10 de nov de 2009

"Quando o silêncio é rompido"




Caro Sr. William,

(comentário da postagem O judiciário e a arriscada aposta em vínculos familiares idealizados e artificiais)


Sinceramente não compreendo como ao ler a descrição do medo e ansiedade vividos pela criança o Sr pode relatar tal fato com... “É preciso ter cuidado ao tomar lados, as vezes quem parece a vítima, é apenas o lobo em pele de cordeiro.”

O relato descreve de forma paulatina a tentativa de ajuda às crianças para um reencontro que envolvia muito sofrimento, é um texto descritivo!! E traz reflexões...não é uma peça do processo e portanto não deve ser tratado como tal!

O Sr. sugere um filme, eu gostaria de sugerir alguns livros e documentos ...

Sugiro especificamente os textos de Scodelario (2002), Araújo (2002) e Gabel (1997), Lamour (1997) Furniss (1993) para que possam compreender como se estabelece a Síndrome do Silêncio ...
Gostaria também de aproveitar o espaço para problematizar uma questão: quando o silencio é rompido, mesmo que num blog, ainda existem tentativas de silenciar a psicóloga desqualificando seu trabalho!

Gostaria que o debate pudesse ocorrer com base no conhecimento já construído e divulgado acerca da violência sexual... para isto não é preciso desqualificar a fala do outro, mas fundamentar a própria fala com algo que não seja o senso comum de uma sociedade até então adultocêntrica e patriarcal (vide Guacira Lopes Louro e Heleieth Saffioti)!

Segue abaixo minhas sugestões...

ABUSO sexual doméstico: Atendimento às vítimas e responsabilização do agressor. CRAMI -Centro Regional aos Maus Tratos na Infância. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: UNICEF, 2002 (Série fazer valer os direitos; v. 1).

ARAÚJO, Maria de Fátima. Violência e abuso sexual na família. Psicologia em Estudo, Maringá,7(2), p. 3-11, jul.-dez., 2002

AZEVEDO, M.A. Crianças Vitimizadas: A Síndrome do Pequeno Poder. São Paulo: Iglu Editora LTDA, 1989.

BLOOM, Shelah S. VIOLENCE AGAINST WOMEN AND GIRLS A Compendium of Monitoring and Evaluation Indicators. USAID East Africa Regional Mission, 2008.

COHEN, C. Sáude Mental, Crime e Justiça. São Paulo: Edusp, 2006.

Falando sério sobre a escuta de crianças e adolescentes envolvidos em situação de violência e a rede de proteção. Conselho Federal de Psicologia, Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia (Orgs), 2009.

FURNISS, Tilman. Abuso sexual da criança: uma abordagem multidisciplinar. Tradução: Maria Adriana Veríssimo Veronese. 2. reimpr. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.

GABEL,M. Crianças Vítimas de Abuso Sexual . São Paulo: Summus Editorial,1997.

LAMOUR, Martine. Os abusos sexuais em crianças pequenas: sedução, culpa, segredo. In: GABEL, Marceline (org.). Crianças vítimas de abuso sexual. Tradução: Sonia Goldfeder. São Paulo: Summus, 1997, p. 43-61.

SCODELARIO, Arlete Salgueiro. A família abusiva. In: FERRARI, Dalka Chaves de Almeida; VECINA, Tereza Cristina Cruz (org.) O fim do silêncio na violência familiar: teoria e prática. São Paulo: Agora, 2002, p. 95-106.

Espero que apos considerar estas leituras possamos continuar o dialogo.





Ionara Vieira Moura Rabelo
Psicóloga
Goiânia (GO)






Doutoranda em Psicologia pela UNESP-ASSIS (2008) e pesquisadora do Nucleo de Estudos sobre Violência e Gênero (NEVIRG), mestrado em Psicologia pela Universidade Católica de Goiás (2003), possui graduação em Psicologia pela Universidade Católica de Goiás (1994), graduação em Educação Física pela Escola Superior de Educação Física de Goiás (1992). Faz parte do grupo de trabalho sobre treinamento de gênero que colabora com o INSTRAW- United Nations. É professora adjunta da Universidade Paulista (UNIP- Campus Flamboyant/Goiânia), no momento licenciada para cursar Doutorado, pesquisadora colaboradora da Universidade Católica de Goiás. É psicóloga do Núcleo de Prevenção à Violência e Promoção à Saúde da Secretaria Municipal de Saúde da cidade de Goiânia(licenciada para estudos fora do muícípio). Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Psicologia Social e Saúde atuando principalmente nos seguintes temas: processos psicossociais, gênero, saúde coletiva, reforma psiquiátrica e psicologia da saúde. (fonte: currículo lattes)

2 comentários:

  1. Amiga, desta vez considero a sua "compra de briga" como legítima e admiro muito a sua "petulancia"em se meter neses assuntos. Se nós não fossemos tão covardes, talvez juízes como este q autorizou a reaproximacão deste suposto agressor, analisaria este caso de forma pelo menos mais cuidadosa, pra não dizer mais imparcial. Boa sorte, bjm.

    ResponderExcluir
  2. Cara Ionara,

    Obrigado pela sua manifestação. Eu enviei uma resposta sobre a questão da identificação, mas o comentário não foi postado apesar de ter me qualificado no final do texto. Tentarei enviar novamente.

    Acho estranho que alguém de fora que lança uma critica a visões unilaterias ser recebida de forma tão pessoal.

    Como profissionais da área esperava maior isenção e na verdade maior conhecimento sobre algumas questões.

    Vejam que de forma alguma estou aqui defendendo a violência ou o abuso seja ele sexual ou psicológico. Nesse quesito, creio estamos todos do mesmo lado.

    Apesar de minha formação não ser na área da psicologia ou psicanálise tenho lido e estudado muito material. Da sua lista de livros já li e tenho Araujo e Cohen.

    Como parece não ter ficado claro, minha contestação está relacionada a forma de interpretar a verbalização da criança.

    As estatísticas atuais mostram que 1/3 das denuncias de abuso sexual são falsas.

    Nesses casos comprovadamente falsos, depois de demorados estudos psico-sociais, um dos itens que mais chamam a atenção do grupo multidisciplinar é a implantação de falsas memórias.

    Ou seja, crianças e mesmo adolescentes, que verbalizam situações que parecem corroborar a versão do abuso apresentada pela mãe, mas que no fundo não representam experiências vividas pela criança.

    Meu comentário foi portanto um alerta para que independente de qual seja o caso em tela, e mesmo havendo manifestação contundente da criança, a análise dos profissionais não seja "rasa".

    Que o profissional envolvido faça um estudo aprofundado para identificar se os argumentos da criança são compatíveis com a sua idade e principalmente se os relatos contém elementos reais.

    Uma vez que você não conhece o documentário "A Morte Inventada" sugiro que busque uma cópia do mesmo junto ao site da APASE (www.apase.org.br).

    Lá poderá também ter contato com outros livros sobre o tema alienação parental, falsas denuncias de abuso sexual, tirania do guardião, guarda compartilhada, mediação familiar e sobre perícias psicológicas.

    Não podemos fechar os olhos para um fato cada vez mais frequente que é o afastamento de pais de seus filhos provocados por guardiões emocionalmente desestruturados.

    Se a violência sexual é algo abominável e passível de tratamento, também o é a violência psicológica.

    Finalizando, esclareço que atuo em ONGs de proteção a crianças e desenvolvo em minha cidade trabalhos sociais junto ao CMDCA e ao CMAS.

    Espero de verdade que esse comentário seja publicado, bem como o feito anteriormente na tréplica da Cida.

    []'s

    William de Oliveira
    CPF 058.922.228-70
    Tel: 19 8821-6115
    Email: fox0021@gmail.com

    ResponderExcluir

Participe! Adoraria ver publicado seu comentário, sua opinião, sua crítica. No entanto, para que o comentário seja postado é necessário a correta identificação do autor, com nome completo e endereço eletrônico confiável. O debate sempre será livre quando houver responsabilização pela autoria do texto (Cida Alves)