10 de set. de 2011

Proteja a vida de quem você ama: não guarde armas de fogo dentro de casa

 

tirearma

“Não há lugar seguro para esconder arma em casa”, afirma o especialista em segurança Rodrigo Pimentel

Acesse AQUI a entrevista com Rodrigo Pimentel

 

Acidentes com armas é mais comum que você imagina

Diariamente são registradas inúmeras ocorrências envolvendo acidentes com armas de fogo.

A falta de treinamento, o desconhecimento de regras básicas de segurança no manuseio e a situação de estresse no momento de precisar usá-la têm originado mortes ou ferimentos de inocentes ou do próprio proprietário do revólver ou pistola.

Acidentes com armas é mais comum que você imagina

Algumas ocorrências que ocorrem diariamente no Brasil:

Bebê de seis meses é morto pelo pai
Um bebê de apenas seis meses foi morto com um tiro de espingarda disparado pelo próprio pai. O incidente ocorreu no distrito de Cariparé, zona rural de Riachão das Neves, na Bahia. Segundo a mãe da criança, o objetivo do marido era matá-la por ter saído de casa, mas o tiro acabou atingindo o bebê que estava no seu colo. O lavrador Marcos Merciano Figueiredo, que está foragido, ainda tentou atirar novamente, mas foi impedido pelas pessoas que estavam no local.
Fonte: A Tarde 8/9/2005


Menina de seis anos é morta por engano por primo
Uma menina de seis anos foi morta com um tiro disparado por um primo, no domingo (4), em Capão Redondo, Zona Sul de São Paulo. O crime aconteceu durante uma briga conjugal entre o rapaz e sua esposa. O motoboy Alenilton Ribeiro Costa, de 21 anos, teria pego a arma e atirado durante a discussão. O tiro pegou de raspão no ombro da mulher, mas atingiu a menina que morreu a caminho do hospital.
Fonte: O Globo 4/9/2005

Homem mira na mulher e mata a filha
Uma tragédia familiar chocou a cidade de Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul. Depois de discutir e tentar atirar na esposa, um pedreiro acabou matando a própria filha de sete anos. O pedreiro de 48 anos chegou à sua residência e começou uma discussão com a mulher, uma costureira de 31 anos. Nervoso, sacou de um revólver calibre 38 e ameaçou atirar na companheira. Observando a cena e chorando, a menina abraçou-se à mãe para interromper a discussão. O pedreiro apontou o revólver para a esposa e apertou o gatilho. A arma falhou cinco vezes. Na sexta tentativa, a criança jogou-se no colo da mãe e foi atingida por um disparo que lhe atravessou o peito. O homem fugiu, mas foi detido pela Brigada Militar.
Fonte: Correio do Povo 4/9/2005


Menina é morta com tiro acidental em João Pessoa
Uma garota de oito anos morreu após ser atingida no queixo por um tiro acidental dentro de sua casa, no bairro de Mandacaru, em João Pessoa, na Paraíba. Segundo a mãe da menina, o disparo foi efetuado quando a filha pegava uma toalha, que estava em cima do guarda-roupa, com um revólver calibre 38 enrolado. A arma pertencia ao companheiro da mãe da criança, que fugiu levando o revólver, antes da chegada da polícia. Os vizinhos ainda socorreram a criança que morreu quando estava sendo levada para o centro cirúrgico.
Fonte: Correio da Paraíba


Homem é ferido acidentalmente
Em Cascavel - CE, no mesmo dia em que uma mãe foi morta acidentalmente pelo filho, com um tiro de espingarda, aconteceu outro acidente com arma de fogo. Conforme o Comando de Policiamento do Interior, um adolescente disparou contra Enoque Edimilson dos Santos, 34, ferindo-lhe no tórax. Enoque foi levado para o Hospital Municipal de Chorozinho e depois transferido para o Instituto José Frota. O acidente ocorreu na localidade de Brito. O adolescente foi apreendido e levado para prestar esclarecimentos na Delegacia de Cascavel.
Fonte: Jornal O Povo 3/9/2005


Acidente: filho mata a mãe com tiro
A doméstica Maria Célia Gomes Nogueira, casada, 45, foi morta, em Cascavel, a 60 quilômetros de Fortaleza-CE, com um tiro acidental de espingarda, disparado pelo próprio filho Anacélio da Silva Nogueira, 21. De acordo com a polícia, o caso acorreu quando Anacélio disparou no quintal da casa para matar um capote a pedido da mãe. Ele contou que no momento em que apontava a espingarda para acertar o capote foi justamente no momento em que sua mãe passava. A vítima ainda foi socorrida para o hospital de Chorozinho, onde morreu.
Fonte: Jornal O Povo 03/09/2005

Arma de fogo não é brinquedo, é coisa séria e por isso deve ser usada por pessoas habilitadas, treinadas e capacitadas.

Acompanhe alguns dados estatísticos que envergonham o Brasil:

- Mortes por arma de fogo: 30,1%
- Mortes em acidentes de trânsito: 25,9%
- Mortes por outras causas externas: 44%

. O Brasil é o país onde mais se mata com arma de fogo em todo o mundo [1]. São mais de 38.000 mortos todos os anos!

. A cada 15 minutos um brasileiro morre vítima de arma de fogo [2].

. Segundo a AACD – Associação de Assistência à Criança com Deficiência, 40.8% dos pacientes com lesão medular que procuram seus centros de reabilitação foram vítimas de armas de fogo. Esses pacientes se tornaram tetraplégicos ou paraplégicos.
. Mais de 83% dos pacientes avaliados pela AACD eram homens.
. No grupo de pacientes de 12 a 18 anos, as lesões medulares por armas representam 61% dos casos.
. O Brasil responde, aproximadamente, por 3% da população mundial, mas ao mesmo tempo responde por 8% das mortes por arma de fogo no mundo [3].


. Estima-se que o número total de armas em circulação no Brasil seja de 17,5 milhões.


Apenas 10% dessas armas pertencem ao Estado (forças armadas e polícias), o resto, ou seja, 90% estão em mãos civis. Está na hora deste país se desarmar! [4].

Se considerarmos todas as mortes (naturais ou por causas externas) dos jovens brasileiros (15 a 24 anos), 38,8% acontecem por armas de fogo! Acidentes de trânsito somam 16% [5].

Mortes por PAF (projétil de arma de fogo): 38,8%
Mortes em acidentes de trânsito: 16%
Mortes por causas naturais: 19,8%
Mortes por outras causas: 25,4%

A taxa de mortes por arma de fogo no Brasil é de 21,8 por 100 mil habitantes. Já entre homens de 20 a 29 anos esta taxa é 5 vezes maior: 103,1 por 100 mil habitantes [6].
Fontes:

[1] Fonte: United Nations International Study on Firearm Regulation. United Nations, New York, 1998
[2] Fonte: DATASUS, 2002
[3] Fonte: Small Arms Survey, 2004 – Análise ISDP.
[4] ISER-Small Arms Survey, 2005.
[5] SUS / ISER 2002
[6] ISER, Brasil: as armas e as vítimas, 2005

Colaboração: site TUDO SOBRE SEGURANÇA – adminstrado por Jorge Lordello, especialista em segurança pública e privada e pesquisador criminal.

 

Campanha Nacional de Desarmamento: veja abaixo uma iniciativa de promoção da cultura de paz

Lei que institui Semana Estadual do Desarmamento Infantil é sancionada

Foi sancionada pelo Governador do Estado, e já está em vigor desde o dia 29 de agosto, a Lei nº 17.401/11, de autoria do Presidente da Comissão de Direitos Humanos, Cidadania e Legislação Participativa, deputado Mauro Rubem (PT), que institui a Semana Estadual do Desarmamento Infantil.

O objetivo da nova lei é promover anualmente, na semana do dia 12 de outubro, o desenvolvimento de atividades, campanhas e projetos de incentivo ao desarmamento das crianças, através da promoção de concursos de redação, monografias, produção de imagens e organização de atos públicos.

A proposta prevê o desenvolvimento de trabalhos de conscientização voltados para as famílias goianas, em parceria com escolas públicas e privadas, as quais poderão efetuar parcerias com organizações não governamentais (ONGs), associações profissionais, órgãos públicos estaduais e outras entidades afins para implementar os objetivos pretendidos pela Semana Estadual do Desarmamento Infantil.

A proposta também prevê a criação de postos de troca de armas ou de quaisquer outros brinquedos relacionados à violência, durante a semana, por outros que valorizem o esporte, integração social, afetividade, educação, cultura, bem como o desenvolvimento intelectual e da coordenação motora.

Mauro Rubem justifica sua iniciativa afirmando que a medida visa conscientizar as crianças não apenas sobre o uso de armas, mas também sobre a violência subentendida e enraizada em seu manuseio. O petista argumenta que a semana convida crianças e adultos à reflexão sobre os efeitos da banalização da violência.

Comissão de Direitos Humanos, Cidadania e Legislação Participtiva.

8 de set. de 2011

Cerca de 70% de crianças envolvidas com bullying sofrem castigo corporal, mostra pesquisa

Lucia

Segundo a pesquisadora Lúcia Cavalcanti Williams, meninos vítimas de violência severa em casa têm oito vezes mais chances de se tornar vítimas ou autores de bullying

Cerca de 70% das crianças e adolescentes envolvidos com bullying (violência física ou psicológica ocorrida repetidas vezes no colégio) nas escolas sofrem algum tipo de castigo corporal em casa. É o que mostra pesquisa feita com 239 alunos de ensino fundamental em São Carlos (SP) e divulgada hoje (30) pela pesquisadora Lúcia Cavalcanti Williams, da Universidade Federal de São Carlos.

Do total de entrevistados, 44% haviam apanhado de cinto da mãe e 20,9% do pai. A pesquisa mostra ainda outros tipos de violência – 24,3% haviam levado, da mãe, tapas no rosto e 13,4%, do pai.

“As nossas famílias são extremamente violentas. Depois, a gente se espanta de o Brasil ter índices de violência tão altos”, disse a pesquisadora, ao participar de audiência pública na Câmara dos Deputados que debateu projeto de lei que tramita na Casa e que proíbe o uso de castigos corporais ou tratamento cruel e degradante na educação de crianças e adolescentes.

Segundo ela, meninos vítimas de violência severa em casa têm oito vezes mais chances de se tornar vítimas ou autores de bullying. “O castigo corporal é o método disciplinar mais antigo do planeta. Mas não torna as crianças obedientes a curto prazo, não promove a cooperação a longo prazo ou a internalização de valores morais, nem reduz a agressão ou o comportamento antissocial”, explicou.

Para a secretária executiva da rede Não Bata, Eduque, Ângela Goulart, a violência está banalizada na sociedade. Ela citou diversas entrevistas feitas pela rede com pais de crianças e adolescentes e, em diversos momentos, frases como “desço a cinta” e “dou umas boas cintadas” aparecem.

Em uma das entrevistas, um pai explica que bater no filho antes do banho é uma forma eficiente de “fazer com que ele se comporte”. “Existem pais que cometem a violência sem saber. Acham que certas maneiras de bater, como a palmada, são aceitáveis”, disse.

Atualmente, 30 países em todo o mundo têm leis que proíbem castigos na educação de crianças e adolescentes, entre eles a Suécia e a Alemanha. “A lei é uma forma de o Estado educar os pais”, ressaltou o pesquisador da Universidade de São Paulo Paulo Sérgio Pinheiro.

Como forma de diminuir os índices de violência contra crianças e adolescentes em casa, os pesquisadores sugeriram a reforma legal, com a criação de leis que proíbam esse tipo de violência, a divulgação de campanhas nacionais, como as que já vêm sendo feitas, e a participação infantil, com crianças sendo encorajadas a falar sobre assuntos que lhes afetem. “A principal reclamação das crianças é que elas não aguentam mais serem espancadas pelos pais”, destacou Pinheiro.

Fonte: Priscilla Mazenotti (Agência Brasil) em 2 de setembro de 2011.

7 de set. de 2011

Dia da Indepência: asas às crianças


Rubem Alves em três atos: o vôo, a corrida e o olhar.


Asas e Gaiolas




Cada um corre do jeito que pode

RUBEM ALVES

'Curriculum', no latim, quer dizer 'corrida', 'lugar onde se corre'; na corrida entre diferentes, todos ganham

Havia crianças com síndrome de Down. E todas elas trabalhavam com a mesma concentração que as outras crianças. Pareciam-me integradas nas tarefas escolares, como as crianças ditas "normais". Perguntei ao diretor sobre o segredo daquele milagre. Ele me deu uma resposta curiosa. Não me citou teorias psicológicas sobre o assunto. Sugeriu-me ler um incidente do livro Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll. Fazia muitos anos que eu lera aquele livro. E eu o lera como literatura do absurdo, coisa para crianças.

Alice, seduzida por um coelho que carregava um relógio, seguiu-o dentro de um buraco que, sem que ela disso suspeitasse, era a entrada de um mundo fantástico. De repente, ela se viu dentro de um mundo completamente desconhecido e maluco, com o chapeleiro e o gato que ria.

No incidente que nos interessa, encontramos Alice e seus amigos completamente molhados -haviam caído dentro de um tanque. Agora, tinham um problema comum a resolver: ficar secos. O que fazer?

A turma da Alice, que era formado pelo pássaro Dodô -esse pássaro existiu de verdade, mas foi extinto-, um rato, um caranguejo, uma marmota, um pombo, uma coruja, uma arara, um pato, um macaco, todos diferentes, cada um do jeito como seu corpo determinava, todos eles pensando numa coisa só: o que fazer para ficar secos.

O pássaro Dodô sugeriu uma corrida. Correndo o corpo esquenta e fica seco. Mas Alice queria saber das regras. O pássaro Dodô explicou:
"Primeiro marca-se o caminho da corrida, num tipo de círculo (a forma exata não tem importância), e então os participantes são todos colocados em lugares diferentes, ao longo do caminho, aqui e ali. Não tem nada de '"um, dois, três, já'. Eles começam a correr quando lhes apetece e abandonam a corrida quando querem, o que torna difícil dizer quando a corrida termina."

Notem a desordem: um círculo de forma inexata, os participantes são colocados em lugares diferentes, aqui e ali, e não tem "um, dois, três, já", começam a correr quando lhes apetece e abandonam a corrida quando querem.
Assim, a corrida começou. Cada um corria do jeito que sabia: pra frente, pra trás, pros lados, aos pulinhos, em zigue-zague... Depois que haviam corrido por mais ou menos meia hora, o pássaro Dodô gritou: "A corrida terminou!" Todos se reuniram ao redor do Dodô e perguntaram: "Quem ganhou?". "Todos ganharam", disse Dodô. "E todos devem ganhar prêmios."

Acho que o Lewis Carroll estava expondo, de forma humorística, as suas ideias para a reforma dos currículos da Universidade de Oxford, ideias essas que ele não tinha coragem de tornar públicas, por medo de perder seu lugar de professor de matemática.

"Curriculum", no latim, quer dizer "corrida", "lugar onde se corre". Uma corrida, para fazer sentido, tem de ser entre iguais, não faz sentido por araras, ratos e caranguejos correndo juntos. Não faz sentido colocar os "diferentes" a correr junto com os "iguais" Aquilo a que se dá o nome de integração em nossas escolas é colocar os "portadores de deficiência" correndo a mesma corrida dos chamados de "normais". Nessa corrida, os "deficientes" estão condenados a perder. A corrida do pássaro Dodô é diferente: cada um corre do jeito que sabe e pode, todos ganham e todos recebem prêmios...

Artigo enviado por Tasso Leite, doutor em sociologia e assessor da Reitoria da Universidade Federal de Goiás em 06 de setembro de 2011.


Educar pelos olhos


 

Fonte: O artigo de Rubem Alves foi publicado na Folha de São Paulo, terça-feira, 06 de setembro de 2011.

6 de set. de 2011

Caso das crianças trancadas em casa: juiz de Itapecerica da Serra determina que seja feita uma investigação mais criteriosa

Louvável a postura de prudência do Juiz Gabriel de Campos Sormani!

Em situações que envolvam riscos ou suspeitas de violações de direitos de crianças e adolescentes todo o cuidado é pouco. Vale lembrar os casos da adolescente que foi barbaramente torturada pela empresária goiana Silvia Calabresi e dos irmãos João Vitor dos Santos Rodrigues e Igor Giovani Santos Rodrigues que foram brutalmente assassinados em Ribeirão Pires. Como em outros casos ocorridos no Brasil, nesses dois exemplos citados os conselhos tutelares locais foram acionados e não conseguiram oferecer uma devida atenção protetiva.

Uma criteriosa e aprofundada investigação é fundamental nesse caso. Como também é fundamental - independente das conclusões da avaliação técnica, que toda a família seja apoiada e encaminhada pra um serviço de atenção psicossocial para que os vínculos afetivos sejam cuidados e que outras situações de risco não se repitam.

Veja abaixo a matéria

Juiz manda crianças trancadas em casa para abrigo na Grande SP

Menores, entre eles bebê de 5 meses, moram em Itapecerica da Serra. Técnicos da Vara da Infância farão estudo psicossocial da família.

O juiz Gabriel de Campos Sormani, titular da 3ª Vara da Infância e Juventude de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, decidiu na noite desta segunda-feira (5) encaminhar a um abrigo da cidade os três filhos de Helena Alves Ferreira, suspeita de abandoná-los sozinhos em casa no último sábado (3). De acordo com o juiz, trata-se de uma medida para proteger as crianças enquanto algum familiar próximo dos menores, com idades de 5 meses, 2 anos e 12 anos, seja localizado.

O próximo passo dos técnicos da Vara da Infância é tentar achar parentes, ouvir vizinhos e fazer um estudo psicossocial da família até tomar uma decisão definitiva. “Tomamos essa medida para apurar melhor a denúncia, por prudência”, contou o juiz, no Fórum de Itapecerica da Serra. “Uma tarde é pouco para os psicólogos avaliarem a situação”, completou.

O filho mais velho, de 12 anos, ligou para a Polícia Militar dizendo que estava sozinho com a irmã de 5 meses e ela estava com fome. Também relatou aos policiais que sofria agressões. Em entrevista nesta segunda, a mãe das crianças, admitiu ter batido no garoto. Helena Alves Ferreira, entretanto, negou que tenha queimado o filho, como ele disse na ligação para a PM. O Conselho Tutelar diz que o menino, ao contrário do que afirmou aos policiais, não é vítima de maus-tratos.

Um conselheiro tutelar confirmou que as crianças não eram maltratadas e que um dos motivos que teria levado o garoto de 12 anos a ligar para a polícia é porque ele foi proibido pela mãe de jogar videogame em um bar.
A mãe dos menores afirmou que os filhos ficaram sozinhos por um mal entendido. “Foi um mal entendimento entre eu e o meu esposo porque saí para trabalhar.” Quando perguntada mais cedo por que o menino teria mentido, ela respondeu: “É criança. Porque ele estava com a nenê e eu deixei ele com os dois meninos”.

5 de set. de 2011

Maltratado pela mãe, menino de 12 anos pede socorro à polícia

Acesse o vídeo da reportagem AQUI


Foi por telefone que o menino de 12 anos pediu ajuda. O diálogo entre ele e o policial é comovente. Aconteceu em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo. É uma história triste de abandonado e desamparo.

A mãe simplesmente saiu de casa e deixou o filho de 12 anos trancado com os irmãos pequenos. O caso também levanta uma questão: o que se pode fazer para ajudar crianças que crescem em famílias sem nenhuma condição de cuidar delas?

As crianças estavam trancadas em uma casa. O mais velho estava com os irmãos de 2 anos e um bebê de cinco meses de idade. Foi o irmão mais velho que ligou para a polícia.

“É que a minha mãe me deixou preso aqui com meus irmãos. Quase sempre ela faz isso. E aí minha irmã está sem leite, está sem alimento. O que eu poderia fazer? Ela [a mãe] tem ciúme do meu pai. Aí eu acho que ela tem depressão, ela já esteve internada”, disse o menino ao policial.

O policial fica surpreso. “Tenho 12 anos e minha irmã tem cinco meses. Estamos presos”, continuou o menino. Na conversa, dá até para ouvir o bebê chorando. A criança revela que sofre agressões.

“[A mãe faz isso] todo sábado, todo domingo. Ela também me bate, me deixa com lesões. Já queimou minha mão e já queimou minha barriga”, disse o menino. “Você não tem como abrir a porta da casa?”, pergunta o policial. “Só se eu arrebentar a porta”, respondeu o menino.

Ele explica como conseguiu fazer a ligação. “Ela tirou o telefone da residência para eu não ligar para ninguém. Esse aqui é o meu celular. Saber [que eu tenho] ela sabe, mas eu escondi para ela não pegar”, comentou.

A Policia Militar foi ao local e libertou as crianças. “Eles estavam com muita fome e chorando. A criança estava toda suja”, contou o cabo Luís Antônio Pires, da Polícia Militar.

Os irmãos ficaram cinco horas na delegacia. Uma testemunha disse que essa não foi a primeira vez que a mãe abandonou os filhos. “Acho que ela não tem medo de perder a guarda, porque a polícia já foi lá e ela está fazendo de novo”, disse a testemunha.

A mãe não foi localizada. O pai, que é pedreiro e trabalha em outro município, foi chamado. Ele disse que não sabia de nada. Por orientação do Conselho Tutelar, as crianças foram devolvidas ao pai, que deverá apresentá-las nesta segunda-feira (5) à Vara da Infância e Juventude. Ele não quis dar entrevista, mas disse que iria levá-las de volta para casa.

No domingo (4), a equipe de reportagem do Bom Dia Brasil foi até a casa da família. Ninguém atendeu. Vizinhos disseram que as crianças não dormiram lá. Ao ouvir a gravação, o coordenador da infância e juventude do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador Antônio Carlos Malheiros, ficou preocupado.

“Que coisa trágica. Agora me preocupa em dobro, porque essas crianças vão se punidas. O menino, para chegar a esse ponto de denunciar a própria mãe, deve ter apanhado muito, mas muito. A coisa pode ter passado das surras”, acredita o desembargador.

Antônio Carlos Malheiros prometeu acompanhar de perto esse caso. “Se for o caso, comprovação de maus tratos, [vamos] já instaurar um processo para cuidar desse assunto, já suspender definitivamente o poder familiar e colocar para adoção”, afirmou o desembargador.

Durante todo o domingo, a equipe de reportagem do Bom Dia Brasil tentou contato com o Conselho Tutelar pra saber do paradeiro das crianças, mas não obteve resposta. A mãe deve responder por maus tratos, abandono de incapaz e violência doméstica. O que se espera é que o estado realmente acompanhe e cuide dessas crianças.


Fonte: Bom Dia Brasil - edição do dia 05/09/2011


Veja abaixo alguns números que revelam o impacto e a gravidade da violência física cometida contra crianças e adolescentes no Brasil

A cada dois dias, em média, cinco crianças de
até 14 anos morrem vítimas de agressão.

Ou seja, a cada dez horas, uma criança é assassinada no Brasil.
(Sistema de Informação de Mortalidade - SIM - Ministério da Saúde – 2008).

10% das crianças que se apresentam nas urgências dos hospitais no
Brasil, com menos de 5 anos, são vítimas de violência física.

Nas internações hospitalares, verifica-se elevada ocorrência
de traumatismo craniano em crianças
(MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2004).


De acordo com os resultados do Inquérito do Sistema de Vigilância em Violência e Acidentes/ Ministério da Saúde (VIVA, 2007), 61 % das crianças e 92% dos adolescentes tiveram como causa principal de internação a violência física.

Inquéritos realizados nos anos de 2006 e 2007 (VIVA) apontam
que a mãe (25%) seguida pelo pai (20%) são os principais
autores de violências cometidas contra crianças de 0 - 9 anos de idade.


fonte: Sistemas de informação em Mortalidade, Sistema de informação de internações hospitalares e Sistema de Vigilância em Acidentes e Violências (VIVA) do SUS.


4 de set. de 2011

"Race to nowhere": uma crítica a competitividade do ensino americano

Corrida para lugar nenhum


Sucesso nos EUA, o documentário faz
crítica à cultura da alta performance nas escolas






"Temos uma ideia limitada do sucesso"
Vicki Abeles



Confira abaixo a entrevista com a diretora Vicki Abeles
Por Camila Guimarães


Quem é:
Vicki é mãe de duas adolescentes, é advogada, mas largou a carreira executiva para virar documentarista.
O que fez:
O documentário Race to nowhere (Corrida para lugar nenhum), que virou sensação nos EUA e gerou uma onda de discussões sobre os limites da competitividade


De origem simples, a americana Vicki Abeles aprendeu, logo cedo, que só conseguiria sucesso na vida se estudasse muito. Chegou lá depois de bastante esforço. Formou-se em Direito e fez carreira como executiva de finanças. Quis que suas duas filhas seguissem o mesmo caminho, mas percebeu da pior maneira possível que havia algo errado. Sob pressão da escola por boas notas, sua caçula adoeceu. Vicki viu, então, que havia algo de errado na cultura competitiva imposta pelas escolas americanas. Largou o trabalho para se dedicar a um documentário que mostra os efeitos negativos dessa cultura nas crianças. "Criamos uma geração de jovens doentes e sem inspirações", diz ela.

ÉPOCA - A senhora é uma mãe preocupada com a educação dos filhos. Por que resolveu criticar as escolas mais rigorosas, com melhores resultados?

Vicki Abeles - Tudo começou com uma preocupação gradual com a alta demanda da escola de minha filha que cursava a 7a série. Em uma reunião na escola, percebi que era um assunto que preocupava também outros pais. Quando cheguei em casa, às 11 da noite, encontrei minha filha ainda acordada, fazendo lição de casa. Mas a gota d'água veio com o diagnóstico de depressão. Ela teve diversas doenças por causa disso. Resolvi, então, pegar uma câmera e sair gravando histórias iguais à dela.

ÉPOCA - Qual é sua ideia de sucesso para suas filhas?

Abeles
- Espero que cresçam felizes, confiantes, saudáveis, curiosas, criativas e conectadas. Espero que elas encontrem suas paixões e maneiras de fazer do mundo um lugar melhor. Especialmente, espero que elas tenham habilidades sociais e emocionais para estabelecer relações positivas com a família e os amigos.

ÉPOCA - Estudar com afinco não é importante?

Abeles
- Temos uma visão limitada do que é ter sucesso e do que é educação de boa qualidade. Somos conduzidos pelo medo de que nossas crianças não sejam capazes de competir globalmente. E nossa resposta para isso tem sido definir de forma limitada o que é ser um jovem de sucesso: ter boas notas e bom desempenho em rankings.

ÉPOCA - Mas a competitividade das escolas não melhorou a educação nos EUA?

Abeles - Não acredito nisso. O que mudou foi o foco do ensino. Ensinar agora é preparar para fazer prova. Não temos mais uma base curricular diversificada. Artes e educação física foram reduzidas ou eliminadas. E isso não funciona. Ainda temos falhas de aprendizado. A qualidade do aluno que chega à universidade é ruim e a evasão alta. Temos de fugir do modelo baseado em alto desempenho em avaliações e dar aos professores a chance de aplicar um currículo e provas que funcionem para as crianças.

ÉPOCA - Você acha que os pais confundem boa educação com ensino rigoroso?

Abeles - É fácil culpar os pais ou os professores, mas a verdade é que criamos um sistema que desvia a atenção do que é realmente importante. Queremos desenvolvimento acadêmico, é claro, mas também social, emocional e criativo. Acho que devemos lembrar que há outras habilidades na vida, inclusive cometer erros. Então deveríamos nos perguntar se ficar acordado durante horas à noite fazendo lição de casa, ou contratar um exército de professores particulares, vai ajudar em alguma coisa.


Veja ainda a reportagem de
Martha Mendonça


O ponto fraco do ensino forte

"A estudante de artes Chanel Rodrigues, de 18 anos, faz desenhos em casa, no Rio.
Ela entrou em depressão nos anos em que estudou em um colégio tradicional


"Por que as escolas tradicionais - as primeiras colocadas nos exames nacionais de avaliação - podem causar danos aos alunos"


Foram os piores anos da minha vida.” A frase ainda é dita com sofrimento pela estudante carioca Chanel de Andrade Rodrigues, de 18 anos. Ela está no 1o ano da faculdade de artes, mas não esquece o período em que estudou no Santo Agostinho, do Rio de Janeiro, um dos colégios mais tradicionais e bem-conceituados do país. Do 7o ano do ensino fundamental ao 1o ano do ensino médio, passou seus dias perdida entre aulas que não acompanhava, um enorme volume de conteúdos para memorizar, provas difíceis, notas baixas e um séquito de professores particulares a cada final de ano letivo. Na escola, não gostava de sair para o recreio e não comia nada. Em casa, compensava a ansiedade comendo demais. Na escola anterior, menos rígida, onde tirava boas notas, costumava nadar e fazer aulas de dança. No Santo Agostinho, evitava as aulas de educação física. Chanel entrou em depressão e engordou 20 quilos.

A mãe tentou convencê-la a fazer terapia, mas ela se recusava. “Eu só queria ser invisível”, afirma. “Odiava a competitividade que estava sempre no ar.” Só depois que Chanel foi reprovada, no 1o ano, sua mãe decidiu trocá-la de escola. (Procurado por ÉPOCA, o Santo Agostinho não respondeu aos pedidos de entrevista.) O caso de Chanel é apenas um entre centenas que revelam uma realidade incômoda: o custo emocional alto – muitas vezes altíssimo – do modelo de eficiência adotado naquelas escolas que exigem alto desempenho dos alunos e garantem todo ano boas colocações nos melhores vestibulares" (trecho da matéria)

Acesse a reportagem completa no site da REDE PRIMEIRA INFÂNCIA

Fonte: Revista Época/01 de agosto de 2011.

3 de set. de 2011

O beijo visto de cima por Andy Bater



Domingo de beijos coloridos

“O fotógrafo comercial britânico Andy Barter é conhecido por suas premiadas imagens. Com um olhar sempre diferente sobre o óbvio, ele busca retratar com a fotografia cenas cotidianas. Desta vez, lançou uma nova série apenas com fotos de casais se beijando. O detalhe: todas são vistas de cima”.

Veja as outras fotos da série Kiss no site de
Andy Bater. Em seu portifolio vale conferir as séries Nude e Flowers of Loss.

Fonte: Revista Época

1 de set. de 2011

Choro vira estratégia de político suspeito de corrupção

A corrupção sempre contou com uma fiel aliada de última hora:
O CORPORATIVISMO POLÍTICO.

Acesse AQUI o irônico vídeo produzido pela uol

“Chorosa, Jaqueline discursou: ‘Em 2006, eu era uma cidadã comum, não era deputada nem funcionária pública…’ ‘…Portanto, não estava submetida ao Código de Ética da Câmara.” Queixou-se de suposto cerceamento de defesa. Disse ter sido massacrada pela mídia (sempre ela)”. Fonte: Folha Online

A gente chora de emoção', diz Jaqueline um dia após ser absolvida


Abaixo imagens de Jaqueline Roriz recebendo dinheiro