4 de mar de 2016

O Oscar e a violência sexual - Childhood, pela proteção da infância



A noite do Oscar 2016 se revelou um espaço propício para o debate social e político: começou com o discurso sobre representação racial em filmes, conduzido pelo apresentador negro Chris Rock, e continuou com a exposição de uma ampla variedade de causas, de mudanças climáticas à violência sexual.

Spotlight, eleito o melhor filme segundo a Academia, contou por meio da telona a história de um grupo de jornalistas do The Boston Globe, no Estados Unidos, que revelou casos de abuso sexual contra crianças no mundo inteiro. O diretor conseguiu evitar os clichês e criou um drama com forte crítica social.

Outro momento significativo durante a cerimônia foi a performance de Lady Gaga. Pela primeira vez, a artista concorreu ao prêmio e apresentou a música “Til It Happens to You”, composta especialmente para a trilha sonora do documentário “The Hunting Ground”, que denuncia a violência sexual sofrida diariamente por jovens, mulheres em sua maioria, em universidades dos EUA. A apresentação da cantora contou com a introdução excepcional do Vice-presidente norte-americano Joe Biden, político que ajudou a escrever a lei que considera crime a violência contra as mulheres (Violence Against Women Act – 1994) no país.

A apresentação emocionou o público desde o início, mas atingiu seu clímax perto do final, quando um grupo de jovens vítimas de abuso sexual se juntou à Gaga no palco, expondo em seus antebraços frases de apoio e conscientização sobre o tema, tais como “Sobrevivente”, “Não é sua culpa” e “Indestrutível”.

De que forma a Childhood está inserida neste contexto?

Episódios como o do Oscar 2016 contam com intensa exposição midiática (veículos e redes sociais), exponencializando o buzz em torno do assunto em questão não apenas no país onde aconteceu, mas no mundo inteiro.

Denúncias e mensagens de empoderamento aquecem o debate ao redor do tema “violência sexual” de forma muito ampla, beneficiando lutas aparentemente distintas, como violência sexual contra crianças e violência sexual contra mulheres, mas que têm em comum uma mesma possível causa: a cultura machista e as dimensões de gênero.

As estatísticas revelam que meninas e mulheres são as vítimas mais frequentes da violência sexual. O machismo ainda vigente na sociedade cria desigualdades nas relações de gênero e promove uma imagem da mulher como mero objeto sexual. A consolidação deste ideário acaba por reforçar como natural a oferta do corpo feminino – tanto de adultas quanto de adolescentes e crianças.

Dessa forma, para entender as principais causas da violência sexual contra crianças e adolescentes, e criar ações efetivas de educação e sensibilização, deve-se levar em consideração as questões de gênero, quebrando estereótipos sexistas e rompendo com a culpabilização da vítima. A reflexão proposta dentro de um evento como o Oscar por uma artista de visibilidade mundial serve para colocar em pauta um assunto que ainda é tabu e permanece invisível para a sociedade.

Levando em consideração que a maior parte das mulheres sofreu o primeiro abuso ainda na infância, entre 9 e 10 anos, como mostrou a campanha da hashtag #PrimeiroAssédio, é mais do que importante levar o tema à visibilidade. Discutir sobre o assunto, deixá-lo visível é um dos primeiros passos para o enfrentamento da exploração e do abuso sexual de crianças e adolescentes. A educação sexual é a melhor forma de prevenção.

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Fonte: Childhood , 2 de março de 2016.

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