4 de jun de 2012

Educar é ... dar amor e limites que servem para a vida toda! - Naiana Dapieve Patias

 

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“Meu pai sempre dizia: não levante a sua voz, melhore os seus argumentos.”

Desmond Tutu – Prêmio Nobel da Paz

 

 

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Naiana Dapieve Patias*

 

 

A tarefa de educar os filhos tem sido muito discutida, principalmente após o projeto de Lei 7672/2010, mais conhecido como a “Lei da Palmada”. É certo que educar não é tarefa fácil e que muitos pais utilizam a palmada dita como educativa na educação dos filhos. Bem, há muito tempo e em muitas culturas tem-se ainda utilizado a “palmada” como maneira de reprimir os filhos por algum comportamento inadequado. No entanto, estudiosos da área da psicologia e educação perceberam, através de inúmeros estudos no decorrer dos anos, que essa forma de educar pode até ser eficaz para que o comportamento inadequado da criança seja interrompido, mas no momento em que o cuidador dá a “palmada”. Isso quer dizer que a criança pode repetir o mesmo comportamento quando os pais não estão com ela, porque ela não entendeu o motivo de não poder se comportar de tal forma, mas aprendeu que se o fizer, vai ser punida. Além disso, a palmada acaba ensinando que bater é uma forma de resolver problemas e é permitido fazer isso. Aí as crianças podem bater no coleguinha da escola, e até mesmo dar um tapa nos pais. Sim, porque as crianças imitam o que os adultos fazem principalmente os adultos que lhes são importantes, como seu cuidadores.

Bem, mas voltando à “Lei da palmada”, essa tem o intuito de trazer à tona a discussão de que, além da palmada não ser educativa, ela pode trazer consequências para o desenvolvimento da criança. Sim, uma “simples” palmadinha, por mais que os pais tenham a intenção de educar, pode machucar a criança. Falo aqui de machucar, não só no sentido de doer fisicamente, mas também emocionalmente. “Aqueles que me amam, também me machucam”. Além do mais, a palmadinha de hoje, pode amanhã ser “mais pesada” quando, por exemplo, a mãe, pai ou outro cuidador chega em casa cansado, sem paciência ou estressado do trabalho. A mão será mais “pesada” e vai doer mais. E outra: os pais e outros cuidadores têm-nos dado indícios de que dão a palmada quando perdem o controle e a paciência.

Certa vez, quando estava palestrando em uma escola para alguns pais que aceitam a palmada como forma de educar, uma mãe me disse: “ah, eu dou uma palmada de vez em quando porque eu perco a paciência!”. Dessa forma, estudos têm indicado que os pais batem nos seus filhos por inúmeros motivos (não conhecem outra forma de educar; foram educados dessa maneira e acreditam que essa é a forma mais correta; não possuem tempo para ficar dialogando com a criança e acreditam que dar palmada cessa o comportamento e faz efeito; e porque “perdem” a paciência e o controle). Pensamos: somos seres humanos e perdemos o controle, nos angustiamos, nos estressamos, nos cansamos. E vamos combinar: tem que ter paciência para sentar e explicar à criança que aquilo que ela fez não pode, é errado “por isso e por aquilo”. Mas educar é isso! É explicar, explicar... e explicar, e sentar e dizer novamente. É dizer “não”. É dar limites. È saber quando fazer isso. É também dar carinho. É conversar. É ouvir a criança, seu ponto de vista....

EDUCAR DÁ MUITO TRABALHO! E TEM QUE TER PACIÊNCIA! Isso não quer dizer que a gente não pode errar, pelo contrário, já diz o ditado “é errando que se aprende” e a criança vai testar seus pais... E vai aprender o que pode e o que não pode através da observação do comportamento de seus pais, seus cuidadores e pessoas com quem convive. Por isso, os adultos que convivem com as crianças devem ter muito cuidado com o que dizem e fazem. Não adianta falar para a criança não gritar, gritando! Além disso, dizer para não mentir, mas ao tocar o telefone a mãe fala para o pai: “atende o telefone e se for pra mim, diz que não estou”. A criança pode pensar: como assim? Não é para mentir, mas a mãe está mentindo? A criança então precisa de uma base, e que essa base seja sustentada pelo comportamento dos pais. Aqui vale aquela ressalva: “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço.” A criança ainda não sabe diferenciar. Por isso na tarefa de educar, isso também vale. Os cuidadores devem prestar atenção na forma como se comportam, se isso não contradiz com o que fala pela criança. Além do mais, é importante que todos os cuidadores conversem entre si e possuam metas claras e objetivas. O pai diz que sim e a mãe diz que não. Como a criança fica? É sim ou não? O que ela faz? Ela não sabe o que fazer quando um diz uma coisa e outro diz outra coisa.

Bem, sabemos que não há receita de bolo para educar os filhos. Mas algumas dicas são sempre preciosas, como: saber escutar os filhos; ter paciência; preferir a conversa, o diálogo; explicar o porquê das coisas (o porquê sim e o porquê não); respirar e tentar se acalmar quando perceber que pode perder o controle e bater no filho. Claro, o pai, a mãe, a avó, o avô, o tio, a tia, também são humanos e podem perder a paciência, magoarem-se. É importante que os adultos sejam sinceros com a criança e demonstrem seus sentimentos: “não gostei do que você fez por isso e aquilo”; “agora estou chateado, conversamos depois” – os pais podem fazer isso, assim como a criança. Às vezes então, é melhor deixar a conversa para depois, quando “a poeira baixar”. A criança vai entender e assim os canais de comunicação ficam abertos. Além disso, o ideal é que os pais também possam elogiar a criança, dizendo que a forma como ele (a) se comportou foi legal. Recompensar a criança com um elogio faz muito bem para a autoestima da criança! Além de fazer bem para o relacionamento entre pais e filhos. Quem não gosta de ser elogiado?

Claro que cada criança reage de uma forma e o adulto também. Cada um possui suas especificidades. Educar é assim mesmo: é ir testando qual a melhor forma de dar limites, de dizer não, de explicar... De agradá-la. Por fim, quero deixar claro: a criança precisa de carinho, amor e limites! A forma como os pais fazem isso é um acordo entre eles e outros cuidadores. O importante é ter metas claras e consistentes entre os cuidadores e respeitar os limites da criança, sua idade, seu desenvolvimento. Também não vai adiantar dar mil explicações para uma criança de dois anos. Os pais podem apenas dizer: “você não pode fazer isso, por isso” e ponto. O ideal é ser claro, consistente e não bater nas crianças. Bater nas crianças só vai gerar um ambiente de medo, hostilidade e sofrimento, tanto para os pais, quanto para os filhos. O que se ensina hoje para a criança, ela vai levar para a vida toda. Por isso: “Valores que amanhecem, valores que permanecem”. Que valores os pais desejam passar para os seus filhos?

Se você quiser saber dicas de educação e sobre o desenvolvimento da criança, vale a pena acessar o site: www.redenaobataeduque.org.br. Lá você também vai saber por que o Projeto de lei da palmada é importante.

*Naiana Dapieve Patias é Psicóloga, Mestre em Psicologia (UFSM) e Doutoranda em Psicologia no Programa de Pós Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Texto publicado na Revista Escola de Pais, Rio Verde, Goiás.

Postado no Facebook da Rede Não Bata Eduque em 18 de Maio de 2012.

Um comentário:

  1. Cida,prazer em conhecê-la goste muito da sua página,esta e ado soldadinho de chumbo. Antes de ler esta página,era a favor,sabe aqui em casa somos 6 todos fomos criados não foi com tapinha não foi com cinto mesmo do lado da fivela,hoje amo meus pais,e chego até a pensar,será que se tivesse sido diferente eu era a pessoa que eu sou agora,e com meu filho? vou ser assim também? essa página me levou a pensar que pessoas que agem assim são porque não tem a cultura do diálogo não sabem nem conversar,ou sempre acham que uma criança só vai entender algo quando tiver maior,e ai acabam partindo para violência,pois acham que é a forma mais prática de se educar ,aqui em casa meu pai só resolvia assim mais tinha um diferencial,ele batia e depois a maior dor era quando ele reunia a gente e dava um sermão que ele dividia em três etapas.isso fazia a gente refletir muito e não fazer nem longe deles,acho que foi por isso que ainda amamos muito eles,e nunca nos revoltamos com eles como a maioria ficam,pois não tem o diálogo. Hoje em dia é claro que a paciência e o diálogo são as palavras chaves para uma educação saudável.quero te agradecer por me fazer refletir sobre isso,pois sei que meus filhos vão ser norteados com amor.Muito Obrigada Deus te ilumine sempre!

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