31 de out de 2011

Uma vergonha para o Estado brasileiro: milícias fazem o querem em nosso país

 

Temendo mais um atentado de organizações paramilitares do Rio de Janeiro a Anistia Internacional convida o Deputado Marcelo Freixo a deixar o Brasil

Deputado Marcelo FreixoA Coordenadoria de Inteligência da Polícia Militar, o Ministério Público e o Disque-Denúncia registraram, em pouco mais de um mês, sete denúncias de que várias milícias estão preparando o assassinato do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL). Presidente da CPI das Milícias, que, em 2008, provocou o indiciamento de 225 pessoas, entre políticos, policiais militares e civis e bombeiros - boa parte do grupo está presa -, Freixo vai deixar o Brasil na terça-feira, com a família, a convite da Anistia Internacional. Veja a matéria completa AQUI

 

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29 de out de 2011

O menino e a borboleta encantada– Rubem Alves

 

menina borboleta 1

Mil e uma noites haviam se passado desde que o Pássaro Encantado partira. Então ele voltou. Era madrugada. A Menina o viu tão logo a luz alegre do sol fez brilhar as suas penas. Ela o estava esperando. Os apaixonados esperam sempre... Ah! Como foi bom aquele abraço de saudade! Desta vez as suas penas estavam coloridas com as cores das florestas sobre as quais voara. O Pássaro Encantado pôs-se então a cantar os seres das matas, árvores, orquídeas, regatos, cachoeiras, elfos e gnomos... A Menina não se cansava de ouvir. Ouvia e pedia que ele contasse de novo as mesmas estórias, do mesmo jeito. E assim viviam os dois se amando por dias e dias. Mas sempre chegava o momento em que o Pássaro dizia: “Menina, o vôo me chama. Preciso partir. É preciso partir para que o nosso amor não tenha fim. O amor precisa de saudade para viver...” A Menina chorava baixinho mas compreendia. E assim o amor acontecia entre partidas e retornos.

As asas do Pássaro pareciam incansáveis. Estavam sempre à procura de lugares desconhecidos. Ele já visitara montanhas encantadas, planícies geladas, lagos, rios, abismos, castelos, uma cidade construída na divisa entre a realidade e a fantasia, um reino onde era proibido estar triste, lugares sagrados, vulcões, o país dos dragões verdes e dos gigantes amarelos, jardins, selvas verdes, mares azuis, praias brancas... Sobre todos esses lugares ele lhe contara estórias. A Menina não tinha asas. Mas ela voava nas estórias que o Pássaro lhe contava.

Mas os anos foram se passando. O Pássaro envelheceu. Suas asas já não eram as mesmas da juventude. E também os seus sonhos já não eram os sonhos da mocidade. Deseja-se partir quando é manhã. Mas quando o sol se põe o que se deseja é voltar. E assim um desejo novo surgiu no coração do Pássaro crepuscular: voltar...

O sol acabara de se pôr. Vênus brilhava no horizonte. Foi então que a Menina o viu. Suas penas pareciam incendiadas pelo sol. Depois do abraço ele disse para a Menina algo que nunca lhe dissera antes: “Menina, conte-me as estórias da minha ausência...” E foi assim que, pela primeira vez, o Pássaro se calou e a Menina lhe contou estórias.

Por muitos dias o Pássaro e a Menina gozaram do seu amor. Mas o Pássaro já não era o mesmo. Algo acontecera com os seus olhos. Já não procuravam horizontes longínquos. Eles olhavam as coisas simples que havia na sua casa, coisas que sempre estiveram lá, mas que ele nunca havia visto. Não vira porque o seu coração estava em outro lugar. É o coração que nos diz o que é para ser visto.

Aconteceu então, num dia como os outros, o Pássaro abraçou a Menina, e ele sentiu, nas costas da Menina, algo que nunca sentira.

“Menina, o que é isso?” ele perguntou. Ela enrubesceu e respondeu:

“Asas, pequenas asas... Estão crescendo nas minhas costas...”

E para que ele as visse baixou sua blusa. E ele viu. Sim, pequenas asas, delicadas asas, asas de borboleta, coloridas, diáfanas, frágeis... E ele percebeu que a Menina se preparava para voar. Sua Menina se transformara numa borboleta...

O Pássaro sorriu uma mistura de alegria e de tristeza. Sentiu um leve tremor nos lábios, aquele mesmo tremor que vira nos lábios da Menina a primeira vez que lhe dissera: “Eu quero partir...” Chegara a hora em que ela partiria e ele ficaria. Ele seria, então, aquele que esperaria.  Como é dolorido ficar! A solidão de quem fica é maior que a solidão de quem parte! Quem parte vai para mundos novos, cheios de maravilhas desconhecidas. Quem fica, fica num espaço vazio, de objetos velhos, esperando, esperando, contando os dias.

O momento da despedida chegou. A Menina, flutuando com suas grandes asas de borboleta, disse ao Pássaro: “Preciso partir...”

O Pássaro teve vontade de chorar. Queria lhe dizer: “Não vá. Eu a amo tanto.” Mas não disse. Lembrou-se de que essas haviam sido as palavras que a Menina lhe dissera, quando ele partira pela primeira vez. O Pássaro temia por ela. Suas asas eram tão frágeis, asas de borboleta que quebram-se atoa. Queria estar com ela para consolá-la na solidão e no cansaço. Mas não fez gesto algum. Ele sabia que os abraços que não se abrem são mortais para o amor.

Ele estendeu a sua mão num gesto de despedida. A Borboleta voou e nela pousou. Ele se aproximou dela, como se fosse beijá-la. Mas não beijou. Apenas soprou suas asas suavemente. “Voa, minha linda Borboleta”, ele disse, se despedindo.  A Borboleta bateu suas asas, voou e desapareceu na distância.

Então, ao olhar de novo para si mesmo ele não se reconheceu. Já não era o Pássaro Encantado de penas coloridas. Transformara-se num Menino... Um Menino que não sabia voar. Um Menino que esperava a volta da Borboleta Encantada. Então ele voaria nas asas das estórias que ela haveria de lhe contar...

 

rubem alves 1Esta “estória” tem uma “história”. Trata-se da continuação da estória “A Menina e o Pássaro Encantado” (Edições Loyola) que escrevi para minha filha pequena, Raquel. Devia ser o ano de 1980. Eu iria fazer uma viagem longa para o exterior e ela chorava. Eu devia ter 46 anos, bastante cabelo preto e energia para conquistar o mundo. Os anos se passaram, minhas asas se cansaram e agora nem tenho energia e nem vontade de conquistar o mundo. Ainda tenho prazer em viajar mas as viagens freqüentemente me cansam. Não é cansaço físico. É um cansaço na alma, com aquele descrito no primeiro capítulo do livro de Eclesiastes. Quando todo mundo está viajando eu quero mesmo é ficar. Karl Jaspers dizia que não viajava porque na casa dele estavam todas as coisas dignas de serem conhecidas. Minha loucura ainda não chegou perto da dele. Mas o fato é que há, na minha casa, uma infinidade de coisas interessantíssimas que eu deveria gastar tempo em conhecer. Tantos poemas e contos que não li, tantos livros de arte, tantos CDs que ainda não ouvi... E há também Pocinhos do Rio Verde, meu mosteiro... Esse é o destino dos pais. Há um momento em que os filhos batem as asas e se vão. Os pássaros sabem disso e não reclamam.  Muitos pais e muitos avós tratam de fazer lugares deliciosos para seus filhos e netos passarem os fins de semana! Na viagem para Pocinhos do Rio Verde passo sempre  defronte a um “Sítio do Vovô”. Imagino o Vovô e a Vovó sozinhos na varanda do sítio, esperando os filhos e os netos que não vêm. Eles estarão provavelmente em algum clube ou praia... Há um momento na vida em que o destino dos pais é esperar...Os apaixonados são aqueles que esperam...

Publicado no Correio Popular 13/02/2005

“Mesmo em último caso, a palmada não é válida”, diz terapeuta familiar

 

Carlos Zuma JN
 
 
 
Carlos Zuma* defende o debate em torno da “Lei da Palmada” e analisa o momento de transição dos modelos de educação dos filhos

 

Com a criação do Projeto de Lei 7672, que proíbe os pais de castigarem fisicamente os filhos, abriu-se uma discussão que parece ser interminável na sociedade: afinal, é tão maléfico assim dar umas palmadas ou beliscões nos filhos? Na semana passada, a terapeuta infantil Denise Dias, autora do livro “Tapa na Bunda – Como impor limites e estabelecer um relacionamento sadio com as crianças em temos politicamente corretos” (Editora Matrix), concedeu uma entrevista ao Delas defendendo o uso do que se costumou chamar de “palmada pedagógica”. Mas para o psicólogo e terapeuta familiar Carlos Zuma, esse está longe de ser o melhor caminho.

Carlos é secretário executivo do Instituto Noos, organização sem fins lucrativos que visa promover a saúde dos relacionamentos familiares e comunitários, e membro da Secretaria Executiva da Rede “Não Bata, Eduque”. Segundo ele, a violência contra as crianças – por mais que seja um puxão de orelha de leve – não possui nenhuma utilidade benéfica. Pelo contrário: pode deixá-la traumatizada ou ensiná-la que é assim que se faz. “Muitas pessoas estão no automático, repetindo modelos que eles mesmos condenavam”, diz. Confira entrevista com ele.


iG: O que você acha do Projeto de Lei que proíbe castigos físicos, como beliscões e palmadas, para “corrigir” os filhos?
Carlos Zuma:
Eu apoio a lei. Mas acho que o melhor ângulo de vê-la não é pela proibição do castigo em si. Prefiro defini-la como uma lei que garante o direito das crianças de serem educadas sem o uso de castigos corporais e tratamentos degradantes. Pelo direito que têm de serem educadas sem apanhar, sem serem humilhadas. Esse é o ângulo pelo qual prefiro vê-la. Uma lei é importante para dar parâmetros de comportamento e para os juízes poderem julgar os casos com base em uma legislação clara. Se isso não acontece, só lhes restam interpretações subjetivas e questões sobre qual o limite entre o mau trato e a boa educação. A lei é importante, portanto, para que não haja subjetividade.

iG: Você acredita que a lei pode ser mesmo efetiva?
Carlos Zuma:
Não acredito que uma lei sozinha irá mudar comportamentos já arraigados em nossa cultura. Eu acredito que pode mudar, mas a lei sozinha não funciona: todo o debate em torno dela é que pode trazer a mudança cultural que precisamos. E temos evidências de mudanças já acontecendo. Nossos avós viveram a infância em uma época que era normal as crianças ajoelharem no milho e os professores usarem palmatória como método de educação e disciplina, mas já podemos ver como há uma posição contrária dos pais a isso hoje em dia. Temos, portanto, que ver o castigo físico da mesma forma. O grande problema mesmo é confundir a educação com esse castigo físico, o bater. Quando fazemos alguma campanha sobre o assunto, é impressionante o número de pessoas que questionam como vão educar se não podem bater nos filhos. Tem gente que acha que é uma coisa é sinônima da outra, mas não é.


iG: Ainda em relação à própria lei, haverá alguma maneira de distinguir uma “palmada educativa” de uma real agressão à criança? Você acha que é possível fiscalizar esse tipo de situação?
Carlos Zuma:
Justamente porque é muito difícil distinguir uma coisa da outra, o melhor mesmo é determinar que não é necessário bater para educar. E, de fato, não é necessário. Existem gerações e gerações de pessoas que foram educadas sem nunca terem tomado um tapa, e isso não as tornou psicopatas. Claro que a maioria dos pais tem a melhor das intenções quando dão palmadas em seus filhos. Vemos que os pais querem educá-los para não se tornarem um bandido, um marginal, então dizem que preferem bater do que ver a criança apanhar da polícia ou da vida no futuro. A intenção dos pais é a melhor possível, mas as consequências, para as crianças, são sentidas para o resto da vida. E não é só o tapa que faz isso: é a humilhação também.

iG: Como você mesmo cita, alguns pais acreditam que é melhor dar palmada nos filhos para discipliná-los antes que “apanhem” da vida ou até mesmo, literalmente, da polícia. Uma criança que não é disciplinada a palmadas terá menor capacidade de lidar com as adversidades da vida, no futuro?
Carlos Zuma:
Uma criança que não foi educada e disciplinada terá maiores chances, sim, de apanhar da vida. Não tenho a menor dúvida disso. Mas a melhor forma de educar e disciplinar não é batendo na criança. Eu não tenho a menor dúvida: crianças que não foram educadas pelos pais sofrem muito mais e levam muito mais tempo para se adaptar à realidade. Mas eu falo em educar sem o uso do castigo corporal. As pessoas não devem confundir uma coisa com a outra.

Carlos Zuma: educar não significa bater

iG: Como os pais devem impor limites e exercer autoridade sem usar castigos físicos? Você acha que o “tapa na bunda” é necessário em alguns casos – como o de crianças bem mal-educadas?
Carlos Zuma:
Eu discordo que, em último caso, a palmada seja válida. Ao bater em seu filho, você pode conseguir que ele aja da maneira correta, mas se aquilo está educando-o ou estragando-o é questionável. Quando você bate, está dizendo: “olha, quando alguém te contraria, quando alguém faz alguma coisa que você não quer, é legítimo bater”. E então surge um aprendizado da violência como resolução de conflitos. Mas a violência é uma forma ruim de resolução de conflitos. Quando a proposta da Lei Maria da Penha surgiu, a mesma discussão veio à tona. Pouquíssimas pessoas discordam da necessidade de existir uma lei que proíba o marido de bater em sua esposa. O direito de uma pessoa não acaba porque ela está dentro de casa, seja esta pessoa um adulto ou uma criança.

iG: Se palmada e puxão de orelha não são válidos como últimas atitudes dos pais para a criança obedecê-los, o que eles podem fazer?
Carlos Zuma:
Não é para usar palmada nem tratamento cruel degradante, mas
o castigo é válido, desde que esteja adequado à idade da criança e proporcional ao tipo de comportamento que ela teve. Você pode privar a criança de assistir televisão durante uma tarde porque ela fez uma coisa errada, por exemplo. A criança precisa saber que seus atos têm consequências. Com castigo e explicação, ela pode começar a entender que isso ou aquilo é errado.

iG: Muitos pais se perguntam por que não deveriam bater em seus filhos, se eles mesmos apanharam durante a infância e cresceram sem traumas. Você acha que esse argumento é válido?
Carlos Zuma:
É muito complicado definir o que quer dizer “sem traumas”. Eu duvido que essas pessoas optariam por ser corrigidas como foram – apanhando – se pudessem ter escolhido. Também não é porque eu me vejo sem nenhum trauma hoje que as mesmas atitudes funcionarão para o meu filho. O momento é outro. Uma criança do passado pode ter absorvido melhor o que sofreu de castigo físico em uma época em que ajoelhar no milho era aceitável. Hoje isso não acontece.

iG: Há também o argumento de que violência é ver crianças nas ruas, passando fome e fora da escola, e dar uma palmada ou castigar os filhos não é violência.
Carlos Zuma:
A violência hoje em dia nos cozinha em fogo brando e nos acostumamos com ela. Sim, há uma violência contextual atualmente, o Estado não provê todas as necessidades básicas a muitas pessoas. Mas por isso vamos dizer que o tapa em uma criança não é violência? Isso não é argumento. Não é pela existência de uma violência contextual que irei minimizar essa outra violência, que é bater nos filhos. É violência da mesma forma e é errada. Precisamos garantir os direitos de todas as crianças e adolescentes, mas nem por isso irei permitir a violência dentro de casa com agressão física ou humilhante.

Mostrar à criança que seus atos têm consequências é a recomendação dos especialistas

iG: O que falta aos pais que tentam educar os filhos na base da palmada?
Carlos Zuma:
Estamos em um momento de transição dos modelos de educação, modelos que deram certo em alguns aspectos e errado em outros. O problema é que muitas vezes, ao tentar corrigi-lo, vamos para o outro extremo: do autoritarismo para uma política do “tudo pode”. Os pais estão com pouco tempo para educar os filhos, se sentem muito culpados e não querem se ocupar em dar limites. Mas acredito ser uma transição pela qual estamos passando. Iremos encontrar formas claras de educar as crianças sem precisar bater nelas. Precisamos, para isso, refletir. O que fazemos com o nosso tempo? Temos condições ou não de proporcionar uma boa educação para as crianças que colocamos no mundo? Qual a qualidade do relacionamento que irei manter com meus filhos? É preciso ter essa reflexão, mais do que defender o direito de bater em uma pessoa.

Fonte: Renata Losso, especial para iG São Paulo | 27/10/2011 08:41

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Educar sem bater é possível

Colaboração: Eleonora Ramos, coordenadora do Projeto Proteger – Salvador (BA).

*Carlos Zuma - Psicólogo, terapeuta de família e casal, Fellow da Ashoka, secretário executivo do Instituto Noos.

 

 

25 de out de 2011

Debate aberto sobre o Projeto de Lei nº 7672/2010.

 

Bom dia a todos,


Compartilhamos com você que no dia 27/10/2011, das 11 às 12 horas, será realizado um  debate aberto sobre o Projeto de Lei nº 7672/2010.

Foram convidados para o debate:

Deputada Tereza Surita

 

 

 

Relatora do projeto de lei  a Deputada Federal Teresa Surita

 

Debatedores nacionais:

Dr. João Amaral

 

Dr. João Amaral (Ceará)

Doutor. Professor Adjunto do Departamento de Saúde Materno Infantil da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC). Médico pediatra especialista em Epidemiologia da Saúde da Criança. 

 

Dra. Marilucia Picanço

Dra. Marilucia Picanço (Brasilia)

Doutora em Pediatra, professora Adjunto na Universidade de Brasília. Consultora técnica chez Ministério da Saúde, Consulltora Técnica da área da Saude da criança e adolescente chez Organização Mundial de Saúde.

 

 

 

Dra. Evelyn Eisenstein (Rio de Janeiro)

Médica Pediatra e Clínica de Adolescentes, CRM: 52-17387-0, professora Adjunta da Faculdade de Ciências Médicas, coordenadora de Telemedicina, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, membro da ISPCAN, International Society for Prevention of Child Abuse and Neglect, como representante para o Brasil, www.ispcan.org, membro da IAAH, International Association for Adolescent Health, como representante para o Brasil e América Latina (www.iaah.org).

 

Os interessados podem participar, via Internet, pelo link http://www.rute.rnp.br
Instruções:

1) Clique em mais informaçoes no anuncio da sessão que fica localizado no calendário dos proximos eventos
2) É necessário ter banda larga de internet de 512 Kbps, plugin Windows Media Player instalado no navegador ou Quick Time.

DIVULGUEM

Márcia Oliveira

Rede Não Bata Eduque

Obrigada

23 de out de 2011

La gente que me gusta–Mario Benedetti

 

 

Um bonito presente enviado por minha querida amiga Vanderleida Rosa de Freitas e Queiroz Queiroz, que agora compartilho com todos…

Un hermoso regalo enviado por mi amiga querida Vanderleida Rosa de Freitas e Queiroz Queiroz, que ahora comparto con todo.

 

21 de out de 2011

Milésima recomendação do blog Educar Sem Violência

 

Maysa 1

 

 

Em agradecimento à milésima recomendação do blog Educar Sem Violência envio a você, amig@ leit@r, duas belíssimas interpretações da inesquecível Maysa.

 

 

Maysa 2

 

 

 

 

 

 

En agradecimiento a la milésima recomendación del blog Educar Sin Violencia te envio, mi  amig@ lect@r, dos hermosas interpretaciones de la inolvidable cantante Maysa.

 

 

 

Interpretando a canção que foi consagrada por Édith Piaf “No me quitte pas”

 

Interpretando a canção do The Door “Light My Fire”

3ª Audiência Pública – PL 7672/2010 – Educação sem uso castigos corporais.

 

Caros amigos e parceiros,

Escrevo para convidá-los a participar da 3ª Audiência Pública – PL 7672/2010 – Educação sem uso castigos corporais.

Data:        25 de outubro de 2011 (terça-feira)

Horário:    14h30min

Local:       Anexo II, Plenário 5 da Câmara dos Deputados

Tema: Discussão sobre a prática dos castigos corporais ou de tratamentos degradantes empregados na educação de crianças e adolescentes no nosso país.

Convidados:

Drª EUFRÁSIA MARIA SOUZA DAS VIRGENS - Defensora Pública da Coordenadoria de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente;


Drª EVELYN EISENSTEIN - Médica Pediatra e Clínica de Adolescentes; Professora Adjunta da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ; e Representante do Brasil para a International Society for Prevention of Child Abuse and Neglect - ISPCAN;


Drª RACHEL NISKIER SANCHEZ - Médica Pediatra do Instituto Fernandes Figueira da Fundação Oswaldo Cruz e Diretora da Sociedade Brasileira de Pediatria;
Dr. CÉLIO DA CUNHA - Representante da UNESCO no Brasil; e,

A audiência será transmitida ao vivo pelo Portal e-Democracia http://edemocracia.camara.gov.br/

É preciso fazer um cadastro no portal para ter acesso.

Abraços,

Marcia Oliveira

Rede Não Bata Eduque

19 de out de 2011

Consumismo entre crianças e castigos que podem matar foram discutidos no MP

 

Seminrio Castigo Fsico 085 - Maria Aparecida Alves

Cida Alves, psicóloga colaboradora da Área Técnica de Vigilância e Prevenção de Violências e Acidentes/ Ministério da Saúde e integrante da Rede Não bata eduque. 

A cada dois dias, em média, cinco crianças de até 14 anos morrem vítimas de agressão, ou seja a cada dez horas, uma criança morre vítima de violência física no Brasil (SIM/MS 2008). A maior parte dos casos de violências físicas são provocadas pelos pais ou responsáveis no ambiente doméstico. Estes e outros dados foram apresentados pela psicóloga Maria Aparecida Alves no segundo dia do seminário ‘Primeira Infância. Proteção Integral. Educar sem Castigos Físicos’, que será encerrado nesta terça-feira, no Auditório Afonso Garcia Tinoco, na sede do Ministério Público estadual no Centro Administrativo da Bahia (5ª Avenida, 750, CAB).

A psicóloga, que se baseou nos dados do Sistema de Vigilância em Violências e Acidentes (VIVA/SINAN 2006; 2007) , afirmou ainda que a violência física é a mais frequente entre as violências domésticas notificadas contra as crianças, com destaque para o castigo. “O estresse severo físico e mental provocado pela violência presente no castigo físico, nos primeiros anos de vida, pode chegar a mudar a configuração cerebral da criança, formando jovens e adultos com personalidade chamadas extremas (THEICHER, 2002). O castigo leva à indiferença quanto ao sofrimento do outro e, por isso, quem sofre a violência – sobretudo praticada por quem deveria protegê-lo -tende a tolerar mais as violênias e utilizá-las como um meio de resolver seus conflitos e diferenças”, ressaltou Maria Aparecida.

 

Seminrio Castigo Fsico 054 - Grupo

Promotora Izabel Cristina Vitória Santos MP (BA), Flávia Marimpietri (PROCON), Bruno Chechi Prestes (CRP 03) e Maria Carmem Albuquerque Novaes – Defensora Pública (BA).

A promotora de Justiça Izabel Cristina Vitória Santos, do MP da Bahia, coordenou a mesa redonda sobre ‘Publicidade na Primeira Infância – Criança e Consumo’, que teve a participação de representantes da Defensoria Pública do Estado da Bahia, da Superintendência de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) e do Conselho Regional de Psicologia. De acordo com os palestrantes, as crianças respondem, direta ou indiretamente, por 80% do consumo das famílias brasileiras.

O excesso de exposição das crianças à televisão foi apontado como o principal fator para a “formação consumista”. De acordo com a coordenadora da diretoria de Assuntos Especiais do Procon, Flávia Marimpietri, “o desenvolvimento precoce do consumismo infantil estimula o erotismo, a obesidade e a ruptura nas relações sociais. Para reverter essa situação, não basta que os pais mudem sua postura, é necessário também que sejam desenvolvidas novas políticas públicas para coibir a exposição excessiva, como já acontece em diversos países da Europa”.

 

Seminrio Castigo Fsico 104 - Maria Thereza

Maria Thereza Marcilio, representante da Rede Nacional da Primeira Infância

O sistema de garantia de direitos foi o tema da palestra ‘Proteção Integral e Primeira Infância’, ministrada pela representante da Rede Nacional da Primeira Infância, Maria Thereza Marcilio. “A Lei 7672/2010 vem se agregar a um sistema legal completo. O que falta, infelizmente, é a aplicação de tudo isso. No Brasil, ainda há uma distância muito grande entre o discurso e a prática”, concluiu.

Fonte: site do Ministério Público da Bahia, redator: Gabriel Pinheiro   DRT/BA 2233

Observação: fiz algumas correções no texto original do site do Ministério Público.

Castigos corporais levam Erika à Casa Civil e Saúde

 

Reuniões nesta terça-feira (18), com a ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e o ministro Alexandre Padilha (Saúde), dão continuidade aos trabalhos da deputada Erika Kokay à frente da Comissão Especial do PL 7672, que trata do direito de crianças e adolescentes serem educados sem castigos físicos e tratamento degradante. As agendas de Erika com Gleisi e Padilha estão previstas para esta tarde.

Erika Kokai

Deputada Erila Kokay e Márcia Teixeira, coordenadora do Grupo de Atuação Especial em Defesa da Mulher (Gedem). – Seminário no Ministério Público da Bahia

Erika Kokay é a presidente da comissão e nos últimos dias dedicou-se em tempo integral a aprofundar suas análises e debates sobre o tema, participando de audiências públicas com autoridades e especialistas estaduais da Bahia e Rio de Janeiro, realizadas na segunda-feira (17) e na última sexta-feira (14), respectivamente.

Em Salvador, onde participou de evento promovido pelo Ministério Público baiano, ela destacou o forte impacto psicológico dos castigos físicos sobre o comportamento das crianças, ao recordar que pesquisa identificou 70% das vítimas de violência doméstica envolvidas com o bullying escolar.

"Quem bate para ensinar está, na verdade, ensinando a bater", lamentou a deputada no Seminário Primeira Infância: proteção integral - Educar sem castigos físicos, promovido pelo Centro de Apoio da Criança e Adolescente (Caoca) da Bahia e a promotora de Justiça Márcia Guedes, presidente da instituição.

No Executivo Federal, a deputada Erika Kokay pretende mobilizar todos os ministérios que cuidam da proteção à criança para o enfrentamento à prática, especialmente por meio de campanhas de esclarecimento e divulgação da gravidade dos impactos que impõem ao indivíduo, por toda vida. O reconhecimento disso levou a ONU a orientar seus países membros a coibirem formalmente o uso de castigos. Cerca de 30 já possuem legislações apropriadas, entre Suécia, Espanha, Venezuela e Uruguai.

A relatora do projeto na Comissão Especial, deputada Teresa Surita (PMDB-RR), tem sido incansável parceira de Erika no aprofundamento das análises do problema. Ambas pretendem concluir o trabalho da Comissão no dia 6 de dezembro, de acordo com cronograma fixado após sua instalação, em agosto.

Márcio Morais

Assessoria de Imprensa

Enviado por Maria Helena Pacheco Schuster - 18 de outubro de 2011 16:02

Castigos físicos podem estar por trás do bullying, afirma deputada no Ministério Público da Bahia

 

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Márcia Guedes, Ministério Público da BA, Angélica Goulart, Membro da Diretoria da Rede Não Bata eduque e Diretora da Funcação Xuxa Meneghel, Erika Kokay, Deputada Federal e Presidente da Comissão Especial do PL 7672/2010, Maria Thereza Marcilio, Representante da Rede 1ª Infância e Renato Mendes, Representante da OIT - Mesa de abertura do Seminário 1ª Infância. Proteção Integral. Educar sem castigos físicos – auditório do Ministério Público – Salvador (BA).

Aberto pela promotora de Justiça Márcia Guedes, coordenadora do Caoca, o evento, que prossegue na terça-feira (18), contou, na mesa de abertura, com a mediação da promotora de Justiça Márcia Teixeira, coordenadora do Grupo de Atuação Especial em Defesa da Mulher (Gedem).

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Promotora Márcia Guedes – Ministério Público da Bahia

As discussões, no primeiro dia do encontro, giraram em torno do Projeto de Lei nº 7672/2010. “A população precisa entender a necessidade de aprovar esse projeto. É preciso compreender a criança como sujeito de direitos”, afirmou Márcia Guedes. Outro ponto que mereceu destaque na discussão foi o fato de que a lei não tira dos pais a prerrogativa de impor limites aos seus filhos. “É preciso educar sem bater. A criança não precisa ser adestrada para ter limites. O exemplo é o maior aliado dos pais”, destacou a coordenadora do Caoca.

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Deputada Federal Erika Kokai e Márcia Teixeira, coordenadora do Grupo de Atuação Especial em Defesa da Mulher (Gedem).

Responsáveis por traumas e pela naturalização da violência, os castigos físicos contra as crianças ainda estão por trás de 70% dos casos de bullying praticados nas escolas brasileiras. A afirmação é da deputada federal Erika Kokai, presidente da Comissão Especial do Projeto de Lei nº 7672/2010, que se tornou conhecido como “Lei das Palmadas” busca combater o castigo físico como forma de educação de crianças e adolescentes.

A deputada participou, no Ministério Público do Estado da Bahia, da mesa de abertura do seminário ‘Primeira Infância. Proteção Integral. Educar sem Castigos Físicos’, promovido pelo Centro de Apoio da Criança e do Adolescente (Caoca), com o apoio do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf), em comemoração à ‘Semana Nacional de Prevenção da Violência na Primeira Infância’.

Ressaltando que a violência contra a criança é uma violação dos direitos fundamentais garantidos na Constituição Federal, a coordenadora do Gedem, Márcia Teixeira, chamou a atenção para a importância da reforma legal como instrumento de alteração de uma realidade onde o castigo corporal ainda é encarado pelos pais como “uma eficiente forma de educar”.

A deputada federal Erika Kokai, presidente da comissão especial do projeto de lei, destacou as consequências dos castigos físicos na formação da criança. “Castigar fisicamente compromete a saúde física e psicológica. Prova disso é o fato, constatado em pesquisas, de que 70% das crianças que praticam bullying no Brasil são vítimas de violência doméstica. Quem bate para ensinar, na verdade está ensinando a bater”. O projeto de lei está na Câmara dos Deputados, em Brasília, no prazo para recebimento de emendas. “A meta é aprovar, na Câmara, no dia 06 de dezembro, e remeter para apreciação do senado. A lei deve estar pronta já no primeiro semestre de 2012”, afirma a parlamentar.

Representante da OIT defende que trabalho infantil é faceta do castigo físico

Seminário Renato Mendes

Renato Mendes, representante do escritório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) em Brasília

“O trabalho infantil é uma faceta do castigo físico na primeira infância”. A frase foi defendida na tarde de ontem (17) pelo representante do escritório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) em Brasília, Renato Mendes, durante palestra no seminário ‘Primeira infância. Proteção integral. Educar sem castigos físicos’, que continua a debater o tema no dia de hoje (18), na sede do Ministério Público do Estado da Bahia, no Centro Administrativo da Bahia.

Para o palestrante, o trabalho desenvolvido por crianças, ainda que pareça divertido, como acontece nos casos de publicidade, nada mais é do que uma forma diferente de castigo, “que também precisa ser repensada e combatida”. “A publicidade é uma forma glamurosa de trabalho infantil”, alertou Renato Mendes.

Diante da mesa-redonda que debateu ‘Trabalho Infantil e 1ª Infância’ e foi composta também pelos promotores de Justiça da Bahia, Ulisses Campos, e do Pará, Leane Fiuza, além da representante da Avante Educação e Mobilização Social/BA, Judite Dultra, o representante da OIT lamentou o fato do espaço da publicidade está atualmente sendo ocupado pelas crianças. Esse espaço, disse ele, “lamentavelmente é reduto de trabalho infantil na cadeia formal de trabalho no Brasil”.

Outra situação de exposição e exploração da infância é a mendicância, lembrou Renato Mendes, afirmando que, muitas vezes, pais utilizam os próprios filhos para comoverem as pessoas e tirarem proveito disso, sendo esta outra faceta do castigo físico. São muitas as formas, por isso as políticas públicas voltadas à eliminação do castigo físico devem ser amplas e ofertarem condições à sociedade para que ela se conscientize que não é necessário haver uma educação castradora, concluiu Mendes.

Compartilhando possibilidades de ações para fortalecer o movimento, Renato Mendes pontuou que é preciso ampliar e qualificar o debate; criar estratégias para que o “não” ao castigo físico se torne moda; tornar a legislação mais clara; fortalecer as instituições para que as políticas públicas sejam cobradas e saiam do papel; e que a política de proteção integral seja claramente executada pelos atores do sistema de garantia de direitos, pois o fluxo deve ser claro e não pode depender da capacidade dos que trabalham no funcionamento do sistema.

Fonte: site do Ministério Público da Bahia, redator: Gabriel Pinheiro  DRT/BA 2233 - ASCOM/MP – Telefones: (71) 3103-0446/ 0449/ 0448/ 0499/ 6502.

16 de out de 2011

Conselho Regional de Psicologia da Bahia promove Roda de Conversa sobre violência na primeira infância

 

CRP Bahia

  

 

 

   Dia 17 de outubro de 2011

   Convidada: psicóloga Cida Alves

   Local: Auditório do CRP03

   Horário: 19 horas

   Informações:

   (71) 3332-6168 ou  3247 – 6716

   www.crp03.org.br

15 de out de 2011

'Indignados' se mobilizam para realizar protestos em 82 países - Manifestações são esperadas em 951 cidades neste sábado (15).

Protestos já ocorreram na Austrália, Taiwan, Hong Kong e Coreia do Sul.

15 de outubro 1

Homem carrega cartaz durante protesto dos 'indignados na Austrália
(Foto: Marianna Massey/AFP)

 

15 de outubro 2

Protestos contra o sistema econômico ocorreram também na Suíça (Foto: Fabrice Coffrini/AFP)

 

15 de outubro 3

Manifestantes usam máscaras de Guy Fawkes, das histórias em quadrinhos e do filme 'V de Vingança' em protesto na Coreia do Sul (Foto: Park Ji-Hwan/AFP)

 

Neste sábado, dia 15 de outubro, jovens do mundo inteiro estão sendo convidados a acampar nas praças de suas cidades exigindo democracia real e mudanças no atual modelo econômico, causador de crise e desemprego.

A inspiração vem dos acampamentos no Egito, na Espanha e, mais recentemente, em Nova York, com o movimento Ocupa Wall Street.

Os espanhóis do movimento Democracia Real Já estão convocando pessoas do mundo inteiro para participar do Dia Mundial de Acampamentos em Praças, neste 15 de outubro. A Carta Maior estará acompanhando as manifestações deste final de semana.  Acompanhe pelo Especial Ocupando Wall Street.

Fontes: G1 e Carta Maior em 15 de outubro de 2011.

14 de out de 2011

Crescer com palmadas faz mal à saúde! - Evelyn Eisenstein

 

 

 

 

Profa. Dra. EVELYN EISENSTEIN  - Médica Pediatra e Clínica de Adolescentes, CRM: 52-17387-0, professora Adjunta da Faculdade de Ciências Médicas, coordenadora de Telemedicina, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, membro da ISPCAN, International Society for Prevention of Child Abuse and Neglect, como representante para o Brasil, www.ispcan.org, membro da IAAH, International Association for Adolescent Health, como representante para o Brasil e América Latina (www.iaah.org).

 

ARTIGO

Crianças e adolescentes estão em fase de crescimento e desenvolvimento corporal, mental, emocional, social e necessitam de apoio e proteção social, uma simples questão de Direitos à Saúde e Vida, mas que se tornou bastante complexa no Brasil de hoje. A violência diária, estrutural e cultural vai sendo banalizada e se tornando um ciclo vicioso entre gerações.

É isso que queremos? Saúde ou doença? Quais escolhas nós iremos fazer de investimento para nossos filhos, para os escolares, para os universitários em cada canto do país? Castigar e maltratar? Ou proteger e prevenir todos os tipos de violência e abusos?

A “punição corporal”, que vem sendo justificada como uma “disciplina familiar” é na realidade, um abuso “silencioso” que vai humilhando e traumatizando a criança. Isso trará conseqüências em seu aprendizado e rendimento escolar, na sua (des)integração social e no uso de drogas/álcool, aumentando os dados estatísticos de mortes por causa externa ou “fatalidades” (homicídios, suicídios e acidentes), perigos que poderiam ter sido prevenidos, se a atitude de construção para a vida fosse outra, de educação para a paz e a saúde!

O castigo corporal é a força física empregada com intuito de castigar, disciplinar, silenciar, ameaçar ou controlar o comportamento ou a conduta impulsiva da criança/adolescente em qualquer situação ou local de moradia. É considerado como abuso físico e emocional, pela Organização Mundial de Saúde, porque a intenção é “punir” em vez de “dialogar”. Muitos atos considerados “disciplinares” são punitivos e abusivos em vez de serem construtivos e preventivos. Às vezes envolve palavras, xingamentos ou ameaças como, “não vai jantar” (quando a alimentação é vital para o crescimento saudável e dormir com fome se torna um castigo de negação do amor!) ou “vai ficar preso em casa” (quando a moradia deveria representar espaço de abrigo e refúgio prazeroso em vez de prisão domiciliar!). Mas o pior é que começa com uma “palmada” ou “palmatória” e vai se intensificando em atos e castigos cada vez mais violentos e humilhantes. Muitas crianças ao serem atendidas, dizem chorando baixinho: “deixei de sentir a dor!”

Geralmente os castigos acontecem por causa de raiva, tensão ou desespero da pessoa que deveria cuidar e ser mais responsável. Alguém estressado por outras razões e que desconta seu furor na criança, como se fosse um “saco-de-pancadas” pois “não quer perder tempo, explicando o por quê das coisas” para essa criança “teimosa” e “pirralhenta”. A punição usa controles externos e revela abuso do poder coercitivo, da força ou da dominância patriarcal ou de gênero. Além disso, o uso de qualquer objeto no intuito de punir, bater, castigar, torturar é inaceitável e inapropriado em qualquer idade e em qualquer cidade dos países que assinaram e ratificaram acordos internacionais das Nações Unidas, como é o caso do Brasil.

A Declaração Universal dos Direitos da Criança em 1959, a Convenção dos Direitos da Criança em 1989 em seu artigo #19 e comentário geral # 13, recentemente aprovado em Março de 2011, e o nosso Estatuto da Criança e do Adolescente de Outubro de 1990, são contra a violência e a favor da dignidade, do respeito e da proteção social da criança, na Família, na Sociedade e no Estado. Isso significa que “bater” na criança não é permitido em nenhuma circunstância e sempre é injustificável: “maltratar” significa prejudicar alguém e “maus tratos” são todos os tipos de abuso, negligência, abandono ou exploração.

Brasil se prepara para rever alguns dos artigos (17 e 70 do ECA), no Projeto de Lei 7672/2010, que responsabilizam os pais e integrantes da família ampliada, assim como quaisquer outras pessoas encarregadas de cuidar, tratar, educar ou vigiar crianças e adolescentes por utilizarem o castigo corporal ou tratamento cruel ou degradante como forma de correção, disciplina, educação ou a qualquer outro pretexto. Todos estarão sujeitos às medidas previstas e sanções cabíveis em Lei. E também, a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios atuarão de forma articulada na ampliação das políticas públicas e na execução de ações preventivas destinadas a coibir o castigo corporal ou qualquer tratamento cruel ou degradante.

Precisamos refletir também sobre as justificativas da frequente “falta de recursos”, pois o Brasil é um “país de todos” e crianças e adolescentes são “prioridade absoluta” na lei. Portanto, está mais do que na hora das políticas públicas de prevenção e educação em saúde saírem do papel e serem implementadas e executadas!

A violência não é só contra-indicada como remédio para controlar comportamentos, mas também como droga de uso letal, pois causa danos, lesões e mortes e ainda repercussões mentais na vida adulta, da mesma forma como o abuso de tantas outras drogas por parte da população doente. Isso inclui a que se encontra nas prisões, nas delegacias ou traumatizadas e atendidas nas emergências e nos serviços psiquiátricos. São pessoas que não tiveram a chance de crescer sem palmadas e com o afeto que necessitavam quando crianças e adolescentes! Proteção social e prevenção da violência são as melhores vitaminas da receita para o crescimento saudável do Brasil!

Fonte: artigo publicado no Correio Braziliense em 12 de outubro de 2011

13 de out de 2011

SEMINÁRIO 1ª INFÂNCIA. PROTEÇÃO INTEGRAL. EDUCAR SEM CASTIGOS FÍSICOS – Salvador (BA)

 

O Ministério Público do Estado da Bahia, através do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça da Infância e da Juventude - CAOPJIJ, com o apoio do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional – CEAF, promoverá o SEMINÁRIO 1ª INFÂNCIA. PROTEÇÃO INTEGRAL. EDUCAR SEM CASTIGOS FÍSICOS, em comemoração à Semana Nacional de Prevenção da Violência na Primeira Infância, instituída pela Lei Federal 11.523/2007.

O Seminário tem por objetivo refletir sobre a importância da 1ª infância para o desenvolvimento e a formação da criança, difundir a cultura da infância e sensibilizar profissionais da área jurídica e da sociedade civil para questões e temas relevantes nessa fase da vida, tais como, saúde, educação, castigos físicos, trabalho infantil, crimes praticados na rede mundial, dentre outros.

O evento acontecerá nos dias 17 e 18 de outubro de 2011, das 8h às 18h, no Auditório Afonso Garcia Tinoco, sede do Ministério Público no CAB, localizado na 5ª Avenida, n° 750, Centro Administrativo da Bahia e reunirá membros do Ministério Público, convidados de instituições parceiras, profissionais interessados no tema e servidores que atuam na área da infância e juventude.

Informamos que as inscrições devem ser feitas através do site www.mp.ba.gov.br até o dia 13 de outubro de 2011 ou até atingir a capacidade máxima do auditório.

Atenciosamente,

Márcia Guedes  e José Renato Oliva de Mattos

Coordenadora do CAOPJIJ Coordenador do CEAF

 

Veja abaixo a programação:

Programação_Infância 1

 

Programação_Infância.verso 2

12 de out de 2011

A menina e o pássaro encantado

 

Rubem Alves - A Menina e o Passaro Encantado  copia

 

Ruben Alves

Era uma vez uma menina que tinha um pássaro como seu melhor amigo.
Ele era um pássaro diferente de todos os demais: era encantado.

Os pássaros comuns, se a porta da gaiola ficar aberta, vão-se embora para nunca mais voltar. Mas o pássaro da menina voava livre e vinha quando sentia saudades… As suas penas também eram diferentes. Mudavam de cor. Eram sempre pintadas pelas cores dos lugares estranhos e longínquos por onde voava. Certa vez voltou totalmente branco, cauda enorme de plumas fofas como o algodão…
— Menina, eu venho das montanhas frias e cobertas de neve, tudo maravilhosamente branco e puro, brilhando sob a luz da lua, nada se ouvindo a não ser o barulho do vento que faz estalar o gelo que cobre os galhos das árvores. Trouxe, nas minhas penas, um pouco do encanto que vi, como presente para ti…
E, assim, ele começava a cantar as canções e as histórias daquele mundo que a menina nunca vira. Até que ela adormecia, e sonhava que voava nas asas do pássaro.
Outra vez voltou vermelho como o fogo, penacho dourado na cabeça.
— Venho de uma terra queimada pela seca, terra quente e sem água, onde os grandes, os pequenos e os bichos sofrem a tristeza do sol que não se apaga. As minhas penas ficaram como aquele sol, e eu trago as canções tristes daqueles que gostariam de ouvir o barulho das cachoeiras e ver a beleza dos campos verdes.
E de novo começavam as histórias. A menina amava aquele pássaro e podia ouvi-lo sem parar, dia após dia. E o pássaro amava a menina, e por isto voltava sempre.
Mas chegava a hora da tristeza.
— Tenho de ir — dizia.
— Por favor, não vás. Fico tão triste. Terei saudades. E vou chorar…— E a menina fazia beicinho…
— Eu também terei saudades — dizia o pássaro. — Eu também vou chorar. Mas vou contar-te um segredo: as plantas precisam da água, nós precisamos do ar, os peixes precisam dos rios… E o meu encanto precisa da saudade. É aquela tristeza, na espera do regresso, que faz com que as minhas penas fiquem bonitas. Se eu não for, não haverá saudade. Eu deixarei de ser um pássaro encantado. E tu deixarás de me amar.
Assim, ele partiu. A menina, sozinha, chorava à noite de tristeza, imaginando se o pássaro voltaria. E foi numa dessas noites que ela teve uma ideia malvada: “Se eu o prender numa gaiola, ele nunca mais partirá. Será meu para sempre. Não mais terei saudades. E ficarei feliz…”
Com estes pensamentos, comprou uma linda gaiola, de prata, própria para um pássaro que se ama muito. E ficou à espera. Ele chegou finalmente, maravilhoso nas suas novas cores, com histórias diferentes para contar. Cansado da viagem, adormeceu. Foi então que a menina, cuidadosamente, para que ele não acordasse, o prendeu na gaiola, para que ele nunca mais a abandonasse. E adormeceu feliz.
Acordou de madrugada, com um gemido do pássaro…
— Ah! menina… O que é que fizeste? Quebrou-se o encanto. As minhas penas ficarão feias e eu esquecer-me-ei das histórias… Sem a saudade, o amor ir-se-á embora…
A menina não acreditou. Pensou que ele acabaria por se acostumar. Mas não foi isto que aconteceu. O tempo ia passando, e o pássaro ficando diferente. Caíram as plumas e o penacho. Os vermelhos, os verdes e os azuis das penas transformaram-se num cinzento triste. E veio o silêncio: deixou de cantar.
Também a menina se entristeceu. Não, aquele não era o pássaro que ela amava. E de noite ela chorava, pensando naquilo que havia feito ao seu amigo…
Até que não aguentou mais.
Abriu a porta da gaiola.
— Podes ir, pássaro. Volta quando quiseres…
— Obrigado, menina. Tenho de partir. E preciso de partir para que a saudade chegue e eu tenha vontade de voltar. Longe, na saudade, muitas coisas boas começam a crescer dentro de nós. Sempre que ficares com saudade, eu ficarei mais bonito. Sempre que eu ficar com saudade, tu ficarás mais bonita. E enfeitar-te-ás, para me esperar…
E partiu. Voou que voou, para lugares distantes. A menina contava os dias, e a cada dia que passava a saudade crescia.
— Que bom — pensava ela — o meu pássaro está a ficar encantado de novo…
E ela ia ao guarda-roupa, escolher os vestidos, e penteava os cabelos e colocava uma flor na jarra.
— Nunca se sabe. Pode ser que ele volte hoje…
Sem que ela se apercebesse, o mundo inteiro foi ficando encantado, como o pássaro. Porque ele deveria estar a voar de qualquer lado e de qualquer lado haveria de voltar. Ah!
Mundo maravilhoso, que guarda em algum lugar secreto o pássaro encantado que se ama…
E foi assim que ela, cada noite, ia para a cama, triste de saudade, mas feliz com o pensamento: “Quem sabe se ele voltará amanhã….”
E assim dormia e sonhava com a alegria do reencontro.

Comentário do autor:

Para o adulto que for ler esta história para uma criança:
Esta é uma história sobre a separação: quando duas pessoas que se amam têm de dizer adeus… Depois do adeus, fica aquele vazio imenso: a saudade. Tudo se enche com a presença de uma ausência.
Ah! Como seria bom se não houvesse despedidas…
Alguns chegam a pensar em trancar em gaiolas aqueles a quem amam. Para que sejam deles, para sempre… Para que não haja mais partidas…
Poucos sabem, entretanto, que é a saudade que torna encantadas as pessoas. A saudade faz crescer o desejo. E quando o desejo cresce, preparam-se os abraços.
Esta história, eu não a inventei.
Fiquei triste, vendo a tristeza de uma criança que chorava uma despedida… E a história simplesmente apareceu dentro de mim, quase pronta.
Para quê uma história? Quem não compreende pensa que é para divertir. Mas não é isso.
É que elas têm o poder de transfigurar o quotidiano.
Elas chamam as angústias pelos seus nomes e dizem o medo em canções. Com isto, angústias e medos ficam mais mansos.
Claro que são para crianças.
Especialmente aquelas que moram dentro de nós, e têm medo da solidão…

As mais belas histórias de Rubem Alves
Lisboa, Edições Asa, 2003

11 de out de 2011

Saiba, todo mundo foi neném....


"Saiba,
Todo mundo teve medo
Mesmo que seja segredo
Nietzsche e Simone de Beauvoir
Fernandinho Beira-Mar".




Entrevistas sobre o projeto de lei 7672/2010 com Carlos Zuma e Deputada Teresa Surita

 

Caros parceiros,

Estou divulgando algumas entrevistas sobre o tema dos castigos corporais e tratamento cruel e degradante contra crianças e adolescentes.

Não posso deixar de comentar que:

Muitas das vezes as matérias enfocam mais a “punição dos pais” que a possibilidade de “educar as crianças, estabelecendo limites e disciplina, sem o uso da força física, agressão ou humilhação”. 

O projeto não tem o objetivo de punir os pais e sim proteger a criança e apoiar os adultos a encontrar práticas positivas de educação.

O projeto propõe um novo paradigma no processo de educação e cuidado da criança e contribuirá para romper com essa "cultura de violência" em que estamos inseridos e estabelecer a verdadeira "cultura de paz”.

Zero Hora - 01/10/2011 - com a participação de Carlos Zuma - Rede Não Bata Eduque e Instituto Noos

Globo News - 03/10/2011 - com a participação da Dep. Teresa Surita - relatora da Comissão Especial PL 7672/2010 - Educação sem uso de castigos corporais

Abraços,
Marcia Oliveira
Rede Não Bata Eduque

10 de out de 2011

Rio de Janeiro: audiência pública sobre o Projeto de Lei 7672/2010.

 

Caros amigos e parceiros,

No próximo dia 14 de outubro, na Cidade do Rio de Janeiro, será realizada uma audiência pública sobre o Projeto de Lei 7672/2010.

A audiência faz parte do cronograma de atividades da Comissão Especial destinada a proferir parecer sobre o projeto de lei e conta com o apoio da Comissão dos Direitos da Criança e do Adolescente da Câmara Municipal do Rio de Janeiro (convite anexo).

Local:     Plenário da Câmara Municipal do Rio de Janeiro - Praça Floriano, s/n - Cinelândia
Data:      14/10/2011 (sexta-feira)
Horário: 14 horas

Será uma excelente oportunidade para discutir a proposta que visa garantir o direito das crianças e adolescentes a serem educadas e cuidadas sem o uso de castigos corporais e tratamento cruel e degradante.

Juntem-se a nos nessa importante discussão.

Abraços,

Marcia Oliveira

Rede Não Bata Eduque

9 de out de 2011

Uma vergonha: psicóloga Denise Dias recomenda métodos educativos que ferem os direitos humanos de crianças e adolescentes.

 

Contrariando as evidências de  incontáveis pesquisas de renomados cientistas  nacionais e internacionais, a psicóloga infantil Denise Dias argumenta em livro que o uso de castigos físicos são necessários na educação de crianças e adolescentes.

Que desserviço presta essa psicóloga ao desenvolvimento e à saude física e mental das crianças e dos adolescentes!

Quantos situações de risco essa orientação levará às familias brasileiras?

Com tristeza e vergonha recebo a notícia do lançamento do livro desta colega de profissão. Mas com orgulho divulgo os livros  "É possível educar sem palmadas?" e “Como educar sem usar a violência”.

1) “É possível educar sem palmadas?” de Luciana Maria Caetano

 

Livro Educar sem palmadas

Luciana Maria Caetano se propõe a ajudar os pais. Ela acredita que é possível oferecer às crianças as condições adequadas para que se desenvolvam plenamente e se transformem em adultos solidários, respeitosos, dignos e, especialmente, felizes; e humanos o suficiente para fazerem a diferença na construção de uma sociedade mais justa.

Para fazer valer sua crença de uma educação como processo de humanização, com amor suficientemente expresso em atitudes, desejos e palavras, a psicóloga fundamenta-se em exemplos verídicos para discutir os principais problemas e dúvidas vividos por pais e mães no dia a dia diante da desobediência ou da rebeldia dos filhos; e expõe princípios e orientações fundamentados em pesquisas da Psicologia e da Pedagogia contemporâneas, preocupando-se em traduzi-los para uma linguagem simples, de modo a auxiliar os pais a refletirem sobre como construir o próprio modo de educar pautando-se em valores e princípios éticos necessários e fundamentais.

 Sobre a autora:

LUCIANA MARIA CAETANO é doutora em Psicologia pela Universidade de São Paulo, professora universitária, palestrante e trabalha com orientação a pais e mães. Há dez anos realiza pesquisas e estudos científicos a respeito da participação dos pais e da família na formação e educação das crianças e das relações de obediência, justiça, respeito e autonomia. É autora de outros livros publicados por Paulinas Editora, entre eles: O conceito de obediência na relação pais e filhos, Dinâmicas para reunião de pais, Temas atuais para formação de professores. Seu endereço é: luciana.caetano@hotmail.com.

Veja mais sobre o livro nos link’s

Lançamento: É possível educar sem palmadas?

Mãe de Gêmeos

2) Como educar sem usar a violência de Dora Lorch

Livro como educar sem violência

A obra se propõe a aumentar o conhecimento e a compreensão dos adultos em relação às crianças sob sua responsabilidade, estimulando uma nova postura na qual não há espaço para os castigos violentos. Dora Lorch usa a psicologia para falar de birra, medo, mentira, vergonha e brincadeira e apresenta um singelo manual de boas maneiras – para pais e educadores.

Que pai ou educador nunca sentiu que os verbos “educar” e “estressar” às vezes parecem sinônimos? Quando é preciso lidar com uma criança ocasionalmente, tudo é diversão. Difícil é ser responsável por sua educação no dia-a-dia. Muitos pais e educadores, ao deparar com um ataque de mau humor infantil, perdem a cabeça e partem para a agressão física, por considerarem que a criança faz aquilo só para desafiá-los. No livro Como educar sem usar a violência (168 pp., R$ 33,90, Summus Editorial), Dora Lorch, psicóloga experiente e dotada de incrível bom senso, trata dessa questão, mostrando que é possível educar sem perder a paciência.

Dora parte do princípio de que para lidar com crianças é preciso compreendê-las, saber o que se pode esperar delas, o que faz parte do seu desenvolvimento. A idéia é que, de posse desses conhecimentos, o adulto consiga escolher a forma mais adequada de agir e seja bem-sucedido na tarefa cotidiana de educar sem recorrer a qualquer tipo de violência, física ou verbal.

“Eu gostaria que o livro fosse como uma conversa entre amigas. Uma conversa sobre limites. Todos sabem que os limites são necessários, mas como colocá-los de fato, na prática?”, questiona Dora. No livro, ela traça algumas regras, mostra caminhos e utiliza um sem-número de exemplos, sempre muito pertinentes. O objetivo, diz ela, não é apresentar fórmulas prontas, mas mostrar princípios norteadores que permitam aos educadores em geral formar indivíduos confiantes e plenos de respeito pelo outro e pela vida.

Segundo a psicóloga, a pressão sofrida pelas crianças atualmente é enorme. “Pais e educadores exigem dos pequenos o rendimento máximo, na esperança de prepará-los para uma vida mais feliz e vitoriosa. O excesso de expectativas, contudo, acaba se traduzindo por um elevado nível de ansiedade, o que gera uma série de mal-entendidos — facilmente transformados em impaciência, conflito e violência”, diz Dora.

“Muito freqüentemente, conflitos refletem uma dificuldade de entendimento entre as partes. Essa é a grande diferença entre este livro e os demais: tenho a intenção de traduzir a criança para o adulto, tornando-o capaz de lidar com essas diferenças com mais segurança e paciência. Ao longo dos anos, percebemos que a compreensão diminui o estresse e ameniza a irritação do adulto em relação à criança.”

A autora se utiliza das vivências de outras pessoas para remeter o leitor às próprias lembranças e, dessa forma, instigá-lo a ressignificar as experiências vividas. Ela adota um ponto de vista otimista e parte da premissa de que, se é verdade que todos nós erramos, é verdade também que é possível aprender com os erros e modificar paradigmas por meio da reflexão.

As idéias de Piaget, Freud e Winnicott sobre o desenvolvimento da linguagem, do jogo e da sexualidade nos primeiros anos de vida da criança formam a base teórica do livro. A psicóloga aborda também tópicos como a mentira, a birra, as doenças e, de forma bastante extensa, o castigo e as conseqüências boas e ruins das punições de maneira geral.

A escritora Ruth Rocha, que assina o prefácio, enaltece a obra: “O aspecto inovador deste livro é que a autora focaliza o tema ‘limites’ sob um ponto de vista original: não adianta o adulto pretender educar a criança se ele mesmo não lida bem com suas limitações. De nada vale apresentar as regras para seus filhos, explicar as causas e as conseqüências, se você mesmo, como adulto, diz uma coisa e faz outra. A criança percebe de imediato a dicotomia entre a palavra e a atitude”.

Sobre a autora:

DORA LORCH é psicóloga clínica e mestre em psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Atualmente atende em consultório, é diretora da clínica Delfos Previne, coordena projeto contra a violência doméstica na Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) Fábrica do Futuro, no Educandário Dom Arte, e é psicóloga da Associação Novas Trilhas.

Junto com Ruth Rocha, publicou as coleções “As coisas que eu gosto” e “Os medos que eu tenho”, bem como o livro As dúvidas que eu tenho, todos pela Editora Ática.

 

Editora: Summus Editorial, 168 páginas (ISBN: 978-85-323-0272-4)

Por R$ 33,90 | Atendimento ao consumidor:  (11) 3865-9890; (11) 3865-9890.

Site: www.summus.com.br

 

Veja a entrevista com Dora Lorch

 

 

Veja ainda a entrevista de Dora Lorch a Revista Psique

Infância SEM TRAUMA - Especialista indica caminhos para se livrar da relação entre pais e filhos pautada na agressividade