21 de jan. de 2019

Médico do TJ-GO é investigado por assédio após denúncias de colegas - Vitor Santana e Honório Jacometto, G1 GO e TV Anhanguera #IrmãEuAcreditoEmVocê #HermanaYoTeCreo


O médico Ricardo Paes Sandré é investigado por assédio contra subordinadas dentro do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), em Goiânia. Colegas relataram abuso de autoridade e que o profissional insinuava querer manter relações sexuais com elas. A defesa diz que todas as acusações são falsas.
[Ele disse] Eu estou aqui à disposição, eu abaixo a calça e é rapidão”, declarou uma das denunciantes durante depoimento ao Ministério Público. As gravações foram obtidas com exclusividade pela TV Anhanguera.

O Ministério Público ouviu o depoimento de 85 pessoas e instaurou um Inquérito Civil Público para apurar o caso. “Ele falava: ‘você está precisando é dar. Você tem que dar. Resolve todos os problemas. Tem muito tempo que você fez? Não vai ficar com teia de aranha aí’”, disse, em depoimento, uma das mulheres.

Ela conta ainda que não denunciou o caso à época porque temia ser processada por calúnia e difamação. Outra testemunha disse que o médico andava armado e era amigo e parente de pessoas muito influentes.

"Eu considero ele uma das pessoas mais influentes do estado. Ele tem privilégio de ser médico, genro do presidente [do TJ] e o irmão dele era magistrado, então ele tem muita influência, tem muito poder político", disse.

Segundo os promotores, apesar das denúncias de assédio sexual, o médico não é investigado por este crime, pois havia prazo de seis meses para que as vítimas fizessem as denúncias e esse prazo expirou. O MP-GO apura atos de improbidade administrativa.

As investigações começaram em maio de 2017. O profissional é concursado e ocupava a direção do Centro de Saúde do órgão. Com as denúncias, ele deixou o cargo, mas segue como médico. Nesta quinta-feira (17), a corregedoria do TJ começa a ouvir testemunhas dos supostos assédios.

O órgão disse que o presidente do TJ-GO declarou impedimento no caso e não vai se pronunciar sobre o assunto. O processo é sigiloso e está na fase de ouvir as testemunhas.

O advogado Thomaz Ricardo Rangel, que defende o médico, diz que as acusações são falsas. “Não houve nenhum assédio moral e nem tampouco sexual. Nenhuma dessas acusações de fato aconteceu. É de uma clareza solar que isso não aconteceu e há provas disso”, disse.

Além disso, ele afirmou que tudo isso está sendo feito para prejudicar o médico após mudanças internas no tribunal e que não são de responsabilidade do profissional.

Existem os médicos que trabalham na junta médica e os que atuam no centro de saúde. Em uma viagem, um comitê de saúde viu que no tribunal do Rio de Janeiro, médicos da junta médica também atendem no centro de saúde e decidiram implantar aqui em Goiás. E isso desagradou e atingiu o interesse de algumas pessoas lá dentro”, explicou o advogado.

O defensor disse ainda que vai apresentar as provas da inocência do médico à Corregedoria do órgão.

O Conselho Regional de Medicina (Cremego) disse que está apurando as denúncias contra Ricardo Paes Sandré, mas que todo o processo tramita em sigilo de acordo com o Código de Processo Ético-Profissional.

Em nota, o Sindicato dos Médicos de Goiás (Simego) informou que recebeu uma comissão de médicos do TJ em outubro de 2007 "denunciando práticas em tese abusivas do médico em questão e de imediato convocou uma Assembleia Geral Extraordinária para tratar do assunto".

Após reunião com o Tribunal de Justiça, o sindicato comunicou ao Cremego todos os fatos para que o conselho apreciasse eventual ofensa ao código de ética médica.

"Portanto, todas as soberanas decisões tomadas pelos médicos do TJGO, nas assembleias gerais convocadas pelo SIMEGO, foram prontamente atendidas pelo sindicato", diz o comunicado.

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