5 de jul de 2014

Quando crescer vou ser o que eu querer! Diane Valdez

Adestradora de Cavalos

 

Vamos combinar! Gente grande tem 'adultices' difíceis de qualquer criança suportar!

Primeiro, é um tal de ficar querendo abraçar e beijar a gente! Não podem ver um ser infantil que vão logo ordenando:

- Oi cuti cuti, dá um abraço aqui, dá um beijinho...

Puxa, será que não dá para entender que não somos obrigadas a beijar ou abraçar todo mundo a todo momento?

Outra coisa estranha é a mania que muitos têm de querer ficar examinando a gente, pegando, apertando as bochechas e opinando:

- Ai fofucha, como você cresceu! Outro dia era um bebê! Tá uma mocinha!!

Para, por favor! Criança cresce igual mamão, algumas crescem mais, outras menos. Qual é a novidade? Desconfiem...

Diante de tanta amolação é difícil escolher o que é mais chato, aliás, tem algo que é muito canseira: a insistência de perguntar o que a gente vai ser quando crescer. Ô, fala sério, essa é a que podemos classificar de pergunta TSNU: Tipo Sem Noção Universal!

Sabe porque eu acho sem graça ter que ficar falando sobre o que eu vou ser quando crescer? É porque cada dia eu penso em ser uma coisa. Aí, os maiores, que se acham bem resolvidos, ficam rindo disfarçado com o canto da boa, achando que a gente não sabe o que quer. É como se fosse proibido mudar de ideia, como se não fosse permitido querer ser uma coisa e mais adiante querer ser outra coisa.

A primeira coisa que eu pensei em ser quando crescer foi ser mãe! Mudei de ideia quando me falaram que ser mãe não era profissão e sim opção. Tive mais certeza ainda de que esta não era uma boa escolha ao ver minha mãe quando meu irmão nasceu. Era muito trabalho e quase nada de diversão!

No aniversario da Paloma, ao ver um tipo com cartolas, coelhos, lenços, moedas, coisas sumindo e surgindo, decidi prontamente o meu futuro: MÁGICA! Não! Eu não seria ajudante de mágico homem não! Eu seria uma mágica famosa dona de truques inigualáveis! Ai, que fascinante!

Um dia, vendo o jornal, resolvi que seria a moça do tempo da televisão! Imaginem, além de usar roupas e maquiagens bonitas, eu teria o super poder de adivinhar se ia fazer frio, calor, se ia chover, se não ia. Ficava imaginando as pessoas me parando na rua e perguntando: - Moça do tempo, que dia vai chover? Aí eu, bem simpática, pensava e respondia: - Amanhã no final da tarde... Puxa, que autoridade!

Mudei de ideia no dia que fui ao parque de diversões e vi a moça de unhas pintadas de azul que trabalhava na bilheteria. Não pensei em outra coisa durante dias: eu seria bilheteira de parque de diversões!! Não havia um lugar melhor para trabalhar: do ladinho de todos aqueles brinquedos e guloseimas... Ah! Era perfeito!

Mas, foi na colônia de férias que, após ficar encantada com o treinamento dos bombeiros fazendo salvamentos, ensinando primeiros socorros, truques de sobrevivência e outras importâncias grandes, escolhi o que, definitivamente, eu seria: uma charmosa bombeira!! Viveria de glórias e de heroísmo!

Contudo, um dia, ao sair do cinema, descobri outra coisa bacana que combinava direitinho comigo: criadora de desenhos animados! Era a profissão da hora! Deveria ser tudo de bom ficar só por conta de criar, desenhar, inventar animações coloridas, divertidas e cheias de surpresas. Nunca me aborreceria!

Só que no dia que minha vó me ensinou fazer bolo de fubá, eu sem vacilar, resolvi decidida: seria chefe de cozinha! Claro, não faria pratos com cebolas, pimentas, espinafres etc. Seria assim, tipo uma especialista internacional em doçuras. Inventaria sabores e formas diferentes de maçã do amor, brigadeiro, cocada... Que doce vida!!

No dia que fui ao zoológico, percebi que era preciso muita coragem para levar o almoço do tigre, leão, urso, onça e um tanto de outros bichos. Como coragem não me faltava, cheguei em casa, peguei minhas canetinhas fosforescentes e fiz um cartaz com meu nome, em letras onduladas, e embaixo meu futuro trabalho: “Alimentadora de animais ferozes”. Profissão fera!

Caramba, se eu fosse contar o tanto de coisas que já decidi ser não caberia aqui: cabeleireira de cachorros, maquinista de trem, contadora de histórias, apresentadora de circo, motorista de trator, salva vidas de lago, pintora de automóveis e tantas, mas tantas outras coisas legais.

Tá vendo porque não dá para responder uma pergunta tão grande dessa com uma resposta pequena? Além do mais tenho um mundo pela frente, porque teria que decidir meu futuro assim de uma hora para outra?

Por isso que eu digo e repito: não me pressionem! Me deixem livre para escolher o que quero ser com calma. Afinal sou eu que vou ser e não você...

Assinado: a futura adestradora de cavalos selvagens....

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