados de 190 países, documentando violência em locais onde as crianças deveriam estar seguras: na comunidade, na escola e no lar. Detalha os efeitos duradouros da violência, frequentemente intergeracionais, constatando que um adulto que foi exposto à violência na infância é mais propenso a ficar desempregado, a viver na pobreza e a apresentar comportamento violento contra outras pessoas. Os autores observam que os dados referem-se apenas a indivíduos que puderam e quiseram responder e, portanto, representam estimativas mínimas.

As principais constatações incluem:

  • Violência sexual: Em todo o mundo, cerca de 120 milhões de meninas com menos de 20 anos de idade (aproximadamente uma em cada dez) foram forçadas a ter relações sexuais ou a praticar outros atos sexuais; e uma em cada três adolescentes que entre 15 e 19 anos de idade já estavam casadas (84 milhões) foram vítimas de violência emocional, física ou sexual cometida por seus maridos ou parceiros. Na República Democrática do Congo e na Guiné Equatorial, a prevalência de violência praticada pelo parceiro é de 70%, ou mais; e em Uganda, na Tanzânia e no Zimbábue, aproxima-se de 50%, ou até ultrapassa essa taxa. Na Suíça, um levantamento nacional realizado em 2009 sobre meninas e meninos entre 15 e 17 anos de idade constatou que 22% e 8% deles, respectivamente, já haviam enfrentado no mínimo um incidente de violência sexual envolvendo contato físico. A forma mais comum de violência sexual para os dois sexos foi a vitimização por meio da internet.
  • Homicídio: Crianças e adolescentes com menos de 20 anos de idade representam um quinto das vítimas de homicídio em todo o mundo, o que resulta em cerca de 95 mil mortes em 2012. No Panamá, na Venezuela, em El Salvador, em Trinidad e Tobago, no Brasil, na Guatemala e na Colômbia, homicídio é a principalcausa de morte em meio à população masculina entre 10 e 19 anos de idade. Nigéria registra o maior número de homicídios de crianças: 13 mil. Entre os países da Europa Ocidental e da América do Norte, as taxas mais altas de homicídio são registradas nos Estados Unidos.
  • Bullying: No mundo todo, pouco mais de um em cada três estudantes entre 13 e 15 anos de idade são vítimas frequentes de bullying na escola. Em Samoa, a proporção é de quase três em cada quatro. Na Europa e na América do Norte, quase um terço dos estudantes entre 11 e 15 anos de idade praticam bullying contra colegas – na Letônia e na Romênia, aproximadamente seis em cada dez admitem praticar bullying contra outros colegas.
  • Disciplina violenta: Em 58 países, cerca de 17% das crianças estão sujeitas a formas rígidas de punição física (bater na cabeça, nas orelhas ou no rosto ou bater com força e repetidamente). No Chade, no Egito e no Iêmen, mais de 40% das crianças entre 2 e 14 anos de idade sofrem formas rígidas de punição física. Em todo o mundo, três em cada dez adultos acreditam que a punição física é necessária para criar uma criança corretamente. Em Suazilândia, 82% afirmam que a punição física é necessária.
  • Atitudes em relação à violência: Aproximadamente 50% das meninas adolescentes entre 15 e 19 anos de idade (cerca de 126 milhões) consideram justificável o marido agredir sua esposa em certas circunstâncias. A proporção eleva-se para 80% no Afeganistão, na Guiné, na Jordânia, em Mali e no Timor Leste. De 60 países que dispõem de dados sobre os dois sexos, 28 registram uma proporção maior de meninas do que de meninos que acreditam que bater na esposa algumas vezes é justificável. No Camboja, na Mongólia, no Paquistão, em Ruanda e no Senegal, as meninas são cerca de duas vezes mais propensas que os meninos a considerar que o marido às vezes tem justificativa para agredir sua esposa. Dados provenientes de 30 países sugerem que cerca de sete em cada dez meninas entre 15 e 19 anos de idade que foram vítimas de abusos físicos e/ou sexuais jamais procuraram ajuda: muitas disseram não considerar que aquela ação fosse abuso ou um problema.

O UNICEF indica seis estratégias que podem dar condições para que a sociedade como um todo – desde famílias até governos – possa prevenir e reduzir a violência contra a criança. Essas estratégias incluem prestar apoio aos pais e desenvolver na criança habilidades de vida; mudar atitudes; fortalecer sistemas e serviços judiciais, criminais e sociais; e gerar evidências e conscientização sobre violência e seus custos humanos e socioeconômicos, visando à mudança de atitudes e normas.

"A violência contra a criança ocorre todos os dias, em todos os lugares. E embora a maior prejudicada seja a criança, também dilacera o tecido da sociedade, minando a estabilidade e o progresso. Mas a violência contra a criança não é inevitável. Pode ser prevenida – desde que nos recusemos a deixar que essa violência permaneça nas SOMBRAS", afirma Lake. "As evidências mostradas neste relatório compelem-nos à ação – para o bem de cada criança e para a força das sociedades no futuro, em todo o mundo."

Sobre a iniciativa #ENDViolence (#FIMdaviolência)
O UNICEF lançou a iniciativa no dia 31 de julho de 2013, visando a uma ação coletiva para erradicar a violência contra a criança, destacando o fato de que a violência está em todos os lugares, mas que geralmente acontece fora de vista ou é tolerada devido a normas sociais e culturais. Sob o lema "Tornar visível o invisível", a iniciativa visa aumentar a conscientização como primeira etapa rumo à modificação de atitudes, comportamentos e políticas. Apoia também os esforços para construir evidências daquilo que funciona, e reforça a ideia de que a violência pode ser prevenida por meio da divulgação de esforços e movimentos bem-sucedidos em todos os níveis da sociedade. Cerca de 70 países de todas as regiões do mundo aderiram formalmente à #ENDviolence, concentrando esforços para identificar, acompanhar e relatar casos de violência contra a criança em todas as suas formas.

Ver outras informações (em inglês) em: http://www.unicef.org/endviolence/

Sobre o UNICEF
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) promove os direitos e o bem-estar de cada criança em tudo o que faz. Juntamente com os nossos parceiros, trabalhamos em 190 países e territórios para transformar esse nosso compromisso em ações concretas que beneficiem todas as crianças, em qualquer parte do mundo, concentrando especialmente os nossos esforços para chegar às crianças mais vulneráveis e excluídas.

Você também pode ajudar o UNICEF em suas ações. Faça uma doação agora.

Mais informações pra a imprensa
Assessoria de Comunicação do UNICEF em Nova Iorque
Rita Ann Wallace
Telefones: 1 212 326-7586 e +1 917 213 4034
E-mail:
rwallace@unicef.org

Assessoria de Comunicação do UNICEF no Brasil
Alexandre Magno de A. Amorim
Telefone: (61) 3035 1947
E-mail:
aamorim@unicef.org


Fonte: site UNICEF BRASIL, em 8 de setembro de 2014.

7 de set de 2014

Minhas janelas por Fernando Pessoa e Silvio Zamboni –Mis ventanas por Fernando Pessoa y Silvio Zamboni

Bom dia estimado(a) leitor(a)!

Deixo com você neste domingo a modesta beleza das janelas cubanas fotografadas por Silvio Zamboni e a aguda reflexão do poema Tabacaria de Fernando Pessoa.

¡Buenos días estimado(a) lector(a)!

En este domingo te lo dejo la modesta belleza de las ventanas cubanas fotografiadas por Silvio Zamboni y la aguda reflexión del poema Tabaquería de Fernando Pessoa.

 

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Silvio Zamboni é artista visual e fotógrafo, pioneiro no uso de microcomputadores em arte no Brasil. Doutor em Artes pela USP, é professor aposentado do Instituto de Artes da UnB. É autor dos livros A Pesquisa em Artes – um paralelo entre arte e ciência, (Autores Associados, 1998) e Poesia Visual (Plano, 2002). Já realizou dezenas de exposições Individuais e coletivas, na Brasil e exterior.