10 de fev de 2012

Um estímulo à reflexão sobre a internação compulsória dos usuários de crack

 

Ninguém tem dúvida que o crack é um gravíssimo problema social, pois tem um efeito devastador no organismo do usuário e na vida de seus familiares. Sabemos ainda que as tecnologias, práticas e conhecimentos terapêuticos presentes no sistema público de saúde são precários ou insuficientes para enfrentar esse complexo e desafiador problema.

Medidas pontuais ou repressivas podem até gerar uma sensação de alívio ou de segurança na maioria da população brasileira. Mas, infelizmente, elas não resolverão a questão. Sem ações integradas e permanentes dos setores de segurança pública, assistência social, saúde, dentre outras, a rede que se beneficia com o lucro do crack continuará ganhando a parada.

Temos que nos debruçar com calma e lucidez ante esse desafiador problema social. A complexidade que o uso do crack envolve coloca os profissionais da saúde, em especial da saúde mental, cara a cara como inúmeros e desestabilizadores dilemas.

Para contribuir com a reflexão de um dos dilemas mais frequentes vividos pelos profissionais da saúde – A urgência de intervenção terapêutica para reduzir danos versus o respeito inalienável à autonomia do cidadão que está adoecido - deixo abaixo a comovente cena do filme “As horas”.

 

Abaixo a nota de repúdio do CFP

O Conselho Federal de Psicologia questiona objetivos e métodos adotados na chamada Ação Integrada Centro Legal, em curso desde o dia 3 de janeiro de 2012 na cracolândia, em São Paulo. O CFP entende que a estratégia, da forma como vem sendo executada, baseada na ostensiva ação policial, não só não resolve o problema, como provoca a violação dos direitos humanos dessas pessoas já fragilizadas.

O CFP defende uma política sobre drogas baseada no fortalecimento da rede pública de saúde, com a ampliação de consultórios de rua e dos Centros de Atenção Psicossociais (CAPs), que realizam atendimento de forma intersetorial, envolvendo psiquiatras, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais e outros profissionais da saúde.

Por isso, orienta que psicólogas e psicólogos denunciem qualquer violação aos direitos humanos em ações de combate ao crack e espera que a ação baseada na “dor e sofrimento” não se repita em outros Estados.

O Conselho Regional de Psicologia de São Paulo acompanha a situação. Na quarta-feira, 11 de janeiro, o CRP-SP participou da reunião realizada na Câmara dos Vereadores de São Paulo, e ao lado de outras entidades da sociedade civil, repudiou a ação militar.

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