8 de ago. de 2011

"Sou quem sou, porque somos todos nós!"



A jornalista e filósofa Lia Diskin, no Festival Mundial da Paz, em Floripa (2006), nos presenteou com um caso de um povo na África chamada Ubuntu.

Ela contou que um antropólogo estava estudando os usos e costumes deste povo e, quando terminou seu trabalho, teve que esperar pelo transporte que o levaria até o aeroporto de volta pra casa. Sobrava muito tempo, mas ele não queria catequizar seus membros; então, propôs uma brincadeira pras crianças, que achou ser inofensiva.

Comprou uma porção de doces e guloseimas na cidade, botou tudo num cesto bem bonito com laço de fita e tudo e colocou debaixo de uma árvore. Aí ele chamou as crianças e combinou que quando ele dissesse "já!", elas deveriam sair correndo até o cesto, e a que chegasse primeiro ganharia todos os doces que estavam lá dentro.

As crianças se posicionaram na linha demarcatória que ele desenhou no chão e esperaram pelo sinal combinado. Quando ele disse "Já!", instantaneamente todas as crianças se deram as mãos e saíram correndo em direção à árvore com o cesto. Chegando lá, começaram a distribuir os doces entre si e a comerem felizes.

O antropólogo foi ao encontro delas e perguntou porque elas tinham ido todas juntas se uma só poderia ficar com tudo que havia no cesto e, assim, ganhar muito mais doces.

Elas simplesmente responderam: "Ubuntu, tio. Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?"

Ele ficou desconcertado! Meses e meses trabalhando nisso, estudando as pessoas do povoado, e ainda não havia compreendido, de verdade,a essência daquele povo. Ou jamais teria proposto uma competição, certo?

Ubuntu significa: "Sou quem sou, porque somos todos nós!"


Atente para o detalhe: porque SOMOS, não pelo que temos...

UBUNTU PARA VOCÊ!

Enviado por Mirian Tesserolli em 06 de agosto de 2011.

Crianças que passam por situações traumáticas têm maior risco de desenvolver doenças crônicas quando adultas, mostra pesquisa


Crianças que foram abusadas, perderam um dos pais ou sofreram outras dificuldades, como abuso de drogas por um dos responsáveis em casa, podem ter maior risco de desenvolver doenças crônicas na vida futura, sugere um novo estudo. A pesquisa, com mais de 18 mil adultos de dez países, descobriu que aqueles que dizem ter enfrentado adversidades na infância tinham grande chances de desenvolver inúmeros problemas, como artrite, asma, diabetes e dor nas costas crônica, ou dor de cabeça.


Veja reportagem completa AQUI


Contribuição da jornalista Eleonora Ramos, Salvador BA.

7 de ago. de 2011

Prazer garantido: ver Fred Astaire e Bety Hutton dançando ao som de Daniela Merculy.

Muito criativa a montagem de Gilberto França Gomes. Os passos do casal Fred Astaire e Bety Huttone e a música estão em um compasso exato.





Nasci para Bailar é um filme de 1950, auge dos musicais de Hollywood. Traz Fred Astaire e Bety Hutton, em uma bela performance e é lembrado pelos amantes do gênero, apesar de não ser um dos grandes clássicos. A grande sacada de Dr. Gilberto aqui, foi o início. A discussão entre o casal, ao som de Daniela Mercury dizendo ‘não me abandone’ e a sincronia perfeita com o início da música propriamente dita. É realmente, imperdível".



Confira a versão original abaixo


6 de ago. de 2011

Ator Rafinha Bastos não comparece a depoimento sobre suposta apologia ao crime

Marcado para esta sexta-feira (5), o depoimento do humorista Rafinha Bastos, integrante do programa 'CQC', da TV Bandeirantes, foi adiado para a semana que vem.

Segundo o delegado Ricardo Cestari, titular do 14º Distrito Policial (Pinheiros), a advogada do artista ligou cancelando a intimação, alegando outros compromissos.

Acesse a reportagem completa
AQUI


Veja ainda a crítica de João Márcio ao humor preconceituoso e sem graça do Zorra Total

Não é estupro se for na Globo









Há alguns meses a arroba mais influente do Twitter, como Rafinha Bastos gosta de ser chamado, foi duramente criticado por fazer uma piada sobre estupro dizendo que “mulher feia quando é estuprada deveria agradecer”. Além dos ataques no Twitter, o Ministério Público decidiu investigá-lo por conta da piadinha desrespeitosa e de péssimo gosto. Nada mais justo. Estupro ou qualquer outro tipo de abuso sexual é algo nojento e criminoso. Além disso, uma “piada” como essa fere a dignidade de quem já passou por essa situação e dos seus familiares. Eu tenho um caso de estupro na família e me sinto ofendido quando vejo alguém banalizando algo tão grave.

Paralelo a tudo isso, a nova sensação do sempre engraçadíssimo e inovador Zorra Total [/ironia] conta da história de uma transexual e sua amiga feia que andam em um metrô lotado e suas desventuras cotidianas. Tudo isso em meio a um bordão que se popularizou rapidamente: Ai, como eu tô bandida!

O roteiro do quadro não muda: Janete encontra Valéria, elas comentam sobre a cirurgia de mudança de sexo de Valéria, fazem uma brincadeira de “você gosta?” – “gosto” até o infinito que irrita o telespectador e a personagem, Valéria dá meia dúzia de patadas e apelidos em Janete e, por fim, alguém abusa sexualmente de Janete no vagão lotado. Neste momento Valéria, muito debochada, diz pra amiga aproveitar o momento porque não é sempre que uma mulher como ela tem esse tipo de sorte. Ou seja, em meio a todas as claques e clichês que imperam no programa de sábado, ensinamos semanalmente que a mulher não deve reagir ou se ofender caso seja sexualmente abusada, e caso venha a sofrer um estupro, deve se sentir sortuda, pois nenhum homem gostaria de se envolver com uma mulher feia. Percebam que é exatamente a mesma piada que saiu da boca de Rafinha Bastos e foi absurdamente pisoteada. Porém na Globo sua projeção é outra, torna-se benéfico. Ignora-se o fato do desrespeito a dignidade. O pior de tudo: tal quadro alcança hoje 25 pontos no Ibope. Todo sábado a noite o mesmo roteiro ensina às mesmas pessoas que estupros e abusos sexuais são bençãos, e não devem ser denunciados.

Fica a pergunta: Qual a diferença do estupro de Rafinha Bastos e do estupro de Valéria e Janete? Nenhuma, salvo o poder de penetração da mensagem. Enquanto Rafinha atende a um público mais “elitizado” socio-culturalmente (afinal, ele é defensor do tal ‘humor inteligente’, apesar dos quilos de preconceito), o Zorra Total vai de encontro com um povo que provavelmente não teve acesso a informação e que utiliza na maioria das vezes a televisão como seu quadro negro involuntário. Os quadros subsequentes colocam a mulher como unicamente uma fêmea, um objeto sexual, ridicularizam o fato Presidência do Brasil estar nas mãos de uma mulher e passam uma hora semanal fazendo o retrógrado humor da mulher de pouca roupa, erotizando o telespectador. Esse é o mesmo programa que ensina que estupro é o novo ‘casar e ter filhos’. É um humor machista e misógino. Eu sinceramente não acho a menor graça dessa bandidagem da Valéria.

Aos que não sabem: hoje no Brasil, 43% das mulheres brasileiras sofrem violência doméstica; uma mulher é violentada a cada 12 segundos; a cada duas horas uma mulher é assassinada. E você vai continuar rindo disso?

Fonte: Written by João Márcio

5 de ago. de 2011

Eu sei, mas não devia - Marina Colasanti


Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

Enviado por Leila Oliveira, professora da rede municipal de educação e mestranda do Programa de Pós-graduação da Faculdade de Educação - UFG, em 04 de agosto de 2011.

4 de ago. de 2011

O Sudão do Sul é o 30º países do mundo a ter uma lei que protege as crianças contra os castigos corporais.



Caros amigos,

Vamos ser o 31º? Já é hora do Brasil aprovar o PL 7672/2010.

Com a conquista da sua independência em 9 de Julho, o Sudão do Sul, é o 30º pais do mundo a proibir os castigos corporais contra crianças, inclusive os praticados dentro de casa. A nova Constituição que está em vigor - a Constituição de Transição da República do Sudão do Sul (2011) - artigo 17 º que proíbe todos os castigos corporais: "Toda criança tem o direito ... estar livre de castigos corporais e cruéis e desumanos tratamento por qualquer pessoa, incluindo pais, administração escolar e outras instituições ...". O Sudão do Sul é o terceiro estado a alcançar a proibição completa na África, ao lado de Tunísia e do Quénia.


Parabéns ao Sudão do Sul, que terá que enfrentar inúmeros desafios com a conquista de sua independência, entre eles diminuir a mortalidade infantil, porém, já se constitui como um país que respeita todos os direitos da criança e isso é um excelente sinal.


Seguiremos trabalhando para que as crianças brasileiras também tenham o direito - garantido por lei - de crescerem livres de qualquer forma de castigo coporal.


Para mais informações consulte





Marcia Oliveira
Rede Não Bata. Eduque

3 de ago. de 2011

José Helder: um pai essencial!



Poema: Divisa

"(...) Um encontro de dois: olhos nos olhos, face a face.
E quando estiveres perto, arrancar-te-ei os olhos e colocá-los-ei no lugar dos meus;
E arrancarei meus olhos para colocá-los no lugar dos teus;
Então ver-te-ei com os teus olhos
E tu ver-me-às com os meus.
Assim, até a coisa comum serve o silêncio
E nosso encontro permanece a meta sem cadeias:
O Lugar indeterminado, num tempo indeterminado,
A palavra indeterminada para o Homem indeterminado".

Jacob Levy Moreno



Carta aos filhos Pedro e Mariana,

O homem é sempre conhecido aos pedaços, a partir dos múltiplos olhares que habitam a sua existência. Os pais nunca saberão tudo que seu filho foi, os filhos jamais terão a dimensão total do ser que foi o pai. A pessoa amada conhecerá apenas parte do homem que a enlaçou em um compromisso profundo e duradouro. Os amigos e colegas de trabalho conheceram apenas uma das muitas facetas do José Helder.

Como amiga do José Helder - que não teve a oportunidade de se despedir e dizer o tanto que ele foi importante para mim, sinto a necessidade de fazer esse testemunho a vocês, Pedro e Mariana. Conheci seu pai em 1995, quando iniciei a formação em Psicodrama Terapêutico pela Sociedade Goiana de Psicodrama. Por exigência desse programa formativo fizemos juntos a terapia de grupo didática. Que grande encontro foi esse! Seu pai é daqueles homens que quanto mais próximos ficamos mais admiramos. Compartilhamos muitas aprendizagens e experiências preciosas nesse processo terapêutico.

Fomos colegas de grupo de estudo e, junto com outros participantes do curso, compusemos uma dramatização das As Palavras do Pai de J.L. Moreno. Essa obra escrita pelo jovem Moreno trata da relação entre o humano e o sagrado. Grávida de 8 meses da Cecília, representei a criação e ele o sol. Preparar essa apresentação foi uma grande oportunidade de vivenciar prazer e alegria. Primeiro foi a labuta de converter a poesia As Palavras do Pai em cenas dramáticas, depois confeccionar os figurinos e elaborar os efeitos especiais. Por fim, a dramatização no Congresso de Psicodrama que aconteceu em Caldas Novas. Inês, Dorothy, José Helder, Lívia, Malu, Neiva e quem pode estar presente nesta apresentação, com certeza viveu um momento mágico de encantamento e encontro humano.

Separamo-nos antes do término do curso, mas ficamos muito amigos. Vim a reencontrá-lo profissionalmente na secretaria de saúde de Goiânia, trabalhando como psicólogo do CAPS Novo Mundo. A sua dedicação ao trabalho e o compromisso com os usuários de saúde mental sempre foi admirável. Isso vocês já devem ter ouvido de muitas pessoas. Por isso quero contar sobre outras qualidades de seu pai, começarei pelo respeitável talento dramático. Quando fizemos a primeira performance dramática no Congresso de Psicodrama seu pai ainda era um iniciante inibido, de movimentos cortados e ríspidos. Porém, os anos passaram e muita água correu de baixo da ponte.

Certa vez, por saber que ele tinha feito o curso de contador de história, pedi que interpretasse antes de uma palestra sobre violência física contra crianças o conto Negrinha, de Monteiro Lobato. Ele, sempre gentil, topou me ajudar. Em um auditório lotado, o cerimonial anuncia o nome do psicólogo José Helder. Com seu jeito sempre discreto, inicia a história da Negrinha. Ao fim de sua apresentação, o auditório comovido pela vigorosa e emocionante interpretação, fica em um silêncio profundo por alguns instantes. Lágrimas sinuosas e lentas desceram dos olhos de muitos que o ouviram e, logo depois, uma explosão de aplausos tomou conta do lugar. Impressionada, como todos naquele evento, pensei comigo mesma: Deus do céu, meu amigo virou um artista mesmo! Daí para frente, além de um excelente profissional, seu pai tornou-se um artista dos palcos. Tive o prazer de assistir a sua interpretação de Morangos Mofados, de Caio Fernando Abreu. Que beleza de espetáculo! Quanto talento. Naquele dia, ele deixou todo o público apaixonado!

Mas de todas as qualidades que admirei em seu pai, uma me encantava mais. José Helder é um dos pais mais carinhosos que conheci. Era delicioso ouvir suas estórias paternas, como ele ninava o pequeno Pedro quando bebê ou da alegria que expressava ao contar as primeiras conquistas escolares da Mariana. Um pai muito amoroso que não media esforços para cuidar de seus filhos. Quando falava do Pedro e da Mariana o mais nublado dos dias se iluminava com a intensidade do brilho que irradiava de seu olhar. E veja bem, é muito raro eu encontrar um pai que provoque a minha admiração. O meu crivo é severo, pois nunca ninguém conseguiu superar a imagem que tenho de meu próprio pai. Para mim, ele sempre foi o melhor homem do mundo, o meu herói, pois com sua generosidade e mansidão oceânica, plantou em uma cova muito funda a paz em mim.

Mariana e Pedro, sem sombra de dúvidas, o José Helder foi um pai que despertou em mim muita admiração. Sinto que ele também plantou a paz em seus corações. Acredito que os pais que realizam esse plantio são os essenciais. Sei que a dor da perda é dilacerante. No entanto, carreguem consigo o orgulho e a honra de serem frutos de um homem como o José Helder Teixeira. Guardem com carinho a herança do amor incondicional que ele deixou para vocês e sigam o seu legado plantando paz nos corações dos seus filhos.

Com carinho Cida Alves


Veja um trecho da obra As palavras do Pai

Bendito aqueles que trabalham em silêncio
No anonimato de suas almas vivas,
Na obscuridade de suas noites.
São perseguidos e ameaçados,
Mas seu trabalho sobreviverá.

Que este penetre na palavra dos homens
E forje suas vitórias.
Que se abrigue no coração das pessoas.
Que inspire aos líderes e force aos maus
a se renderem.

As Palavras do Pai de J.L.Moreno
Traduzido por Dr. José Carlos Landini & José Carlos Vitor Gomes
Campinas, SP - Editorial Psy, 1992

Tradução a partir do original Inglês: The Words of The Father
Copyright by J.L.Moreno, 1971
Publicação original pela Beacon House Inc.

Missa de 7º dia de José Helder




Caríssim@,


Convidamos vocês para a Misa de 7º dia de José Helder Teixeira, a realizar-se no dia 03/08/11 às 19h, na Catedral de Goiânia.

Abraços

Regina Reis

29 de jul. de 2011

Nota de falecimento

Amigos da saúde mental e do psicodrama,

Ainda impactada por uma profunda triste, comunico a todos o falecimento do psicólogo José Helder.


A esse homem especial, pai amoroso,
profissional idealista e competente e amigo
muito muito amado ofereço todas as flores do mundo.


A seus filhos Pedro e Mariana e demais familiares envio
minha solidariedade e o meu abraço sincero!



Abaixo reproduzo a Homenagem do Fórum Goiano de Saúde Mental

"Há homens que lutam um dia e são bons.
Há outros que lutam um ano e são melhores.
Há os que lutam muitos anos, e são muito bons.
Mas há os que lutam toda a vida, esses são os imprescindíveis."
(Bertold Brecht)

Homenagem do FGSM ao companheiro José Helder que partiu na noite de ontem. Ele esteve desde o prinícipio na construção da rede de atenção à saúde mental em Goiânia e, nos últimos anos, gestor do CAPS VIDA . Nossa gratidão pelo legado de competência técnica e política por uma sociedade sem manicômios...

28 de jul. de 2011

...viver é para os insistentes - artigo de Eliane Brum

Meu filho, você não merece nada

A crença de que a felicidade é um direito, tem tornado despreparada a geração mais preparada

Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.

Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.

Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.

Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.

Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.

É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?

Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.

Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.

Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.

A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.

Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.

Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.

Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.

Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.

O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.

Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.

Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.

Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.

Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.




ELIANE BRUM
Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo).
E-mail: elianebrum@uol.com.br
Twitter: @brumelianebrum



Enviado pelo jornalista Rosimar Silva em 26 de julho de 2011.

26 de jul. de 2011

A doença de ser normal












Deus me livre de ser normalizado!
Deus me livre de ser normatizado!
Deus me livre de ser uma média na estatística!



Abaixo alguns fragmentos do artigo A doença de ser normal da jornalista Eliane Brum

Na semana passada, li uma entrevista do professor José Hermógenes de Andrade Filho, uma lenda no mundo da ioga no Brasil. No texto, ele conta ter criado uma palavra – “normose” – para dar conta daquele que talvez seja o grande mal do homem contemporâneo. “Normose” seria a “doença de ser normal”. O professor explica: “Como diz o título de um documentário que fizeram sobre mim: ‘Deus me livre de ser normal!’. Pois, na dita normalidade em que vivemos, somos constantemente alimentados pelo que nos aliena de nós. Com isso, perdemos a noção das coisas, do sentido de nossa vida, deixando que o mundo interfira muito mais do que deveria. (...) Essa normalidade nunca esteve tão distante da verdade”.

A entrevista faz parte de uma coletânea de boas conversas com pessoas ligadas ao universo da espiritualidade – não necessariamente religiosa – no Brasil e no mundo, escrito em dois volumes pelo jornalista mineiro Lauro Henriques Jr., com o título “Palavras de poder” (LeYa, 2011). Ganhei os dois livros de uma pessoa especial na minha vida e por isso comecei a ler com curiosidade. Me deparei com a “normose” do professor Hermógenes. E fiquei instigada a pensar sobre ela.

Acho que vivemos um momento histórico muito rico. Só precisamos de mais coragem. Como diz o professor Hermógenes, do alto dos seus 90 anos, “Deus (seja ele o que for – ou não – para cada um) me livre de ser normal!”.

Vale conferir, acesse o texto completo AQUI







ELIANE BRUM
Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo).
E-mail: elianebrum@uol.com.br
Twitter: @brumelianebrum

25 de jul. de 2011

Solidão por Chico Buarque



Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo... Isto é carência.

Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar... Isto é saudade.

Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos... Isto é equilíbrio.

Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida... Isto é um princípio da natureza.

Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... Isto é circunstância.

Solidão é muito mais do que isto.


Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma....


Francisco Buarque de Holanda

Enviado por Lenice Cruvinel em 25 de julho de 2011.

24 de jul. de 2011

Tragédia da Noruega



Como a intol
erância ao diferente pode
ser tão devastador!


Como o ódio de um único ser
humano pode ser tão destrutivo!


Já se sabe quem é o responsável pela tragédia. O assassino está preso e foi acusado por terrorismo. A polícia investiga se ele agiu sozinho.

"Ele tem ligações com grupos de extrema-direita e se declarou um cristão fundamentalista. É nacionalista e se opõe a uma sociedade multicultural e à imigração de muçulmanos. Ele também foi integrante do Partido Progressista, que quer restringir o número de imigrantes na Noruega" (fonte: Jornal Nacional/Globo)


Veja reportagem completa AQUI

"Cada vítima é uma tragédia", diz primeiro-ministro norueguês

22 de jul. de 2011

Música para reencantar os dias...

Como companhia para o final de semana fica a bela voz do irlandês Damien Rice e os emocionantes acordes do violoncelo e das guitarras da canção The Blower's Daughter





Essa canção foi tema do filme Closer - Perto Demais e ganhou uma versão em português interpretada por Ana Carolina e Seu Jorge: É isso aí.


21 de jul. de 2011

O adolescente de 13 anos foi agredido por um professor de artes marciais na escola - Cariacica/ ES


"A indignação da mãe do
adolescente é ainda maior ao ver o filho machucado e envergonhado. 'Ele está quieto, no canto dele, diferente do normal. O rosto está inchado, acho que ele está com vergonha. Não sei qual vai ser minha reação se encontrar esse professor. Não tenho estrutura para conversar com o homem que espancou meu filho. Crio meus filhos sozinha e nunca agredi nenhum deles. É uma revolta muito grande', desabafa (fonte G1).


Veja AQUI reportagem completa no Portal G1


Comentário:
A delicada tarefa de educar


De acordo com Felipe & Philippi (1998), a violência visa sempre eliminar, no sujeito que a sofre, qualquer possibilidade de fazer uso da autodefesa para garantir-se íntegro. O ato violento busca suprimir um dos atores como sujeito, pois tem por finalidade impor nesse a condição de objeto, ou seja, sem arbítrio, vontade e luta. Anular a vontade, o desejo do aluno, impondo pela força a sua própria vontade, foi o que fez o educador da Escola Municipal Angelo Zani ao determinar que desligasse o celular que tocava Funk.

Ora, também não curto esse estilo musical, mas veja bem, no processo educativo o que é mais importante: reprimir e controlar gostos ou desejos ou promover discernimentos? Impor padrões de linguagens culturais ou gostos musicais é ensinar? Anular a vontade de ouvir certos hits promove a capacidade de discernimento e de autonomia dos educandos?

Para o professor da Escola Municipal Angelo Zani - Cariacica/ ES e todos nós educadores, posto abaixo algumas reflexões de Regis de Morais, autor do livro Violência e Educação.

Para o Regis de Morais (1995), o autoritarismo está na raiz de toda violência ocorrida no campo educacional. O autoritarismo - explícito ou dissimulado, se caracterizará sempre por uma fundamental indisposição ao diálogo. Uma forma de antidiálogo muito presente nas relações educacionais é a doutrinação, ou seja, é o esforço de condicionar seres humanos, ante uma realidade rica e diversa, a fazerem uma “leitura” única e redutora. Nesse sentido é fundamental que o professor proponha ao aluno a forma que lhe pareça mais rica de “ler” o mundo e a vida, pois ensinar implica sempre uma proposta cognitiva. No entanto, Morias ressalta que o educador:

"(...) está eticamente obrigado a deixar claro para os seus alunos que a forma de “leitura” por ele apresentada é uma, dentre várias outras possíveis, na abordagem do que chamamos realidade. Nada de apresentar um modo de compreensão como sendo o único confiável, o único existente ou o único válido; como sendo a única via de acesso à verdade. Isto é francamente ideológico” (MORAIS, 1995, p. 58)

Um pouco mais de Regis Morais:

"No verdadeiro diálogo eu não desejo submeter ou dominar o pensamento do outro; não me interessa vencer e tocar, sobre a humilhação dos vencidos, os ridículos clarins da vitória; interessa-me tanto convencer quanto ser convencido, na dependência do que se passou no 'entre dois'. Diálogos terminam em silêncio de indizível gratidão recíproca, já que, como dizia Alceu Amoroso Lima, a glória do homem é a palavra e o coroamento da palavra é o silêncio. Isto não se refere nem de longe aos silêncios impostos por mordaças; isto aponta para aquele tipo de silêncio que é a intraduzível celebração do entendimento profundo (MORAIS, 1995, p. 72).

"As relações educacionais são e devem ser sempre bipolares e estarão constantemente na dependência de ser ou não possível o evento do 'encontro humano'. Ao educador cumprirá bater, de boa consciência, à porta dos educandos postos sob seu cuidado; nisso o educador não pode omitir-se, não pode falhar: ele precisa, cheio da melhor boa vontade, 'bater à porta' do educando. Como, porém, foi ensinado por Buber, o encontro humano coroa um momento de graça no qual havia alguém batendo pelo lado de fora, bem como havia alguém querendo abrir, pelo lado de dento da porta. Isto quer dizer que o educador não tem o direito de 'arrombar a porta' na qual bate: a do educando" (MORAIS, 1995, p. 71)
.

"(...) educar é intervir em vidas, assim como ensinar o é. Intervenção em vidas humanas é alguma coisa que se faz pelo convite e não pela invasão. (...) Fique bem claro que intervir em vidas é algo que se faz sob o princípio da autoridade, que não tem qualquer parentesco com o princípio do autoritarismo. Autoridade é um princípio de equilíbrio e não será exagerado dizermos que é um princípio de amor, como várias vezes o concebeu Santo Tomás de Aquino. O que, de fato, caracteriza autoridade é a relação de solidariedade, bem como a inexistência de uma relação de dominação" (MORAIS, 1995, p. 45).

"Na verdade, o autoritarismo é o tapume atrás do qual alguma incompetência se esconde. (...) Portanto, frisemos: o educador intervém em vidas numa relação de autoridade, pois, numa relação de autoritarismo ele fatalmente invade vidas, sufocando nestas o que nelas pode haver de sinceridade e espaço interior criativo. Rousseau sempre repetia que essa pseudo-educação, que se parece a 'tábuas da lei', só acaba por infundir no educando hábitos da mentira, hipocrisia e vaidade, fazendo uma astuciosa vingança contra aquele que se julgou no direito de invadir brutalmente o recesso de uma vida" (MORAIS, 1995, p. 46).

"Será educador, portanto, todo aquele que conseguir alcançar a sutileza de discernir – o mais nitidamente possível - a fronteira complexa que separa intervenção de invasão. 'Mas a autoridade é humilde (embora firme), pois sabe que a receptividade dos educandos é uma estrutura de cristal, bela e capaz de partir ao menor impacto, que precisa ser ‘artisticamente’ preservada. O autoritarismo é arrogante (embora frágil) por compreender que não é convidado e nem recebido, por saber que vive respondendo perguntas que não foram feitas, por ter consciência de que sua própria existência é um logro: 'a consagração de uma mise-em-scéne de quinta categoria'” (MORAIS, 1995, p. 47).


Referências citadas:
FELIPE, Sônia T.; PHILIPPI Jeanine Nicolazzi. O corpo violentado: estupro e atentado violento ao pudor. Um ensaio sobre violência e três estudos de filmes à luz do contratualismo e da leitura cruzada entre direito e psicanálise. Florianópolis: Ed. da UFSC. 1998.
MORAIS, Regis de. Violência e educação. Campinas, SP: Papirus, 1995 (Coleção Magistério: Formação e Trabalho Pedagógico).

20 de jul. de 2011

Dia Internacional da Amizade

@s amig@s do blog,


Ofereço as palavras de Vinicius de Moraes e de Carlos Drummond


Amigos

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devoto
e a absoluta necessidade que tenho deles.

A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor,
eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos,
enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.

E eu poderia suportar, embora não sem dor,
que tivessem morrido todos os meus amores,
mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos !

Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos
e o quanto minha vida depende de suas existências ...
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.

Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.

Mas, porque não os procuro com assiduidade,
não posso lhes dizer o quanto gosto deles.
Eles não iriam acreditar.

Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem
que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.

Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro,
embora não declare e não os procure.

E às vezes, quando os procuro,
noto que eles não tem noção de como me são necessários,
de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital,
porque eles fazem parte do mundo que eu,
tremulamente, construí,
e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.

Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.
Se todos eles morrerem, eu desabo!
Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.
E me envergonho, porque essa minha prece é,
em síntese, dirigida ao meu bem estar.
Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.
Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos,
cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim,
compartilhando daquele prazer ...

Se alguma coisa me consome e me envelhece
é que a roda furiosa da vida
não me permite ter sempre ao meu lado,
morando comigo, andando comigo,
falando comigo, vivendo comigo,
todos os meus amigos, e, principalmente,
os que só desconfiam
- ou talvez nunca vão saber -
que são meus amigos!
A gente não faz amigos, reconhece-os.

Vinicius de Moraes













com todo carinho do mundo....

Cida Alves

19 de jul. de 2011




Caros Amigos,

Estamos divulgando o boletim das ações da Rede Não Bata, Eduque nos meses de Maio a Junho de 2011.

Vejam aqui


Abraços,
Marcia Oliveira
Rede Não Bata, Eduque

18 de jul. de 2011

Saral Cultural: traumas e segredos familiares são o tema de hoje

Traumas e segredos familiares: uma
herança invisivelmente perigosa para as gerações futuras.


Abaixo segue algumas sugestões de filmes e livro


“Há tantas coisas que desconheço...
se um barbante com nó pode libertar o vento...
e se um afogado pode acordar....
então um homem ferido pode se curar”.
(Texto do final do filme Chegadas e Partidas)








Chegadas e Partidas
(The shipping news)

Direção: Lasse Hallström
Roteiro: Robert Nelson Jacobs, baseado em livro de E. Annie Proulx
Elenco: Kevin Spacey, Julianne Moore, Judi Dench, Cate Blanchett
Sinopse:
Baseado na novela homônima vencedora do prêmio Pulitzer de E. Annie Proulx, The Shipping News retrata a busca de um jornalista (Kevin Spacey) à sua auto-descoberta, que tem início na volta do personagem ao lugar onde viviam seus ancestrais, na costa de Newfoundland. The Shipping News é um retrato engraçado da família contemporânea, uma história do esforço que um homem comum faz para reconstruir sua vida em um ambiente novo e completamente diferente do seu, uma comunidade pesqueira litorânea.



Outras sugestões de filmes:



Regras da Vida
Título original: (The Cider House Rules)
Lançamento: 1999 (EUA)
Direção: Lasse Hallstrom
Atores: Tobey Maguire, Charlize Theron, Delroy Lindo, Paul Rudd.
Sinopse:
Baseado no best-seller de John Irving, a história de Homer Wells (Tobey Maguire), um garoto sem parentes que passa a ter como mentor um médico de um orfanato, Dr. Wilbur Larch (Michael Caine). Larch ensina a Homer tudo o que sabe sobre medicina e a diferença entre certo e , mas nunca o ensinou as regras da vida propriamente ditas. Quando Homer sai para descobrir o mundo, ele mais excitante do que jamais imaginara, especialmente quando se apaixona pela primeira vez. Entretanto, quando forçado a tomar decisões que irão influir para sempre em sua vida, percebe que no final das contas não pode fugir de seu passado.


Chocolate (Chocolat)
Direção: Lasse Hallstrom
Atores: Juliette Binoche, Lena Olin, Johnny Depp, Judi Dench.

Sinopse:
Vianne Rocher (Juliette Binoche), uma jovem mãe solteira, e sua filha de seis anos (Victorie Thivisol) resolvem se mudar para uma cidade rural da França. Lá decidem abrir uma loja de chocolates que funciona todos os dias da semana, bem em frente à igreja local, o que atrai a certeza da população de que o negócio não vá durar muito tempo. Porém, aos poucos Vianne consegue persuadir os moradores da cidade em que agora vive a desfrutar seus deliciosos produtos, transformando o ceticismo inicial em uma calorosa recepção.






Casas dos Espíritos (The House of the Spirits)
Direção: Billie August
Elenco: Meryl Streep, Glenn Close, Jeremy Irons, Winona Ryder, Antonio Bandera, Vanessa Redgrave

Sinopse: A história do Chile da década de 20 aos anos 70 é contada através da saga da família Trueba, que começa com a união de um homem simples (Jeremy Irons), que fica rico, com uma jovem (Meryl Streep) de poderes paranormais. A saga se desenvolve até esta família ser atingida pela revolução, que no início da década de 70 derrubou o presidente Salvador Allende.



Sugestão de Livro:




MEUS ANTEPASSADOS – Vínculos trangeracionais, segredos de família, síndrome de aniversário e prática do genossociograma.
Anne Ancelin Schutzenberger
Editora: PAULUS



Anne Ancelin Schützenberger trabalha com análise clínica e, em sua prática de mais de vinte anos, reúne “terapia transgeracional psicogenealógica contextual”. Em uma linguagem corrente isso significa que somos um elo na cadeia de gerações e que temos às vezes, curiosamente, de “pagar dívidas” do passado de nossos antepassados. É uma espécie de “lealdade invisível” que nos leva a repetir, queiramos ou não, situações agradáveis ou acontecimentos dolorosos. Somos menos livres do que acreditamos, mas temos a possibilidade de reconquistar nossa liberdade e de sair do destino repetitivo de nossa história, compreendendo os laços complexos que foram tecidos em nossa família.

Livro apaixonante e repleto de exemplos, inscrevendo-se entre as mais recentes pesquisas em psicoterapia integrativa. Evidencia em particular os vínculos transgeracionais, a síndrome de aniversário, o não-dito-segredo e sua transformação num impensado devastador.






Anne Ancelin Schutzenberger atua em análise clínica grupal e psicodrama. Professora emérita da Universidade de Nice. Dirigiu um laboratório de Psicologia Social e Clínica por mais de vintes anos. Assessora seminários de terapia grupal em vários lugares do mundo

17 de jul. de 2011

Violência policial contra quilombola na Bahia


Quilombola é morto por policial dentro de casa no Quilombo de Volta Miúda - Caravelas BA

Em pleno São João, dia 24 de junho, quando o nordeste voltava sua atenção para as festas juninas, um fato grave não ocupou nossa mídia: o quilombola Diogo de Oliveira Flozina, 27 anos, pai de 2 filhos, teve sua casa invadida por 3 policiais a paisana que chegaram na comunidade de carro comum em pleno meio dia.

Testemunhas da comunidade que não desejam se identificar, pela gravidade das ameaças que sofrem, disseram que os policiais mataram Diogo por volta de 12:30h e que ficaram na casa com ele até 14h, quando uma viatura chegou para levar o corpo.

Nessas horas que a polícia estava na comunidade, um menor de 15 anos foi espancado e ameaçado de morte por se aproximar do local, que os policiais mantiveram isolado de outras pessoas.
A viatura então seguiu para o município de Nova Viçosa, para um bairro onde já existem ocorrências de tráfico de drogas; depois seguiram para o hospital de Teixeira de Freitas, lá e na delegacia o corpo foi apresentado como de um traficante.

O boletim de ocorrência consta que o rapaz foi morto depois de uma batida policial com trocas de tiro numa boca de fumo em Nova Viçosa.
O Quilombo de Volta Miúda, assim como outros da região, vive conflitos permanentes com polícia e empresas de eucalipto e carvão.

A comunidade acredita que Diogo foi morto por estar extraindo carvão e incomodando os interesses das empresas do ramo.
"Aqui os quilombolas vivem aterrorizados, trancados em suas casas, silenciados pela opressão, eu coloco minha boca no mundo, mas sei que posso morrer a qualquer momento por isso, precisamos de ajuda!" relata um quilombola que não deseja se identificar.

O quilombo de Volta Miúda é certificado pela Palmares, tem 120 famílias em estado de preocupante pobreza e sobrevivem com muito sacrifício por conta da dominação das empresas de eucalipto.

Na região, vive em conflito com polícia e empresários, além da Volta Míúda, cerca demais 7 comunidades que se sentem isoladas, sem apoio e cobertura nenhuma dos poderes públicos.
O

Quilombo de Volta Miúda pede socorro
, antes que outras tragédias aconteçam!


Enviado por Luiz do Nascimento Carvalho, psicólogo, mestre em educação e doutorando pelo programa strictu sensu em Psicologia Social da PUC-SP e Bolsista pelo International Fellowship Program (IFP) da Fundação Ford (FF), em 14 de julho de 2011.