22 de jul de 2014

Rubem Alves - “acima de tudo um grande defensor das crianças”

Adeus meu professor de sensibilidade!

"Sempre fui louco por jardins, uns acham que eu não acredito em Deus. Como não acreditar em Deus se há jardins? Um jardim é a face visível de Deus e essa face me basta".

"Vivi muito tempo no mundo acadêmico. O mundo acadêmico é um lugar perigoso, dá medo. É muito difícil viver na universidade e continuar a cultivar os próprios pensamentos. É muito mais seguro ficar moendo os pensamentos dos outros".

"Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas. Escolas que são gaiolas existem para pássaros desaprenderem a arte do voo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle, deixaram de ser pássaros porque a essência dos pássaros é o voo".

"A inteligência é igual a um pênis. Um órgão excretor, flácido, ridículo, depressivo, está sempre olhando para o chão. Mas se for provocado ele sofre transformações hidráulicas extraordinárias, assume a forma de um foguete intercontinental porque dá vida e prazer. A inteligência é a mesma coisa. Não é que o aluno não seja inteligente. É que o professor que não fez o trabalho de estimular esse órgão que se chama inteligência".

"A primeira tarefa da educação é ensinar a ver. É através dos olhos que as crianças tomam contato com a beleza e o fascínio do mundo".

Rubem Alves

 


Estimado(a) leitor(a), o blog EDUCAR SEM VIOLÊNCIA fará um breve recesso até o dia 20 de agosto. Tudo por causa de um merecido descanso, abraços carinhosos a todos e todas!!!

15 de jul de 2014

Bater não educa ninguém! Práticas educativas parentais coercitivas e suas repercussões no contexto escolar - Naiana Dapieve Patias; Aline Cardoso Siqueira; Ana Cristina Garcia Dias

PlanetariodeSantaMaria

Divulgando o relevante trabalho das pesquisadoras Naiana Dapieve Patias, Aline Cardoso Siqueira e Ana Cristina Garcia Dias – Universidade Federal de Santa Maria

RESUMO

O objetivo deste artigo é refletir sobre os efeitos das práticas educativas coercitivas para o desenvolvimento da criança e do adolescente, buscando compreender sua influência no comportamento e na aprendizagem em ambiente escolar. A partir da análise assistemática de estudos sobre o tema, foi possível compreender que as estratégias coercitivas que se utilizam da força física para educar estão associadas a resultados negativos no desenvolvimento humano da criança e do adolescente, como comportamentos agressivos e baixa autoestima, constituindo-se em risco ao desenvolvimento saudável. Contudo, tais práticas são compartilhadas socialmente e consideradas naturais pelas famílias, não havendo, muitas vezes, o conhecimento de outras formas de educar. Sendo a escola um importante ambiente de interação das crianças, ela tem sido chamada a engajar-se nessa temática. Assim, discutem-se formas de instrumentalizar os profissionais da educação para a identificação dos casos de uso de estratégias coercitivas e violência física na educação dos filhos, como também ações preventivas junto aos estudantes e à comunidade. Para que o propósito seja alcançado, órgãos responsáveis pela defesa dos direitos da criança e psicólogo escolar poderão atuar juntamente com a escola, auxiliando-a nesse processo. O psicólogo pode trabalhar com os pais no sentido de apresentar formas de educar que não passem pela perspectiva da violência, prevenindo, assim, danos ao desenvolvimento e comportamentos que dificultam a aprendizagem. Fomentar reflexões sobre essa problemática fará com que os valores da educação sem violência tomem espaço nas famílias, contribuindo para que as crianças tornem-se adultos saudáveis no futuro.

Palavras-chave: Educação - Família - Escola - Prática coercitiva.

Acesse o artigo completo AQUI


Naiana Dapieve Patias - Especialista em Criança e Adolescente em Situação de Risco pelo Centro Universitário Franciscano (UNIFRA) e mestre em Psicologia pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). E-mail: naipatias@hotmail.com. Universidade Federal de Santa Maria

Aline Cardoso Siqueira - Doutora em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e docente do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). E-mail: alinecsiq@gmail.com. Universidade Federal de Santa Maria

Ana Cristina Garcia Dias - Doutora em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP) e docente da Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Universidade Federal de Santa Maria

Foto do Planetário da Universidade Federal de Santa Maria (RS)

12 de jul de 2014

Te convido a uma viagem à exuberância musical do ThePianoGuys - Te invito a un viaje a la exuberancia musical del ThePianoGuys

"Sem música a vida seria um erro”.

"Sin música la vida sería un error".

Friedrich Nietzsche

 

 

 

 

 

 

 

 

 


“Que música belíssima ouço no profundo de mim. É feita de traços geométricos se entrecruzando no ar. É música de câmara. Música de câmara é sem melodia. É modo de expressar o silêncio”.

Qué hermosísima música escucho en lo profundo de mí. Está hecho de trazos geométricas se entrecruzando en el aire. Es música de cámara. La música de cámara es sin melodía. Es forma de expresar el silencio”.

Clarisse Lispector

 

10 de jul de 2014

Conselho Regional de Psicologia 09 (GO\TO) apoia a aprovação da “Lei Bernardo”

Data Publicação: 09/07/2014

O Conselho Regional de Psicologia 9ª Região – Gestão: CRP Forte: Fortalecendo a Profissão – comemora a aprovação da Lei nº 7672/2010, que ficou conhecida como “Lei da Palmada” e agora ganha o nome de “Lei Menino Bernardo”, e que estabelece o direito da criança e do adolescente de serem educados e cuidados sem o uso de castigos corporais ou tratamento cruel e degradante. O novo nome é uma homenagem ao menino Bernardo Boldrini, de 11 anos, que foi encontrado morto no último mês de abril, no Rio Grande do Sul.

O CRP-09 defende uma educação familiar livre de práticas violentas. Em 2011, publicamos uma Carta de Apoio à “Rede não Bata Eduque”, em apoio à aprovação do então projeto de lei.

Clique aqui e veja a nota.

7 de jul de 2014

"ALFORRIA PELO SENSÍVEL - CORPOREIDADE DA CRIANÇA E FORMAÇÃO DOCENTE" – Tese completa

En el día 8 de julio de 2012 aterricé en una tierra extraña. Por la primera vez vivi la experiencia de caminar con pies desarraigados. Estaba solo, lejos de todo lo que me dio identidad y pertenencia.

El mar - frontera líquida entre el viejo y el nuevo mundo, marcó la distancia de mis mayores afectos: hijas, familia, amigos .... llegué en eso suelo pisando pasos pequeños. Todavia ellos de pronto cambiaron de ritmo, pues ya en los primeros días de mi llegada fui involucrada en una red suave de afecto y cuidado.

Compartir con ustedes el texto completo de mi tesis en este día es la forma que encontré de agradecer a las personas que me acogieron en Barcelona. Estas personas no sabían de mis valores, ideales y deseos. Y, sin embargo, sin mucho cuestionamiento, ofrecieron lo mejor de si mismo y me incluyeron en su vida cotidiana como si fuera uno de ellos

Gracias mi directora Núria Rajadell Puiggròs y mi amigo Eduard Canals Andreu!

 

El texto completo de la tesis "ALFORRIA PELO SENSÍVEL - CORPOREIDADE DA CRIANÇA E FORMAÇÃO DOCENTE".

Visite el enlace aquí

 


No dia 8 de julho de 2012 desembarquei em uma terra estranha. Pela primeira vez vivi a experiência de caminhar sem raízes nos pés. Estava só, longe de tudo que me conferiam identidade e pertença.

O mar - fronteira liquida entre o velho e novo mundo, demarcava a distância dos meus maiores afetos: filhas, familiares, amigos.... Cheguei nesse chão pisando passos miúdos. Que logo mudaram de compasso, pois já nos primeiros dias de minha chegada fui envolvida em uma macia rede de carinho e cuidado.

Compartilhar com vocês o texto completo de minha tese nesse dia é uma maneira que encontrei de agradecer as pessoas que me acolheram em Barcelona. Essas pessoas não conheciam meus valores, ideias e desejos. E mesmo assim, sem muito perguntar, ofereceram o melhor de si e me incluíram em seu cotidiano como se eu fosse um dos seus

Obrigada amigas Camila Fernanda Saraiva e Maria Dolores Fortes Alves

 

O texto completo da tese "ALFORRIA PELO SENSÍVEL - CORPOREIDADE DA CRIANÇA E FORMAÇÃO DOCENTE".

CLIQUE AQUI

6 de jul de 2014

Celebro el cumpleaños de Frida Kahlo con las fotos de Nickolas Muray*

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“Escoge un amante que te mire como si quizás fueras magia

Frida Kahlo

 

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“Tú mereces lo mejor de lo mejor porque, tú eres una de esas pocas personas que, en este mísero mundo siguen siendo honestas consigo mismas y esa es la única cosa que realmente cuenta.”

Frida Kahlo

 

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Frida Kahlo y Nickolas Muray

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Fonte: site Nickolas Muray

5 de jul de 2014

Quando crescer vou ser o que eu querer! Diane Valdez

Adestradora de Cavalos

 

Vamos combinar! Gente grande tem 'adultices' difíceis de qualquer criança suportar!

Primeiro, é um tal de ficar querendo abraçar e beijar a gente! Não podem ver um ser infantil que vão logo ordenando:

- Oi cuti cuti, dá um abraço aqui, dá um beijinho...

Puxa, será que não dá para entender que não somos obrigadas a beijar ou abraçar todo mundo a todo momento?

Outra coisa estranha é a mania que muitos têm de querer ficar examinando a gente, pegando, apertando as bochechas e opinando:

- Ai fofucha, como você cresceu! Outro dia era um bebê! Tá uma mocinha!!

Para, por favor! Criança cresce igual mamão, algumas crescem mais, outras menos. Qual é a novidade? Desconfiem...

Diante de tanta amolação é difícil escolher o que é mais chato, aliás, tem algo que é muito canseira: a insistência de perguntar o que a gente vai ser quando crescer. Ô, fala sério, essa é a que podemos classificar de pergunta TSNU: Tipo Sem Noção Universal!

Sabe porque eu acho sem graça ter que ficar falando sobre o que eu vou ser quando crescer? É porque cada dia eu penso em ser uma coisa. Aí, os maiores, que se acham bem resolvidos, ficam rindo disfarçado com o canto da boa, achando que a gente não sabe o que quer. É como se fosse proibido mudar de ideia, como se não fosse permitido querer ser uma coisa e mais adiante querer ser outra coisa.

A primeira coisa que eu pensei em ser quando crescer foi ser mãe! Mudei de ideia quando me falaram que ser mãe não era profissão e sim opção. Tive mais certeza ainda de que esta não era uma boa escolha ao ver minha mãe quando meu irmão nasceu. Era muito trabalho e quase nada de diversão!

No aniversario da Paloma, ao ver um tipo com cartolas, coelhos, lenços, moedas, coisas sumindo e surgindo, decidi prontamente o meu futuro: MÁGICA! Não! Eu não seria ajudante de mágico homem não! Eu seria uma mágica famosa dona de truques inigualáveis! Ai, que fascinante!

Um dia, vendo o jornal, resolvi que seria a moça do tempo da televisão! Imaginem, além de usar roupas e maquiagens bonitas, eu teria o super poder de adivinhar se ia fazer frio, calor, se ia chover, se não ia. Ficava imaginando as pessoas me parando na rua e perguntando: - Moça do tempo, que dia vai chover? Aí eu, bem simpática, pensava e respondia: - Amanhã no final da tarde... Puxa, que autoridade!

Mudei de ideia no dia que fui ao parque de diversões e vi a moça de unhas pintadas de azul que trabalhava na bilheteria. Não pensei em outra coisa durante dias: eu seria bilheteira de parque de diversões!! Não havia um lugar melhor para trabalhar: do ladinho de todos aqueles brinquedos e guloseimas... Ah! Era perfeito!

Mas, foi na colônia de férias que, após ficar encantada com o treinamento dos bombeiros fazendo salvamentos, ensinando primeiros socorros, truques de sobrevivência e outras importâncias grandes, escolhi o que, definitivamente, eu seria: uma charmosa bombeira!! Viveria de glórias e de heroísmo!

Contudo, um dia, ao sair do cinema, descobri outra coisa bacana que combinava direitinho comigo: criadora de desenhos animados! Era a profissão da hora! Deveria ser tudo de bom ficar só por conta de criar, desenhar, inventar animações coloridas, divertidas e cheias de surpresas. Nunca me aborreceria!

Só que no dia que minha vó me ensinou fazer bolo de fubá, eu sem vacilar, resolvi decidida: seria chefe de cozinha! Claro, não faria pratos com cebolas, pimentas, espinafres etc. Seria assim, tipo uma especialista internacional em doçuras. Inventaria sabores e formas diferentes de maçã do amor, brigadeiro, cocada... Que doce vida!!

No dia que fui ao zoológico, percebi que era preciso muita coragem para levar o almoço do tigre, leão, urso, onça e um tanto de outros bichos. Como coragem não me faltava, cheguei em casa, peguei minhas canetinhas fosforescentes e fiz um cartaz com meu nome, em letras onduladas, e embaixo meu futuro trabalho: “Alimentadora de animais ferozes”. Profissão fera!

Caramba, se eu fosse contar o tanto de coisas que já decidi ser não caberia aqui: cabeleireira de cachorros, maquinista de trem, contadora de histórias, apresentadora de circo, motorista de trator, salva vidas de lago, pintora de automóveis e tantas, mas tantas outras coisas legais.

Tá vendo porque não dá para responder uma pergunta tão grande dessa com uma resposta pequena? Além do mais tenho um mundo pela frente, porque teria que decidir meu futuro assim de uma hora para outra?

Por isso que eu digo e repito: não me pressionem! Me deixem livre para escolher o que quero ser com calma. Afinal sou eu que vou ser e não você...

Assinado: a futura adestradora de cavalos selvagens....

3 de jul de 2014

Sim, jogadores choram e homens também sentem

choro de Davi lindo Luiz

 

Por Jarid Arraes

No último dia 28, quando houve o jogo entre Brasil e Chile, a torcida estremeceu com medo da seleção brasileira não passar para a próxima etapa. As sensações de temor, insegurança e ansiedade, tão comuns diante de um jogo onde quem perde é desclassificado, acabam revelando os valores e opiniões que as pessoas carregam. No calor do momento, quando não há filtros e moderação da própria fala, ficam evidentes os preconceitos de cada indivíduo.

Os jogadores foram reprovados pela mídia e pela crítica porque se emocionaram e choraram, desde o toque do hino nacional até a tensão dos pênaltis. Parece que não há qualquer empatia com relação à pressão exercida sobre o time, a responsabilidade que levam nas costas por jogarem em casa e o medo de decepcionar a tão exigente torcida brasileira. Além, claro, da própria ponderação individual de cada jogador sobre suas conquistas pessoais. Ao final do jogo, o goleiro Julio César deu uma entrevista sentida, de quem tenta há muito tempo superar cobranças e supostos fracassos; é, afinal de contas, apenas um homem tentando provar seu trabalho e dar a volta por cima.

O problema é que, machistas como são, muitos torcedores exigem que os jogadores sejam “machos”, “masculinos” e “viris”, que sejam verdadeiros blocos de concreto que jamais demonstram insegurança e sensibilidade. Para eles, demonstrar sentimento daquele modo é coisa de gente “desequilibrada emocionalmente” ou “coisa de mulher”. Muita gente acha que os homens da seleção brasileira precisam aparentar frieza, pois assim vão provar segurança. Outras pessoas acham que há a necessidade de mais “agressividade”, para que os adversários acabem intimidados. Felizmente para os jogadores, não é preciso sair empurrando, xingando e mordendo o outro time para provar dignidade ou para erguer a taça ao final. Nenhum homem – e, portanto, nenhum jogador – tem obrigação de se transformar em uma pessoa que ele não é para provar sua força. Há muitas maneiras de ser forte – e ser machista não é uma delas.

Quem acredita que frieza e agressividade são equivalentes a masculinidade está apenas reproduzindo a cultura da brutidão, da competitividade violenta e da falta de empatia pelo outro, uma exigência social que acaba machucando também os próprios homens. A seleção brasileira não está fraquejando somente porque os jogadores derrubaram lágrimas (alguém está contando qual a média “normal” de gotas?), e apenas alguém com pouca inteligência emocional poderia pensar o contrário. Em pleno ano de 2014, é muito preocupante que tantas pessoas se sintam tão desconfortáveis e incomodadas ao verem homens chorando. Achar que homem não deve chorar, afinal, é um dos maiores e mais milenares clichês da nossa cultura misógina.

Já passou da hora de acabar com essa fiscalização da masculinidade no futebol. Demonstrar sensibilidade não é demérito e chorar não é instabilidade. Desequilibrados são aqueles que engolem os próprios sentimentos e prendem o choro, tornando-se pessoas amarguradas e reprimidas. Há uma beleza profunda nas cenas de abraços emocionados e carinhos trocados entre os jogadores brasileiros, que choram do estádio enquanto quem torce chora de casa. Na vitória ou na derrota.


Fonte: Forum na Copa, em 30 de junho de 2014.

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

1 de jul de 2014

Como disciplinar os filhos – Revista Sentinela

“Eu ouvia impaciente cada carro que passava. Já era a terceira vez que Jordan não voltava para casa no horário combinado. ‘Onde ele está?’, eu me perguntava. ‘Será que aconteceu alguma coisa? Ele faz ideia de como estamos preocupados?’ Quando ele chegou, eu estava a ponto de explodir.” — GEORGE.

“Minha filha deu um grito que me assustou. Quando me virei, vi que ela estava chorando e com a mão na cabeça. Meu filho de 4 anos tinha batido nela.” — NICOLE.

“‘Eu não roubei. Eu encontrei esse anel!’, disse Natalie, nossa filha de 6 anos, com um olhar de inocência. Ela insistiu tanto nisso que ficamos muito tristes e até choramos. Nós sabíamos que ela estava mentindo.” — STEPHEN.


SE VOCÊ tem filhos, já se sentiu como esses pais? Ao se deparar com situações parecidas, você talvez se pergunte como disciplinar seu filho, ou até mesmo se deve fazer isso. É errado disciplinar os filhos?

 

O QUE É DISCIPLINA?

Na Bíblia, a palavra “disciplina” não é sinônimo de punição. Disciplina tem a ver principalmente com instrução, educação e correção. Nunca está relacionada a maus-tratos ou crueldade. — Provérbios 4:1, 2.

A disciplina pode ser comparada à jardinagem. Um jardineiro prepara o solo, rega e nutre a planta, e a protege contra insetos e ervas daninhas. À medida que a planta cresce, o jardineiro talvez tenha de podá-la para que ela cresça na direção correta. O jardineiro sabe que precisa conciliar o uso de várias técnicas para que a planta cresça saudável. De forma parecida, os pais empregam vários métodos para criar seus filhos. Mas às vezes é necessário aplicar disciplina — que, assim como a poda, pode corrigir tendências erradas já de início e ajudar os filhos a crescer na direção correta. No entanto, a poda deve ser feita com cuidado, ou a planta sofrerá danos permanentes. Do mesmo modo, a disciplina dos pais precisa ser aplicada com amor.

Jeová, o Deus da Bíblia, é um bom exemplo para os pais. A disciplina que ele dá a seus adoradores obedientes sempre tem bom resultado, e é tão agradável e eficaz que eles na verdade ‘amam a disciplina’. (Provérbios 12:1) Eles ‘agarram a disciplina’ e ‘não a largam’. (Provérbios 4:13) Você pode ajudar seu filho a aceitar a disciplina por imitar três qualidades de Deus: (1) amor, (2) razoabilidade e (3) coerência.

 

SEJA AMOROSO

A disciplina divina é motivada pelo amor e se baseia nele. A Bíblia diz: “Jeová repreende aquele a quem ama, assim como o pai faz com o filho em quem tem prazer.” (Provérbios 3:12) Além disso, Jeová, é “misericordioso e clemente, vagaroso em irar-se”. (Êxodo 34:6) Por esse motivo, Jeová nunca é insensível ou cruel. Ele também não usa palavras duras, sarcasmo ou críticas, coisas que podem ferir “como que com as estocadas duma espada”. — Provérbios 12:18.

 

Uma mãe pacientemente ouve sua filha

ESCUTE

É claro que os pais não conseguem imitar com perfeição o exemplo de Deus em demonstrar autodomínio. Às vezes é quase impossível manter a calma. Mas nessas horas é bom lembrar que a punição motivada pela raiva ou frustração geralmente é opressiva, exagerada e tem efeito negativo. Além do mais, esse tipo de punição não é disciplina. É simplesmente perda de autodomínio.

Por outro lado, a disciplina aplicada com amor e autodomínio provavelmente dará melhores resultados. Veja como George e Nicole lidaram com as situações mencionadas no início do artigo.

 

Um pai amoroso ora com seu filho

ORE

“Quando Jordan finalmente chegou, minha esposa e eu estávamos muito irritados, mas nos controlamos enquanto ouvíamos sua explicação. Como já era tarde, decidimos falar sobre o assunto na manhã seguinte. Nós oramos juntos e fomos dormir. No outro dia, estávamos mais calmos para falar sobre o que tinha acontecido e ajudar nosso filho a raciocinar. Ele aceitou bem os limites que estabelecemos e admitiu que tinha agido errado. Sabíamos que tomar uma atitude quando se está aborrecido pode produzir efeitos negativos. Quando ouvimos primeiro, o resultado é melhor.” — George.

 

Uma mãe amorosa raciocina com sua filha

CONVERSE

“Fiquei furiosa quando vi que meu filho tinha batido na irmã. Em vez de tomar uma decisão precipitada, mandei que ele fosse para o quarto. Mais tarde, quando me acalmei, expliquei de modo firme que é errado bater nos outros e fiz ele entender que aquilo machucava. Essa abordagem funcionou bem. Ele pediu desculpas à irmã e deu um abraço nela.” — Nicole.

Com certeza a verdadeira disciplina, mesmo quando inclui algum tipo de castigo, é sempre motivada por amor.

 

SEJA RAZOÁVEL

A disciplina de Jeová sempre é aplicada “no grau correto”. (Jeremias 30:11; 46:28) Ele leva em conta todos os fatores envolvidos. Como os pais podem fazer o mesmo? Stephen, mencionado no início do artigo, explica: “Estávamos muito chateados e não entendíamos por que Natalie negava que tinha roubado o anel; mesmo assim, tentamos levar em conta sua idade e seu grau de maturidade.”

Robert, o marido de Nicole, também procura levar em conta todos os fatores envolvidos. Quando as crianças fazem alguma coisa errada, ele sempre se pergunta: ‘Esse foi um caso isolado ou está se tornando uma tendência? A criança está cansada ou não se sente muito bem? Essa atitude é sinal de outro problema?’

Pais razoáveis também têm em mente que as crianças não são adultos em miniatura. O apóstolo Paulo reconheceu isso ao escrever: “Quando eu era pequenino, costumava falar como pequenino, pensar como pequenino.” (1 Coríntios 13:11) Robert diz: “Algo que me ajuda a manter as coisas na perspectiva correta e a evitar ir longe demais é lembrar do que eu mesmo fazia quando era criança.”

É muito importante ter expectativas realistas sobre os filhos. Mas, ao mesmo tempo, não se deve fechar os olhos a atitudes e ideias erradas nem tentar justificá-las. Levar em conta as habilidades, limitações e circunstâncias de seu filho fará com que sua disciplina seja equilibrada e razoável.

 

SEJA COERENTE

“Eu sou Jeová; não mudei”, diz Malaquias 3:6. Os servos de Deus confiam na verdade dessas palavras e isso lhes dá segurança. Quando os pais são coerentes na disciplina, as crianças também se sentem seguras. Se suas regras mudam de acordo com seu humor, seus filhos podem ficar confusos e frustrados.

Lembre-se de que Jesus disse: “Deixai simplesmente que a vossa palavra Sim signifique Sim, e o vosso Não, Não.” Essas palavras se aplicam bem à criação de filhos. (Mateus 5:37) Pense bem antes de prometer um castigo que você não tem intenção de aplicar. Se você disser a seu filho que ele será punido de determinada maneira se ele não se comportar bem, cumpra sua palavra.

A boa comunicação entre os pais é muito importante para uma disciplina coerente. Robert explica: “Se nossos filhos me pedem para fazer algo e eu permito, mas depois fico sabendo que minha esposa já os tinha proibido, mudo minha decisão para apoiá-la.” Se os pais discordam quanto a como lidar com uma situação, é melhor que falem sobre isso em particular e entrem num acordo.

 

A DISCIPLINA É ESSENCIAL

Se você imitar a maneira amorosa, razoável e coerente de Jeová disciplinar, pode ter certeza de que seus esforços beneficiarão seus filhos. Sua amorosa orientação os ajudará a se tornarem adultos maduros, responsáveis e equilibrados. É como a Bíblia diz: “Educa o rapaz segundo o caminho que é para ele; mesmo quando envelhecer não se desviará dele.” — Provérbios 22:6.

 

A disciplina baseada na Bíblia é:

  1. Amorosa: A disciplina eficaz se baseia no amor, não na raiva. Em uma situação especialmente difícil, espere até se acalmar para disciplinar seu filho.

  2. Razoável: Procure levar em conta todas as circunstâncias, incluindo as habilidades e limitações de seu filho.

  3. Coerente: Se disser a seu filho que ele será punido de determinada maneira se ele não se comportar bem, cumpra sua palavra.


Enviado por Lenne Evaristo em 28 de junho de 2014.

Fonte: Revista Sentinela, junho de 2014