31 de dez de 2013

Olhos a frente, passo firme, coragem e feliz ano novo! Ojos hacia adelante, paso firme, coraje y feliz año nuevo!

1o-Lugar-ABAF-COR-Alice-Kohler-Liberdade-no-Xingu

 

"if you're going to try, go all the way
otherwise, dont't ever start..."

"Se você vai tentar, vá com tudo
Senão, nem comece..."

<<Si vas a intentarlo, va hasta el final.
De otro modo, no empieces siquiera...>>


Charles Bukowski

 

Para ver a tradução em português é só clicar no link legenda que esta na parte inferior do vídeo ao lado do relógio

 

Roll the dice

if you’re going to try, go all the
way.
otherwise, don’t even start.

if you’re going to try, go all the
way.
this could mean losing girlfriends,
wives, relatives, jobs and
maybe your mind.

go all the way.
it could mean not eating for 3 or 4 days.
it could mean freezing on a
park bench.
it could mean jail,
it could mean derision,
mockery,
isolation.
isolation is the gift,
all the others are a test of your
endurance, of
how much you really want to
do it.
and you’ll do it
despite rejection and the worst odds
and it will be better than
anything else
you can imagine.

if you’re going to try,
go all the way.
there is no other feeling like
that.
you will be alone with the gods
and the nights will flame with
fire.

do it, do it, do it.
do it.

all the way
all the way.

you will ride life straight to
perfect laughter, its
the only good fight
there is.

Bukowski

 


Foto: Liberdade no Xingu de Alice Kohler – 1º Lugar categoria ABAF Cor.

29 de dez de 2013

Atrasado, mas aqui está o meu presente de Natal pra você!

 

Presente 8

Para abri-lo é só clicar AQUI

 


E uma criança pequena os guiará 

A fotografia é simples, apenas um detalhe: duas mãos dadas, uma mão segurando a outra. Uma delas é grande, a outra é pequena, rechonchuda. Isso é tudo. Mas a imaginação não se contenta com o fragmento - completa o quadro: é um pai que passeia com seu filhinho. O pai, adulto, segura com firmeza e ternura a mãozinha da criança: a mãozinha do filho é muito pequena, termina no meio da palma da mão do pai. O pai vai conduzindo o filho, indicando o caminho, vai apontando para as coisas, mostrando como elas são interessantes, bonitas, engraçadas. O menininho vai sendo apresentado ao mundo.

É assim que as coisas acontecem: os grande ensinam, os pequenos aprendem. As crianças nada sabem sobre o mundo. Também, pudera! Nunca estiveram aqui. Tudo é novidade. Alberto Caeiro tem um poema sobre o olhar (dele), que ele diz ser igual ao de uma criança:

O meu olhar é nítido como um girassol. (..)
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer, reparasse que nascera deveras
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do mundo.
 
O olhar das crianças é pasmado! Vêem o que nunca tinham visto! Não sabem o nome das coisas. O pai vai dando os nomes. Aprendendo os nomes, as coisas estranhas vão ficando conhecidas e amigas. Transformam-se num rebanho manso de ovelhas que atendem quando são chamadas.

Quem sabe as coisas são os adultos. Conhecem o mundo. Não nasceram sabendo. Tiveram de aprender. Houve um tempo quando a mãozinha rechonchuda era a deles. Um outro, de mão grande, os conduziu. O mais difícil foi aprender quando não havia ninguém que ensinasse. Tiveram de tatear pelo desconhecido. Erraram muitas vezes. Foi assim que os caminhos e rotas foram descobertos. Já imaginaram os milhares de anos que tiveram de se passar até que os homens aprendessem que certas ervas têm poderes de cura? Quantas pessoas tiveram de morrer de frio até que os esquimós descobrissem que era possível fabricar casas quentes com o gelo! E as comidas que comemos, os pratos que nos dão prazer! Por detrás deles há milênios de experimentos, acidentes felizes, fracassos! Vejam o fósforo, essa coisa insignificante e mágica: um esfregão e eis o milagre: o fogo na ponta de um pauzinho. Eu gostaria, um dia, de dar um curso sobre a história do pau de fósforo. Na sua história há uma enormidade de experimentos e pensamentos.

Ensinar é um ato de amor. Se as gerações mais velhas não transmitissem o seu conhecimento às gerações mais novas nós ainda estaríamos na condição dos homens pré-históricos. Ensinar é o processo pelo qual as gerações mais velhas transmitem às gerações mais novas, como herança, a caixa onde guardam seus mapas e ferramentas. Assim as crianças não precisam começar da estaca zero. Ensinam-se os saberes para poupar àqueles que não sabem o tempo e o cansaço do pensamento: saber para não pensar. Não preciso pensar para riscar um pau de fósforo.

Os grandes sabem. As crianças não sabem. Os grandes ensinam. As crianças aprendem.

Está resumido na fotografia: o de mão grande conduz o de mãozinha pequena. Esse é o sentido etimológico da palavra "pedagogo": aquele que conduz as crianças.

Educar é transmitir conhecimentos. O seu objetivo é fazer com que as crianças deixem de ser crianças. Ser criança é ignorar, nada saber, estar perdido. Toda criança está perdida no mundo. A educação existe para que chegue um momento em que ela não esteja mais perdida: a mãozinha de criança tem de se transformar em mãozona de um adulto que não precisa ser conduzido: ele se conduz, ele sabe os caminhos, ele sabe como fazer. A educação é um progressivo despedir-se da infância.

A pedagogia do meu querido amigo Paulo Freire amaldiçoava aquilo que se denomina ensino "bancário" os adultos vão "depositando" saberes na cabeça das crianças da mesma forma como depositamos dinheiro num banco. Mas me parece que é assim mesmo que acontece com os saberes fundamentais: os adultos simplesmente dizem como as coisas são, como as coisas são feitas. Sem razões e explicações. É assim que os adultos ensinam as crianças a andar, a falar, a dar laço no cordão do sapato, a tomar banho, a descascar laranja, a nadar, a assobiar, a andar de bicicleta, a riscar o fósforo. Tentar criar "consciência crítica" para essas coisas é tolice. O adulto mostra como se faz. A criança faz do jeito como o adulto faz. Imita. Repete. Mesmo as pedagogias mais generosas, mais cheias de amor e ternura pelas crianças, trabalham sobre esses pressupostos. Se as crianças precisam ser conduzidas é porque elas não sabem o caminho. Quando tiverem aprendido os caminhos andarão por conta própria. Serão adultos.

Todo mundo sabe que as coisas são assim: as crianças nada sabem, quem sabe são os adultos. Segue-se, então, logicamente, que as crianças são os alunos e os adultos são os professores. Diferença entre quem sabe e quem não sabe. Dizer o contrário é puro non-sense. Porque o contrário seria dizer que as crianças devem ensinar os adultos. Mas, nesse caso, as crianças teriam um saber que os adultos não têm. Se já tiveram, perderam ... Mas quem levaria a sério tal hipótese? Pois o Natal é essa absurda inversão pedagógica: os grandes aprendendo dos pequenos. Um profeta do Antigo Testamento, certamente sem entender o que escrevia - os profetas nunca sabem o que estão dizendo -, resumiu essa pedagogia invertida numa frase curta e maravilhosa: " ... e uma criança pequena os guiará"
(Isaías 11.6).

Se colocarmos esse moto ao pé da fotografia tudo fica ao contrário: é a criança que vai mostrando o caminho. O adulto vai sendo conduzido: olhos arregalados, bem abertos, vendo coisas que nunca viu. São as crianças que vêem as coisas - porque elas as vêem sempre pela primeira vez com espanto, com assombro de que elas sejam do jeito como são. Os adultos, de tanto vê-Ias, já não as vêem mais. As coisas as mais maravilhosas - ficam banais. Ser adulto é ser cego. Os filósofos, cientistas e educadores acreditam que as coisas vão ficando cada vez mais claras à medida que o conhecimento cresce. O conhecimento é a luz que nos faz ver. Os sábios sabem o oposto: existe uma progressiva cegueira das coisas à medida que o seu conhecimento cresce.
 
Vale mais a pena ver uma coisa sempre pela primeira vez que conhecê-Ia. Porque conhecer é como nunca ter visto pela primeira vez. As crianças nos fazem ver "a eterna novidade do mundo" (Fernando Pessoa).
 
Janucz Korczak, um dos grande educadores do nosso século - foi voluntariamente com as crianças da sua escola para a câmara de gás de um campo de concentração nazista -, deu, a um dos seus livros, o tÍtulo: Quando eu voltar a ser criança. Ele sabia das coisas. Era sábio. Lição da psicanálise: os cientistas e os filósofos vêem o lado direito. Os sábios vêem o avesso. O avesso é este: os adultos são os alunos; as crianças são os mestres. Por isso os magos, sábios, deram por encerrada a sua jornada ao encontrarem um menininho numa estrebaria ... No Natal todos os adultos rezam a reza mais sábia de todas, escrita pela Adélia: "Meu Deus, me dá cinco anos, me dá a mão, me cura de ser grande".

(Crônica do livro O AMOR QUE ACENDE A LUA de Rubem Alves)


Foto capturada AQUI 

23 de dez de 2013

<<Volver a sentir profundo como un niño frente a dios Eso es lo que siento yo en este instante fecundo>>.

Queridos(as) amigos(as) e leitores(as) do blog,

Eu e minha filha Cecília Alves nascemos no mês de dezembro, uma sagitariana do dia 04 e outra capricorniana do dia 24. Em 2013 ela fez dezessete anos, uma idade que considero especialmente linda e que às vezes, por força de encantamentos e poesias, os querubins nos levam de volta a ela.

“Volver a los diecisiete” de Violenta Parra é o presente que ofereço a vocês para comemorarmos juntos o meu aniversário.

 

Queridos(as) amigos(as) y lectores(as) del blog

Yo y mi hija Cecilia Alves nacimos en el mes de diciembre, ella del signo de sargitario nació dia 4, yo de capricornio nací dia 24. En 2013, ella ha hecho diecisiete años, una edad que me parece especialmente hermosa y a veces, por la fuerza de los encantos y de la poesía, los querubines nos llevan de nuevo a esa edad.

"Volver a los diecisiete" de Violeta Parra es el regalo que ofrezco a vosotros para celebrarmos juntos mi cumpleaños.

 

 

Volver a los diecisiete

Volver a los diecisiete después de vivir un siglo
Es como descifrar signos sin ser sabio competente,
Volver a ser de repente tan frágil como un segundo
Volver a sentir profundo como un niño frente a dios
Eso es lo que siento yo en este instante fecundo.

Se va enredando, enredando
Como en el muro la hiedra
Y va brotando, brotando
Como el musguito en la piedra
Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.

Mi paso retrocedido cuando el de ustedes avanza
El arco de las alianzas ha penetrado en mi nido
Con todo su colorido se ha paseado por mis venas
Y hasta la dura cadena con que nos ata el destino
Es como un diamante fino que alumbra mi alma serena.

Se va enredando, enredando
Como en el muro la hiedra
Y va brotando, brotando
Como el musguito en la piedra
Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.

Lo que puede el sentimiento no lo ha podido el saber
Ni el más claro proceder, ni el más ancho pensamiento
Todo lo cambia al momento cual mago condescendiente
Nos aleja dulcemente de rencores y violencias
Solo el amor con su ciencia nos vuelve tan inocentes.

Se va enredando, enredando
Como en el muro la hiedra
Y va brotando, brotando
Como el musguito en la piedra
Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.

El amor es torbellino de pureza original
Hasta el feroz animal susurra su dulce trino
Detiene a los peregrinos, libera a los prisioneros,
El amor con sus esmeros al viejo lo vuelve niño
Y al malo sólo el cariño lo vuelve puro y sincero.

Se va enredando, enredando
Como en el muro la hiedra
Y va brotando, brotando
Como el musguito en la piedra
Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.

De par en par la ventana se abrió como por encanto
Entró el amor con su manto como una tibia mañana
Al son de su bella Diana hizo brotar el jazmín
Volando cual serafín al cielo le puso aretes
Mis años en diecisiete los convirtió el querubín

Violenta Parra*


Volver a los diecisiete

Voltar aos 17 depois de viver um século
É como decifrar sinais sem ser sábio competente
Voltar a ser de repente tão fragil como um segundo
Voltar a sentir profundo como um menino diante de Deus
Isso é o que sinto neste instante fecundo

Vai se envolvendo, envolvendo
Como no muro a hera
E vai brotando, brotando
Como o musgo na pedra
Como o musgo na pedra, ai sim, sim, sim.

Meu passo retrocede quando o de vocês avança
O arco das alianças penetrou em meu ninho
Com todo seu colorido passeou por minhas veias
E até a dura corrente com a qual nos prende o destino
É como um diamante fino que ilumina minha alma serena

Vai se envolvendo, envolvendo
Como no muro a hera
E vai brotando, brotando
Como o musgo na pedra
Como o musgo na pedra, ai sim, sim, sim.

O que pode o sentimento não o pode o saber
Nem o mais claro proceder, nem o maior dos pensamentos
Tudo o muda num momento qual mago condescendente
Nos afasta docemente de rancores e violências
Só o amor com sua ciência nos torna tão inocentes

Vai se envolvendo, envolvendo
Como no muro a hera
E vai brotando, brotando
Como o musgo na pedra
Como o musgo na pedra, ai sim, sim, sim.

O amor é um turbilhão de pureza original
Até o feroz aminal sussura seu doce som
Detém os pergrinos, liberta os prisioneiros
O amor com seus esforços ao velho o torna criança
E ao mal só o carinho o torna puro e sincero

Vai se envolvendo, envolvendo
Como no muro a hera
E vai brotando, brotando
Como o musgo na pedra
Como o musgo na pedra, ai sim, sim, sim.

De par em par a janela se abriu como por encanto
Entrou o amor com seu manto como uma fraca manhã
Ao som de sua bela Diana fez brotar o jasmim
Voando qual serafim ao céu lhe pôs brincos
Meus anos em dezessete os converteu o querubim

Violenta Parra


violeta_parra-antologia-frontalViolenta Parra  - “Nasceu em San Carlos, província de Ñuble. Realizou seus estudos escolares até o segundo ano do secundário, abandonando-os em 1934, para trabalhar e cantar com seus irmãos em bares e circos, desenvolvendo uma importante carreira musical, como autodidata, a partir dos 9 anos. Ela pode ser considerada a mãe da canção comprometida com a luta dos oprimidos e explorados, tendo sido autora de páginas inapagáveis, como a canção ‘Volver a los 17’, que mereceu uma antológica gravação de Milton Nascimento e Mercedes Sosa. Outra de suas canções, ‘La Carta’, cantada em momentos de enorme comoção revolucionária, nas barricadas e nas ocupações, tem entre os seus versos o que diz ‘Os famintos pedem pão; chumbo lhes dá a polícia’. Mas suas canções não apenas são marcadas por versos demolidores contra toda a injustiça social. O lirismo dos versos de canções como ‘Gracias a la vida’ (gravada por Elis Regina) embalou o ânimo de gerações de revolucionários latino-americanos em momentos em que a vida era questionada nos seus limites mais básicos, assim como a letra comovedora de ‘Rin de Angelito’, quando descreve a morte de um bebê pobre: ‘No seu bercinho de terra um sino vai te embalar, enquanto a chuva te limpará a carinha na manhã’” (Veja mais AQUI).

Foto de Violeta Parra foi pacturada no link: http://www.89decibeles.com/blogs/randall-zuniga/latido-america-83-chile-violeta-y-herederos

22 de dez de 2013

“Aquelas mulheres”– a história de fé e solidariedade de escravas brancas judias. <<Aquelas mulheres>>– la historia de la fe y la solidaridad de esclavas blancas judías

Estimado(a) leitor(a),

Compartilho com você nesse domingo o belo e sensível documentário “Aquelas Mulheres”, dirigido por Matilde Teles y Verena Kael. Esse documentário narra a história das "polacas": mulheres da europa oriental trazidas como escravas brancas para o Brasil, nos séculos XIX e XX, por cáftens judeus. No Rio de Janeiro, apesar das conflituosas condições de vida, criaram um cemitério em Inhaúma e uma sinagoga.

Estimado(a) lector(a),

Comparto contigo en eso domingo el bello y sensible documental <<Aquelas Mulheres>>, dirigido por Matilde Teles y Verena Kael. Eso documental narra la historia de las esclavas blancas judías, llamadas “polacas”, que fuereon traídas a Rio por los cáftens desde final del siglo XIX; aqui ellas crearon una sociedad de ayuda mutua, una sinagoga y un cementerio, manteniendo su vínculo con la religion, a pesar de la práctica circunstancial de la prostitutión.

 

Aquelas Mulheres

Acesse o documentário AQUI

Visite el documental AQUÍ

 


Enviado por Romenia de Sousa em 22 de dezembro de 2013.

20 de dez de 2013

Em defesa das flores –Rubem Alves

Em defesa das flores 3

"Quero lhe fazer um pedido", disse a voz feminina do outro lado da linha. Era uma voz agradável, musical, firme - de uma mulher ainda jovem. "Sim?" - eu perguntei de forma Iacônico-psicanalítica, não sem uma pitada de medo. Muitos pedidos estranhos me são

feitos. "Eu queria que o senhor escrevesse uma crônica em defesa das flores ..." - Sorri feliz. As flores fazem parte da minha felicidade. Do outro lado da linha estava uma pessoa que amava as flores como eu. Na minha imaginação apareceram campos floridos: tulipas, girassóis, margaridas, trevos (sim, essa praga!).

Versinho da Emily Dickinson:

Para se fazer uma campina É preciso um trevo! uma abelha, um trevo, uma abelha e fantasia ... Masfaliando abelhas Basta a fantasia ... Sim, com trevos se fazem campinas floridas! - qualquer tipo de flor vale a pena ...

Aí ela se explicou: "Tenho dó das flores nas coroas funerárias. Eu queria que algo fosse feito para protegê-las, para impedir que aquele horror se fizesse a elas." Minha imaginação passou das flores livres dos campos para as flores torturadas dos velórios. Concordei com a Carolina (esse era o nome da mulher - jovem de oitenta anos). Não conheço nada de maior mau gosto que os velórios. Ali tudo é feio. Tudo é grosseiro. As urnas funerárias - falta a elas a implicidade de linhas. Parecem-se com essas mulheres que se cobrem ele bijuterias - pensando que assim ficam bonitas. Os suportes metálicos, então, são horrendos. O saguão elo velório do Cemitério da Saudade, até a Última vez que fui lá, estava cheio de frases graves e amedrontadoras do tipo: "Eterno e silencioso é o descanso dos mortos." Que coisa horrível!

Em defesa das flores 1

Pior que as piores visões do inferno! No inferno pelo menos há movimento. Mas no tal descanso eterno tudo é silencioso. A música e os risos estão proibidos. Eu ficaria louco na hora, teria impulsos suicidas. Mas a desgraça é que, estando eu já morto, me seria impossível dar cabo de minha vida.

Aos múltiplos horrores estéticos junta-se o horror das coroas de flores. Comparem a beleza de uma flor, uma única flor, um trevo azul de simetria pentagonal, com o horror de uma coroa. Olhando para a florinha do trevo meus pensamentos ficam leves, flutuam. Olhando para uma coroa meus pensamentos ficam pesados e feios. Numa coroa todas as flores deixam de ser flores. Elas não mais dizem o que diziam. Não mais são o que eram. Amarradas, contra a vontade, num anel artificial, do qual pendem fitas roxas com palavras douradas.

São, as coroas, de uma vulgaridade espantosa. Ali as não-flores só servem de enchimento para os nomes. Eu tenho uma teoria para explicar o horror estético dos velórios. Quem me instruiu foi a Adélia Prado. Diz ela:

No cemitério é bom de passear. A vida perde a estridência, o mau gosto ampara-nos das dilacerações.

E eu que nunca havia pensado nisso, na função terapêutica do mau gosto! Nem Freud pensou. A gente vai lá, com a alma doída, coração dilacerado de saudade, e o mau gosto nos dá um soco. A saudade foge, horrorizada, por precisar da beleza para existir - e o que fica no seu lugar é o espanto. Pronto! Estamos curados! O mau gosto exorcizou a dilaceração. Foi precisamente isto que aconteceu com uma amiga minha. Foi ao velório de uma pessoa querida para chorar. Aí o oficiante (se foi padre ou pastor não vou dizer) começou a falar. E as coisas que ele disse foram de tão horrível mau gosto que sua alma foi se enchendo de raiva por ele, e a dor pela amiga morta se foi.

Em defesa das flores 5

Os velórios são ofensas estéticas que se fazem aos mortos. Velórios deveriam ser belos. Camus, no seu estudo sobre o suicídio, diz que o suicida prepara o seu suicídio como uma obra de arte. Não sei se isso é verdade. Mas sei que cada um deveria preparar o seu velório como uma obra de arte.

“Beber o morto” - essa é a expressão que se usa em algumas regiões do Brasil para designar o ato de beber um gole de pinga em homenagem ao falecido. Costume certamente inspirado na eucaristia, que é o ritual no qual se bebe um copo de vinho em homenagem a Jesus Cristo. Acho que um velório deveria ser assim, uma refeição antropofágica em que se servem aquelas coisas que o morto mais amava.

Poderíamos, assim, definir um velório como um ritual no qual se serve a beleza que o morto gostaria de servir. Os vivos, amigos, têm de garantir que a sua vontade seja realizada.

Um conhecido, nos Estados Unidos, doou o seu corpo para a escola de medicina. Então, não haveria nem velório nem enterro. Ele - malandro - deixou uma soma de dinheiro para um jantar oferecido aos seus amigos. Eles se reuniram, comeram, beberam, conversaram, riram e choraram pela vida do amigo querido. Outro, também nos Estados Unidos, morreu no outono. No outono as folhas das árvores ficam vermelhas e amarelas, antes de caírem das árvores, mortas. O outono anuncia o velório do ano com uma beleza que não pode ser descrita. Pois ele pediu que seu ataúde fosse simples, rústico, tábuas nados as de pinheiro, que a sua esposa cobriu com um lençol branco em que folhas de outono, vermelhas e amarelas, haviam sido costuradas.

Em defesa das flores 4

Um velório deveria ter a beleza do outono, toda a beleza do último adeus. Os oficiantes teriam de ser os melhores amigos. Que sabem os profissionais da religião da beleza que morava naquele corpo? Quanto a mim, não desejo ser enterrado em ataúde. Sofro de claustrofobia. A idéia de ficar trancado numa caixa me causa arrepios. Acho a cremação um lindo ritual.

Neruda declarou que os poetas são feitos de fogo e fumaça. As cinzas, soltas ao vento, lançadas sobre o mar, colocadas ao pé de uma árvore, são símbolos da leveza, da liberdade e da vida. Teria de haver música, do canto gregoriano ao Milton. E poesia. Nada de poesia fúnebre. Cecília Meireles para dar tristeza.  Fernando Pessoa para dar sabedoria. Vinicius de Moraes para falar de amor. Adélia Prado para fazer rir. E Walt Whitman para dar alegria. E comida. De aperitivo, Jack Daniel's. Ainda vou contar a estória do Jack - estória de amizade. Comida de Minas. De entrada, sopa de fubá com alho, minha especialidade. Depois, frango com quiabo, angu e pimenta, a mais não poder. E, de sobremesa, minhas frutas favoritas, se sua estação for: caqui, manga, jabuticaba, banana-prata bem madura.

 

Em defesa das flores 2

Coroas de flores mortas, nem pensar! Pedirei aos que me amam que semeiem flores em algum lugar - um vaso, um canteiro, a beira de um caminho. Se não for possível, que distribuam pacotinhos de sementes entre as crianças de alguma escola, entre os velhos de algum asilo. E, se for possível, uma árvore. Ah! Que linda prova de amor é plantar uma árvore para que alguém amado, ausente, possa se assentar à sua sombra. Se você for primeiro do que eu, Carolina, prometo: não mandarei coroa. Mas plantarei uma flor.

 


Referência: “Amor que acende a lua” – Rubem Alves

Fotos capturadas no link da Uol Notícias

16 de dez de 2013

Seminário em celebração aos vinte anos de fundação do Movimento

CONVITE

O Movimento Pelo Fim da Violência e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes/RS tem a imensa satisfação de convidá-lo para o Seminário que fará realizar em celebração aos seus vinte anos de fundação. Tal evento será no dia 20 de dezembro, 6ª feira, das 13h30min às 18h, no Plenarinho da Assembleia Legislativa, 3º andar, com a seguinte pauta:

13h30min – Acolhida e credenciamento.

14h - Movimento Pelo Fim da Violência e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes/RS – Retrospectiva: 20 anos passados a limpo – Mariza Alberton e a participação da Ministra Maria do Rosário, fundadora do Movimento.

15h – Jornada Estadual contra a Violência e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes/RS – relato de uma experiência exitosa em 11 anos.

15h20min – Apresentação do Fórum Estadual de Adolescentes e Jovens no Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes/RS.

15h30min - Comitê Estadual de Enfrentamento à Violência e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes/RS - exposição de sua realidade, ações desenvolvidas em 2013, planos e desafios para 2014 – Alessandra Rycheski, coordenadora estadual.

16h – Relato de uma vida - dor e superação - a incrível trajetória de uma sobrevivente de incesto,  por Angela Chaves.

Apresentação do livro “Lágrimas de Silêncio - a história de Angélica, violentada, abusada e prostituída. Uma sobrevivente do incesto”.

Mesa de debates – Martha Narvaz, psicóloga e Iara Duarte, assistente social.

17h15min – Autógrafos na Praça.

A comercialização do livro “Lágrimas de Silêncio”, de autoria de Angela Chaves, no valor simbólico de R$ 20,00, e a sessão de autógrafos serão na Praça da Matriz, próximo à Assembleia Legislativa.

Sua presença é imprescindível ! Aguardamos você.

Mariza Alberton, coordenadora

15 de dez de 2013

“Hamba Kakuhle, Tata Madiba” (“Vá bem, pai Madiba”, em tradução livre).

 

O coro musical Soweto Gospel Choir, da África do Sul, preparou um flash mob em homenagem ao ex-presidente Nelson Mandela. Vestidos como funcionários de um supermercado em Soweto, os membros do grupo começaram a entoar, um a um, a canção ‘Asimbonanga’, dedicada ao líder.

A canção foi composta pelo músico sul-africano Johnny Clagg durante os anos 1970, quando Madiba ainda estava na prisão. A letra diz: ‘Não vimos ele/ Não vimos Mandela/ No lugar onde ele está/ No lugar onde ele é mantido’” (Pragmatismo Político).

 

Abaixo “Asimbonanga” interpretada por  Johnny Clegg e presença de Nelson Mandela

 

 


Colaboração: Pefil de Facebook de Verônica Alencar em 14 de dezembro de 2013.

13 de dez de 2013

Documental: <<Nelson Mandela - En nombre de la Libertad”>>

“Los jóvenes lo admiran por que es la corporizacíon de la emocionante vitoria de la justicia sobre la brutalidad, de la esperanza sobre la resignación y la vida sobre la sumisión”.

 

10 de dez de 2013

“Ser pequeno não serve ao mundo”. “Optar por la mezquindad no sirve al mundo.” (Marianne Williamson)

 

Fragmento do livro A Return to Love” de Marianne Williamson, resgatado por Nelson Mandela para seu discurso inaugural como presidente de Sudáfrica.


 

Pasaje del libro “A Return to Love” de Marianne Williamson, resgatado por Nelson Mandela para su discurso inaugural como presidente de Sudáfrica.

“Invictus” - poema que inspirou Mandela

 

8 de dez de 2013

“Longa jornada noite adentro. O amanhecer!”

Comissão da Verdade e Reconciliação

“Tendo encarado a besta do passado olho no olho, tendo pedido e recebido perdão e tendo feito  correções, viremos agora a páginanão para esquecer esse passado, mas para não deixar que nos aprisione para sempre. Avancemos em direção a um futuro glorioso de uma nova sociedade em que as pessoas valham não em razão de irrelevâncias biológicas ou de outros estranhos atributos, mas porque são pessoas de valor infinito, criadas à imagem de Deus”.

Desmond Tutu

 


Estimado(a) leitor(a),

Deixo com você nesse domingo o impactante documentário “Longa jornada noite adentro. O amanhecer!” Após o fim do Regime do Apartheid a África do Sul tinha que se reconstruir como nação em meio aos escombros de um terrível passado de violações dos Direitos Humanos.  Nesse cenário de profundas feridas uma questão se apresentava com urgência: como lidar com os crimes cometidos pelo regime do Apartheid e pelos membros dos grupos e partidos de resistência? A opção do governo da África do Sul foi surpreendente, sob a coordenação do arcebispo Desmond Tutu ele instituiu a “Comissão da Verdade e Reconciliação”. Todos os pedidos de anistia encaminhados à “Comissão da Verdade e Reconciliação” eram considerados caso a caso em troca da verdade. O documentário “Longa jornada noite adentro. O amanhecer!” relata  4 casos  apresentados nessa  comissão.

Dos acertos e dos erros da “Comissão da Verdade e Reconciliação”, acredito que temos muito que aprender com a Coragem do povo Sul Africano!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Leia abaixo alguns artigos que refletem sobre a Comissão da Verdade e Reconciliação instituida na Àfrica do Sul

 

O Processo de Reconciliação na África do Sul

Sobre o intraduzível: sofrimento humano, a linguagem de direitos humanos e a Comissão de Verdade e Reconciliação da África do Sul

 O significado de Mandela para o futuro ameaçado da humanidade


Foto capturada no link: http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/tag/comissao-nacional-da-verdade/

7 de dez de 2013

Nelson Mandela, meu grande herói!

“Conseguimos a paz ainda de pé, não ajoelhados” (Nelson Mandela)

 

“Ele era o inimigo público número 1.

Perseguido pela polícia.

Temido pelo governo

Revolucionário

Foragido

Rebelde

Lutador

Radical

Libertador

Meu nome é Nelson Mandela”

 

 

Vale a pena conferir os artigos abaixo!

Chora por Mandela, mas acha um absurdo pobre querer os mesmos direitos

A maior homenagem que os brasileiros podem fazer a Mandela é acelerar o sistema de cotas

2 de dez de 2013

Sugestões para lidar com as “birras” infantis sem violência

Birra de criança 2

Por Renata Penna

Eu não gosto da palavra ‘birra’. Confesso. Tenho uma certa ‘birra’ com ela (rá!). Porque acho que ela já carrega consigo uma imensa carga de preconceito, como se a criança fosse culpada por comportar-se de uma maneira que a sociedade desaprova, envergonhando seus pais e cuidadores. Como se crianças que fazem ‘birra’ merecessem o rótulo imediato de monstrinhos mimados, mal educados, desobedientes, reinadores e todos os outros nomes que as pessoas acham de inventar para nomear a criança que faz uma, digamos, ‘birra’.

Mas para além das implicâncias semânticas, vamos aos fatos: podemos chamar como quisermos – birra, manha, chilique, ataque, crise, descontrole, mas arrisco dizer sem medo de estar equivocada que toda criança protagoniza uma cena dessas de vez em quando. Ao menos uma vez na vida? Se disser que não, que nunca, que de jeito algum, das duas uma: ou a lógica que impera na família é a da disciplina militar, ou esse serzinho deve ter vindo mesmo de outro planeta.

Os choros, os gritos e tudo mais que faz parte do pacote costuma colocar pais e cuidadores em maus lençóis. Como lidar com a criança que, totalmente descontrolada, se desfaz em lágrimas e escândalos aos seus pés? É nessa hora que o registro cultural da violência, passado de geração em geração, aparece com força total: o impulso é o de reprimir com agressividade (física ou verbal), e num piscar de olhos esse impulso pode ganhar força e ficar bem difícil de controlar.

Para nós, como família, agredir nossas filhas, seja verbal ou fisicamente, é algo que está totalmente fora de cogitação. Simplesmente não é uma opção, não é aceitável e não pode fazer parte do nosso repertório de soluções para as situações difíceis. Uma educação não violenta, aqui, não é optativa – faz parte do mínimo que acreditamos que devemos proporcionar a elas, como pai e mãe. Por isso, fomos forçosamente aprendendo ao longo do tempo a lidar com essas situações delicadas lançando mão de artifícios que tivessem como base o acolhimento, a amorosidade e o respeito pelos sentimentos da criança.

Não, nem sempre é fácil. Eu desafiaria um monge budista a manter a calma e a serenidade absolutas durante todo o tempo, diante de uma criança em um ataque de ‘birra’. É exaustivo, muitas vezes. Exige uma grande dose de auto observação, um outro tanto de autocontrole e ainda um bocado de autocrítica. É um processo, um aprendizado. Mas é possível.

Como mãe de três, fui aprendendo algumas estratégias que dão certo, e costumam ajudar nestes momentos. E como a gente abre picada pra quem vir atrás passar mais fácil pela trilha, seguem aí algumas regrinhas bacanas para essas horas de conflito, que costumam funcionar por aqui:

1. Ter em mente quem é a criança, e quem é o adulto

Muitas vezes, diante de uma ‘birra’ de nossos filhos, agimos com tanta ou mais infantilidade do que eles. Nessas horas, é importante lembrar que nós somos os adultos da situação, e por isso podemos olhá-la com mais discernimento, e conseguimos controlar nossas atitudes com mais maturidade (ou pelo menos deveríamos). Na hora da birra, não entre em disputa com seu filho para descobrir quem consegue irritar quem com mais eficiência. As crianças ainda estão aprendendo a lidar com as situações difíceis da vida, e para isso precisam da ajuda de alguém com a cabeça no lugar.

2. Ajudar a criança a nomear seus sentimentos

A imaturidade emocional da criança, para quem lidar com o outro, com o mundo e com os próprios sentimentos, é um aprendizado diário (e para nós, adultos, tantas vezes ainda não é?), às vezes impede que ela compreenda com clareza as sensações que lhe bagunçam por dentro e lhe fazem reagir desta ou daquela maneira. Ajude seu filho a olhar para si e entender o que se passa. Dar nome aos sentimentos, fazendo perguntas e questionamentos sensíveis e delicados, e estimular a criança a nomear o que sente pode ajudá-la a organizar-se internamente, e tranquilizar-se como consequência.

3. Demonstrar empatia

Não desvalorize os sentimentos do seu filho, nem diminua a importância que o motivo da crise tem para ele. Você pode não compreender seus porquês, mas deve respeitá-los, porque ele é uma pessoa diferente de você. Nunca tente tirar uma criança da crise dizendo que “não é nada” – se não fosse nada, a ‘birra’ não estaria acontecendo. O ‘chilique’, por si só, já é prova da importância que a situação tem para o seu filho, portanto demonstre que você respeita seus sentimentos e quer ajudá-lo a lidar com eles da melhor maneira possível.

4. Dê carinho

Quando passamos por uma situação desagradável, qualquer que seja ela, poucas coisas nos confortam tanto quanto o acolhimento das pessoas que nos querem bem. Um abraço apertado, um aperto de mão ou um cafuné fará a criança perceber que não está sozinha e, principalmente, que não deixou de ser amada por ter agido assim ou assado. Quando você acolhe seu filho nas horas mais delicadas, está ensinando a ele que o amor não é mercadoria que se dá e tira quando bem se entende, e que o amor não julga e não impõe condições. Algumas crianças recusam o acolhimento físico em um primeiro momento – e só a sua experiência pessoal dirá se é a hora de insistir ou não -, mas faça-a sentir que o amor está presente, como sempre esteve.

5. Deixe que a criança se expresse e extravase o que sente

Guardar as coisas só para si, sem manifestar o que nos dói, entristece ou desagrada, acaba em somatizações e consequências negativas, tanto emocionais quanto físicas. Na hora da ‘birra’, permita que a criança coloque a raiva, a frustração, a tristeza, a indignação ou qualquer outro sentimento que tenha levado ao descontrole, para fora, onde ela pode ser trabalhada para se transformar em algo produtivo. Para algumas crianças, a expressão física do sentimento negativo ajuda bastante: socar travesseiros pode ser uma ótima forma de extravasar e descarregar a energia negativa que se acumulava do lado de dentro.

6. Peça ajuda

Se você notar que está a ponto de perder o controle e agir de um jeito que não gostaria diante da crise, não se acanhe em pedir ajuda. Quem está do lado de fora às vezes vê a situação com mais tranquilidade e clareza, e pode perceber detalhes e possibilidades que, no calor do momento, tenham passado despercebidas para você. Colocar outra pessoa no diálogo pode dispersar a energia acumulada e colaborar para que todos recuperem a calma e a capacidade de resolver o conflito.

7. Afaste-se

Às vezes, quando estamos perigosamente perto de uma explosão, a melhor pedida é uma saída estratégica. Com crianças de uma certa idade, já é possível avisar que você precisa de um tempo para se acalmar, porque a situação do jeito que está não vai caminhar para lugar nenhum. Vá para um banheiro ou um canto mais tranquilo, jogue uma água no rosto, respire fundo, conte até cem. Olhe para dentro de você para relembrar em que você acredita, e de que maneira gostaria de resolver aquele impasse. Parece incrível, mas muitas vezes alguns poucos minutos de afastamento podem ajudar você a recobrar as forças e retornar ao seu centro, e então voltar para lidar com a situação com as energias renovadas.

8. Dê o exemplo

Seja o espelho de que a criança precisa. Se você não quer que ela grite, não faz sentido gritar com ela. Se você quer que ela mantenha a calma, de nada adiante arrancar os cabelos e chorar em desespero (se for preciso, lance mão da dica 7, e faça isso em um canto tranquilo, para voltar depois). Mantenha a calma, fale baixo, use palavras carinhosas e aja com respeito, para que a criança possa compreender que com serenidade a situação se resolverá mais facilmente. Lembre-se: “children see, children do”.

9. Repita o velho mantra da maternidade: “isso passa”

Acredite: seu filho não estará tendo chiliques e ataques incontroláveis de ‘birra’ às vésperas do vestibular. A vida dos pequenos é feita de fases, esta é uma delas. E é muito importante para que ele aprenda a se conhecer, a lidar com seus sentimentos e a interagir com o mundo. Essa é uma caminhada para a vida toda, e seu filho não precisa de você como um inimigo nessa jornada, mas como seu melhor aliado.

 


Fonte: MAMÍFERAS em 28 de outubro de 2013

Colaboração do perfil de Márcia Oliveira em 02 de dezembro de 2013.