28 de ago de 2013

Boletim de abril – Rede Não Bata Eduque

Caros amigos e parceiros,

Estamos divulgando o boletim das ações da Rede Não Bata, Eduque nos meses de abril a junho de 2013. Vejam AQUI 

Aproveitamos para agradecer a todos aqueles que votam na enquete do site da Câmara sobre o uso dos castigos físicos na educação e o PL 7.672/2010.

Conseguimos reverter a situação inicial e o NÃO está vencendo (não concordar com o uso dos castigos físicos na educação de crianças e adolescentes).

Vejam o resultado parcial abaixo.

A participação e empenho das pessoas nos deixam felizes e estimulados a continuar atuando pelo fim dos castigos físicos e tratamento humilhante no processo educativo e de cuidado das crianças e adolescentes.

Para aqueles que ainda não votaram.

Participem AQUI!

Abraços,
Marcia Oliveira

27 de ago de 2013

Feliz dia do psicólogo

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“TODOS NÓS NASCEMOS ORIGINAIS E MORREMOS CÓPIAS”

Carl Jung


Com essa frase o mestre Jung nos provoca e convoca a um grande desafio, trabalhar duro e incansavelmente para desconstruir essa realidade inventada. Feliz dia do Psicólogo!

25 de ago de 2013

Ensaio fotográfico “O lixo não é lixo" - Gaby Herbstein e Pablo Bernasconi

Estimado(a) Leitor(a),

Deixo com você nesse domingo o belo trabalho da fotógrafa Gaby Herbstein e do artista plástico Pablo Bernasconi. O ensaio “O lixo não é lixo” é composto de doze fotografias que exibem crianças interagindo com materiais recicláveis.

 

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Fonte: Gaby Herbstein Photographer

23 de ago de 2013

Pela erradicação dos castigos físicos e humilhantes em crianças e adolescentes

Bom dia amigo e parceiros da Rede Não Bata Eduque

A Câmara dos Deputados está realizando uma enquete sobre o PL 7672/2010. O resultado final poderá dar peso político ou não a tramitação de nosso projeto na Câmara.

Enquete site Câmara_PL
Divulguem em suas redes sociais e participem!
http://www2.camara.leg.br/agencia-app/listaEnquete …

 

Atenciosamente,

Marcia Oliveira - Coordenação da Rede Não Bata Eduque

19 de ago de 2013

Em uma unidade da Fundação Casa, a antiga Febem, na capital paulista, dois funcionários espancam seis adolescentes com muita violência.

“Vou falar para os senhores: a mãe dos senhores vai visitar os senhores lá no IML. Lá no IML. Vai visitar no IML, porque eu não vou 'dar boi'. Muitos aí não têm nem a idade que eu tenho de fundação. Senhores, não vai sobrar nada dos senhores”, ameaça o funcionário da Fundação Casa (SP).


Espancamento Fundação Casa

Pancada, humilhação, ameaça... será que com esse tosco “projeto pedagógico” conseguiremos reeducar ou recuperar um jovem infrator?

 

O Fantástico mostrou imagens inéditas e chocantes. Em uma unidade da Fundação Casa, a antiga Febem, na capital paulista, dois funcionários espancam seis adolescentes, com muita violência.

Socos e tapas. Depois, uma sequência de chutes e também cotoveladas. Essa sessão de espancamento é recente. Aconteceu em maio, no Complexo Vila Maria da Fundação Casa, antiga Febem, na zona norte da capital paulista.

Veja reportagem completa AQUI

18 de ago de 2013

Un poco de Galeano* para encantar su domingo

somos feitos de histórias

"Los científicos dicen que estamos hechos de átomos pero a mí un pajarito me contó que estamos hechos de historias" (Eduardo Galeano).


 

Abajo tres cuentos del libro Los hijos de los días de Eduardo Galeano

 

EL DERECHO A LA VALENTIA

Agosto
13

En 1816, el gobierno de Buenos Aires otorgó el grado de teniente coronel a Juana Azurduy, en virtud de su varonil esfuerzo.

En la guerra de la independencia, ella había encabezado a los guerrilleros que arrancaron el cerro de Potosí de manos españolas.

Las mujeres tenían prohibido meterse en los masculinos asuntos de la guerra, pero los oficiales machos no tenían más remedio que admirar el viril coraje de esta mujer.

Al cabo de mucho galopar, cuando ya la guerra había matado a su marido y a cinco de sus seis hijos, también Juana murió. Murió en la pobreza, pobre entre los pobres, y fue arrojada a la fosa común.

Casi dos siglos después, el gobierno argentino, presidido por una mujer, la ascendió al grado de generala del ejército, en homenaje a su femenina valentía.

 

 

EL MANIÁTICO DE LOS MOSQUITOS

Agosto
14

En 1881, el médico cubano Carlos Finlay reveló que la fiebre amarilla, también llamada vómito negro, era trasmitida por cierto mosquito hembra. Al mismo tiempo, dio a conocer una vacuna que podía acabar con esa peste.

Carlos, conocido en el vecindario como el maniático de los mosquitos, explicó su descubrimiento ante la Academia de las Ciencias Médicas, Físicas y Naturales de La Habana.

Veinte años demoró el mundo en darse por enterado

Durante esos veinte años, mientras prestigiosos científicos de prestigiosos lugares investigaban pistas falsas, la fiebre amarilla continuó matando gente.

 

LA PERLA Y LA CORONA

Agosto
15

Winston Churchill había anunciado:

Es alarmante y nauseabundo ver a este señor Gandhi, este maligno y fanático subversivo… La verdad es que tarde o temprano tendremos que hacerle frente, a él y a todos los que lo apoyan, y finalmente aplastarlos. De nada vale tratar de calmar al tigre dándole comida de gato. Y no tenemos la menor intención de abandonar la más brillante y preciosa perla de nuestra corona, gloria y poder del Imperio Británico.

Pero algunos años después, la perla abandonó la corona. En el día de hoy de 1947, la India conquistó su independencia.

El duro camino hacia la libertad se había abierto en 1930, cuando Mahatma Gandhi, escuálido, casi desnudo, llegó a una playa del océano Índico.

Era la marcha de la sal. Habían sido poquitos cuando la marcha partió, pero una multitud llegó a su destino. Y cada uno recogió un puñado de sal y la llevó a la boca, y así cada uno violó la ley británica, que prohibía que los hindúes consumieran la sal de su propio país.

 

 

 

 


Fonte: Blog VerbiClara en agosto de 2012 - De Los hijos de los días, Siglo XXI, Buenos Aires, 2012.

Foto del blog kinlatra Baú de estórias

* Eduardo Galeano nació en Montevideo en 1940. Allí se inició en el oficio periodístico, en sus años tempranos, y allí publicó su primer libro. Desde 1973, vivió exiliado en Argentina y en la costa catalana. A principios de 1985 regresó a Montevideo, donde actualmente vive. En dos ocasiones fue premiado por la Casa de las Américas y por el Ministerio de Cultura del Uruguay. Recibió el American Book Award de la Universidad de Washington por su trilogía “Memoria del fuego”, y los premios italianos Mare Nostrum y Pellegrino Artusi, por el conjunto de su obra. Fue el primer escritor galardonador con el premio Aloa, creado por los editores de Dinamarca, y también inauguró el Cultural Freedom Prize, otorgado por la Fundación Lannam, y el Premio a la Comunicación Solidaria, de la ciudad española de Córdoba. En 2008 los países miembros del MERCOSUR lo designaron primer ciudadano ilustre.

16 de ago de 2013

COMO AINDA SOMOS BÁRBAROS!

Açoite com vara

QUANDO O TEMPO DO AÇOITE VAI ACABAR NA VIDA DAS CRIANÇAS E DOS ADOLESCENTES?

PORQUE UM ADULTO EM SÃ CONSCIÊNCIA REIVINDICA PARA SI O PAPEL DE FEITOR NA EDUCAÇÃO DE SEUS FILHOS?

Vara Juizado da Infância

A foto acima está circulando nas redes socais e foi postada pelo perfil do Facebook identificado pelo nome de Rodolfo Preto Junior. Sobre a vara o senhor Rodolfo diz: “No meu tempo era assim e funcionava muito bem ...”

Por acreditar em uma educação humanista e cidadã, que concebe a criança como um ser vulnerável - por viver uma condição especial de desenvolvimento, e como um sujeito de direitos, sinto vergonha e tristeza ao ver circulando nas redes socais uma postagem que faz a apologia do açoite na educação das crianças e dos adolescentes.

Não posso deixar de me posicionar sobre esse claro ataque aos direitos humanos de crianças e adolescentes. Sinto-me na obrigação de enfrentar esse equívoco. A ideia de que bater educa é uma crendice antiga, mas como toda crendice precisa ser enfrentada e destruída. Bater não educa, como borra de café não cura umbigo de recém-nascido! Ao contrário, o pó de café é um importante fator de risco para o tétano neonatal e os castigos físicos e humilhantes são fatores de risco para comportamentos antissociais.

Não é verdade que a violência física prepara as crianças para serem pessoas responsáveis, cidadãos de bem. Ao contrário, ao longo desses últimos 70 anos, estudos internacionais e nacionais revelam uma clara correlação entre o uso de castigos físicos e humilhantes na educação de crianças e os comportamentos antissociais, tais como roubo e crimes contra a integridade física de outras pessoas.


Deixo abaixo apenas três exemplos simbólicos:

Pesquisa Nacional – Simone Assis (Claves – Fio Cruz)

Os jovens que sofrem violências intrafamiliares do tipo físico severo, psicológico e sexual são:

3,2 vezes mais transgressores das normas sociais;

3,8 vezes mais vítimas da violência na comunidade;

3 vezes mais alvos de violência na escola do que os jovens cujo ambiente familiar é mais solidário e saudável (ASSIS, 2004).

Pesquisas Internacionais

Os estudos antropológicos de Margaret Bacon e seus companheiros, em quarenta e oito sociedades da África, Américas do Norte e do Sul, da Ásia e do Pacífico Sul, demonstraram que a prática de educação das crianças estavam associadas à frequência e a tipos de crimes.

Bacon e seus parceiros descobriram que as sociedades em que os pais eram predominantemente dedicados tinham frequência mais baixa de roubo do que aquelas em que os pais eram rigorosos de um modo geral. E mais, esses estudos evidenciaram que o treinamento ríspido e abrupto para a independência associa-se a elevadas taxas de crime pessoal, isto é, a atos cujo intuito era ferir ou matar outras pessoas.

Um estudo com jovens de Samoa e Tonga [...] mostrou que aqueles com comportamento antissocial (fugir de casa, problemas com álcool e drogas, delinquência) mostraram uma probabilidade substancialmente maior de serem disciplinados com castigo corporal (61 % dos jovens de sexo masculino; 38 de jovens do sexo feminino) que aqueles sem essas dificuldades (8% de jovens do sexo masculino; 5 % de jovens de sexo feminino). As maiores diferenças familiares entre as crianças com e sem problema de comportamento eram seus métodos de disciplina. [...] Num estudo longitudinal de todo o território dos Estados Unidos, que controlava a idade e a etnia da criança, bem como a situação maternal e conjugal, Gunnoe e Marine [...] concluíram que o castigo corporal estava associado a um aumento subsequente de comportamento antissocial em crianças de todas as idades e grupos étnicos (DURRANT, 2008, p. 83 e 84).


Sei que muito precisamos fazer no sentido de desconstruir a crendice de que bater educa, mas espero que um dia a otimista profecia do filósofo Ghiraldelli se realize:

Haveremos de até rir desse projeto de lei [PL 7672/2010]. Poderemos lê-lo e, então dizer, nossa, veja só, éramos tão bárbaros em 2010 que até tivemos de fazer uma lei para que nós mesmos não batêssemos em nossos filhos. Podemos evoluir de um modo a estranhar essa lei de hoje tanto quanto estranhamos que, no início do século XX, a vacina obrigatória, ministrada pelo Estado, tenha causado uma verdadeira revolta, uma rebelião de rua até com conotação política” (GHIRALDELLI, 2011).

 


Fontes:

Paulo Ghiraldelli Jr é filósofo, escritor e professor da UFRRJ - Fonte: Postado no blog de Paulo Ghiraldelli Jr em 29 de julho de 2010.

A foto do açoite com vara foi capturada na reportagem Afegãs escapam de casamento forçado, não de açoite

13 de ago de 2013

Educação sem violência. Porque bater não é educar... do blog Cientista que virou mãe

Bater em uma criança é aceitável?
O que está por trás do ato de dar uma palmada?
O que isso diz sobre a criação de quem bate?
O que é ensinado às crianças quando se usa de violência física contra elas?
Por que alguns pais ainda batem em seus filhos?
O que as pesquisas têm mostrado sobre a suposta "eficácia" das palmadas como método de disciplina?
Existir uma lei que criminalize as palmadas é suficiente?
Que tipo de abordagem é melhor quando se deseja ensinar aos pais formas mais respeitosas e amorosas de disciplinar os filhos? E em que época da vida é mais favorável ensinar aos pais essas estratégias não violentas de educação?
Qual o paralelo existente entre a legislação canadense e a situação brasileira?
O que dizem as pesquisas dos últimos vinte anos sobre as consequências da punição física infantil?


No ano passado (2012), pesquisadores canadenses analisaram os resultados das pesquisas sobre castigos físicos infantis realizadas nos últimos vinte anos e divulgaram os achados no artigo intitulado "O castigo físico de crianças: lições dos últimos 20 anos de pesquisa", publicado no periódico científico CMAJ - Canadian Medical Association Journal . Os resultados da pesquisa, então, inspiraram o editor da revista a redigir um editorial especificamente sobre o tema, com comentários instigantes que estimulam a reflexão.

Eu (Ligia Moreiras Sena) e a neurocientista Andreia Mortensen, professora da Drexel University College of Medicine - ambas mães, pesquisadoras e ativistas pelo respeito à infância, radicalmente contra o uso de punições físicas e emocionais contra as crianças - traduzimos, então, o editorial e publicamos hoje aqui.

Nosso objetivo é estimular a contínua discussão sobre o tema e mostrar que, ao contrário do que alguns ainda dizem, a punição física não é o melhor método para disciplinar uma criança. E que, além disso, traz consigo uma série de más consequências com as quais as crianças precisarão conviver em idade adulta, além da perpetuação de práticas violentas.

Para além de condenar as palmadas e surras, queremos estimular o debate sobre de que forma pode-se ensinar a uma geração de pais -que foi criada em meio a um discurso coletivo de aceitação do castigo físico - que existem formas mais respeitosas, amorosas, saudáveis, humanas e cientificamente mais eficazes de educar nossos filhos.

Diga sim à disciplina positiva e não à punição física!(Positive parenting, not physical punishment) John Fletcher, Editor

Publicado no periódico científico CMAJ –Canadian Medical Association Journal

Tradução: Dra. Ligia Moreiras Sena

Revisão: Dra. Andreia Mortensen


Dar palmadas é errado?
Obviamente, bater em qualquer pessoa em momentos de raiva ou quando faltam argumentos é um mau comportamento. Bater em criança é dar um mau exemplo e ensiná-la que a violência é uma forma de conseguir aquilo que se deseja. E o que dizer então quando palmadas são dadas como forma de impor limites e disciplinar?
Muitos pais tem interesse nessa questão.  Afinal, pais que usam de punição física são maus pais?
Se sim, então eles estão na companhia de cerca de 90% dos pais da minha geração (1), incluindo 70% dos médicos de família e 60% dos pediatras que consideram as palmadas em crianças aceitáveis em certas circunstâncias (2). Nos EUA, a proporção de pais que batem em suas crianças atualmente ainda é alta, quase 50% (3).Muitos pais afirmam que um bom tapa os ensinou o que é certo e errado e que, portanto, as palmadas são válidas para ensinar bom comportamento.
Os opositores do castigo físico argumentam que as crianças têm o direito de serem protegidas contra agressões físicas. Alguns afirmam que a punição física é, inevitavelmente, uma forma de violência, e que as palmadas também devem ser classificadas como crime e que pais deveriam ser processados por punir as crianças dessa maneira.
Esse debate é tão fervoroso e já dura tanto tempo, que a questão sobre se a palmada é moralmente “certa ou errada” nunca chegará a um consenso. Parece ser mais promissor, entretanto, investigar se as palmadas são realmente eficazes.
Nesse contexto, entra então uma meta-análise realizada pelos pesquisadores Durrant e Ensom (4), que analisaram pesquisas feitas nos últimos vinte anos sobre o tema. Os resultados sugerem que a punição física em crianças está associada ao aumento dos níveis de agressão infantil, além de não ser mais efetivo em estimular a obediência quando comparado a outros métodos. Além disso, a punição física durante a infância está associada a problemas de comportamento na vida adulta, incluindo depressão, tristeza, ansiedade, sentimentos de melancolia, uso de drogas e álcool, e desajuste psicológico geral.  O artigo pode parecer inclinado a uma direção em particular, mas isso acontece justamente porque existem mais evidências que apoiam este ponto de vista do que sugerindo que a punição física seja benéfica.


Os defensores da palmada podem argumentar que isso depende da intensidade e frequência de palmadas, sugerindo que as palmadas são benéficas quando não utilizadas em excesso. Pode ser possível, mas sempre me pareceu que as pessoas que usam essa linha de raciocínio, diante das claras evidências de danos das palmadas, estão mais tentando justificar seus próprios atos do que enfrentando a possibilidade de que estejam erradas.


Como existe pouca evidência sobre sua efetividade e, por outro lado, um crescente número de evidências mostrando que causam prejuízos, as palmadas devem ser criminalizadas e os tribunais devem chamar a atenção dos pais por utilizarem esta forma de disciplina? Já houve um debate fervoroso sobre esse assunto em nosso website, em resposta ao artigo de Durrant e Ensom. Mas muitos pais, incluindo aqueles que batem nos seus filhos, realmente os amam e estão tentando ser bons pais. Se o objetivo é melhorar a forma de disciplina, então chamar a polícia é a abordagem errada.

O que deve ser feito é reeducar os pais sobre como disciplinar suas crianças. Simplesmente desencorajar a punição física não é suficiente. Sem alternativas, os pais que cresceram apanhando e que disciplinam com palmadas podem simplesmente substituí-las por gritos ou outras formas de punição. Como ensinar a toda uma geração de pais formas melhores de disciplinar seus filhos?

Cursos para pais têm feito sucesso em ensinar técnicas de disciplina positiva. Considerando que uma grande porção da população precisa ser ensinada, a educação precisa ir além das famílias com problemas evidentes. Esses programas devem ser oferecidos amplamente, talvez juntamente com o pré-natal ou quando a criança está prestes a entrar na escola, épocas nas quais os pais estão vivendo mudanças e são mais receptivos à educação.

Entretanto, não são apenas os pais que precisam mudar, a lei precisa ser modificada também. Embora não seja necessário criminalizar a palmada para encorajar formas alternativas de disciplina, a seção 43 do Código Criminal Canadense (6) apresenta mensagem equivocada ao afirmar que “...pais ou mães podem usar a força física como forma de correção... a não ser que a força exceda o razoável, dadas as circunstâncias”.
(comentário da revisora: afinal QUAL é a medida razoável de força física que pode ser aplicada nas palmadas?)

Os policiais têm autonomia para decidir quando a agressão ‘passou do ponto’ ou não, tanto no caso de crianças quanto de adultos. Mas, obviamente, a tendência deveria ser a de proteger a criança, que é o lado mais vulnerável. Ter um código específico que permita aos pais bater nelas como forma de disciplina é sugerir que a agressão por um dos pais é normal e aceitável da educação das crianças. E não é. Então, enquanto a seção 43 permanecer na lei, isso servirá como desculpa constante para que os pais continuem utilizando e acreditando em um método ineficaz para disciplinar crianças, embora abordagens melhores existam.Já passou da hora do Canadá retirar de seus estatutos essa desculpa ultrapassada e ineficaz de disciplina.
Referências:

1. Straus MA, Stewart JH. Corporal punishment by American parents: national data on prevalence, chronicity, severity, and duration, in relation to child, and family characteristics. Clin Child Fam Psychol Rev 1999;2:55–70.
2. McCormick KF. Attitudes of primary care physicians toward corporal punishment. JAMA 1992;267:3161–5.
3. MacKenzie MJ, Nicklas E, Brooks-Gunn J, et al. Who spanks infants and toddlers? Evidence from the fragile families and child well-being study. Child Youth Serv Rev 2011;33:1364–73.
4. Durrant J, Ensom R. Physical punishment of children: lessons from 20 years of research. CMAJ 2012;184:1373–6.
5. Barlow J, Smailagic N, Ferriter M, et al. Group-based parent-training programmes for improving emotional and behavioural adjustment in children from birth to three years old. Cochrane Database Syst Rev 2010;(3):CD003680.
6. Barnett L. The “spanking” law: section 43 of the Criminal Code. Ottawa (ON): Parliament of Canada; 2008. Available: www.parl.gc.ca/content/LOP/ResearchPublications/prb0510-e.htm (accessed 2012 June 26).

Aprender a usar estratégias amorosas e não violentas de educar nossos filhos é possível. Sempre.

Mas para isso precisamos QUERER, precisamos estar abertos, e, principalmente, reconhecer na criança o direito a ser amado e respeitado incondicionalmente.
Se você ainda dá palmadas em seus filhos apenas porque não conhece outras formas de discipliná-los, peça orientação a outras pessoas. Felizmente, hoje existem muitos grupos de mães, pais e profissionais dispostos a compartilhar suas experiências positivas, afetuosas e não violentas de criação de filhos.

Ninguém nasce sabendo ser pai e mãe, essa é uma tarefa que aprendemos enquanto somos, nas demandas cotidianas. Muito do que praticamos, muitas vezes trazemos de nossas experiências como filhos, mas sempre é possível mudar. Sempre é possível fazer diferente, se assim quisermos.

O que devemos é lembrar, sempre, que estamos criando novos seres, seres que precisam ser amados e respeitados, e cuja educação precisa ser empática e acolhedora, não violenta e opressora, se quisermos criar pessoas emocionalmente saudáveis, sem sequelas, sem amarras emocionais.
Dizer que uma criança só aprende na base da palmada é assumir a própria incapacidade de aprender novas estratégias de educação, de aprender estratégias que usem o amor.

É assumir que a violência é aceitável quando é com o outro, principalmente quando o outro é indefeso. É assumir que se é violento.
Uma criança que deixa de fazer algo porque apanhou não é uma criança que aprendeu algo. É uma criança com medo, assustada.

Uma criança que deixa de fazer algo porque alguém se dedicou a explicar a ela, amorosa e respeitosamente, as consequências de seus atos e escolhas, é uma criança que está sendo, de fato, preparada para a vida, que está sendo preparada para agir também assim no futuro.
Sem violência.
Que é, afinal de contas, o que todos queremos.
Um mundo menos violento. E mais amoroso.


PS: Já estamos nos organizando para um texto de continuidade, com dicas e orientações sobre educação não violenta e disciplina positiva.

autora

Blog Cientista que virou mãe – autora Ligia Moreiras Sena

Bióloga, mestre em psicobiologia, doutora e com pós-doutorado em farmacologia, área que deixei após me tornar mãe. Estimulada pela maternidade, mudei de área, de foco e de vida, e hoje faço um novo doutorado, agora em Saúde Coletiva. Sou pesquisadora da assistência ao parto no Brasil, da violência obstétrica e da medicalização da infância e do corpo feminino. Sou mãe da Clara e esse é o mais relevante dos meus títulos. Ela me inspira, todos os dias, a olhar a vida e os seres humanos por outro prisma, a lutar pelos direitos das mulheres e a conectar pessoas que buscam criar seus filhos de maneira afetuosa e não violenta.

12 de ago de 2013

Solicitamos a mobilização e o apoio de todos que lutam pela erradicação dos castigos físicos e humilhantes na educação e no cuidado de crianças e adolescentes

Caros amigos e parceiros,

Escrevo para compartilhar com você que o Portal da Câmara Notícias irá realizar na próxima terça-feira (13/08) das 11 às 12 horas um videochat sobre o projeto da Lei da Palmada (PL 7.672/2010).

A tramitação do projeto acaba de enfrentar mais um desafio! Um Mandado de Segurança no STF contra a tramitação conclusiva da matéria na Comissão Especial, que aprovou por unanimidade o PL em 14/12/2012.

É uma IMPORTANTE oportunidade de mobilização!

Solicito a todos que compartilhem a informação com rede e incentivem que as pessoas participem.

Não podemos desistir e deixar que as forças contrárias tenham mais voz que nós.

Abraços,

Coordenação da Rede Não Bata Eduque

11 de ago de 2013

Pai presente, protetor e amoroso: um grande prêmio na vida de um filho

Estimado(a) Leitor(a)

Deixo com você nesse domingo algumas imagens do projeto fotográfico que teve como tema a beleza do contato amoroso entre pais e filhos nas Olimpíadas de Londres – 2012.

 

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Os Jogos de Londres proporcionaram vários momentos fofos entre pais e filhos. Levar os pequenos para a cerimônia de premiação foi um dos hábitos mais comuns entre os atletas. O velejador norte-americano Nick Dempsey, por exemplo, divertiu-se com os filhos Thomas (e) e Oscar e sua prata AFP PHOTO/William WEST

 

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O jogador brasileiro de futebol Marcelo divertiu-se com o filho Enzo em um dos treinamentos da seleção antes mesmo de os Jogos começarem REUTERS/Sergio Moraes

 

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Um dos trios mais bonitos foi o ciclista australiano Shane Perkins com a filha Mischa (e) e o filho Aiden (d) Paul Gilham/Getty Images

 

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Um dos trios mais bonitos foi o ciclista australiano Shane Perkins com a filha Mischa (e) e o filho Aiden (d) Paul Gilham/Getty Images

 

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...e também comemorou com o filho Brook, na mesma partida Alexander Hassenstein/Getty Images

 

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Poucas comemorações foram tão bonitas como a de Mo Farah no ouro dos 10 mil metros rasos. Ele deu um abraço apertado na filha Rihanna AFP PHOTO / OLIVIER MORIN

 

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Um dos trios mais bonitos foi o ciclista australiano Shane Perkins com a filha Mischa (e) e o filho Aiden (d) Paul Gilham/Getty Images

Veja mais fotos AQUI


PELA PATERNIDADE RESPONSÁVEL

Projeto "Paternidade Responsável" – Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado de São Paulo estimula o reconhecimento da paternidade.

Projeto Pai Presente inova no processo de reconhecimento de paternidade – Tribunal de Justiça da Bahia

 Pai, de 80 anos, reconhece a filha de 62 anos, no posto do “Reconhecer é Amar!”

7 de ago de 2013

A ritalina e os riscos de um 'genocídio do futuro'

Pediatra Maria Aparecida Affonso Moysés, professora titular do Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp.

Para uns, ela é uma droga perversa. Para outros, a 'tábua de salvação'. Trata-se da ritalina, o metilfenidato, da família das anfetaminas, prescrita para adultos e crianças portadores de transtorno dedeficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Teria o objetivo de melhorar a concentração, diminuir o cansaço e acumular mais informação em menos tempo. Esse fármaco desapareceu das prateleiras brasileiras há poucos meses (e já começou a voltar), trazendo instabilidade principalmente aos pais, pela incerteza do consumo pelos filhos. Ocorre que essa droga pode trazer dependência química, pois tem o mesmo mecanismo de ação da cocaína, sendo classificada pela Drug Enforcement Administration como um narcótico. No caso de consumo pela criança, que tem seu organismo ainda em fase de formação, a ritalina vem sendo indicada de maneira indiscriminada, sem o devido rigor no diagnóstico. Tanto que, no momento, o país se desponta na segunda posição mundial de consumo da droga, figurando apenas atrás dos Estados Unidos. Como acontece com boa parte dos medicamentos da família das anfetaminas, a ritalina 'chafurda' a ilegalidade, com jovens procurando a euforia química e o emagrecimento sem dispor de receita médica. Fala-se muito que, se não fizer o tratamento com a ritalina, o paciente se tornará um delinquente. "Mas nenhum dado permite dizer isso. Então não tem comprovação de que funciona. Ao contrário: não funciona", critica a pediatra Maria Aparecida Affonso Moysés, professora titular do Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp. “A gente corre o risco de fazer um genocídio do futuro. Mais vale a orientação familiar”, encoraja a pediatra, que concedeu entrevista, a seguir, ao Portal Unicamp.

Portal Unicamp – Há pouco tempo, faltou distribuição de ritalina no mercado brasileiro. Como essa lacuna foi sentida?
Cida Moysés – Não sabemos verdadeiramente o motivo de faltar o medicamento, mas isso criou uma instabilidade nas pessoas. As famílias ficaram muito preocupadas e entraram em pânico, com medo de que os filhos ficassem sem esse fornecimento. Isso foi sentido de um modo muito mais intenso do que com outros medicamentos que de fato demonstram que sua interrupção seria mais complicada que a ritalina. São os casos dos medicamentos para diabetes ou hipertensão. Apesar de não conhecermos a razão dessa falta do medicamento, sabemos das estratégias de mercado para outros produtos como o açúcar e o café que faltam no supermercado e, por isso, também para os medicamentos que faltam na farmácia. Quando somem das prateleiras, eles criam angústia. No entanto, em geral, retornam mais tarde. E mais caros, é óbvio.

Portal Unicamp – O que é a ritalina? Como ela age?
Cida Moysés – A ritalina, assim como o concerta (que tem a mesma substância da ritalina – o metilfenidato, é um estimulante do sistema nervoso central - SNC), tem o mesmo mecanismo de ação das anfetaminas e da cocaína, bem como de qualquer outro estimulante. Ela aumenta a concentração de dopaminas (neurotransmissor associado ao prazer) nas sinapses, mas não em níveis fisiológicos. É certo que os prazeres da vida também fazem elevar um pouco a dopamina, porém durante um pequeno período de tempo. Contudo, o metilfenidato aumenta muito mais. Assim, os prazeres da vida não conseguem competir com essa elevação. A única coisa que dá prazer, que acalma, é mais um outro comprimido de metilfenidato, de anfetamina. Esse é o mecanismo clássico da dependência química. É também o que faz a cocaína.

Portal Unicamp – Quando a ritalina é indicada?
Cida Moysés – Para quem indica, é nos casos com diagnóstico de TDAH. Eu não indico. Para esses médicos, entendo que é necessário traçar uma relação custo-benefício: quanto ganho com esse tratamento em termos de vantagens e de desvantagens. Sabe-se que é uma droga que possui inúmeras reações adversas, como qualquer droga psicoativa. Considero extremamente complicado usar uma droga com essas reações para melhorar o comportamento de uma criança. Qual é o preço disso?

Portal Unicamp – Quais são os sintomas principais?
Cida Moysés – As reações adversas estão em todo o organismo e, no sistema nervoso central então, são inúmeras. Isso é mencionado em qualquer livro de Farmacologia. A lista de sintomas é enorme. Se a criança já desenvolveu dependência química, ela pode enfrentar a crise de abstinência. Também pode apresentar surtos de insônia, sonolência, piora na atenção e na cognição, surtos psicóticos, alucinações e correm o risco de cometer até o suicídio. São dados registrados no Food and Drug Administration (FDA). São relatos espontâneos feitos por médicos. Não é algo desprezível. Além disso, aparecem outros sintomas como cefaleia, tontura e efeito zombie like, em que a pessoa fica quimicamente contida em si mesma.

Portal Unicamp – Não é pouca coisa...
Cida Moysés – Ocorre que isso não é efeito terapêutico. É reação adversa, sinal de toxicidade. Além disso, no sistema cardiovascular é possível ter hipertensão, taquicardia, arritmia e até parada cardíaca. No sistema gastrointestinal, quem já tomou remédio para emagrecer conhece bem essas reações: boca seca, falta de apetite, dor no estômago. A droga interfere em todo o sistema endócrino, que interfere na hipófise. Altera a secreção de hormônios sexuais e diminui a secreção do hormônio de crescimento. Logo, as crianças ficam mais baixas e também essa droga age no peso. Verificando tudo isso, a relação de custo-benefício não vale a pena. Não indico metilfenidato para as crianças. Se não indico para um neto, uma criança da família, não indico para uma outra criança.

Portal Unicamp – Criança não comportada é um problema social?
Cida Moysés – Está se tornando. E não vai se resolver colocando um diagnóstico de uma doença neurológica ou neuropsiquiátrica e administrando um psicotrópico para uma criança.

Portal Unicamp – Qual seria o tratamento então?
Cida Moysés – Um levantamento de 2011, publicado pelo equivalente ao Ministério da Saúde nos Estados Unidos, envolve uma pesquisa feita pelo Centro de Medicina baseado em Evidências da Universidade de McMaster, no Canadá, que analisou todas as publicações de 1980 a 2010 sobre o tratamento de TDAH. O primeiro dado interessante foi que, dos dez mil trabalhos que provaram que o metilfenidato funciona, é seguro, apenas 12 foram considerados publicações científicas. Todo o resto foi descartado por não preencher os critérios de cientificidade. Esse é um aspecto muito importante. Dos 12 trabalhos restantes, o que eles encontraram foi que a orientação familiar tem alta evidência de bons resultados, e o medicamento tem baixa evidência. Isso não quer dizer que a família seja culpada. É preciso orientá-la como lidar com essa criança. Além disso, os dados dessa pesquisa sobre rendimento escolar foram inconclusivos, assim como não há nenhum dado que permita dizer que melhora o prognóstico em longo prazo. Fala-se muito que, se a criança não for tratada, vai se tornar uma dependente química ou delinquente. Nenhum dado permite dizer isso. Então não tem comprovação de que funciona. Ao contrário: não funciona. E o que está acontecendo é que o diagnóstico de TDAH está sendo feito em uma porcentagem muito grande de crianças, de forma indiscriminada.

Portal Unicamp – Dê um exemplo.
Cida Moysés – Quando se fala em 5% a 10% de pessoas com determinado problema, o conhecimento médico exige que se assuma que isso é um produto social, e não uma doença inata, neurológica, como seria o TDAH, e muito menos genética. Não dá para pensar em porcentagens. Em Medicina, sobre doenças desse tipo fala-se em 1 para 100 mil ou em 1 para 1 milhão. Então, é algo socialmente que vem se produzindo. Quando digo isso, de novo, não estou dizendo que a família é a culpada. Pelo contrário, é um modo de viver que estamos produzindo.

Portal Unicamp – Quem está sendo medicado?
Cida Moysés – São as crianças questionadoras (que não se submetem facilmente às regras) e aquelas que sonham, têm fantasias, utopias e que ‘viajam’. Com isso, o que está se abortando? São os questionamentos e as utopias. Só vivemos hoje num mundo diferente de 1.000 anos atrás porque muita gente questionou, sonhou e lutou por um mundo diferente e pelas utopias. Quando impedimos isso quimicamente, segundo a frase de um psiquiatra uruguaio, “a gente corre o risco de estar fazendo um genocídio do futuro”.  Estamos dificultando, senão impedindo, a construção de futuros diferentes e mundos diferentes. E isso é terrível.

Portal Unicamp – Na França, o TDAH é praticamente zero. A que se deve isso?
Cida Moysés – Isso se deve a valores culturais, fundamentalmente.

Portal Unicamp – Isso em países desenvolvidos?
Cida Moysés – Não necessariamente. Ninguém pode dizer que os EUA não sejam desenvolvidos. Não obstante, o país é o primeiro grande consumidor mundial da ritalina, da onde irradia tudo. O Brasil vem logo em seguida, como segundo consumidor mundial. Ao contrário do que se propaga, de que a taxa de prevalência é a mesma em todos os lugares, isso não é verdade. Varia de 0,1% a 20%, conforme o estudo da Universidade McMaster do Canadá. Varia de acordo com valores culturais, região geográfica, época e conforme o profissional que está avaliando. Há trabalhos que mostram, por exemplo, que médicas diagnosticam mais TDAH em meninos e que médicos mais em meninas, provavelmente por uma falta de identificação. Alguns trabalhos mostram que crianças pobres têm mais chances de receber o diagnóstico. Estamos falando de uma Era dos Transtornos – uma epidemia dos diagnósticos. A França tem uma resistência muito grande a isso por uma questão de formação de médicos, de valores da sociedade. Lá eles têm um movimento muito grande desencadeado por médicos, muitos deles psiquiatras, que se chama collectif pas de 0 de conduite. Esse movimento surgiu como reação à lei que propunha avaliar o comportamento de todas as crianças até três anos de idade. Era um modelo que pegava especificamente pobres e imigrantes. O movimento conseguiu derrubar tal lei.

Portal Unicamp – Existe no Brasil alternativa diferente da medicalização, da visão organicista?
Cida Moysés – Temos uma articulação mais recente que é o Fórum sobre Medicalização da Educação e da Sociedade, o qual eu e o Departamento de Pediatria da FCM-Unicamp integramos. O nosso Departamento é o seu membro fundador, tendo mais de 40 entidades acadêmicas profissionais e mais de 3.000 pessoas físicas no Brasil, que estão buscando difundir as críticas que existem na literatura científica sobre isso. Além do mais, procuramos construir outros modos de acolher e de atender as necessidades das famílias dos jovens que vivenciam e sofrem com esses processos de medicalização. Em novembro, a Unicamp promoverá um Fórum Permanente sobre Medicalização da Vida, que irá abordar essas questões de medicalização e de patologização da vida. Todos estão convidados.

Fonte: Jornal da UNICAMP em 05/08/2013 - 16:28

Colaboração do perfil do Facebook de Verônica Alencar e Eleonora Ramos, em 7 e 8 de agosto de 2013.

4 de ago de 2013