28 de out de 2012

Minha caminhada ao Fim do Mundo

 

Estimado leitor do blog,

Nesse domingo quero compartilhar com você a minha caminhada rumo à Finisterre em reverência àqueles que aprenderam a caminhar sobre as águas por que sonhavam encontrar um Mundo Novo.

 

  DSC04804 Foto: Cida Alves

 

 

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Foto: Cida Alves

 

 

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Foto: Cida Alves

 

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Foto: Cida Alves

 

OS QUE QUEREM A PAZ

Miguel Anxo Fernán-Vello*

 

Os que sonham com uma pátria de árvores antigas

e o sol treme na selva como uma chama verde

inaugurando a luz dos campos.

 

Os que têm o mar preso nos seus olhos

e leem no vento a rota invisível de uma estrela

que anuncia a exalação do norte.

 

Os que cantam na hora central dos dias

- ternura necessária de palavras de argila –

contra a forma metálica do medo,

contra o poço que sobe como um fio de pedra

amordaçando a água.

 

Os que procuram a suave direção dos amanheceres

e perfuram no código do silêncio o brilho azul,

a casa do horizonte construindo outra luz,

a brisa germinal que ilumina o coração da flor.

 

Os que sabem na altura da memória

medir o verso humano do futuro:

a terra livre que clamou tanto sangue,

o astro firme na voz que foi semente,

a condição do amor orientando as raízes,

a cantiga que eleva a lucidez do mundo.

 

Contra a dor ancorada no redemoinho escuro do tempo

contra o arame negro que transita a pobreza,

contra a fome sonâmbula que caminha na noite,

contra o terror que arde na história repetida,

os querem a paz criam fendas no duro muro da paciência

e avançam florescendo a liberdade,

crescendo como um rio de palavras que fervem,

armadas como o vento que assobia triunfante

sobre o ferido pedestal

que derrubou

a primeira hora liberada do amanhecer.

 

 

Fotos de Cida Alves, Finisterre – Galicia (ES)  em 26 de outubro de 2012.

*Poema extraído do livro “CONSTRUÍNDO A PAZ” de Xesús R. Jares (coord.) Editora Xerais de Galicia, 1996.

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