18 de fev de 2011

Operação da PF em Goiás caça PMs acusados de tortura e mortes.



Após várias denúncias e investigações levantadas pela Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás, a Polícia Federal de Goiás deflagrou na manhã de hoje (15), a Operação Sexto Mandamento com o objetivo de desarticular organizações criminosas compostas por policiais militares que agem como grupos de extermínio no Estado.

Nesta tarde, Mauro Rubem esteve na sede da Polícia Federal para acompanhar a coletiva concedida pelo secretário de Segurança Pública de Goiás, João Furtado Neto, pelo Comandante Geral da PM, coronel Raimundo Nonato, pelo procurador-geral de Justiça de Goiás, Eduardo Abdon Moura e pelo Superintendente da Polícia Federal Regional de Goiás,Carlos Antonio da Silva, sobre a Operação Sexto Mandamento. Na ocasião, o parlamentar questionou a possibilidade de existir uma vala com os 12 corpos desaparecidos no entorno de Goiânia e cobrou providências quanto a localização destes corpos, além de evidenciar o trabalho da Comissão de Direitos Humanos nesta problemática. "A Comissão teve um trabalho intenso de denúncias sobre esses desaparecimentos e execuções resultantes de violência policial. Há 6 anos estamos trabalhando com isso. Gostaríamos que essa operação tivesse acontecido há mais tempo, assim poderíamos ter evitado muitas mortes, entretanto, pretendemos intensificar a fiscalização para que outros grupos de extermínio sejam localizados", evidencia.

Desde 2002, enquanto presidente da Comissão de Direitos Humanos, o deputado Mauro Rubem (PT-GO), tem sido um dos principais proponentes desta discussão no estado ao cobrar dos órgãos competentes, investigações e providências acerca das execuções e desaparecimento de pessoas abordadas por policiais militares. O parlamentar, preocupado com a necessidade de implantar um novo modelo de segurança pública cidadã em Goiás, tem realizado audiências e apresentado requerimentos para garantir o compromisso do poder público com o tema.

Para Mauro Rubem, a ação da Polícia Federal merece aplausos já que representa um grande progresso para a segurança pública do estado. “Temos lutado pelo afastamento, punição e penalização dos envolvidos há muito tempo, entretanto, medidas mais efetivas em relação às execuções não tinham sido tomadas. Chegamos a presenciar alguns casos de promoções de integrantes da organização criminosa, o que é lamentável para o Estado”, avalia.

O trabalho

A partir de 2005, a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás começou a receber denúncias de desaparecimentos e execuções resultantes de abordagens policiais. Com isso, veio a necessidade de demandar ações em parceira com o Ministério Público, Tribunal de Justiça, sociedade civil e outros órgãos competentes em Brasília, com o objetivo de fiscalizar os atenuantes que reconheciam a existência de grupos de extermínio no estado.

Visando averiguar tal situação, foi realizado um protesto com mais de 700 pessoas, em 2005, pedindo esclarecimentos sobre os desaparecimentos e execuções, além de dar inicio a um cronograma de ações em prol da redução da violência em Goiás. Neste mesmo ano, foi realizada uma audiência pública, sob iniciativa do deputado Mauro Rubem, para discutir o desaparecimento do garoto Murilo, de apenas 12 anos que após de ser abordado por policiais no dia 24 de abril do mesmo ano, nunca mais foi visto.

Com o crescimento do número de desaparecidos, surgiu a necessidade de realizar outra audiência pública, em 2006, com familiares de vítimas e pessoas desaparecidas, além de organizações do segmento de direitos humanos e segurança pública visando reforçar a problemática no estado. Com as discussões levantadas neste evento, familiares e organizações não governamentais criaram o Comitê Goiano pelo Fim da Violência Policial.

A maior prova pública de formação dessas organizações criminosas aconteceu em Aragarças, em 2008, quando o sobrevivente de uma chacina reconheceu um sargento da PM como autor dos disparos. Com este episódio, já não era possível permitir que as autoridades fechassem os olhos para a realidade. Mauro Rubem intensificou as discussões e cobranças acerca da situação e desde então, tem sido um dos maiores interlocutores da discussão. Mesmo reconhecendo os avanços decorrentes desta operação, o parlamentar evidencia a necessidade de encontrar o paradeiro dos corpos desaparecidos.


Fonte: Portal 730 em 15 de Fevereiro de 2011 20:10 Altair Tavares

Um comentário:

  1. Querida Cida,

    Preciso confesar-lhe que somente a pouco minutos visitei pela primeira vez o seu blog.
    Ele ficou incrível!!!!
    Parabéns pela iniciativa, pela criatividade e pela capacidade que você tem de se indignar com as injustiças (especialmente aquelas cometidas contra crianças) e de transformar esta indignação em atitudes de informação, formação e, porque não dizer, de transformação em busca de um outro mundo possível. Um mundo onde todos nós possamos viver com dignidade; respitando uns aos outros em nossas diferenças.
    Desejo e acredito que um dias todas as pessoas possm ter as suas canções lembradas e cantadas por tod@s!!!

    Abraço Fraterno!

    Morgana Rodrigues

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